27 de setembro de 2011

RTP-A e RDP-A, que futuro?

Hoje o Parlamento Açoriano defendeu o serviço público de rádio e televisão nos Açores.Entretanto a luta continua, porque os centralistas não dormem...

22 de setembro de 2011

O outro lado do PECA


Na mesma altura em que o Plano Estratégico para a Coesão dos Açores (PECA) era apresentado e conhecido logo surgiram vozes apressadas na tentativa de desvalorizar este documento.
É preciso não esquecer que o PECA foi publicado na página do Governo e já nesse dia davam entrada nas redacções dos jornais artigos de opinião com duras críticas ao seu conteúdo, que haveriam de ser publicados no dia seguinte. 
É assim. Muita gente está contra só porque sim. Não interessa ler, reflectir, propor alterações ou enriquecer este plano. Só lhes resta mesmo falar mal, mesmo antes de conhecer o documento.
As críticas têm surgido, neste período de pré-campanha declarada, por forma a dar a entender que não existem políticas de coesão ou então que estas falharam.
Nada de mais errado. Ainda ontem o senhor Presidente da República tecia elogios à forma como os Açores se desenvolveram nos últimos vinte anos e, com toda a certeza, estava a referir-se também à Graciosa e Santa Maria, ilhas que já visitou neste périplo.
Nós passamos por uma fase em que o Governo dos Açores teve de investir nestas ilhas, substituindo os privados que, devido à incerteza do retorno do investimento em tempo útil, foram renitentes em apostar.
De seguida foram criados mecanismos de discriminação positiva, criando majorações nos apoios ao investimento, na habitação, no apoio à exportação de produtos tradicionais, nos programas estagiar L e T, no custo das passagens aéreas, etc., diferenciando assim o apoio público atribuído às famílias e às empresas das ilhas com menor dimensão.
Com o forte investimento governamental em áreas fundamentais tem sido possível melhorar as condições de vida dos Graciosenses.
Em 2008 o programa do Governo já previa elaborar um estudo destes, porque agora os desafios são outros.
Acompanhei o processo de elaboração do PECA desde o seu início e, confesso, sempre depositei esperança neste trabalho, tendo em conta o desenvolvimento da Graciosa.
Não esperei por uma solução milagrosa, porque tenho consciência de que ela não existe. Se assim fosse já outros, aqueles que agora criticam, o teriam feito no passado.
O PECA não induz uma directiva infalível rumo ao sucesso para ilhas mais pequenas e mais frágeis do ponto de vista económico, antes procura, em colaboração com agentes locais, identificar áreas com potencial capazes de materializar o desenvolvimento que ambicionamos.
Não é nada de novo. Acho que nada foi inventado. Trata-se tão só de definir as linhas estratégicas e as respectivas linhas de acção, para, numa conjugação de esforços do Governo e das populações, encontrar formas de tornar mais eficaz e rentável a exploração dos nossos recursos.

4 de agosto de 2011

O turismo subaquático

O turismo subaquático é uma mais-valia para a Região Autónoma dos Açores, como é perceptível pela proliferação de centros de mergulho e pela avaliação da procura. Este tipo de turismo tem vindo a crescer e a criar dinâmicas em várias ilhas dos Açores, nomeadamente na Graciosa.

Segundo os especialistas haverá, nos próximos tempos, um aumento exponencial da procura deste tipo de serviço em Portugal, não só por portugueses mas sobretudo por estrangeiros, e, claro, os Açores terão de fazer o seu trabalho para acompanharem esta tendência positiva e reclamarem a sua parte.

Estamos numa zona privilegiada devido às condições climatéricas, nomeadamente com boas temperaturas e águas límpidas que garantem uma visibilidade inusual, que pode muito bem ultrapassar os 30 metros. A flora e a fauna são abundantes e diversificadas.

Mas, claro, só isso não basta. Temos de juntar esforços e aprontar estratégias para garantir um crescimento sustentável.

Em Outubro teremos a III Bienal de Turismo Subaquático dos Açores, conforme foi ontem tornado público em conferência de imprensa.

Trata-se de mais uma organização da Associação Graciosense de Promoção de Eventos em parceria com a Associação Regional do Turismo. Estarão também envolvidos o Governo Regional dos Açores e a Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa, contando a organização com o apoio técnico da Federação Portuguesa de Actividades Subaquáticas, da Universidade dos Açores e da Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril.

Esta edição, tal como aconteceu com as anteriores, pretende juntar os operadores para que, perante as experiencias do que se faz noutros mercados mais evoluídos e perante os especialistas nas diversas matérias, possam trilhar objectivos que beneficiem todos.

Os painéis versarão temas que vão desde as questões de saúde e segurança, passando pelo guia do empresário deste segmento e terminando em questões mais inovadoras, como, por exemplo, o mergulho com tubarões ou o afundamento de embarcações destinadas à prática de mergulho recreativo.

Esta é uma forma de promover os Açores em mercados de turismo especializados, exigentes, certamente, mas que trazem valor um acrescentado importante e que está na linha do que os decisores pretendem para o futuro dos Açores: turismo de qualidade e sustentável.

28 de julho de 2011

Grande capitão

No desporto o capitão de equipa assume um papel fundamental. É ele que transmite a toda a equipa a serenidade e a confiança que ajuda o grupo de trabalho a atingir os objectivos a que se propôs. É ele que em campo dá alento aos companheiros nas horas mais difíceis e ajuda a dirimir desaguisados próprios de grupos de jovens com sangue na guelra. 

No tempo em que pratiquei futebol federado tive a felicidade de conviver com aquele que se revelaria um grande capitão: o Gasparinho. Era um grande amigo dos colegas, ajudava aqueles que dele precisavam, transmitia calma e geria muito bem os conflitos. Além disso era um defesa central exímio, com uma maneira muita fina de jogar e de interpretar o jogo, razão pela qual era tão respeitado pelos companheiros como pelos adversários.

Na hora de se afastar dos campos de futebol recebi dele a braçadeira e os ensinamentos de um verdadeiro capitão de equipa. Tentei seguir o seu exemplo, mas, por incapacidade minha, não lhe terei chegado aos calcanhares.

Amava o seu clube, o Graciosa Futebol Clube, e com ele rejubilava nas horas boas e entristecia nas desventuras.

Serviu empenhadamente este que foi o seu clube de sempre, como atleta ou na qualidade de dirigente, tendo sido Presidente da Direcção até há bem pouco tempo e onde se mostrou intransigente na defesa dos escalões de formação.

Durante anos e anos emprestou a sua magnífica voz, a arte de dedilhar a guitarra e os sons do seu trompete ao conjunto Ritmo 2000, grupo musical daquela casa que animava as noites de festa.

Na passada segunda-feira o Gasparinho partiu inesperadamente do nosso convívio, mas permanecerá eternamente nos nossos corações. Fica-nos a saudade e o seu exemplo. Até sempre!

21 de julho de 2011

Os números que não enganam


Muita gente fala na desertificação humana que se verifica nas ilhas mais pequenas, nomeadamente na Graciosa, sobretudo quando quer atacar o actual Governo. São os fazedores de opinião (?) que atiram chavões maldizentes para os pasquins que os suportam, sem nunca se preocuparem com verdade. São vários os exemplos dos que espraiam olhares a coberto de redacções que se dizem plurais, que, impedindo o contraditório, deixam passar inverdades e imprecisões de vária ordem. 

Apesar de também qualificarmos este como um dos maiores desafios que teremos pela frente nos próximos tempos, é preciso ver os números com a seriedade que o assunto nos merece.

É claro que não estamos satisfeitos com os números preliminares dos censos 2011, pois atestam que perdemos 387 habitantes, o que corresponde a uma redução de 8,1 %. Mas vendo estes números de uma maneira mais pormenorizada verifica-se que, nos últimos 10 anos registamos 357 nascimentos e 655 óbitos, o que se traduz num saldo natural negativo de 298 indivíduos. Ora retirando dos 387 habitantes que perdemos na última década os 298 de saldo negativo, verifica-se que, em grosso modo, apenas terão saído desta ilha 89 pessoas.

O que terá acontecido em 1981, e é preciso relembrar os mais incautos e aqueles que imprudentemente não querem saber da verdade, foi bem diferente. Perdemos 1.803 habitantes, que representavam nem mais nem menos do que 25,1 % da população. Foi a maior quebra de população desde 1900. Seguindo a mesma lógica, registaram-se, nesses 10 anos, a que se referem estes censos, 850 nascimentos e 851 óbitos, o que quer dizer que da Graciosa partiram, nessa década, 1.802 graciosenses à procura de um melhor futuro noutras paragens.

Bem diferentes, estas leituras.

Assim, cai por terra a teoria dos que tentam, a todo o custo, transmitir a ideia de uma triste sina sem volta a dar ou associar este problema ao actual Governo.

Fica também demonstrado que os números indicam a existência de um problema essencialmente ligado à baixa da natalidade, comum a muitas outras ilhas, ao país e à Europa, e que certamente terá repercussões negativas futuras, mas muito diferente da situação que existia nos anos 80, quando a questão económica e a falta de oportunidades terão ditado uma sangria da população.

Afinal a desertificação não é um problema novo, como alguns tentam fazer passar.

14 de julho de 2011

Quando falta a razão


No plenário de Julho da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores discutiu-se a visita estatutária do Governo Regional à Ilha Graciosa.

Nesta ocasião, que é sempre muito especial para as ilhas mais pequenas, é normal os partidos participantes na discussão divergirem sobre as decisões, ou a falta delas, e a oportunidade de cada uma das deliberações que são assumidas no Conselho do Governo realizado na ilha visitada.

O que já não é muito normal é o “bota abaixo” inusitado, destilando sarcasmo, misturado com inverdades que só servem para confundir, perpetrado pelo PSD.

O PSD afirmou que a desertificação humana é um grave problema, mas quando foi instigado, por várias vezes, a apresentar soluções, nunca foi capaz de o fazer.

Nós concordamos, definitivamente, que este é um dos principais problemas que teremos de enfrentar nos próximos tempos. É por essa razão que o Governo encomendou o Plano Estratégico para a Coesão dos Açores, que, inclusivamente, já foi formalmente aprovado em Conselho de Governo e que será colocado à discussão pública dentro de pouco tempo.

Mas quem transmite a ideia de que nada se faz para inverter esta tendência, não está a ser justo nem coerente.

O PSD afirmou que as políticas aplicadas na Graciosa foram erradas e não resultaram. Esta crítica apanha por tabela – involuntariamente, com toda a certeza - os 30 anos de governação autárquica da responsabilidade daquele partido.

Como podemos combater este flagelo que atinge várias ilhas? Com investimento reprodutivo e estruturante.

E não é isso que o Governo está a fazer? Com certeza que sim. Quem afirma o contrário está a faltar à verdade ou é maldoso.

O investimento verificado, nos últimos 15 anos, nas pescas, na agricultura, na saúde, no ambiente, na cultura e no turismo, com a construção de novas infra-estruturas e requalificação de outras, na construção de unidades de produção, dotação de quadros técnicos, aposta na qualificação dos produtores, apoios à modernização, apoios à exportação dos produtos locais e a remoção do passivo ambiental com décadas, constitui uma das vertentes mais importantes no combate à desertificação humana.

É devido a este compromisso que o Partido Socialista tem para com as ilhas mais frágeis, que conseguimos ser uma das melhores na agricultura e na produção de pescado. É devido a esta visão de coesão que saímos do marasmo e somos uma das ilhas que mais cresce no turismo. Foi esta estratégia que nos levou a sermos reconhecidos pela Unesco como uma das Reservas da Biosfera. É por isso que vamos ser uma das ilhas com produção de energia 100% limpa dentro dos próximos tempos. Essa é talvez a razão pela qual, na última década, se tenha fixado nesta ilha muito mais gente nova e qualificada, como nunca tinha acontecido desde 1974.

Esta política que aposta nas potencialidades endógenas e na criação de valor acrescentado para alavancar a economia, que, como se sabe, é muito frágil devido à dimensão desta ilha, tem dado os frutos e estão à vista de todos.

É por isso que abomino quando se enche constantemente a boca com apreciações negativas, sem se atender ao muito que já está feito em favor das populações.

Estas visões pintalgadas de pessimismo e de desânimo, valem o que valem e só acredita nelas quem quer. Eu não vou nisso.  

7 de julho de 2011

A marcha com exemplo

É do conhecimento geral que criar ou construir algo de útil dá muito trabalho e exige por parte dos promotores alguns sacrifícios pessoais, isto para além de ficarem mais expostos a invejas incompreensíveis por parte, a maioria das vezes, dos que nunca conseguiram dar nada à sociedade onde se inserem.

É frequente ver-se sonhadores que, incapacitados perante os “fantasmas” das dificuldades, não conseguem por em prática os seus sonhos. Vemos também nas nossas sociedades aqueles que, acomodados que estão, nem ousam sonhar. Por último há os que sonham e põem em marcha os seus sonhos, executando os projectos, lutando por eles, enfrentando as adversidades sem medo do fracasso.

Na nossa ilha vários são os exemplos da obra criada por voluntários que, sacrificando os seus tempos livres, executam os seus sonhos e conseguem criar dinâmicas interessantes. Os exemplos são variadíssimos, desde a música, passando pelo desporto e a promoção turística, até aos movimentos corporativos.

A marcha “Graciosa cheia de graça” é um exemplo disso. Um punhado de gente teve a ideia e pôs mãos à obra, enfrentando os problemas que iam surgindo e conseguiu apresentar uma marcha nas Sanjoaninas, de tal modo que encheu de orgulho todos os Graciosenses, os que assistiram ao vivo e os outros, como eu, que visionaram através dos meios audiovisuais.

Não se pense que tenha sido fácil. Aliás, hoje em dia não há sucesso sem grande empenho e dedicação.

Fica aqui a prova que podemos estar entre os melhores. Podemos ser dos melhores na agricultura, nas pescas, no desporto, na música, nas marchas, etc.. Basta querer, acreditar e trabalhar. 

5 de julho de 2011

Voto de Congratulação apresentado hoje na ALRAA

Fundado em 24 de Fevereiro de 1957 por gente ligada ao mar, o Sport Clube Marítimo desde cedo desenvolveu actividades desportivas, numa ilha em que embora faltasse quase tudo, restava tempo, daí a importância que se revestiam as instituições desportivas, recreativas e culturais que, nessa altura, proliferavam um pouco por todas as freguesias. 
A 26 de Abril de 1978 filiou-se na Associação de Futebol de Angra do Heroísmo e a partir daí participou nas provas locais tendo vencido a Taça Ilha Graciosa em 1986/1987, o Torneio de Preparação na época 1987/1988 a Taça de Honra em 1999/2000 e os Campeonatos da Ilha Graciosa nas épocas desportivas 1987/1988, 1990/1991, 1998/1999 e 2004/2005. Nesta última época alcança também o título de campeão da Associação de Futebol de Angra do Heroísmo, feito inédito nesta ilha e que lhe conferiu o direito de participar na III Divisão Nacional – Série Açores, onde se manteve ao longo de três épocas: 2005/2006, 2006/2007 e 2007/2008.
Depois de passar por uma crise que obrigou ao encerramento da secção de futebol por duas épocas, o clube reiniciou a sua actividade desportiva nesta época e logo da melhor maneira. Depois de vencer a Taça da ilha, apurou-se para a Taça Região Autónoma dos Açores, prova que acabou por vencer, ao eliminar os representantes da Terceira e de S. Miguel. Esta também foi a primeira vez que uma equipa Graciosense venceu este título. 
Assim, nos termos regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Partido Socialista propõe que a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, reunida em Plenário no dia 5 de Julho de 2011, emita o seguinte Voto de Congratulação:
“A Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores congratula-se pelo facto da equipa de futebol sénior do Sport Clube Marítimo ter conquistado a Taça Região Autónoma dos Açores na época 2010/2011.
Esta congratulação é extensiva a todos os atletas, técnicos, dirigentes, sócios e simpatizantes, que, apesar das adversidades, sempre acreditaram no seu real valor.”
Do presente voto será dado conhecimento, além do referido clube, à Associação de Futebol de Angra do Heroísmo e à Federação Portuguesa de Futebol.

Horta, 5 de Julho de 2011.

30 de junho de 2011

Medo do escrutínio

Reparei que, durante e já depois dos festejos das legislativas nacionais, o tema que o PSD – Açores elegeu para insistir até à exaustão foi e ainda continua a ser a sucessão no Partido Socialista – Açores. Assistimos a isso na entusiástica conferência de imprensa do dia 5 de Junho e no último plenário da Assembleia Legislativa.
Essa questão, a pôr-se, será sempre um assunto do foro interno do Partido Socialista.
Esta nova abordagem por parte do ainda maior partido da oposição nos Açores revela uma insegurança enorme, a roçar o pavor, ao imaginar que em 2012 terão o Presidente Carlos César a recandidatar-se a um novo mandato, tendo do outro lado a Dra. Berta Cabral. Esta é que é a verdade que preocupa muita gente.
E é por isso que se tem visto o PSD a cavalgar as últimas vitórias eleitorais, as presidenciais e as legislativas nacionais, numa rebuscada tentativa de capitalizar prestígio e, claro, votos. O problema, e como se tem visto nas opções que o povo faz em cada um dos actos eleitorais, é que isso já não resulta. Cada eleição é uma eleição e o povo quando se exprime através do voto, sabe ao que vai. Talvez no passado isso fosse assim, quando as pessoas eram ameaçadas ou amedrontadas, mas agora garanto que já não o é.
Lembro aos mais desatentos que nas eleições regionais de 2012 o que vai contar é o histórico do trabalho feito nesta região pelos partidos que concorrerão nessa disputa.
E é nessa premissa relevante que as coisas se complicam para o maior partido da oposição, porque os históricos de um e de outro partido são indubitavelmente diferentes. O Partido Socialista – Açores honra-se de ter um enorme património desde que assumiu o poder em 1996. Foi o Partido Socialista, liderado pelo Presidente Carlos César, que reergueu esta região das cinzas, ameaçada por uma falência anunciada. A região estava estatizada e com pouco espaço para a iniciativa privada, as empresas públicas davam prejuízos atrás de prejuízos, as dívidas a fornecedores punham em causa a sobrevivência de muitas empresa, o desemprego era elevado, a taxa de emprego feminino era diminuta, o número de trabalhadores activos era muito menor e com baixa qualificação, as empresas de lacticínios viviam em grande sufoco com mais de 12 meses de atraso nos pagamentos aos produtores, não existiam portos de pesca condignos, as embarcações eram obsoletas e a rede de frio era inexistente. O turismo pouco valia, os hotéis escasseavam e as acessibilidades eram más e caras e o transporte marítimo de passageiros tinha sido desmantelado.
Também é por demais evidente que em 2012 o prestígio dos candidatos terá um forte impacto nas opções dos eleitores e é por isso que a Dra. Berta Cabral não dorme bem enquanto não vir isso resolvido. Se Carlos César se recandidatar, como eu espero, a líder do PSD, além das insónias, terá ainda grandes pesadelos.

23 de junho de 2011

Graciosa cheia de graça

Visita Estatutária


Na passada semana o Governo Regional dos Açores efectuou a Visita Estatutária à Ilha Graciosa, nos moldes já tradicionais, onde são feitas inaugurações das obras concluídas, acompanhadas as que estão em curso e tomadas decisões para o futuro.

Assim foram inauguradas diversas obras e equipamentos, como a nova lota do porto de pescas, o pórtico de varagem, a estação de monitorização de ensaios nucleares, 4 moradias assistidas para idosos da Santa Casa da Misericórdia da Vila da Praia e 4 Moradias T3 para famílias carenciadas.

Foram também visitados empreendimentos em curso e que a breve trecho estarão em condições para serem, eles também, inaugurados, como o Centro de Saúde, o acesso à Furna do Enxofre, a requalificação da Santa Casa da Misericórdia de Santa Cruz, o Quartel dos Bombeiros do Aeroporto, a muralha da Praia e o troço de estrada das Pedras Brancas à Limeira.

O Governo Regional dos Açores tomou decisões importantes para esta ilha, nomeadamente a contratação de um piloto de barra para o Porto da Praia, abrir um concurso para a contratação de um médico para o Centro de Saúde, adquirir equipamento para um banco de sangue, o lançamento do concurso da rampa roll-on roll-off do porto comercial, mandar efectuar o programa funcional para a reabilitação da Escola da Praia, construir mais 2 habitações T3, lançar as empreitadas da canada Jorge Nunes e da ligação do furo das Fontes à rede de abastecimento de água da Câmara Municipal, definir o terreno e elaborar o projecto do novo Matadouro e apoiar a promoção turística.

O PSD, no rescaldo desta visita, afirmava que o PS governa para cumprir um calendário eleitoral e que o governo estava cansado e ao mesmo tempo apelava à mudança.

Ora bem, os ciclos eleitorais fizeram-se por um período de tempo de quatro anos, para permitir aos governantes planear, executar e inaugurar. É assim em qualquer democracia e é por isso que não entendo a indignação. O contrário é que é incompetência.

Relativamente ao cansaço do governo acho que aqui existe um erro na avaliação desta questão, até porque, no acompanhamento que fiz da visita, vi um governo com muita pedalada e empenhado em resolver os nossos problemas. Cansado e desmotivado anda a maior partido da oposição, que se arrasta por esta e por outras ilhas num chorrilho de lamentações, animando-se de quando em vez com as vitórias eleitorais de outros. Aqui talvez se justifique uma mudança, para uma melhor leitura da realidade evitando assim perder a razão junto de quem vê para além do seu umbigo.

16 de junho de 2011

O Marítimo outra vez

O Sport Clube Marítimo conta já com um vasto palmarés nos seus 54 anos de existência.

Depois de se filiar na Associação de Futebol de Angra do Heroísmo em 1978 este clube venceu diversas provas locais, mas é no dia 1 de Maio de 2005 que alcança o auge ao sagrar-se campeão da Associação de Futebol de Angra do Heroísmo, feito nunca antes atingido por um clube local e que lhe conferiu o direito de participar na Série Açores da III Divisão Nacional de Futebol, onde permaneceu durante 3 épocas desportivas (2005/2006, 2006/2007 e 2007/2008).

Depois de passar por momentos menos bons e pelas tradicionais crises directivas, que, inclusivamente, o levaram a encerrar as portas ao desporto, o clube reinicia a sua actividade desportiva e acaba por ganhar a prova que dá acesso à Taça Região Autónoma dos Açores.

No passado dia 11 de Junho, e depois de eliminar os representantes da Ilha Terceira (Lajense) e da Ilha de S. Miguel (Desportivo de S. Roque), o Sport Clube Marítimo venceu a Taça Região Autónoma dos Açores, perante o Marítimo Velense de S. Jorge.

Este feito desportivo é relevante, especialmente para uma ilha pequena como a nossa. Na Graciosa o campo de recrutamento de atletas para a prática desportiva é muito menor, agravado pelo visível envelhecimento da população e pela saída da maior parte dos jovens quando completam o 12º ano.

Incrivelmente a comunicação social nada fez e nada divulgou sobre esta conquista, pelo menos em tempo útil. Grande parte da comunicação social ainda não sabe lidar com a insularidade. Não sabe nem quer saber.

É certo que os órgãos de comunicação social privados fazem como e quando querem. Aí, como resposta, o que teríamos a fazer era não os ler, não os ouvir e nem os comprar, embora reconheça que tal desiderato é difícil de por em prática.

Agora quando se trata da comunicação social pública, aí já não há qualquer desculpa. Como se sabe estas empresas recebem financiamento do estado, e não é pouco, precisamente para fornecerem serviços muito mais abrangentes e equidistantes.

A RTP-Açores, que agora incluí a RDP-Açores, não está a prestar um bom serviço aos Açores quando esbarra em confrangedoras omissões de feitos perpetrados por Açorianos que, por acaso, vivem em ilhas mais pequenas.  

9 de junho de 2011

Mudança

A 5 de Junho os portugueses optaram por uma mudança na condução dos destinos do país. Este resultado estava mesmo espelhado nas últimas sondagens e, como tal, era esperado. Aliás, foi um modo que o eleitor encontrou para demonstrar o seu descontentamento pelo facto do governo do Partido Socialista estar associado a esta crise que tem obrigado a impor ao país medidas impopulares, como a redução de salários e aumento dos impostos, que, como se sabe, ninguém no seu perfeito juízo gosta.

Nunca na história recente um político terá sido tão atacado como foi o Eng. José Sócrates. A campanha contra o PS e o seu líder não é recente. Tem pelo menos 6 anos e foi dura, com ataques contra a sua honorabilidade, vindo dos partidos políticos e de movimentos corporativos que nunca aceitam que se mexa nos seus interesses.

Não vale a pena falar mais nisso, até porque para a frente é que há caminho.

Ao líder PSD, Dr. Passos Coelho, exige-se agora que governe, e que governe bem, e espera-se, sinceramente, que o faça sem os sistemáticos ataques pessoais e sem a permanente guerrilha a que o anterior primeiro-ministro esteve sujeito desde a sua indigitação em 2005.   

O Presidente do PS Açores, Carlos César, na pronta assunção da derrota, foi muito claro: quando o PS ganha ele também ganha, mas quando perde, também lhe acontece o mesmo.

Percebo que nestas coisas, por vezes, há gente que precisa cavalgar vitórias de outros ou méritos alheios e, ao mesmo tempo, há quem tente, a todo o custo, evitar colagens nos momentos de desaire.

No rescaldo do acto eleitoral vi a líder do PSD, mais ou menos eufórica, apelar à mudança e tentar, a todo o custo, extrapolar os resultados desta eleição para os combates que se avizinham, o que, em bom rigor, não me parece um procedimento que lhe traga mais-valias políticas.

Esta postura fez-me recuar à surreal conferência de imprensa nas autárquicas de 2009, onde a líder do PSD só falava na sua vitória em Ponta Delgada e, teimosamente, tentava dissimular a estrondosa derrota a nível da região, como se ela nada tivesse a ver com isso, mesmo sendo a líder do partido perdedor. Os seus autarcas devem ter ficado de boca aberta, literalmente.

São duas maneiras opostas de estar na política. Duas formas de responsabilização diferentes, ou, aliás, a primeira é uma forma realista de aceitar a decisão do povo com a assunção das consequências sem subterfúgios e, a outra, é um sacudir água do capote impróprio para quem tem ambições políticas.

Tenho a convicção que é muito importante saber ganhar, mas também não terá menos importância saber perder.

Sempre ouvi dizer que é nos momentos de vitória e também nas derrotas que se vê o carácter dos políticos. Eu acredito nisso e sei que o povo tirará as suas ilações destas atitudes.