"Ao enfrentar as situações impossíveis, as pessoas que amam o seu país podem mudá-lo". Barack Obama
19 de junho de 2011
16 de junho de 2011
O Marítimo outra vez
O Sport Clube Marítimo conta já com um vasto palmarés nos seus 54 anos de existência.
Depois de se filiar na Associação de Futebol de Angra do Heroísmo em 1978 este clube venceu diversas provas locais, mas é no dia 1 de Maio de 2005 que alcança o auge ao sagrar-se campeão da Associação de Futebol de Angra do Heroísmo, feito nunca antes atingido por um clube local e que lhe conferiu o direito de participar na Série Açores da III Divisão Nacional de Futebol, onde permaneceu durante 3 épocas desportivas (2005/2006, 2006/2007 e 2007/2008).
Depois de passar por momentos menos bons e pelas tradicionais crises directivas, que, inclusivamente, o levaram a encerrar as portas ao desporto, o clube reinicia a sua actividade desportiva e acaba por ganhar a prova que dá acesso à Taça Região Autónoma dos Açores.
No passado dia 11 de Junho, e depois de eliminar os representantes da Ilha Terceira (Lajense) e da Ilha de S. Miguel (Desportivo de S. Roque), o Sport Clube Marítimo venceu a Taça Região Autónoma dos Açores, perante o Marítimo Velense de S. Jorge.
Este feito desportivo é relevante, especialmente para uma ilha pequena como a nossa. Na Graciosa o campo de recrutamento de atletas para a prática desportiva é muito menor, agravado pelo visível envelhecimento da população e pela saída da maior parte dos jovens quando completam o 12º ano.
Incrivelmente a comunicação social nada fez e nada divulgou sobre esta conquista, pelo menos em tempo útil. Grande parte da comunicação social ainda não sabe lidar com a insularidade. Não sabe nem quer saber.
É certo que os órgãos de comunicação social privados fazem como e quando querem. Aí, como resposta, o que teríamos a fazer era não os ler, não os ouvir e nem os comprar, embora reconheça que tal desiderato é difícil de por em prática.
Agora quando se trata da comunicação social pública, aí já não há qualquer desculpa. Como se sabe estas empresas recebem financiamento do estado, e não é pouco, precisamente para fornecerem serviços muito mais abrangentes e equidistantes.
A RTP-Açores, que agora incluí a RDP-Açores, não está a prestar um bom serviço aos Açores quando esbarra em confrangedoras omissões de feitos perpetrados por Açorianos que, por acaso, vivem em ilhas mais pequenas.
9 de junho de 2011
Mudança
A 5 de Junho os portugueses optaram por uma mudança na condução dos destinos do país. Este resultado estava mesmo espelhado nas últimas sondagens e, como tal, era esperado. Aliás, foi um modo que o eleitor encontrou para demonstrar o seu descontentamento pelo facto do governo do Partido Socialista estar associado a esta crise que tem obrigado a impor ao país medidas impopulares, como a redução de salários e aumento dos impostos, que, como se sabe, ninguém no seu perfeito juízo gosta.
Nunca na história recente um político terá sido tão atacado como foi o Eng. José Sócrates. A campanha contra o PS e o seu líder não é recente. Tem pelo menos 6 anos e foi dura, com ataques contra a sua honorabilidade, vindo dos partidos políticos e de movimentos corporativos que nunca aceitam que se mexa nos seus interesses.
Não vale a pena falar mais nisso, até porque para a frente é que há caminho.
Ao líder PSD, Dr. Passos Coelho, exige-se agora que governe, e que governe bem, e espera-se, sinceramente, que o faça sem os sistemáticos ataques pessoais e sem a permanente guerrilha a que o anterior primeiro-ministro esteve sujeito desde a sua indigitação em 2005.
O Presidente do PS Açores, Carlos César, na pronta assunção da derrota, foi muito claro: quando o PS ganha ele também ganha, mas quando perde, também lhe acontece o mesmo.
Percebo que nestas coisas, por vezes, há gente que precisa cavalgar vitórias de outros ou méritos alheios e, ao mesmo tempo, há quem tente, a todo o custo, evitar colagens nos momentos de desaire.
No rescaldo do acto eleitoral vi a líder do PSD, mais ou menos eufórica, apelar à mudança e tentar, a todo o custo, extrapolar os resultados desta eleição para os combates que se avizinham, o que, em bom rigor, não me parece um procedimento que lhe traga mais-valias políticas.
Esta postura fez-me recuar à surreal conferência de imprensa nas autárquicas de 2009, onde a líder do PSD só falava na sua vitória em Ponta Delgada e, teimosamente, tentava dissimular a estrondosa derrota a nível da região, como se ela nada tivesse a ver com isso, mesmo sendo a líder do partido perdedor. Os seus autarcas devem ter ficado de boca aberta, literalmente.
São duas maneiras opostas de estar na política. Duas formas de responsabilização diferentes, ou, aliás, a primeira é uma forma realista de aceitar a decisão do povo com a assunção das consequências sem subterfúgios e, a outra, é um sacudir água do capote impróprio para quem tem ambições políticas.
Tenho a convicção que é muito importante saber ganhar, mas também não terá menos importância saber perder.
Sempre ouvi dizer que é nos momentos de vitória e também nas derrotas que se vê o carácter dos políticos. Eu acredito nisso e sei que o povo tirará as suas ilações destas atitudes.
2 de junho de 2011
A verdade dos factos
No próximo Domingo teremos as eleições para a Assembleia da Republica. Todos sabemos o que está em jogo nesta votação, que só foi antecipada devido à sede de poder. Não houve qualquer tipo de pudor em derrubar um governo legitimamente eleito, apenas por uma questão de ambição pessoal.
Aqui na região a opção nestas eleições tem de passar pelo partido que melhor soube defender os Açores e o que mais investiu nestas ilhas. Não tenho dúvidas que esse é um património do Partido Socialista.
Vemos agora alguns partidos da oposição com declarações eleitorais, ou eleitoralistas, propondo e defendendo aquilo que, enquanto estiveram no poder, poderiam ter executado, mas não o fizeram, vai-se lá saber porquê.
Foi o Partido Socialista que, junto da troika, defendeu a manutenção da diferenciação dos impostos. Foi nos governos do Partido Socialista que se transferiram para a região 113 mil toneladas de quota leiteira. Só com um governo do PS teremos como garantidas questões importantes para os portugueses, como a educação para todos e a saúde tendencialmente gratuita.
O maior partido da oposição quer privatizar a ANA sem acautelar os interesses dos Açores, quer desmantelar o Serviço Nacional de Saúde, quer vender a RTP e a Caixa Geral de Depósitos, entregar a educação a privados e rever a Constituição para facilitar os despedimentos. Este PSD quer dispensar funcionários públicos e impor contratos de trabalho verbais. Estas premissas terão graves consequências para os Açores e para os Açorianos.
Num débito errático de propostas, divulgadas de manhã, rectificadas depois do almoço e propagandeadas à noite pelos sábios do partido, o PSD tem-se revelado o executor liquidatário do Estado Social.
No âmbito desta campanha eleitoral, o Dr. Mota Amaral veio na passada semana à Ilha Graciosa, na qualidade de candidato do PSD à Assembleia da Republica.
Estas visitas repetem-se nestes momentos pré-eleitorais e são sempre utilizadas para fazer passar mensagens para a comunicação social, para que cheguem a todo o eleitorado na forma de linhas mestras programáticas.
Desta vez o Dr. Mota Amaral optou por tecer grandes elogios às Termas do Carapacho. Disse nessa altura “passos positivos, que estão a ser dados para transformar uma especialidade das nossas ilhas numa fonte de bem-estar para as suas populações, mas também aproveitando a variedade de ofertas que são um atractivo para quem nos visita”. Mais à frente o candidato do PSD disse que viu, “com satisfação, que a forma de aproveitamento destes recursos naturais está, de facto, a ser bem integrada na nossa oferta turística, uma realidade que se tem verificado”.
Vindo de quem vem estas ideias revelam um forte elogio ao actual Governo dos Açores. E mais, revela que de facto parece que a Dra. Berta Cabral e o responsável do PSD desta ilha não vivem no mesmo mundo do Dr. Mota Amaral, pois ainda recentemente ambos teceram fortes críticas às Termas do Carapacho, chegando a primeira a afirmar que era de estranhar que investimentos destes não fossem planeados.
O Dr. Mota Amaral não está sozinho. Ainda recentemente a eurodeputada do PSD, Maria do Céu Patrão Neves, elogiou a agricultura graciosense, num gesto pouco comum no maior partido da oposição.
Ambos pareceram surpreendidos com o avanço da Graciosa nos últimos tempos. Ambos reagiram como se alguém lhes andasse a esconder ou a desvalorizar, durante estes anos, os progressos de uma pequena ilha que esteve, durante o consulado social-democrata, votada ao abandono.
Estas constatações foram admiráveis, pois todos nós sabemos que para o PSD a vida nestas ilhas é a uma só cor: cinzenta. E aqui, na Graciosa, para o maior partido da oposição, quanto pior, melhor.
Continuo a considerar estas visitas muito importantes porque, quando houver uma leitura correcta e sem ressentimentos, desmontam, de uma só panada, a propaganda pessimista e sem nexo emitida por responsáveis políticos com o propósito único de desvalorizar o trabalho do Governo Regional dos Açores e do Partido Socialista.
Os desmoralizados nunca serão capazes. Os pessimistas constituirão sempre um empecilho. Que Deus nos livre deles.
26 de maio de 2011
Quando os outros interessam
No passado Domingo o Centro de Saúde de Santa Cruz da Graciosa fechou o ciclo de 50 anos de existência.
A construção daquele equipamento revestiu-se de grande importância para a população e isso mesmo foi referido no Relatório de 1960 da Santa Casa da Misericórdia da Vila de Santa Cruz da Graciosa, quando se afirmava “Os graciosenses, que até então estavam praticamente privados de hospital, e, desde tempos remotos, ambicionavam, aliás com toda a justiça, tão importante melhoramento, puderam, assim, ver essa legítima aspiração transformar-se em doce realidade”.
Foi a 22 de Maio de 1960 que entrou em funcionamento o então denominado Hospital Sub-Regional da Ilha Graciosa, construção que terá sido impulsionada pelo Ministro das Obras Públicas de então, Engenheiro José Frederico Ulrich.
Esse dia foi comemorado com a I Feira da Saúde da Graciosa, uma acção inédita a nível da região, que eu saiba. Foi uma jornada de promoção da saúde, organizada e coordenada pelos profissionais daquela instituição e em que a população aderiu de forma inusitada. Viu-se, assim, um Centro de Saúde abrir-se à comunidade que serve, num gesto altruísta.
Foi num ambiente de festa que vimos o centro da vila repleto de gente que procurava as bancas onde os técnicos de saúde os atendiam e os aconselhavam nas diversas vertentes. E foram muitas as áreas abordadas: fisioterapia, aconselhamento nutricional, psicologia, planeamento familiar, saúde oral, rastreios diversos, etc.. Para além disso ouve dança hip hop, animação para crianças e música ao vivo.
Hoje, quando se reclama mais tempo para dar aos outros, quando se afirma que o voluntariado está em crise, assiste-se, nesta graciosa ilha, a uma conjugação de esforços e de saberes, para construir um verdadeiro momento de entrega aos outros.
22 de maio de 2011
19 de maio de 2011
Quando vencem os melhores
É sempre com grande satisfação que os Graciosenses assistem a momentos como este. Diria mesmo que é com orgulho que os Graciosenses vêem qualquer clube desta ilha ter bons resultados a nível associativo ou a nível regional.
É verdade que esses momentos não têm tido a frequência desejada, mas é preciso ressalvar que quando acontecem, e tem sido vários ao longo dos anos, têm um significado muito especial, porquanto a relação da Graciosa com as outras ilhas, com quem competimos, é desequilibrada. É a desigualdade no campo de recrutamento, é a diferença do poder económico, é a facilidade de acesso à formação, entre outras.
No passado dia 15 de Maio de 2011 o Sporting Clube de Guadalupe sagrou-se campeão da Associação de Futebol de Angra do Heroísmo, perante o seu público, num jogo de tudo ou nada.
Este feito, inédito neste clube, confere-lhe o direito de participar na próxima época na Série Açores da III Divisão Nacional de Futebol. Foi em ambiente de grande euforia que assistimos ao regresso de uma equipa representativa do futebol Graciosense a uma prova de cariz nacional.
O Guadalupe, como é mais conhecido, é o clube que mais provas locais tem arrecadado e o que terá ido mais longe em provas em que representava a Associação de Futebol de Angra do Heroísmo. Esteve presente em três finais da Taça Açores e representou aquela associação na Taça de Portugal por duas vezes, tendo sido afastado já na 2ª eliminatória em ambas. Os juniores B também foram campeões da Associação de Futebol de Angra do Heroísmo.
Se até aqui o percurso para este clube de maneira nenhuma terá sido fácil, ninguém dúvida que a partir de agora tudo será necessariamente mais complicado. A prova é mais complexa do que as competições a que estão habituados, não só pela regularidade, mas também pelo nível de empenhamento que exigirá aos seus atletas, técnicos e dirigentes.
Agora há que planear muito bem a época, constituir o grupo de trabalho, formar um núcleo de apoio e procurar financiamento. E treinar. Treinar muito.
Tenho a certeza, e tendo em conta o que conheço dos clubes locais, esses factores não assustarão aqueles que estão ou que estarão envolvidos neste projecto.
18 de maio de 2011
Voto de Congratulação apresentado hoje na ALRAA
O Clube Central Recreativo e Desportivo Sporting Clube de Guadalupe foi fundado a 7 de Abril de 1955, sendo sócios fundadores os senhores Gabriel Melo, Elisiário Silva, Reginaldo Silva, Albino Picanço e António das Flores. Esta entidade, no entanto, só iniciou a prática desportiva em 1962, movida por habitantes locais que praticavam futebol na freguesia vizinha e pela vontade dos senhores Gabriel Melo, Luís Oliveira, João Silva (Berto) e Manuel Ramos. O primeiro treinador foi o senhor Vasco Weber Vasconcelos, conhecido entusiasta do futebol, entretanto já falecido. Localizado na zona central da Ilha Graciosa, este clube sempre rivalizou com os outros congéneres, chegando ao ponto, e já depois de se ter filiado na Associação de Futebol de Angra do Heroísmo, a meados dos anos 70, de ser o que detém mais provas ganhas naquela ilha.
Este clube de freguesia, tem sido o que tem representado mais vezes o futebol Graciosense em provas de âmbito associativo. Como marcos mais relevantes da sua história tem a presença em três finais da Taça Açores, vencedor da Taça Associação de Futebol de Angra do Heroísmo por duas vezes, duas participações na Taça de Portugal, até à 2ª eliminatória, e Campeão da Associação de Futebol de Angra do Heroísmo em juniores B.
No passado Domingo, dia 15 de Maio de 2011, a sua equipa sénior, presidida por José Rodrigo da Silva Espínola e treinada pelo técnico Graciosense João Manuel Ávila Picanço, consagrou-se campeã da Associação de Futebol de Angra do Heroísmo, ao levar de vencida as equipas representantes de S. Jorge e da Terceira, numa prova que dá acesso à Série Açores da 3ª Divisão Nacional.
Este resultado representa, para os Graciosenses, uma grande vitória perante duas ilhas, Terceira e S. Jorge, com uma actividade económica mais capacitada para patrocinar participações em provas desportivas, para além de ambas terem muito mais população e, por conseguinte, um maior campo de recrutamento de jovens para a prática desportiva.
Assim, nos termos regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Partido Socialista propõe que a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, reunida em Plenário no dia 18 de Maio de 2011, emita o seguinte Voto de Congratulação:
“A Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores congratula-se pelo facto do Sporting Clube de Guadalupe, em seniores masculinos, ter conquistado o título de Campeão da Associação de Futebol de Angra do Heroísmo na época desportiva de 2010/2011, conferindo-lhe o direito de participar, pela primeira vez na sua história, na Série Açores da III Divisão Nacional de Futebol.
Esta congratulação é extensiva a todos os atletas, equipa técnica, dirigentes, sócios e simpatizantes”.
Do presente voto deverá ser dado conhecimento, além do referido Clube, à Junta de Freguesia de Guadalupe, à Associação de Futebol de Angra do Heroísmo e à Federação Portuguesa de Futebol.
17 de maio de 2011
16 de maio de 2011
Sporting Clube de Guadalupe
O Sporting Clube de Guadalupe sagrou-se, ontem, Campeão da Associação de Futebol de Angra do Heroísmo e, por isso, estará na próxima época da Série Açores da 3ª Divisão Nacional.
Aos atletas, técnicos, dirigentes e sócios dou-lhes os meus parabéns por este feito e desejo-lhes as maiores felicidades para a época desportiva 2011-2012.
Pescas
Hoje visitei o Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores para ouvir os cientistas daquela instituição sobre a problemática das pescas, nomeadamente sobre gestão dos recursos.
12 de maio de 2011
A Graciosa e a União Europeia
Na passada segunda-feira, dia 9 de Maio, comemorou-se na Ilha Graciosa o 25º aniversário da integração do nosso país na União Europeia. Foi mais uma iniciativa do Governo dos Açores e que contou com o apoio da Câmara Municipal e da Escola Básica e Secundária da Graciosa. É bom continuar a ver esta ilha como palco de acontecimentos importantes a nível regional. É bom ver que existem muitas pessoas que não ficam à espera que as coisas aconteçam, mas antes fazem as coisas acontecerem.
Apesar de vivermos tempos muito conturbados no seio da Europa, temos de reconhecer que a adesão à então denominada Comunidade Económica Europeia trouxe enormes vantagens para os Açores, fruto do investimento feito ao longo destes últimos 25 anos, notando-se um maior incremento a partir do primeiro governo do Partido Socialista, saído das eleições de 1996.
A região, devido à sua forma arquipelágica e ao centralismo do estado exercido de forma exacerbada, não tinha qualquer perspectiva de futuro. Escasseavam as infra-estruturas básicas, desde a saúde aos transportes, passando pela habitação.
Os fundos comunitários permitiram aos sucessivos governos, às autarquias e aos agentes económicos, construir uma série de estruturas fundamentais, como sejam, aeroportos, portos, estradas e unidades de saúde. Foi com programas específicos que se modernizou a agricultura apostando no melhoramento animal e na construção de novas unidades de transformação. Nas pescas assistiu-se à modernização da frota e à construção de uma rede de novas lotas. Foi também com apoios comunitários que se modernizou o comércio e a indústria. Foram esses fundos que permitiram modernizar a rede eléctrica e apostar, de uma forma exemplar, na produção de energia amiga do ambiente.
Dentro do arquipélago existiam grandes diferenças, ou dupla insularidade, como agora se chama e, quanto a isso, a Graciosa era classificada como uma das ilhas mais isoladas e tida como votada ao abandono.
A nossa economia assentava em dois vectores: agricultura incipiente e pesca de subsistência. O resto era paisagem, literalmente.
Hoje a nossa realidade é diferente, e para melhor. Fruto dos apoios comunitários e tal como aconteceu nas restantes ilhas dos Açores, a Graciosa foi-se transformando numa ilha com estruturas capazes de suportar o desenvolvimento que temos sentido nos últimos anos.
Demos um grande salto em frente.
Passamos a ter um sector agrícola mais forte e capaz de ombrear com as outras ilhas. A classe foi rejuvenescida e aproveitou os fundos colocados à sua disposição para melhorar as explorações e o governo fez o que lhe competia: criou condições para a construção de uma nova fábrica de lacticínios, melhorou as acessibilidades, apostou na formação profissional e no melhoramento animal.
A pesca também sofreu transformações importantes. Passamos a ter uma frota moderna e com boas condições de trabalho para os seus profissionais. Foi construído um novo porto com casas de aprestos e uma nova lota, que será inaugurada em breve.
Mais recentemente o Governo dos Açores apostou no sector do turismo, com a construção de um hotel de quatro estrelas e apoiou a instalação de unidades de turismo rural. A recuperação das termas do Carapacho veio criar mais uma oferta de qualidade para os locais e para quem nos visita. O centro de apoio ao visitante da Caldeira veio também trazer mais segurança e condições condignas a quem quer visitar aquele monumento natural.
Na educação, com a requalificação da escola, no apoio social, com a construção de um novo lar de idosos e a requalificação de um outro, nos transportes marítimos, com a requalificação e reorientação do porto comercial, nos transportes aéreos, com a requalificação da aerogare e melhoria das condições de operacionalidade também foram áreas de intervenção importantes.
Ao nível da saúde, da energia e dos resíduos, estamos também a aproximar-nos de uma grande revolução, impensável há alguns anos atrás. Está a construir-se uma moderna unidade de saúde, capaz de responder de forma mais eficaz aos anseios da população. Está também a ser ultimado o projecto de instalação nesta ilha de capacidade para fornecimento de energia provinda apenas de fontes ambientalmente limpas. Em fase de conclusão está também o centro de processamento de resíduos que irá terminar com este que é um problema para uma ilha da nossa dimensão, porquanto cerca de 75% do lixo processado será exportado.
Por aqui se vê que, por iniciativa e empenhamento do Governo dos Açores e com os apoios comunitários postos à disposição, foi possível mudar a face desta ilha e melhorar a nossa qualidade de vida. Só não vê quem não quer…
10 de maio de 2011
5 de maio de 2011
Figuras II
No passado mês de Abril escrevi um artigo denominado Figuras, onde apresentava uma manifesta discordância sobre a maneira como o PSD tinha apresentado um tema na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, numa forma regimental inapropriada, por impedir a discussão do assunto em questão.
Mal sabia eu que passado apenas um mês, estaria aqui de novo com o mesmo argumento para discordar, mais uma vez, da forma como o PSD se manifesta sobre assuntos sérios, só que, desta vez, na Assembleia Municipal de Santa Cruz da Graciosa.
Na passada semana as contas do Município foram levadas à Assembleia para serem apresentadas, discutidas e eventualmente aprovadas por aquele órgão.
Infelizmente e em rigor, não foi isso que aconteceu, por muito que me custe aceitar. O PSD, paladino da democracia, furtou-se à sua obrigação e preferiu fazer daquele órgão um local de pura mediatização.
Surpreendentemente, ou talvez não, aquele partido político, ou, se calhar, alguns políticos daquele partido, depois de apresentadas as contas, nada disseram e nada perguntaram. Em democracia são nobres os períodos dedicados à discussão e esclarecimento, mas estes foram simplesmente banidos de uma das sessões ordinárias mais importantes de qualquer Assembleia Municipal, por um partido que se diz campeão da democracia.
Mesmo assim as contas foram aprovadas, por maioria, com a abstenção do PSD. De seguida veio ao de cima aquele ressentimento de mau perder: uma declaração de voto ressabiada, repleta de imprecisões e que confirma que ainda há quem não tenha digerido bem a derrota de 2009.
Esta declaração de voto, apesar de ser uma figura regimental, não permitiu qualquer tipo de discussão, como se sabe e, o que é mais grave, impediu o Presidente da Câmara de se defender das acusações maliciosas que, numa forma mais ou menos subtil, estavam implícitas nos seus considerandos.
Acho sinceramente que muitos dos deputados municipais do PSD não concordarão com este tipo de actuação, até porque desempenham outros cargos autárquicos e não gostariam, certamente, de ver tal desiderato acontecer nas suas Assembleias de Freguesia.
28 de abril de 2011
O meu Abril
O 25 de Abril de 1974 apanhou-me a viver na ilha do Faial, onde estudava no então Liceu Nacional da Horta.
Eram tempos difíceis, esses. Tinha saído de casa dos meus pais dois anos antes, com apenas 12 anos de idade, em direcção ao desconhecido, numa viagem que durava mais de uma dúzia de horas, muitas das vezes sob condições meteorológicas difíceis. Hoje pode parecer ridículo, mas naquele tempo o Faial ficava mesmo longe.
Nessa madrugada de Abril fiquei com alguns colegas em vigília aguardando a leitura de um comunicado dos revoltosos, que tardava em chegar. Foi uma noite que passamos em claro acompanhados por um pequeno transístor, que serviu para ir conhecendo alguns dos defeitos do regime cinzento que nos governou até a esse dia.
Finalmente veio o tal comunicado, repleto de confiança e de promessas de devolver o poder ao povo.
Mentiria se afirmasse que, nessa altura, tinha consciência política apurada. Não só não a tinha, como a maioria dos jovens da minha idade também não a tinha.
Sabia-se que nem tudo estava bem, quando arrancavam de casa os nossos irmãos, primos ou vizinhos para os levarem até uma guerra longínqua que não entendíamos. Via-se que algo de anormal se passava quando os nossos pais para saberem notícias fidedignas tinham de sintonizar a BBC de forma quase clandestina. Percebia-se que a manipulação de eleições, com votos de todos, incluindo ausentes e falecidos, era a única forma de perpetuar o poder.
Eram tempos difíceis, esses. Muitos não tinham acesso à educação e à saúde. As estruturas básicas escasseavam e o povo era mantido com rédea curta. Foram gerações que, mesmo assim, nunca estiveram à rasca, porque, apesar das contingências impostas pelo regime totalitário, sempre foram desenrascadas.
Abril ficará para sempre na nossa memória como a marca de uma geração que sabia o que queria e para onde ia e que conseguiu abrir Portugal ao mundo, numa revolução de cravos e de esperança.
Bem hajam.
21 de abril de 2011
Nobre desilusão
Depois de ter sido mandatário do Bloco de Esquerda às eleições europeias, o Dr. Fernando Nobre resolveu, e tem todo o direito a isso, candidatar-se a Presidente da República em Janeiro passado.
A sua candidatura assumiu-se como sendo diferente, lutando pela ética e pela participação dos cidadãos, insinuando-se, de uma forma mais ou menos velada, contra classe política ou mesmo contra o sistema. Foi esta a imagem de marca da sua campanha que parecia opor-se a todas as outras.
No passado dia um de Março, afirmava, naquela que foi a primeira entrevista depois das eleições presidenciais: "Partido político nem pensar, nunca. Não peço nada, nunca pedi. Por isso nunca aceitarei nenhum cargo partidário nem governativo.”
Sabe-se agora que aceitou encabeçar a lista do PSD por Lisboa, mas com a condição de ser presidente da Assembleia da Republica, assumindo que não desempenhará o cargo de deputado, caso o PSD não consiga obter a maioria nestas eleições.
Esta sua atitude causou enorme contestação junto dos seus apoiantes e algum incómodo nos militantes do PSD.
Como toda a gente sabe, o presidente da Assembleia da República é eleito por todos os deputados e por voto secreto.
O Dr. Fernando Nobre candidata-se a um lugar de deputado que, no fundo, não quer exercer. E, assim sendo, o povo devia dar-lhe um jeitinho, proporcionando-lhe uma lição de humildade, qualidade que sempre apregoou possuir.
Entrar na política com esta postura errática e periclitante é uma demonstração de incoerência e de falta de respeito pelos eleitores.
14 de abril de 2011
Olho aberto
É do conhecimento dos Portugueses que esta crise seria evitável, não fosse a ambição de alguns políticos em chegar ao poder de qualquer maneira.
Mas é aqui que estamos. O Presidente da República aceitou a demissão do Primeiro-Ministro e agora caminhamos para o dia 5 de Junho, dia de todas as decisões.
Até lá teremos um período para esclarecimento e reflexão. Os cidadãos deste país, ninguém tem dúvidas, têm o direito de saber como estamos e para onde vamos.
O PSD tem de esclarecer se confirma o aumento do IVA, quando há pouco tempo Passos Coelho escrevia no seu livro Mudar que era contra. Queremos saber se vai combater a precariedade com os contratos de trabalho meramente verbais. O PSD tem de explicar o que vai fazer com o 13º e 14º meses ou se vai despedir funcionários públicos, para “emagrecer” o estado, como insinuou. Precisamos todos de saber o que vai fazer da TAP e da RTP, se as vai privatizar conforme tem sido notícia. Se isso acontecer precisamos também saber o que vai acontecer à nossa RTP/ Açores e era bom que o PSD Açores também marcasse uma posição sobre este assunto. O Serviço Nacional de Saúde é para desmantelar? O ensino público é para privatizar? E a Caixa Geral de Depósitos é para vender a preços de saldo? Estas são interrogações para as quais se exigem respostas.
No passado recente ouviram-se afirmações que confirmavam essa tendência social-democrata. Alienar ao desbarato o sector empresarial do estado numa altura pouco favorável e acabar com a educação e saúde para todos, para além da única medida conhecida para a agricultura: extinguir o respectivo ministério.
O PSD afirmou não se importar de governar com a presença do Fundo Monetário Internacional (FMI) e aqui poderemos ter gato escondido com rabo de fora.
Como se sabe a Grécia pediu ajuda ao FMI e à União Europeia (UE) em Abril de 2010 e seis meses depois foi a vez da Irlanda.
Os gregos e os irlandeses sentem que o preço das medidas de austeridade impostas por estes organismos tornou-os mais pobres e mais pessimistas quanto ao seu futuro. Aumentou o desemprego ainda mais (13,4% na Irlanda e 12,5% na Grécia), o custo de vida subiu, prevêem-se mais reduções nos benefícios sociais e nos salários, na Grécia estão ainda iminentes fortes cortes no 13º e 14º meses, enquanto a Irlanda se prepara para despedir 25 mil funcionários públicos.
Será que é por isto que o PSD não se importa de partilhar o governo com o FMI? Será que as agendas das reformas necessárias são basicamente as mesmas e assim o ónus ficaria apenas do lado do FMI?
Portugueses, olho aberto…
13 de abril de 2011
Bancada do PS/Açores quer melhorar rendimento dos pescadores, anuncia Berto Messias
O líder do Grupo Parlamentar do PS/Açores anunciou, esta quarta-feira, a apresentação de um diploma com o objectivo de aumentar o rendimento dos pescadores açorianos e, em simultâneo, de garantir uma maior sustentabilidade dos recursos piscícolas da nossa Região.
“Um dos pontos desta iniciativa legislativa pretende a valorização do pescado dos Açores e o consequente aumento do rendimento dos pescadores, através da abertura do capital social da empresa Espada Pescas às associações representativas dos profissionais da pesca”, explicou Berto Messias.
Em conferência de imprensa na cidade da Horta, o Presidente da bancada socialista adiantou que, na prática, recomenda-se que os pescadores entrem no circuito de comercialização de pescado através da empresa detida pela Lotaçor, que deve desenvolver as estratégias de comercialização e de distribuição no Continente Europeu, de forma a valorizar o pescado capturado na Região e, assim, possa proporcionar melhores rendimentos aos pescadores açorianos.
De acordo com Berto Messias, o Projecto de Resolução que deu entrada hoje propõe, também, o reforço das medidas de protecção à pequena pesca artesanal de cada ilha, de forma a melhorar a sustentabilidade dos recursos marinhos na zona entre a costa e as 6 milhas.
“Estas medidas de protecção, que podem ser temporárias e diferentes para cada ilha, podem incluir a proibição de utilização de determinadas artes de pesca, a limitação do número e tipo de embarcações que podem aceder à zona ou a criação de reservas integrais”, adiantou Berto Messias aos jornalistas.
Segundo disse, fora da zona das 6 milhas importa também reforçar as medidas de ordenamento das actividades pesqueiras, consoante as características das pescarias e das embarcações.
Berto Messias explicou, ainda, que estas medidas justificam-se pela importância significativa que a Pesca tem para a Região Autónoma dos Açores, tanto ao nível da actividade económica, enquanto contribuinte real para a criação de riqueza, como para a mão-de-obra que absorve em toda a sua fileira.
“Nos últimos anos, este sector recebeu investimentos públicos de cerca de 250 milhões de euros em infra-estruturas essenciais para a actividade e na renovação da frota, além do apoio a determinados sectores, caso da indústria conserveira, que se assume como grande empregador em algumas ilhas dos Açores”, recordou o líder parlamentar socialista.
“Apesar do volume de pesca ter aumentado de 24 para 40 milhões de euros, entre 1998 e 2010, o prolongamento dos efeitos nos Açores da crise financeira, assim como a imprevisibilidade desta actividade, obrigam as entidades públicas à definição de novas soluções que permitam aumentar o rendimento dos profissionais da Pesca”, justificou Berto Messias.
Para o deputado socialista, a sustentabilidade económica desta actividade, a médio e longo prazo, deve ser alicerçada no aumento gradual dos rendimentos de todos os intervenientes na fileira, em detrimento dos apoios sociais, que têm uma função de apoio pontual e com determinados objectivos bem definidos na legislação em vigor.
“Com esta proposta, o Grupo Parlamentar tem uma preocupação clara e um objectivo concreto: A preocupação de defender os pescadores e os recursos dos Açores e o objectivo de contribuir para a melhoria das condições de vida e de trabalho desta importante classe profissional”, concluiu Berto Messias.
Com estas medidas agora apresentadas, o Grupo Parlamentar do PS/Açores pretende contribuir para amenizar as dificuldades a que está sujeita uma classe profissional que escolheu uma actividade dura e imprevisível, mas de extrema importância para os Açores.
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