20 de fevereiro de 2006

Procurar soluções para seguir em frente

Não há dúvidas que a agricultura graciosense tem-se afirmado no contexto da Região Autónoma dos Açores. Alguém dizia recentemente que a Graciosa era a ilha com maior sucesso agrícola.

Partindo duma situação desvantajosa, sobretudo pelo facto da maior parte dos agricultores praticarem uma agricultura de subsistência, em explorações de pequena dimensão e muito fragmentadas, com uma média de idade muito elevada, como tal com pouca apetência para a mudança, mas mesmo assim houve uma rápida adaptação aos novos meios de produção e às novas exigências comunitárias, facto que é por todos reconhecido. A classe rejuvenesceu e preparou-se para os desafios do futuro.

A acompanhar esta espantosa progressão sem paralelo nos Açores, houve também a decisão do poder político, assumida em 1996, de inverter a tendência da política anterior de fechar a ilha à produção de leite (de 92 a 95), arquitectada pelo Governo Regional de então.

A construção da nova fábrica de lacticínios veio permitir a substituição de uma outra, perfeitamente obsoleta e sem condições de operar com as novas regras comunitárias e que, por isso, nos últimos anos correu diversas vezes o risco de ser mandada encerrar, o que teria sido um rude golpe ao processo de modernização em curso. A nova fábrica, ao que me dizem, foi projectada para laborar 10 milhões de litros anualmente, estanto portanto nesta fase está a funcionar abaixo das suas capacidades.

Por outro lado houve um grande esforço na formação dos activos nesta área e também apoios às organizações de produtores. Em 2005 também o leite passou a ser pago ao mesmo preço da Terceira, facto que veio acabar com uma injustiça de muitos anos.

Este conjunto de factores, juntamente com a complacência do tempo excelente para a produção que se tem verificado durante este ano agrícola, originou um aumento vertiginoso da produção de leite, sobretudo a partir de Outubro de 2005.

Por isso de constata que quando terminar o ano agrícola a quota destinada à Graciosa será ultrapassada em cerca de 2 milhões de litros, facto que será ainda mais preocupante se forem aplicadas imposições suplementares, vulgarmente conhecidas por multas. Por azar, também na Terceira e em outras ilhas a quota vai ser ultrapassada.

Nesta situação de crise existem várias verdades:
1ª - a do Governo, que tem feito diversos avisos a todos os agricultores para não ultrapassarem os seus direitos de produção;
2ª – a dos agricultores, que exigem mais quota para viabilizarem as suas explorações e evitar as multas;
3ª – a dos industriais, que querem mais matéria prima para viabilizarem as suas fábricas;
4ª – a das organizações de produtores, que defendem o aumento do rendimento dos seus associados.

No entanto atrevo-me a dizer, como aliás toda a gente sabe e repetidamente referido, que esta crise, a ter desenvolvimentos negativos, irá afectar todos os graciosenses e terá repercussões inimagináveis na nossa frágil economia.

Por isso defendo que é preciso encarar esta crise com seriedade e sem constrangimentos políticos, já que se trata de um problema que é tecnicamente melindroso e de difícil resolução.

A curto prazo poderão haver soluções, como sejam: aquisições de quotas no exterior, novos resgates, a criação de uma bolsa de quotas e as reformas antecipadas de agricultores com mais de 55 anos de idade.

Mas agora, e é agora que existe um problema que urge resolver, é preciso unir todos os intervenientes, estudar as várias hipóteses e depois atalhar caminho, sem cair em facilidades, porque a solução não estará de certeza no empenhamento de uma só das partes, estará antes num compromisso de todos.

12 de fevereiro de 2006

A nova onda

Segundo cita António Borges do Canto Moniz, no livro Ilha Graciosa - Açores Descripção Histórica e Topographica, escrito no ano de 1883, a nossa ilha terá sido achada por volta do ano de 1450, a partir das Quatro Ribeiras que, devido à sua localização geográfica na parte norte da Ilha Terceira, local onde os descobridores teriam feito o primeiro assento, puderam avistar a Graciosa e, acredita-se, na primeira viagem a esta ilha, os descobridores terão visto as restantes ilhas que constituem o grupo central do arquipélago.

Depois do seu descobrimento, e segundo o mesmo autor, mandaram da Terceira lançar-lhe gado. Então, Vasco Gil Sodré, homem distinto e natural de Montemor-o-Velho e que vivia em Angra do Heroísmo, passou para esta ilha com a sua família e empregados, tendo desembarcado na zona do Carapacho, onde construiu uma casa e instalou a alfândega. Esta foi a primeira onda…

É certo também, e os dados históricos confirmam, que, pouco tempo depois do povoamento das ilhas, também pela Graciosa começaram a surgir todo o tipo de piratas (holandeses, espanhóis e argelinos) que atacavam os navios que por cá se abrigavam, principalmente aqueles que vinham das Indías, com as suas preciosas cargas, e despojavam a população dos seus bens, usando a força e cometendo todo o tipo de atrocidades. Assim tivemos diversas invasões, algumas com resultados dramáticos, como foi o caso da morte do capitão donatário Duarte Barreto nas mãos dos espanhóis, e outras em que os graciosenses conseguiram ripostar com valentia, como foi o caso da que aconteceu em 1623 na Vitória, onde os mouros, que tencionavam roubar naquela parte da ilha, encontraram gente determinada e corajosa que lhes fez frente. As invasões constituíram assim a segunda onda.

Ao longo de toda a nossa história outras dificuldades são referidas, com foi o tempo em que contávamos com excedente de população para os recursos existentes, obrigando uma grande parte dela a procurar um melhor futuro noutras paragens. Esta foi também uma grande onda, ou melhor, muitas e pequenas ondas com sentido contrário, que nos roubam regularmente e desde há muito, gente jovem e laboriosa que procura o sucesso e a felicidade noutras paragens.

Apesar de sermos uma comunidade pequena e, talvez por isso, pacífica, as questões de segurança tiveram e tem cada vez mais razão de ser. No passado a segurança teve certamente outra importância e impacto, mas hoje em dia é, com toda a certeza, um dos pilares da liberdade e da justiça, desde que implementada de uma forma coerente.

A Polícia de Segurança Pública para mim sempre representou e representa uma instituição respeitável e de importância crucial, porque a sua presença é estabilizadora e a sua acção inibe os infractores, mas, sem dúvida, o papel mais importante que lhe está reservado é a sua actuação pedagógica que renderá, com toda a certeza, resultados positivos a breve trecho.

Sinceramente não consigo entender como é que a deslocação de diversos elementos da secção de trânsito do exterior e a sua actuação incisiva e rigorosa nas ruas da Graciosa, apenas nos poucos dias que cá estão, poderá ser reconhecida como benéfica. Com isto não quero de maneira nenhuma afirmar que não se devem fazer as chamadas operações stop e a restante fiscalização relativa ao trânsito, antes pelo contrário: temos que acabar com excesso de ruído, com as faltas de seguro e inspecção dos veículos, com o excesso de velocidade, com a condução sobre efeitos de álcool e estupefacientes, temos de disciplinar o trânsito.

Estas e outras acções devem ser feitas, mas mantidas de uma forma regular e nunca para embelezar estatísticas. Que nunca mais se diga, como alegadamente constou, que numa semana se facturou mais que durante um ano…

Não acredito estarmos perante uma nova onda, mas se assim for haveremos de sobreviver, tal como aconteceu com os nossos antepassados.

5 de fevereiro de 2006

Amigos para sempre

“A amizade duplica as alegrias e divide as tristezas.” (Bacon)

Hoje estamos praticamente à mesma distância do dia dos amigos, já passado, e do dia das amigas, que se comemora na próxima quinta-feira. Ambos se destinam a celebrar a amizade, como é óbvio.

O convívio que marca estes dias não é mais do que a oportunidade para dar ênfase a tudo o que une os amigos e ajuda a manter viva a verdadeira amizade e a desvalorizar tudo aquilo que a faz perigar.

Apesar da construção da verdadeira amizade ser apanágio dos humanos, o maior desafio, sobretudo nestes tempos de incertezas e competição desenfreada, é a sua manutenção.

Contamos com os amigos nas horas das vitórias, mas é nas derrotas que mais falta nos fazem. Ter amigos é poder contar com apoio destes nas horas difíceis e nos momentos em que mesmo a auto estima é posta em causa. Ter um amigo é sentir que, apesar do caminho ser longo, ao nosso lado temos alguém que nunca nos abandona. Ter um amigo é ter alguém com o qual podemos pensar em voz alta, é ter alguém que nos ouve.

Ser amigo é confiar muito, compartilhar tudo, amparar sempre e ajudar a realizar os sonhos de outro.

Um amigo é um irmão, só que escolhido por nós. Por ter um irmão que é um grande amigo e ter amigos que são grandes irmãos, digo, convictamente, que tenho os melhores amigos do mundo…

30 de janeiro de 2006

O cerco

Na passada semana realizaram-se as eleições legislativas na Palestina, claro que envolvidas em grande expectativa, primeiro pelos vizinhos e depois por todo o mundo.

Acredito piamente que qualquer país com interesses na área tivesse a sua preferência, até porque estavam e estão em jogo altos valores económicos e até de estratégia geopolítica, nalguns casos incompreensíveis e que, sinceramente, nem nos interessa perceber.

Depois de conhecidos os resultados eleitorais, houve grande algazarra e espanto por parte de alguns países, os países do costume, os chamados polícias do mundo.

Quando se foi a votos, de duas uma: ou se acreditava na democracia e nos seus valores ou então faz-se de conta que é assim e depois não se aceita o seu resultado, porque ele não foi de acordo com o que se pretendia. Esta é fase podre da democracia, aquela em que os mais poderosos querem mudar as regras a meio do jogo, para que os seus interesses sejam satisfeitos integralmente.

Será que alguém no seu perfeito juízo pensaria que na Palestina ficaria tudo como estava? Penso que não, nem os mais optimistas.

Naquela zona do mundo existem seres humanos da minha geração que nunca conheceram a paz, nem conhecem o seu significado, gente oprimida e obrigada a viver numa prisão no seu próprio país, gente que todos os dias vê crescer um muro à sua volta e também cerca as suas definhadas terras, tudo em nome da segurança de alguns.

Ainda há quem prefira morrer de pé a viver sempre ajoelhado, como afirmava Ernesto “Che” Guevara.

23 de janeiro de 2006

Copiar e colar

Cavaco Silva venceu as eleições presidenciais 2006. É verdade que foi por pouco, mas venceu. Glória ao vencedor, honra aos vencidos. É assim a vida…

Confesso que esta derrota da esquerda para mim foi dramática. Se algum dos candidatos, perfilhados à esquerda, tivesse um bom resultado, isto é, um resultado que obrigasse a direita a uma segunda volta, o meu artigo desta segunda-feira estava feito: seria a sua biografia e mais nada... Era fácil, custava pouco, eu ficaria bem no retrato e ainda por cima não era um caso inédito. Á cautela, eu já tinha verificado e, de facto, estava tudo na Internet, não falhava nada. Mas o destino pregou-me esta partida e cá estou eu sem grande assunto para escrever, até porque não me apetece recorrer aos “mails” diários que recebo, nem a artigos de outras publicações. Copiar e colar, nos tempos de hoje, é trivial e está ao alcance de todos, mas, sinceramente, não faz o meu género. Há quem goste…

Enquanto divagava, veio à minha memória os meus tempos de escola e lembro, a quem me conhece mal, que nunca fui um grande aluno, primeiro pela estatura e depois pelo mediano aproveitamento escolar. No entanto há uma cena que jamais esquecerei. Certo dia a minha professora de Português incumbiu a turma de fazer um trabalho sobre um livro de Soeiro Pereira Gomes chamado Esteiros, livro que eu adorava e que ainda por cima já o tinha lido duas vezes. Senti-me bem no papel e confesso que nesse dia “dei o litro”. O trabalho saiu na perfeição, pensava eu.

Mas nestas coisas de testes e exames, e comigo era habitual, precisamos sempre de quem está ao nosso lado. Percebi que o “Manel” (nome fictício), ou não tinha lido o livro, ou não estava a “pescar” nada do assunto. Devagarinho, como quem não quer a coisa, coloquei o meu teste ao alcance dos desorientados olhos do “Manel”, tal como este já fizera comigo noutras situações de verdadeira aflição. Reparei no seu olhar agradecido e, sinceramente, fiquei orgulhoso por também poder ajudar.

O pior estava para vir. O “Manel” entregou o seu teste primeiro que o meu, até porque nestas situações é muito importante não dar nas vistas. Nunca me tinha passado pela cabeça que ele tivesse copiado, literalmente, toda a minha redacção e no fim ainda tivesse acrescentado, em forma de rodapé, tal como eu fizera, “trabalho escrito com uma BIC esfera fina”, brincadeira que eu tinha a mania de fazer com alguma frequência, mas que também expressava a minha preferência por aquele tipo de esferográfica.

Conclusão desta história: o “Manel” teve um bom mais e eu um simples suficiente menos, com a agravante de, no fim do teste, ainda ter visto averbado a seguinte nota a vermelho da professora: copiaste pelo “Manel”, grande coisa. O “Manel” disse-me calmamente, já depois de aliviado pelo stress da entrega dos testes, com aquele olhar maroto e de quem já nada tem a perder: "Ouve lá pá, a culpa é da professora. Eu até escrevi com BIC, mas a minha era de esfera grossa".

Foi uma lição. A partir daí não gosto de copiar nem de quem copia.

16 de janeiro de 2006

Open Internacional de Fotosub


No próximo dia 18 de Janeiro de 2006 vai ser apresentado na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL) o I Open Internacional Fotosub Ilha Graciosa, que se realizará em Junho do corrente ano.

A ideia da realização deste evento de nível internacional surgiu logo após a realização do Campeonato Nacional, que se realizou na nossa ilha em Setembro de 2004, tendo em consideração a opinião de muitos participantes, membros dos júri e elementos da Federação Portuguesa de Actividades Subaquáticas, que garantiram ser a Graciosa um local de excepção para mergulho e fotografia subaquática devido, em grande parte, à beleza das inúmeras baixas existentes ao redor da Ilha.

Estas potencialidades já tinham sido referidas pelo professor Luís Saldanha na década de 70 em diversas publicações, onde defendeu, inclusivamente, a implementação de uma reserva marinha, mas sem prejuízos para a pesca profissional. Foi nessa altura também proposta a criação de um centro internacional de mergulho na baía do Filipe, projecto que não teve qualquer progresso devido, sobretudo, à inércia própria daquela época e a nebulosas dúvidas da sua utilidade. O professor Luís Saldanha, estava, de facto, a pensar 50 anos à frente…

Hoje em dia já ninguém tem dúvidas que a ilha Graciosa tem sido projectada e divulgada enquanto destino de eleição para mergulhadores. A quantidade e qualidade da fauna e flora subaquáticas garantem, por si só, o desenvolvimento deste nicho de mercado, sem pôr em causa o nosso rico e sensível património natural.

Os organizadores deste importante evento pretendem, nesta fase, divulgar a ideia e a marca junto dos operadores turísticos, dos clubes do país, das Federações internacionais e dos órgãos de comunicação social especializados.

O Open Internacional decorrerá em vária fases, sendo a primeira a inscrição com a apresentação do porte fólio, seguindo-se a selecção por um júri, no mês de Abril. Os apurados nesta fase virão disputar a prova que terá as seguintes categorias: ambiente sem mergulhador, ambiente com mergulhador, macro sem peixes, tema livre e peixes. No final cada fotógrafo apresentará 6 fotos, uma por cada tema, à apreciação do júri. Os prémios, que serão monetários, destinar-se-ão às três melhores colecções e também à melhor foto de cada categoria.

O financiamento será garantido, por uma lado, com a venda de publicidade e com a participação de um grande patrocinador e, por outro, contará com o apoio da Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa e Governo Regional dos Açores.

Esta realização será, sem dúvida, mais um contributo para a afirmação de uma forma de turismo ecológico, que importa dinamizar, e, simultaneamente, terá o intuito de colocar a Ilha Graciosa como capital do mergulho nos Açores.

8 de janeiro de 2006

O melhor património


“GRACIOSA, Açores: uma ilha de simpatia no meio do atlântico.” Esta frase ocorreu-me quando andava à procura de uma que melhor definisse a nossa ilha. É claro que é possível encontrar outras, porventura até com definições mais objectivas ou com maior impacto, mas deixem-me dizer que gosto desta, porque exprime aquilo que sinto.

Vivemos numa pequena ilha cujas belezas ultrapassam a sua própria dimensão. Temos um vulcão adormecido, ar puro, tranquilidade, segurança, águas limpas, natureza intacta e paz, entre outras. Mas o que de melhor temos para oferecer a quem nos visita é a simpatia, que é, sem dúvida, inversamente proporcional ao tamanho desta ilha e constitui o nosso melhor património. E é principalmente esse o “feedback” que recebemos dos forasteiros.

É amplamente conhecida a forma cordial com que se recebem os visitantes, nos lares, nas festas familiares, nas festas dos clubes e filarmónicas, que, por ser tão flagrante, causa por vezes um misto de espanto e admiração.

Evidentemente que isso, apesar de ser uma mais valia, não nos resolve tudo. É preciso aplicarmos essa qualidade a todas as áreas de actuação, de forma a dar corpo a uma qualidade humana importante, vinda de longe e que temos a obrigação de preservar.

Mas, por vivermos em condições excepcionais, tendo em conta o que se passa no resto do mundo, é certo e sabido que os problemas, que também os temos, se transformam em grandes problemas pelas fragilidades que a condição de “ilhéus” nos impõe. É a outra face da mesma moeda.

Deixando para trás algumas das chagas próprias das sociedades modernas e que por cá também constituem uma preocupação, como sejam os consumos de álcool e drogas, ultimamente tem surgido um fenómeno novo, que é o vandalismo. Basta vermos o que se está a passar com os sinais de trânsito espalhados por toda a ilha, constantemente e repetidamente fustigados pela fúria de uns quantos. Dizem-me que é preciso mais vigilância e eu concordo, mas é necessário sobretudo educação e isso dá-se em casa e nas escolas.

1 de janeiro de 2006

Ano novo, tempo novo

Estamos a iniciar mais um ano, um tempo novo, tempo de votos, enviados das mais diversas formas, com claro predomínio da via SMS, cheios de esperança num mundo melhor. Enquanto contava as passas espalhadas na palma da mão, passaram-me pela frente imagens de um mundo cruel, mas que muitos de nós, teimosamente, ainda acreditam que poderá e deverá ser melhor.

Vivemos num mundo que, apesar de estar em constante transformação, fica indelevelmente marcado pela guerra, pela dependência energética (talvez daí a guerra, ou não será assim?), pelos novos desafios da globalização, pela relevância absoluta dos interesses financeiros e pelo tráfico, nas suas mais diversas formas (drogas, seres humanos e influências).

Não seria bom que acabassem todas as guerras? Não é também um sonho de toda a humanidade, pelo menos para os bem intencionados, que as verbas astronómicas gastas na industria da guerra, fossem aplicadas nos cuidados de saúde de continentes fustigados por doenças que ainda tem cura e que ceifam milhões de vidas, na investigação para cura da SIDA e na luta contra a fome?

Devido à tão falada globalização, conceito ainda pouco definido, existe uma grande concentração de capital nos grandes grupos económicos. Por isso os países ricos ficam mais ricos e os países pobres ficam cada vez mais pobres, pois estes últimos não conseguem exportar os seus produtos e as suas matérias primas são desvalorizadas, enquanto os países ricos, para além do grande desenvolvimento tecnológico que registam, continuam a subsidiar a produção, tornando esses produtos artificialmente muito mais competitivos, como acontece com os de origem agrícola. Esta política enaltece apenas os interesses financeiros, em prejuízo do estado de bem-estar social, contribuindo para a desagregação do serviço público e aumento do desemprego provocado pelas sucessivas crises económicas.

Hoje a União Europeia, e não só, paga para não se produzir mais. São os casos do leite, dos cereais, da carne e do peixe, enquanto mesmo aqui ao lado, em África, milhões de pessoas ainda passam fome. As quotas de produção, embora entenda a sua utilidade do ponto de vista económico, são uma aberração quando somos confrontados com esta triste realidade.

As indústrias farmacêuticas, organizadas em autênticos e poderosos lobbys, teimam em não baixar os preços dos medicamentos destinados aos países mais pobres, para tratamento de doenças que, se fossem convenientemente tratadas, não teriam uma mortandade tão elevada.

Como se resolvem estes problemas? Não tenho respostas e a única certeza é a de que não nos podemos conformar nunca.

Hoje já estamos num novo ano. Hoje é dia de renovar a esperança.

25 de dezembro de 2005

Natal todos os dias

Hoje é Natal. Este dia tem um sentido especial para todos nós, até porque geralmente nos encontramos rodeados por aqueles de quem mais gostamos. A família e os amigos dão-nos o alento para a caminhada da vida. Mas confesso que, neste dia, também sinto alguma melancolia provocada pela consciência de que a humanidade enfrenta momentos de grande dificuldade, enredada na incapacidade de pôr fim a profundas diferenças económicas e sociais que retalham o nosso planeta. Nestes momentos propícios à reflexão muitas perguntas ficam sem respostas.

Este sentimento surge porque, neste período, os órgãos de comunicação social também dão um enfoque especial a estes problemas, sobretudo para abanar consciências. Por outro lado também fico animado com gestos altruístas de gente que deixa para trás o conforto do seu lar para ajudar aqueles que mais precisam. São esses voluntários que nos fazem pensar e ter a esperança de que o mundo algum dia seja melhor e mais justo.

Com os inúmeros problemas provocados pelas catástrofes, pelas guerras, pelas doenças, pela intolerância e pelas fracturas sociais, vai valendo a intervenção despretensiosa dos voluntários integrados em diversas organizações que, apesar dos parcos recursos, conseguem agregar vontades para, a seu modo, contribuir para um mundo melhor.

Nos Açores, e também na Graciosa, o voluntariado é uma realidade, mas é preciso continuar a fomentar uma cultura de solidariedade e, ao mesmo tempo, difundir melhor o voluntariado. Há gente que, em prejuízo das suas vidas familiares e sociais, dedica grande parte do seu tempo a desenvolver acções de interesse social e comunitário. Esta dedicação aos outros é a afirmação de que a construção de uma sociedade melhor é feita de pequenas contribuições. A todos eles desejo que o espírito Natalício os acompanhe todos os dias do ano.

19 de dezembro de 2005

São Gabriel



O navio São Gabriel da Boxline, empresa de transportes marítimos que serve a ilha Graciosa, depois de efectuar as manobras de saída do porto da Praia, ficou sem máquinas devido a uma avaria eléctrica. A força do mar e do vento, que vinham de leste, atiraram o navio para a costa e quando já se encontrava a cerca de 800 metros dos Fenais, lançou o ferro de estiborbo que acabou por prender no fundo e assim evitar um desastre. Curiosamente fazia no Domingo 5 anos que encalhou o navio Corvo no ilhéu da Praia, este da empresa Mutualista Açoriana. Depois de reparada a avaria o São Gabriel seguiu a sua viagem para Lisboa, como estava previsto.

Vida difícil

O Sport Clube Marítimo venceu ontem (domingo) o Lusitânia da vizinha ilha Terceira, conhecido candidato à subida. Quanto a mim não só ganhou, como ganhou muito bem e ao contrário do que aconteceu noutras situações, a equipa graciosense conseguiu defender o golo de vantagem, que alcançou bem cedo, sem abdicar do ataque. Apesar de grande parte do jogo se ter desenrolado no meio campo do Marítimo, o seu guarda-redes poucas vezes foi chamado ao trabalho. Isto diz quase tudo sobre este encontro.

No final do jogo foi visível o desalento por parte de jogadores e treinador forasteiros, o que é absolutamente normal, mas já o seu presidente que, com gestos que eram visíveis em toda a bancada, tentava arranjar uma desculpa para uma derrota que, segundo se poderia perceber pela exuberância gestual, seria forjada. Nada de mais errado. Aquele senhor apenas se pode queixar da sua equipa, pois foram os seus jogadores que optaram por um jogo mais duro, por vezes roçando a violência e mesmo a agressão e por isso foram castigados com duas expulsões, que até pecaram por escassas. A equipa de arbitragem com certeza terá errado aqui e ali, mas, quanto a mim, fez um trabalho positivo e não teve qualquer influência no resultado.

Serve esta introdução para levantar algumas questões ao que se tem passado na arbitragem nesta competitiva série Açores. Tenho ouvido sistematicamente queixas de arbitragens em determinados campos e, normalmente, recheadas de histórias que envolvem jantares com dirigentes, automóveis alugados, recepções nos aeroportos, enfim, toda uma panóplia de esquemas que dão muito que pensar. É capaz de haver, por vezes, algum exagero motivado pela febre clubista, mas lá que os problemas existem é verdade, segundo muitas das vozes que tenho escutado ultimamente.

Acredito que a maior parte dos árbitros são pessoas sérias, uns mais competentes que outros, e por isso é muito mau julgarmos o todo pelas partes, mas também sei que num meio destes, como em muitos outros meios, existem pessoas sem escrúpulos. Acho que é eticamente incorrecto e reprovável um árbitro aceitar qualquer tipo de benesse de um clube. Esses casos deveriam ser denunciados, para continuarmos a acreditar na verdade desportiva.

Ouviu-se falar muito no apito dourado das ligas profissionais, mas parece-me que por cá é preciso dar alguma atenção a este fenómeno que, de tão repetitivo, já parece normal e quando assim é, é porque já estamos a bater no fundo.

O Sport Clube Marítimo é uma equipa pequena, de uma ilha pequena e isso incomoda muita gente. Não devia, dizem muitos, mas incomoda, dizemos nós. Já dizia Indira Gandhi, “é um grande privilégio ter vivido uma vida difícil”. Força, porque para a frente é que há caminho…

13 de dezembro de 2005

Barco encalhado na Ilha do Faial


Foto gentilmente cedida por Carlos Rosa.

O navio porta-contentores "CP Valour" encalhou na tarde de sexta-feira (9 de Dezembro) a norte da ilha do Faial. Este barco tem cerca de 180 metros de comprimento e 27 de largura. Os 21 tripulantes ainda se encontram a bordo e não correm perigo de vida. Já foram efectuadas várias tentativas para rebocar o navio daquela posição, mas até agora sem sucesso.

12 de dezembro de 2005

O valor da pedra


Desde sempre a pedra, por ser muito abundante na nossa Ilha, foi aproveitada para delimitar terrenos, fazer abrigos para pessoas e culturas e na construção de edifícios públicos e particulares, de espaços de lazer e monumentos.

Rapidamente a técnica de trabalhar a pedra, de a moldar ás exigências estéticas de cada época, se tornou numa arte espelhada um pouco por toda a ilha e que, infelizmente, está com tendência a acabar, conforme se foram e se vão retirando da vida activa os artífices que construíram verdadeiras belezas. Neste momento já restam muito poucos e o futuro não augura nada de bom nesta área.

Dar um passeio pela ilha, sobretudo pelas zonas urbanas, é um exercício para os sentidos. As cantarias das moradias, os passeios, os muros, os bebedouros, os bancos, as fontes e a calçada portuguesa, constituem um rico património que, apesar de tudo, tem sido preservado minimamente, devido a campanhas de sensibilização iniciadas no período pós sismo de 1980. Creio que cada vez mais se está a dar importância à preservação do nosso património construído, porque também há a consciência que esta riqueza deixada pelos nossos antepassados, junto com o património natural, constituem dois pilares fundamentais e de inegável valor para a projecção da Ilha Graciosa no mercado do turismo, tanto o interno como o externo.

O aumento dos níveis de conforto verificado nos últimos anos tem, no entanto, obrigado a demolições de casas antigas e as ricas pedras trabalhadas que as compunham tem sido, muitas vezes, enterradas e até mesmo enviadas para o mar. Por outro lado também se tem assistido a autênticas aberrações, como sejam a destruição de passeios em nome de maior eficácia e a sistemática substituição sem critérios de harmonia de pedra pelo cimento.

Acho que o respeito que os nossos antepassados nos merecem, obriga a manter uma vigilância activa para evitar a delapidação do património que herdamos.

4 de dezembro de 2005

Açores (mais) activos



Fazendo uma pesquisa no site http://www.cdc.gov, que aproveito para recomendar, conclui-se que as crianças e os jovens devem fazer exercício físico durante pelo menos 60 minutos diários, enquanto os adultos devem fazê-lo durante 30 minutos diários. O exercício, como também é conhecido, ajuda a controlar o peso e a pressão arterial, reduz o risco da diabetes tipo 2, de ataques cardíacos, de cancro do cólon, de sintomas de depressão e ansiedade, reduz também as dores provocadas pela artrite e previne a osteoporose.

Em 2003, uma equipa de investigadores japoneses concluiu que um cidadão daquele país que pratique até 30 minutos de actividade física custa ao sistema de saúde 161 euros, se a prática aumentar para valores entre os 30 e os 60 minutos custa 156 euros, mas se praticar mais de 60 minutos o valor decresce para 140 euros. Nos Estados Unidos há uma estimativa que revela que em 2000 as despesas de saúde devidas à inactividade física representaram entre 2 e 6 % do orçamento (76 biliões de dólares). Por aqui se vê a importância que está a ser dada a esta questão um pouco por todo o lado.

Assim é pacífica a ideia de que o exercício físico melhora a qualidade de vida e contribui para o decréscimo dos custos económicos e sociais. Aliás este tema tem sido tratado de uma forma apelante nos últimos tempos, até porque têm sido revelados números preocupantes em Portugal, como são os casos de só 10 % da população fazer exercício físico activo, da incidência do sedentarismo na população na ordem dos 70 %, do excesso de peso em cerca de metade da população e o aumento do tabagismo e do consumo de álcool. Nos Açores 44,2 % dos homens e 32,6 % das mulheres tem excesso de peso e 16,4 % dos homens e 18,8 % das mulheres são obesos. Dá que pensar…

Apesar da “concorrência” das novas tecnologias e do grande aumento do conforto verificado nos últimos anos, os jovens tem ao seu dispor uma série de opções para a prática desportiva e isso tem-se visto reflectido nos dados estatísticos, onde é visível um aumento do número de praticantes.

Para aqueles jovens adultos, adultos e idosos, afastados dos hábitos de prática desportiva e da actividade física, que se sentem pouco motivados para iniciar uma prática, com pequenas alterações no seu quotidiano podem encontrar forma de fazer um pouco de exercício. Por exemplo, podem ir para o emprego a pé ou de bicicleta, podem estacionar a viatura afastada do emprego ou de casa, para fazer uma pequena caminhada, no intervalo laboral, que é de cerca de 10 minutos em cada período, podem dar uma volta a pé pelo quarteirão, podem fazer exercício enquanto vêem o telejornal ou a novela preferida (uma bicicleta estática é uma boa solução), dançar enquanto ouvem as suas músicas preferidas e podem criar rotinas com amigos para passeios a pé ou de bicicleta ou então para uma simples corrida. Esta última tem sido a minha opção e os amigos lembram-me constantemente que ultimamente tenho falhado muito… e esta crítica ajuda a motivar.

A Direcção Regional de Educação Física e Desporto está a lançar o projecto “Açores Activos” que pretende ir de encontro não só àqueles que se revêem na prática desportiva colectiva estruturada, mas também aos que pretendem apenas fazer exercício físico nas suas formas mais simplificadas.

Este projecto tem três grandes objectivos: promover a prática regular de actividade física e desporto, contribuir para a promoção de estilos de vida activa e promover a saúde e a qualidade de vida. Os destinatários são os jovens adultos (dos 18 aos 35 anos), os adultos (dos 35 aos 65 anos) e os idosos (mais de 65 anos). “Mexe-te… pela tua saúde” é o lema escolhido e parece-me que encerra todo o significado e importância do projecto.

A contribuição do poder local neste trabalho é considerada muito importante, não só na sua divulgação, mas sobretudo na sua implementação e desenvolvimento, com a organização de eventos, tais como passeios pedestres e caminhadas, animação desportiva das zonas balneares, etc..

Ficam assim criadas as condições para que o desporto chegue mesmo a todos.

Nota: foram retirados dados de documentos da DREFD.

27 de novembro de 2005

A água

“Aquecimento global vai causar falta de água”. Este é o título de uma notícia do dia 19 deste mês, mas já recorrente. É também o cabeçalho da descrição de uma grande preocupação para toda a humanidade nos próximos tempos.

O aquecimento da Terra provocado pelo aumento das emissões de gases poluentes que causam o efeito estufa é uma certeza. Em algumas zonas do mundo os glaciares recuaram cerca de 25%. Este ano também se assistiu a uma seca anormal na Amazónia, situação considerada muito grave.

Os países mais ricos e industrializados, com os Estados Unidos à frente, continuam a assobiar para o lado e a fazer de conta que isto não é com eles, embora toda a gente saiba que, como maiores poluidores, estes deveriam assumir a responsabilidade de inverter esta perigosa e irreversível tendência, que poderá ser catastrófica para os países mais pobres, sobretudo os países africanos.

Estes problemas também nos apanham por tabela, por vivermos numa região sensível, nomeadamente caso exista, como se prevê, uma subida do nível médio das águas dos oceanos. Assim seremos confrontados com problemas que originarão grandes investimentos, como são os casos do ordenamento do território e a protecção da orla marítima.

Tudo indica que a água para consumo será o grande desafio do século XXI, que para ser satisfatoriamente resolvido, implicará medidas no imediato e com repercussões já no futuro próximo, caso se continue a verificar o desaparecimento dos grandes sistemas de abastecimento do planeta, como são os seculares glaciares.

Não obstante, continua-se a desperdiçar este líquido que, com toda a certeza, não é inesgotável. Por isso é necessário tomarem-se atitudes que nos levem a uma avaliação completa das nossas reservas aquíferas e monitorizar a sua qualidade, para não sermos surpreendidos.

A água é um bem essencial e como tal temos a obrigação de proporcionar o abastecimento das populações no imediato, mas também temos o compromisso de garanti-la aos vindouros.

23 de novembro de 2005

Desporto, Emprego e Formação Profissional nos Açores

O Emprego, a Formação Profissional e o Desporto são áreas que surgem interligadas sempre que se pensa em juventude e, como sabemos, quando se pensa em juventude normalmente está a pensar-se no futuro.

O grau de satisfação e de realização de uma sociedade como a nossa, está também dependente do acesso ao emprego, à realização profissional, à igualdade de oportunidades e à possibilidade de concretização dos nossos sonhos junto daqueles que mais gostamos.

Desde 1996 o emprego, foi encarado de uma forma séria e rigorosa, porque os seus responsáveis sabiam que devido à característica arquipelágica da nossa região, o aumento do desemprego poderia ter consequências dramáticas para comunidades de pequena dimensão, com são as das pequenas ilhas da nossa Região.

Em 1997 foram traçadas as linhas orientadoras do Plano Regional de Emprego, para o período de 1998 a 2006. Este plano, além da importância que teve e ainda tem na política de emprego, teve e tem também o mérito de ser aberto e adaptável a novas situações que têm surgido nesta área, sobretudo com o surgimento de novas dinâmicas, como foi o caso do rápido crescimento no sector do turismo, que acabou por provocar uma rápida e eficaz transformação nos modelos de formação profissional.

E de facto os resultados deste Plano Regional estão aí: o número de empregados em estabelecimentos e empresas cresceu, tendo crescido também o número de empresas e estabelecimentos. A taxa de desemprego tem andado quase sempre abaixo da barreira técnica do pleno emprego, registando-se no terceiro trimestre de 2005 uma taxa de 4,2 %, enquanto a taxa de desemprego do país era naquele período de 7,7 %. De recordar que em 1996 a taxa de desemprego era de 7,9 %. O número de empregados tem vindo a aumentar desde 1998, ano da implementação do Plano Regional de Emprego, registando-se no terceiro trimestre do corrente ano 105.928 trabalhadores activos, valor jamais alcançado na Região Autónoma dos Açores.

Estes números dão-nos algum conforto, mas não nos podemos refugiar apenas nos bons indicadores. É necessário prosseguir na busca incessante de soluções para os problemas que irão surgir nos próximos tempos, consequência lógica da inevitável globalização, que já aí está.

Como estratégia para debelar e minimizar os obstáculos, o Governo Regional dos Açores pretende implementar as seguintes prioridades:

. Promoção das Pessoas;
. Aumento da actividade laboral;
. Inserção no mercado de trabalho de pessoas desfavorecidas;
. Estratégias para um trabalho compensador;
. Combate à precariedade;
. Coesão social.

O sucesso da política do emprego está intimamente associado à acção na área da formação profissional. Neste capítulo o investimento público tem trazido efeitos positivos, com a valorização dos activos da Região.

Recorde-se que em 1996 existiam apenas 5 escolas profissionais com 26 cursos, enquanto em 2004 já existiam 18 escolas com 297 cursos. Os formandos em 1996 eram 434, enquanto em 2004 já eram 7000. Neste momento 15 % da população activa da Região está já habilitada com cursos profissionais de elevada qualidade, o que implica o consequente aumento do salário médio, que já ultrapassou os 600 euros mensais, e a redução do número de trabalhadores que auferem o salário mínimo, que representa agora apenas 8 % do total dos activos.

Estes dados positivos e animadores, pressupõem, à partida, uma melhoria dos níveis de competitividade das empresas e o consequente aumento do Produto Interno Bruto, que se verifica sobretudo a partir de 2001.

O desporto assume cada vez mais importância numa sociedade moderna, já que se tem assistido a uma degradação da actividade física, motivada pelo desenvolvimento tecnológico e pelo aumento dos níveis de conforto.

O sedentarismo tem uma prevalência em Portugal de cerca de 70 %, a maior taxa da União Europeia.

Além disso, notícias recentes dão conta do aumento do consumo de tabaco e de álcool entre os jovens. Também estudos feitos nos Açores, durante o ano passado, revelam-nos que 32,6 % das mulheres e 44,2 % dos homens tem excesso de peso, enquanto 18,8 % das mulheres e 16,4 % dos homens são obesos, valores que se encontram acima dos valores estimados para toda a população Portuguesa.

Para ultrapassar estas marcas negativas que tem impacto directo na qualidade de vida dos cidadãos e nos custos com a saúde, o Governo Regional irá lançar o projecto Açores Activos, cujos destinatários são os jovens adultos, os adultos e os idosos, que, por diversas razões, tem andado arredados da actividade física regular. Com este conceito pretende-se possibilitar uma prática regular de actividades físicas e desporto, contribuir para a promoção de estilos de vida activa e promover a saúde e qualidade de vida.

A introdução deste projecto implicará desde logo a abertura do parque desportivo existente à sociedade, o que trará novas responsabilidades a nível de instalações desportivas, já que a sua modernização e crescimento será inevitável.

Assim teremos, como obras e acções de maior dimensão, a remodelação do complexo desportivo do Lajedo, a construção da piscina na Escola Vitorino Nemésio, o apoio à construção de pavilhões desportivos dos Clubes, com uma lógica prioridade aos participantes nas provas Nacionais e a requalificação de polidesportivos com a colocação de coberturas ou relva sintética.

O Decreto Legislativo Regional 14/2005/A vem também regular todo o apoio ao movimento associativo desportivo, juntando num só diploma toda uma panóplia de informação que se encontrava dispersa e, talvez por isso, pouco acessível e, por isso também, pouco eficaz.

Devido aos excelentes resultados do projecto Escolinhas do Desporto, este está a ser alargado a crianças a partir de 6 anos, quando anteriormente estavam apenas abrangidas crianças a partir dos 8 anos. Em 2004 existiam 287 núcleos, com 2800 participantes, enquanto este ano já estão em actividade 345 núcleos na Região, com cerca de 3500 participantes.

No desporto adaptado, também tem sido registado um grande incremento da actividade desportiva. Em 2004 estavam em actividade e devidamente enquadrados 51 núcleos, enquanto em 2005 já são 53 núcleos, com cerca de 650 jovens com prática regular. Este projecto, que no início tinha como principal objectivo colaborar na integração social das pessoas portadoras de deficiência, tem sido progressivamente alargado e já conta com participações em provas Nacionais, onde já temos registado 3 campeões de Portugal.

Para a consecução do programa de desenvolvimento desportivo está prevista a verba de 12,7 milhões de euros, mais 10,35 % do que o previsto para 2004.

O sucesso verificado também nestas três importantes áreas, confirma que, nos dias de hoje, ainda faz sentido pensar-se nas pessoas em primeiro.
(Intervenção feita por José Ávila na ALRAA a 23/11/2005)

13 de novembro de 2005

Melhor ambiente melhor futuro


A educação ambiental é, ou pelo menos devia ser, uma actividade transversal a todas as áreas da sociedade e a todas as actividades profissionais. Não faz qualquer sentido pensar-se num investimento desta natureza apenas nalgumas franjas da população. Quantos de nós não terão já cometido infracções ambientais? Quem não o fez que atire a primeira pedra.

Na Ilha Graciosa assiste-se, com aliás acontece noutras paragens, a um continuado desinteresse pelas questões ambientais, sobretudo marcada pela ausência de atitudes e posturas mais amigas do ambiente, apesar dos apelos nesse sentido, da aposta feita nas escolas (e muito bem) e no investimento na sua divulgação e promoção.

E referindo apenas questões mais práticas, verifica-se que são feitas limpezas em zonas sensíveis, como a orla marítima, por exemplo, mas pouco tempo depois fica tudo como estava, ou ainda pior. É desolador ver, um pouco por toda a ilha, entulhos pejados de lixo, abandonados nas bermas ou no domínio marítimo.

Este problema terá de ser resolvido. Para já penso que é preciso definir muito bem as zonas para a colocação de entulhos e determinar dias ou o modo como serão recolhidos aqueles lixos que, pela sua especificidade, não podem ser recolhidos no dia a dia. É preciso recolher as pilhas, os frigoríficos, os óleos, os pneus, os automóveis, etc., e dar-lhes um destino que garanta a continuação do processo de transformação para futura reutilização.

Depois de encontradas soluções indicadas para cada um dos casos, é necessário iniciar-se um processo de esclarecimento e de responsabilização dos cidadãos. Noutras localidades a GNR já fiscaliza e autua perante as infracções. Adiar por muito mais a resolução deste problema, é comprometer os vindouros e a demonstração da nossa incapacidade em arrepiar caminho.

A Europa, a qual nos orgulhamos de pertencer, é muito exigente nesta matéria, por isso vamos ter de mudar a nossa atitude perante esta problemática, ou então iremos sentir grandes dificuldades no futuro, já que a atribuição dos tão almejados fundos comunitários poderá ficar comprometida se não forem cumpridas as suas directivas nesta matéria.

10 de novembro de 2005

S. Martinho

O dia de S. Martinho, 11 de Novembro, é comemorado para despedida do outono e anunciar a entrada nos dias frios do inverno.
Mas reza a lenda que, "num dia tempestuoso ia São Martinho, valoroso soldado romano, montado no seu cavalo, quando viu um mendigo quase nu, tremendo de frio, que lhe estendia a mão suplicante... S. Martinho não hesitou: parou o cavalo, poisou a sua mão carinhosamente na do pobre e, em seguida, com a espada cortou ao meio a sua capa de militar, dando metade ao mendigo. E, apesar de mal agasalhado e sob chuva intensa, preparava-se para continuar o seu caminho, cheio de felicidade. Mas, subitamente, a tempestade desfez-se, o céu ficou límpido e um sol de Estio inundou a terra de luz e calor. Diz-se que Deus, para que não se apagasse da memória dos homens o acto de bondade praticado pelo Santo, todos os anos, nessa mesma época, cessa por alguns dias o tempo frio e o céu e a terra sorriem com a benção dum sol quente e miraculoso."
Assim ficamos a conhecer porque se chama a este período "Verão de S. Martinho".
Será que ainda existe muita gente capaz de dividir a sua capa com aqueles que dela precisam?

6 de novembro de 2005

Azul infinito

A Ilha Graciosa já é famosa pela qualidade dos seus fundos marinhos. A visibilidade é normalmente muito boa, cerca de 20 a 30 metros, enquanto as suas águas podem atingir temperaturas de 18 a 24 graus. A fauna é variada e rica (por enquanto…), constituída essencialmente por meros, bicudas, atuns, serras, moreias, lírios, xaréus, mantas, etc.. O coral negro também é de um beleza rara, despertando uma enorme curiosidade nos mergulhadores e que se pode encontrar em locais específicos ao redor da Ilha.
As nossas baixas, os naufrágios e os ilhéus, constituem um património subaquático que importa preservar e dar a conhecer. Proporcionam aos visitantes, mergulhos de baixa e média dificuldades, que vão ao encontro do desejo de mergulhadores principiantes e também dos mais experientes.
Esta actividade vive um período de franco crescimento e também é dinamizadora de actividades paralelas ligadas ao comércio, como a restauração e a hotelaria.
A organização, em Setembro de 2004, do Campeonato Nacional de Fotografia Subaquática foi, em conjugação com o enorme esforço feito na divulgação e promoção do evento, uma das molas impulsionadoras que permite dizer hoje, que as actividades subaquáticas na Graciosa já constituem um nicho de mercado muito importante, não só pela quantidade de pessoas que tem arrastado atrás de si, mas também porque envolve normalmente gente com bom poder de compra. Esta prova foi capa das revistas da SATA do Verão de 2005, do Mundo Submerso e Notícias do Mar. Além disso foi realizado um programa divulgado 3 vezes na RTP-Açores e RTP-Internacional.
A oportuna candidatura à organização de um “Open”, o I Open Fotosub Graciosa 2006, também de fotografia subaquática, já é um bom indício do entendimento de que agora não se pode parar. Foi seguindo estes passos que a ilha El Hierro, a mais pequena ilha do arquipélago das Canárias, se transformou num dos melhores destinos de mergulho de toda a Europa, sendo esta, neste momento, uma actividade com relevante interesse económico para aquela ilha.