3 de maio de 2012

A primeira vítima


Quer se goste ou não do estilo, o “Bom Dia” de Pedro Moura é uma programa de televisão que cumpre, na integra, a missão de serviço público nos Açores. Ninguém se admira de este ser dos mais vistos na RTP-Açores.

Quando as reportagens são de pequenas comunidades, das ilhas mais pequenas ou de assuntos menos relevantes e não cabem nos noticiários tradicionais, têm sempre à sua espera um lugarzinho no “Bom Dia”. Muitos são os entrevistados do Pedro Moura que nunca teriam hipóteses de aparecer no Telejornal e que ali têm espaço para apresentarem os seus projetos, recebendo, em troca, um apoio incondicional daquele jornalista, que valoriza o trabalho e empenho de muitas associações espalhadas por este arquipélago.

Sabe-se agora que a emissão do “Bom Dia” vai terminar. Assim, sem mais. De qualquer dos modos este tipo de programas já tinha sido condenado pela ordem, vinda de Lisboa, de concentração do horário de emissão. O “Bom Dia” de Pedro Moura é, assim, a primeira vítima da transformação da RTP-Açores numa mera janela.

O ministro Miguel Relvas não percebeu ou não quer perceber que a RTP-Açores não é um canal de televisão qualquer. Na sua génese esteve a coesão de uma região composta por nove ilhas e muito mar e, neste momento, a RTP-Açores representa um instrumento que contribui, e muito, para o fortalecimento da nossa Autonomia. Transformar o futuro da televisão dos Açores numa mera questão economicista é de muito mau gosto, sobretudo quando se sabe que o problema deste canal nem sequer reside aí.

Os Governos dos Açores do Partido Socialista sempre entenderam que o financiamento do serviço de rádio e televisão é da responsabilidade da República Portuguesa, mas, mesmo assim, criaram condições técnicas para que fosse possível cobrir com alguma qualidade e regularidade os acontecimentos de todas as ilhas, em nome da coesão regional.

Confrangedora é a posição do PSD-Açores sobre a televisão e rádio da região. Aliás, o PSD-Açores de Berta Cabral, quando esta questão se levantou, esteve sempre incompreensivelmente errático, daí ter revelado não uma, mas várias posições sobre esta matéria e sempre de modo a proteger o governo de Passos Coelho, atirando para trás das costas o superior interesse dos Açores. Primeiro o financiamento deveria vir da Lei das Finanças Regionais. Depois deveria ser o Estado Português a suportar a totalidade do financiamento. Agora dizem que a solução passa por uma empresa com capitais nacionais, regionais e privados.

Quando se esperava do PSD de Berta Cabral uma posição de força perante Passos Coelho e companhia, vê-se apenas submissão e incapacidade para reivindicar um direito que nos assiste.

1 comentário:

MILHAFRE disse...

Mais vítimas surgiram se não fizermos frente aos lacaios de Lisboa que andam por aí a vender mijo por água de cheiro...