28 de julho de 2011

Grande capitão

No desporto o capitão de equipa assume um papel fundamental. É ele que transmite a toda a equipa a serenidade e a confiança que ajuda o grupo de trabalho a atingir os objectivos a que se propôs. É ele que em campo dá alento aos companheiros nas horas mais difíceis e ajuda a dirimir desaguisados próprios de grupos de jovens com sangue na guelra. 

No tempo em que pratiquei futebol federado tive a felicidade de conviver com aquele que se revelaria um grande capitão: o Gasparinho. Era um grande amigo dos colegas, ajudava aqueles que dele precisavam, transmitia calma e geria muito bem os conflitos. Além disso era um defesa central exímio, com uma maneira muita fina de jogar e de interpretar o jogo, razão pela qual era tão respeitado pelos companheiros como pelos adversários.

Na hora de se afastar dos campos de futebol recebi dele a braçadeira e os ensinamentos de um verdadeiro capitão de equipa. Tentei seguir o seu exemplo, mas, por incapacidade minha, não lhe terei chegado aos calcanhares.

Amava o seu clube, o Graciosa Futebol Clube, e com ele rejubilava nas horas boas e entristecia nas desventuras.

Serviu empenhadamente este que foi o seu clube de sempre, como atleta ou na qualidade de dirigente, tendo sido Presidente da Direcção até há bem pouco tempo e onde se mostrou intransigente na defesa dos escalões de formação.

Durante anos e anos emprestou a sua magnífica voz, a arte de dedilhar a guitarra e os sons do seu trompete ao conjunto Ritmo 2000, grupo musical daquela casa que animava as noites de festa.

Na passada segunda-feira o Gasparinho partiu inesperadamente do nosso convívio, mas permanecerá eternamente nos nossos corações. Fica-nos a saudade e o seu exemplo. Até sempre!

21 de julho de 2011

Os números que não enganam


Muita gente fala na desertificação humana que se verifica nas ilhas mais pequenas, nomeadamente na Graciosa, sobretudo quando quer atacar o actual Governo. São os fazedores de opinião (?) que atiram chavões maldizentes para os pasquins que os suportam, sem nunca se preocuparem com verdade. São vários os exemplos dos que espraiam olhares a coberto de redacções que se dizem plurais, que, impedindo o contraditório, deixam passar inverdades e imprecisões de vária ordem. 

Apesar de também qualificarmos este como um dos maiores desafios que teremos pela frente nos próximos tempos, é preciso ver os números com a seriedade que o assunto nos merece.

É claro que não estamos satisfeitos com os números preliminares dos censos 2011, pois atestam que perdemos 387 habitantes, o que corresponde a uma redução de 8,1 %. Mas vendo estes números de uma maneira mais pormenorizada verifica-se que, nos últimos 10 anos registamos 357 nascimentos e 655 óbitos, o que se traduz num saldo natural negativo de 298 indivíduos. Ora retirando dos 387 habitantes que perdemos na última década os 298 de saldo negativo, verifica-se que, em grosso modo, apenas terão saído desta ilha 89 pessoas.

O que terá acontecido em 1981, e é preciso relembrar os mais incautos e aqueles que imprudentemente não querem saber da verdade, foi bem diferente. Perdemos 1.803 habitantes, que representavam nem mais nem menos do que 25,1 % da população. Foi a maior quebra de população desde 1900. Seguindo a mesma lógica, registaram-se, nesses 10 anos, a que se referem estes censos, 850 nascimentos e 851 óbitos, o que quer dizer que da Graciosa partiram, nessa década, 1.802 graciosenses à procura de um melhor futuro noutras paragens.

Bem diferentes, estas leituras.

Assim, cai por terra a teoria dos que tentam, a todo o custo, transmitir a ideia de uma triste sina sem volta a dar ou associar este problema ao actual Governo.

Fica também demonstrado que os números indicam a existência de um problema essencialmente ligado à baixa da natalidade, comum a muitas outras ilhas, ao país e à Europa, e que certamente terá repercussões negativas futuras, mas muito diferente da situação que existia nos anos 80, quando a questão económica e a falta de oportunidades terão ditado uma sangria da população.

Afinal a desertificação não é um problema novo, como alguns tentam fazer passar.

14 de julho de 2011

Quando falta a razão


No plenário de Julho da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores discutiu-se a visita estatutária do Governo Regional à Ilha Graciosa.

Nesta ocasião, que é sempre muito especial para as ilhas mais pequenas, é normal os partidos participantes na discussão divergirem sobre as decisões, ou a falta delas, e a oportunidade de cada uma das deliberações que são assumidas no Conselho do Governo realizado na ilha visitada.

O que já não é muito normal é o “bota abaixo” inusitado, destilando sarcasmo, misturado com inverdades que só servem para confundir, perpetrado pelo PSD.

O PSD afirmou que a desertificação humana é um grave problema, mas quando foi instigado, por várias vezes, a apresentar soluções, nunca foi capaz de o fazer.

Nós concordamos, definitivamente, que este é um dos principais problemas que teremos de enfrentar nos próximos tempos. É por essa razão que o Governo encomendou o Plano Estratégico para a Coesão dos Açores, que, inclusivamente, já foi formalmente aprovado em Conselho de Governo e que será colocado à discussão pública dentro de pouco tempo.

Mas quem transmite a ideia de que nada se faz para inverter esta tendência, não está a ser justo nem coerente.

O PSD afirmou que as políticas aplicadas na Graciosa foram erradas e não resultaram. Esta crítica apanha por tabela – involuntariamente, com toda a certeza - os 30 anos de governação autárquica da responsabilidade daquele partido.

Como podemos combater este flagelo que atinge várias ilhas? Com investimento reprodutivo e estruturante.

E não é isso que o Governo está a fazer? Com certeza que sim. Quem afirma o contrário está a faltar à verdade ou é maldoso.

O investimento verificado, nos últimos 15 anos, nas pescas, na agricultura, na saúde, no ambiente, na cultura e no turismo, com a construção de novas infra-estruturas e requalificação de outras, na construção de unidades de produção, dotação de quadros técnicos, aposta na qualificação dos produtores, apoios à modernização, apoios à exportação dos produtos locais e a remoção do passivo ambiental com décadas, constitui uma das vertentes mais importantes no combate à desertificação humana.

É devido a este compromisso que o Partido Socialista tem para com as ilhas mais frágeis, que conseguimos ser uma das melhores na agricultura e na produção de pescado. É devido a esta visão de coesão que saímos do marasmo e somos uma das ilhas que mais cresce no turismo. Foi esta estratégia que nos levou a sermos reconhecidos pela Unesco como uma das Reservas da Biosfera. É por isso que vamos ser uma das ilhas com produção de energia 100% limpa dentro dos próximos tempos. Essa é talvez a razão pela qual, na última década, se tenha fixado nesta ilha muito mais gente nova e qualificada, como nunca tinha acontecido desde 1974.

Esta política que aposta nas potencialidades endógenas e na criação de valor acrescentado para alavancar a economia, que, como se sabe, é muito frágil devido à dimensão desta ilha, tem dado os frutos e estão à vista de todos.

É por isso que abomino quando se enche constantemente a boca com apreciações negativas, sem se atender ao muito que já está feito em favor das populações.

Estas visões pintalgadas de pessimismo e de desânimo, valem o que valem e só acredita nelas quem quer. Eu não vou nisso.  

7 de julho de 2011

A marcha com exemplo

É do conhecimento geral que criar ou construir algo de útil dá muito trabalho e exige por parte dos promotores alguns sacrifícios pessoais, isto para além de ficarem mais expostos a invejas incompreensíveis por parte, a maioria das vezes, dos que nunca conseguiram dar nada à sociedade onde se inserem.

É frequente ver-se sonhadores que, incapacitados perante os “fantasmas” das dificuldades, não conseguem por em prática os seus sonhos. Vemos também nas nossas sociedades aqueles que, acomodados que estão, nem ousam sonhar. Por último há os que sonham e põem em marcha os seus sonhos, executando os projectos, lutando por eles, enfrentando as adversidades sem medo do fracasso.

Na nossa ilha vários são os exemplos da obra criada por voluntários que, sacrificando os seus tempos livres, executam os seus sonhos e conseguem criar dinâmicas interessantes. Os exemplos são variadíssimos, desde a música, passando pelo desporto e a promoção turística, até aos movimentos corporativos.

A marcha “Graciosa cheia de graça” é um exemplo disso. Um punhado de gente teve a ideia e pôs mãos à obra, enfrentando os problemas que iam surgindo e conseguiu apresentar uma marcha nas Sanjoaninas, de tal modo que encheu de orgulho todos os Graciosenses, os que assistiram ao vivo e os outros, como eu, que visionaram através dos meios audiovisuais.

Não se pense que tenha sido fácil. Aliás, hoje em dia não há sucesso sem grande empenho e dedicação.

Fica aqui a prova que podemos estar entre os melhores. Podemos ser dos melhores na agricultura, nas pescas, no desporto, na música, nas marchas, etc.. Basta querer, acreditar e trabalhar. 

5 de julho de 2011

Voto de Congratulação apresentado hoje na ALRAA

Fundado em 24 de Fevereiro de 1957 por gente ligada ao mar, o Sport Clube Marítimo desde cedo desenvolveu actividades desportivas, numa ilha em que embora faltasse quase tudo, restava tempo, daí a importância que se revestiam as instituições desportivas, recreativas e culturais que, nessa altura, proliferavam um pouco por todas as freguesias. 
A 26 de Abril de 1978 filiou-se na Associação de Futebol de Angra do Heroísmo e a partir daí participou nas provas locais tendo vencido a Taça Ilha Graciosa em 1986/1987, o Torneio de Preparação na época 1987/1988 a Taça de Honra em 1999/2000 e os Campeonatos da Ilha Graciosa nas épocas desportivas 1987/1988, 1990/1991, 1998/1999 e 2004/2005. Nesta última época alcança também o título de campeão da Associação de Futebol de Angra do Heroísmo, feito inédito nesta ilha e que lhe conferiu o direito de participar na III Divisão Nacional – Série Açores, onde se manteve ao longo de três épocas: 2005/2006, 2006/2007 e 2007/2008.
Depois de passar por uma crise que obrigou ao encerramento da secção de futebol por duas épocas, o clube reiniciou a sua actividade desportiva nesta época e logo da melhor maneira. Depois de vencer a Taça da ilha, apurou-se para a Taça Região Autónoma dos Açores, prova que acabou por vencer, ao eliminar os representantes da Terceira e de S. Miguel. Esta também foi a primeira vez que uma equipa Graciosense venceu este título. 
Assim, nos termos regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Partido Socialista propõe que a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, reunida em Plenário no dia 5 de Julho de 2011, emita o seguinte Voto de Congratulação:
“A Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores congratula-se pelo facto da equipa de futebol sénior do Sport Clube Marítimo ter conquistado a Taça Região Autónoma dos Açores na época 2010/2011.
Esta congratulação é extensiva a todos os atletas, técnicos, dirigentes, sócios e simpatizantes, que, apesar das adversidades, sempre acreditaram no seu real valor.”
Do presente voto será dado conhecimento, além do referido clube, à Associação de Futebol de Angra do Heroísmo e à Federação Portuguesa de Futebol.

Horta, 5 de Julho de 2011.

30 de junho de 2011

Medo do escrutínio

Reparei que, durante e já depois dos festejos das legislativas nacionais, o tema que o PSD – Açores elegeu para insistir até à exaustão foi e ainda continua a ser a sucessão no Partido Socialista – Açores. Assistimos a isso na entusiástica conferência de imprensa do dia 5 de Junho e no último plenário da Assembleia Legislativa.
Essa questão, a pôr-se, será sempre um assunto do foro interno do Partido Socialista.
Esta nova abordagem por parte do ainda maior partido da oposição nos Açores revela uma insegurança enorme, a roçar o pavor, ao imaginar que em 2012 terão o Presidente Carlos César a recandidatar-se a um novo mandato, tendo do outro lado a Dra. Berta Cabral. Esta é que é a verdade que preocupa muita gente.
E é por isso que se tem visto o PSD a cavalgar as últimas vitórias eleitorais, as presidenciais e as legislativas nacionais, numa rebuscada tentativa de capitalizar prestígio e, claro, votos. O problema, e como se tem visto nas opções que o povo faz em cada um dos actos eleitorais, é que isso já não resulta. Cada eleição é uma eleição e o povo quando se exprime através do voto, sabe ao que vai. Talvez no passado isso fosse assim, quando as pessoas eram ameaçadas ou amedrontadas, mas agora garanto que já não o é.
Lembro aos mais desatentos que nas eleições regionais de 2012 o que vai contar é o histórico do trabalho feito nesta região pelos partidos que concorrerão nessa disputa.
E é nessa premissa relevante que as coisas se complicam para o maior partido da oposição, porque os históricos de um e de outro partido são indubitavelmente diferentes. O Partido Socialista – Açores honra-se de ter um enorme património desde que assumiu o poder em 1996. Foi o Partido Socialista, liderado pelo Presidente Carlos César, que reergueu esta região das cinzas, ameaçada por uma falência anunciada. A região estava estatizada e com pouco espaço para a iniciativa privada, as empresas públicas davam prejuízos atrás de prejuízos, as dívidas a fornecedores punham em causa a sobrevivência de muitas empresa, o desemprego era elevado, a taxa de emprego feminino era diminuta, o número de trabalhadores activos era muito menor e com baixa qualificação, as empresas de lacticínios viviam em grande sufoco com mais de 12 meses de atraso nos pagamentos aos produtores, não existiam portos de pesca condignos, as embarcações eram obsoletas e a rede de frio era inexistente. O turismo pouco valia, os hotéis escasseavam e as acessibilidades eram más e caras e o transporte marítimo de passageiros tinha sido desmantelado.
Também é por demais evidente que em 2012 o prestígio dos candidatos terá um forte impacto nas opções dos eleitores e é por isso que a Dra. Berta Cabral não dorme bem enquanto não vir isso resolvido. Se Carlos César se recandidatar, como eu espero, a líder do PSD, além das insónias, terá ainda grandes pesadelos.

23 de junho de 2011

Graciosa cheia de graça

Visita Estatutária


Na passada semana o Governo Regional dos Açores efectuou a Visita Estatutária à Ilha Graciosa, nos moldes já tradicionais, onde são feitas inaugurações das obras concluídas, acompanhadas as que estão em curso e tomadas decisões para o futuro.

Assim foram inauguradas diversas obras e equipamentos, como a nova lota do porto de pescas, o pórtico de varagem, a estação de monitorização de ensaios nucleares, 4 moradias assistidas para idosos da Santa Casa da Misericórdia da Vila da Praia e 4 Moradias T3 para famílias carenciadas.

Foram também visitados empreendimentos em curso e que a breve trecho estarão em condições para serem, eles também, inaugurados, como o Centro de Saúde, o acesso à Furna do Enxofre, a requalificação da Santa Casa da Misericórdia de Santa Cruz, o Quartel dos Bombeiros do Aeroporto, a muralha da Praia e o troço de estrada das Pedras Brancas à Limeira.

O Governo Regional dos Açores tomou decisões importantes para esta ilha, nomeadamente a contratação de um piloto de barra para o Porto da Praia, abrir um concurso para a contratação de um médico para o Centro de Saúde, adquirir equipamento para um banco de sangue, o lançamento do concurso da rampa roll-on roll-off do porto comercial, mandar efectuar o programa funcional para a reabilitação da Escola da Praia, construir mais 2 habitações T3, lançar as empreitadas da canada Jorge Nunes e da ligação do furo das Fontes à rede de abastecimento de água da Câmara Municipal, definir o terreno e elaborar o projecto do novo Matadouro e apoiar a promoção turística.

O PSD, no rescaldo desta visita, afirmava que o PS governa para cumprir um calendário eleitoral e que o governo estava cansado e ao mesmo tempo apelava à mudança.

Ora bem, os ciclos eleitorais fizeram-se por um período de tempo de quatro anos, para permitir aos governantes planear, executar e inaugurar. É assim em qualquer democracia e é por isso que não entendo a indignação. O contrário é que é incompetência.

Relativamente ao cansaço do governo acho que aqui existe um erro na avaliação desta questão, até porque, no acompanhamento que fiz da visita, vi um governo com muita pedalada e empenhado em resolver os nossos problemas. Cansado e desmotivado anda a maior partido da oposição, que se arrasta por esta e por outras ilhas num chorrilho de lamentações, animando-se de quando em vez com as vitórias eleitorais de outros. Aqui talvez se justifique uma mudança, para uma melhor leitura da realidade evitando assim perder a razão junto de quem vê para além do seu umbigo.

16 de junho de 2011

O Marítimo outra vez

O Sport Clube Marítimo conta já com um vasto palmarés nos seus 54 anos de existência.

Depois de se filiar na Associação de Futebol de Angra do Heroísmo em 1978 este clube venceu diversas provas locais, mas é no dia 1 de Maio de 2005 que alcança o auge ao sagrar-se campeão da Associação de Futebol de Angra do Heroísmo, feito nunca antes atingido por um clube local e que lhe conferiu o direito de participar na Série Açores da III Divisão Nacional de Futebol, onde permaneceu durante 3 épocas desportivas (2005/2006, 2006/2007 e 2007/2008).

Depois de passar por momentos menos bons e pelas tradicionais crises directivas, que, inclusivamente, o levaram a encerrar as portas ao desporto, o clube reinicia a sua actividade desportiva e acaba por ganhar a prova que dá acesso à Taça Região Autónoma dos Açores.

No passado dia 11 de Junho, e depois de eliminar os representantes da Ilha Terceira (Lajense) e da Ilha de S. Miguel (Desportivo de S. Roque), o Sport Clube Marítimo venceu a Taça Região Autónoma dos Açores, perante o Marítimo Velense de S. Jorge.

Este feito desportivo é relevante, especialmente para uma ilha pequena como a nossa. Na Graciosa o campo de recrutamento de atletas para a prática desportiva é muito menor, agravado pelo visível envelhecimento da população e pela saída da maior parte dos jovens quando completam o 12º ano.

Incrivelmente a comunicação social nada fez e nada divulgou sobre esta conquista, pelo menos em tempo útil. Grande parte da comunicação social ainda não sabe lidar com a insularidade. Não sabe nem quer saber.

É certo que os órgãos de comunicação social privados fazem como e quando querem. Aí, como resposta, o que teríamos a fazer era não os ler, não os ouvir e nem os comprar, embora reconheça que tal desiderato é difícil de por em prática.

Agora quando se trata da comunicação social pública, aí já não há qualquer desculpa. Como se sabe estas empresas recebem financiamento do estado, e não é pouco, precisamente para fornecerem serviços muito mais abrangentes e equidistantes.

A RTP-Açores, que agora incluí a RDP-Açores, não está a prestar um bom serviço aos Açores quando esbarra em confrangedoras omissões de feitos perpetrados por Açorianos que, por acaso, vivem em ilhas mais pequenas.  

9 de junho de 2011

Mudança

A 5 de Junho os portugueses optaram por uma mudança na condução dos destinos do país. Este resultado estava mesmo espelhado nas últimas sondagens e, como tal, era esperado. Aliás, foi um modo que o eleitor encontrou para demonstrar o seu descontentamento pelo facto do governo do Partido Socialista estar associado a esta crise que tem obrigado a impor ao país medidas impopulares, como a redução de salários e aumento dos impostos, que, como se sabe, ninguém no seu perfeito juízo gosta.

Nunca na história recente um político terá sido tão atacado como foi o Eng. José Sócrates. A campanha contra o PS e o seu líder não é recente. Tem pelo menos 6 anos e foi dura, com ataques contra a sua honorabilidade, vindo dos partidos políticos e de movimentos corporativos que nunca aceitam que se mexa nos seus interesses.

Não vale a pena falar mais nisso, até porque para a frente é que há caminho.

Ao líder PSD, Dr. Passos Coelho, exige-se agora que governe, e que governe bem, e espera-se, sinceramente, que o faça sem os sistemáticos ataques pessoais e sem a permanente guerrilha a que o anterior primeiro-ministro esteve sujeito desde a sua indigitação em 2005.   

O Presidente do PS Açores, Carlos César, na pronta assunção da derrota, foi muito claro: quando o PS ganha ele também ganha, mas quando perde, também lhe acontece o mesmo.

Percebo que nestas coisas, por vezes, há gente que precisa cavalgar vitórias de outros ou méritos alheios e, ao mesmo tempo, há quem tente, a todo o custo, evitar colagens nos momentos de desaire.

No rescaldo do acto eleitoral vi a líder do PSD, mais ou menos eufórica, apelar à mudança e tentar, a todo o custo, extrapolar os resultados desta eleição para os combates que se avizinham, o que, em bom rigor, não me parece um procedimento que lhe traga mais-valias políticas.

Esta postura fez-me recuar à surreal conferência de imprensa nas autárquicas de 2009, onde a líder do PSD só falava na sua vitória em Ponta Delgada e, teimosamente, tentava dissimular a estrondosa derrota a nível da região, como se ela nada tivesse a ver com isso, mesmo sendo a líder do partido perdedor. Os seus autarcas devem ter ficado de boca aberta, literalmente.

São duas maneiras opostas de estar na política. Duas formas de responsabilização diferentes, ou, aliás, a primeira é uma forma realista de aceitar a decisão do povo com a assunção das consequências sem subterfúgios e, a outra, é um sacudir água do capote impróprio para quem tem ambições políticas.

Tenho a convicção que é muito importante saber ganhar, mas também não terá menos importância saber perder.

Sempre ouvi dizer que é nos momentos de vitória e também nas derrotas que se vê o carácter dos políticos. Eu acredito nisso e sei que o povo tirará as suas ilações destas atitudes.

2 de junho de 2011

A verdade dos factos

No próximo Domingo teremos as eleições para a Assembleia da Republica. Todos sabemos o que está em jogo nesta votação, que só foi antecipada devido à sede de poder. Não houve qualquer tipo de pudor em derrubar um governo legitimamente eleito, apenas por uma questão de ambição pessoal.

Aqui na região a opção nestas eleições tem de passar pelo partido que melhor soube defender os Açores e o que mais investiu nestas ilhas. Não tenho dúvidas que esse é um património do Partido Socialista.

Vemos agora alguns partidos da oposição com declarações eleitorais, ou eleitoralistas, propondo e defendendo aquilo que, enquanto estiveram no poder, poderiam ter executado, mas não o fizeram, vai-se lá saber porquê.

Foi o Partido Socialista que, junto da troika, defendeu a manutenção da diferenciação dos impostos. Foi nos governos do Partido Socialista que se transferiram para a região 113 mil toneladas de quota leiteira. Só com um governo do PS teremos como garantidas questões importantes para os portugueses, como a educação para todos e a saúde tendencialmente gratuita.

O maior partido da oposição quer privatizar a ANA sem acautelar os interesses dos Açores, quer desmantelar o Serviço Nacional de Saúde, quer vender a RTP e a Caixa Geral de Depósitos, entregar a educação a privados e rever a Constituição para facilitar os despedimentos. Este PSD quer dispensar funcionários públicos e impor contratos de trabalho verbais. Estas premissas terão graves consequências para os Açores e para os Açorianos.

Num débito errático de propostas, divulgadas de manhã, rectificadas depois do almoço e propagandeadas à noite pelos sábios do partido, o PSD tem-se revelado o executor liquidatário do Estado Social.  

No âmbito desta campanha eleitoral, o Dr. Mota Amaral veio na passada semana à Ilha Graciosa, na qualidade de candidato do PSD à Assembleia da Republica.

Estas visitas repetem-se nestes momentos pré-eleitorais e são sempre utilizadas para fazer passar mensagens para a comunicação social, para que cheguem a todo o eleitorado na forma de linhas mestras programáticas.

Desta vez o Dr. Mota Amaral optou por tecer grandes elogios às Termas do Carapacho. Disse nessa altura “passos positivos, que estão a ser dados para transformar uma especialidade das nossas ilhas numa fonte de bem-estar para as suas populações, mas também aproveitando a variedade de ofertas que são um atractivo para quem nos visita”. Mais à frente o candidato do PSD disse que viu, “com satisfação, que a forma de aproveitamento destes recursos naturais está, de facto, a ser bem integrada na nossa oferta turística, uma realidade que se tem verificado”.

Vindo de quem vem estas ideias revelam um forte elogio ao actual Governo dos Açores. E mais, revela que de facto parece que a Dra. Berta Cabral e o responsável do PSD desta ilha não vivem no mesmo mundo do Dr. Mota Amaral, pois ainda recentemente ambos teceram fortes críticas às Termas do Carapacho, chegando a primeira a afirmar que era de estranhar que investimentos destes não fossem planeados.

O Dr. Mota Amaral não está sozinho. Ainda recentemente a eurodeputada do PSD, Maria do Céu Patrão Neves, elogiou a agricultura graciosense, num gesto pouco comum no maior partido da oposição.

Ambos pareceram surpreendidos com o avanço da Graciosa nos últimos tempos. Ambos reagiram como se alguém lhes andasse a esconder ou a desvalorizar, durante estes anos, os progressos de uma pequena ilha que esteve, durante o consulado social-democrata, votada ao abandono. 

Estas constatações foram admiráveis, pois todos nós sabemos que para o PSD a vida nestas ilhas é a uma só cor: cinzenta. E aqui, na Graciosa, para o maior partido da oposição, quanto pior, melhor.

Continuo a considerar estas visitas muito importantes porque, quando houver uma leitura correcta e sem ressentimentos, desmontam, de uma só panada, a propaganda pessimista e sem nexo emitida por responsáveis políticos com o propósito único de desvalorizar o trabalho do Governo Regional dos Açores e do Partido Socialista.

Os desmoralizados nunca serão capazes. Os pessimistas constituirão sempre um empecilho. Que Deus nos livre deles.

26 de maio de 2011

Quando os outros interessam

No passado Domingo o Centro de Saúde de Santa Cruz da Graciosa fechou o ciclo de 50 anos de existência.
A construção daquele equipamento revestiu-se de grande importância para a população e isso mesmo foi referido no Relatório de 1960 da Santa Casa da Misericórdia da Vila de Santa Cruz da Graciosa, quando se afirmava “Os graciosenses, que até então estavam praticamente privados de hospital, e, desde tempos remotos, ambicionavam, aliás com toda a justiça, tão importante melhoramento, puderam, assim, ver essa legítima aspiração transformar-se em doce realidade”.
Foi a 22 de Maio de 1960 que entrou em funcionamento o então denominado Hospital Sub-Regional da Ilha Graciosa, construção que terá sido impulsionada pelo Ministro das Obras Públicas de então, Engenheiro José Frederico Ulrich.
Esse dia foi comemorado com a I Feira da Saúde da Graciosa, uma acção inédita a nível da região, que eu saiba. Foi uma jornada de promoção da saúde, organizada e coordenada pelos profissionais daquela instituição e em que a população aderiu de forma inusitada. Viu-se, assim, um Centro de Saúde abrir-se à comunidade que serve, num gesto altruísta.
Foi num ambiente de festa que vimos o centro da vila repleto de gente que procurava as bancas onde os técnicos de saúde os atendiam e os aconselhavam nas diversas vertentes. E foram muitas as áreas abordadas: fisioterapia, aconselhamento nutricional, psicologia, planeamento familiar, saúde oral, rastreios diversos, etc..  Para além disso ouve dança hip hop, animação para crianças e música ao vivo.
Hoje, quando se reclama mais tempo para dar aos outros, quando se afirma que o voluntariado está em crise, assiste-se, nesta graciosa ilha, a uma conjugação de esforços e de saberes, para construir um verdadeiro momento de entrega aos outros.

19 de maio de 2011

Quando vencem os melhores

É sempre com grande satisfação que os Graciosenses assistem a momentos como este. Diria mesmo que é com orgulho que os Graciosenses vêem qualquer clube desta ilha ter bons resultados a nível associativo ou a nível regional.

É verdade que esses momentos não têm tido a frequência desejada, mas é preciso ressalvar que quando acontecem, e tem sido vários ao longo dos anos, têm um significado muito especial, porquanto a relação da Graciosa com as outras ilhas, com quem competimos, é desequilibrada. É a desigualdade no campo de recrutamento, é a diferença do poder económico, é a facilidade de acesso à formação, entre outras.

No passado dia 15 de Maio de 2011 o Sporting Clube de Guadalupe sagrou-se campeão da Associação de Futebol de Angra do Heroísmo, perante o seu público, num jogo de tudo ou nada.

Este feito, inédito neste clube, confere-lhe o direito de participar na próxima época na Série Açores da III Divisão Nacional de Futebol. Foi em ambiente de grande euforia que assistimos ao regresso de uma equipa representativa do futebol Graciosense a uma prova de cariz nacional.

O Guadalupe, como é mais conhecido, é o clube que mais provas locais tem arrecadado e o que terá ido mais longe em provas em que representava a Associação de Futebol de Angra do Heroísmo. Esteve presente em três finais da Taça Açores e representou aquela associação na Taça de Portugal por duas vezes, tendo sido afastado já na 2ª eliminatória em ambas. Os juniores B também foram campeões da Associação de Futebol de Angra do Heroísmo. 

Se até aqui o percurso para este clube de maneira nenhuma terá sido fácil, ninguém dúvida que a partir de agora tudo será necessariamente mais complicado. A prova é mais complexa do que as competições a que estão habituados, não só pela regularidade, mas também pelo nível de empenhamento que exigirá aos seus atletas, técnicos e dirigentes.

Agora há que planear muito bem a época, constituir o grupo de trabalho, formar um núcleo de apoio e procurar financiamento. E treinar. Treinar muito.

Tenho a certeza, e tendo em conta o que conheço dos clubes locais, esses factores não assustarão aqueles que estão ou que estarão envolvidos neste projecto.

18 de maio de 2011

Voto de Congratulação apresentado hoje na ALRAA

O Clube Central Recreativo e Desportivo Sporting Clube de Guadalupe foi fundado a 7 de Abril de 1955, sendo sócios fundadores os senhores Gabriel Melo, Elisiário Silva, Reginaldo Silva, Albino Picanço e António das Flores. Esta entidade, no entanto, só iniciou a prática desportiva em 1962, movida por habitantes locais que praticavam futebol na freguesia vizinha e pela vontade dos senhores Gabriel Melo, Luís Oliveira, João Silva (Berto) e Manuel Ramos. O primeiro treinador foi o senhor Vasco Weber Vasconcelos, conhecido entusiasta do futebol, entretanto já falecido.
Localizado na zona central da Ilha Graciosa, este clube sempre rivalizou com os outros congéneres, chegando ao ponto, e já depois de se ter filiado na Associação de Futebol de Angra do Heroísmo, a meados dos anos 70, de ser o que detém mais provas ganhas naquela ilha.
Este clube de freguesia, tem sido o que tem representado mais vezes o futebol Graciosense em provas de âmbito associativo. Como marcos mais relevantes da sua história tem a presença em três finais da Taça Açores, vencedor da Taça Associação de Futebol de Angra do Heroísmo por duas vezes, duas participações na Taça de Portugal, até à 2ª eliminatória, e Campeão da Associação de Futebol de Angra do Heroísmo em juniores B.
No passado Domingo, dia 15 de Maio de 2011, a sua equipa sénior, presidida por José Rodrigo da Silva Espínola e treinada pelo técnico Graciosense João Manuel Ávila Picanço, consagrou-se campeã da Associação de Futebol de Angra do Heroísmo, ao levar de vencida as equipas representantes de S. Jorge e da Terceira, numa prova que dá acesso à Série Açores da 3ª Divisão Nacional.
Este resultado representa, para os Graciosenses, uma grande vitória perante duas ilhas, Terceira e S. Jorge, com uma actividade económica mais capacitada para patrocinar participações em provas desportivas, para além de ambas terem muito mais população e, por conseguinte, um maior campo de recrutamento de jovens para a prática desportiva.
Assim, nos termos regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Partido Socialista propõe que a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, reunida em Plenário no dia 18 de Maio de 2011, emita o seguinte Voto de Congratulação:
“A Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores congratula-se pelo facto do Sporting Clube de Guadalupe, em seniores masculinos, ter conquistado o título de Campeão da Associação de Futebol de Angra do Heroísmo na época desportiva de 2010/2011, conferindo-lhe o direito de participar, pela primeira vez na sua história, na Série Açores da III Divisão Nacional de Futebol.
Esta congratulação é extensiva a todos os atletas, equipa técnica, dirigentes, sócios e simpatizantes”.
Do presente voto deverá ser dado conhecimento, além do referido Clube, à Junta de Freguesia de Guadalupe, à Associação de Futebol de Angra do Heroísmo e à Federação Portuguesa de Futebol.


16 de maio de 2011

Sporting Clube de Guadalupe

O Sporting Clube de Guadalupe sagrou-se, ontem, Campeão da Associação de Futebol de Angra do Heroísmo e, por isso, estará na próxima época da Série Açores da 3ª Divisão Nacional.
Aos atletas, técnicos, dirigentes e sócios dou-lhes os meus parabéns por este feito e desejo-lhes as maiores felicidades para a época desportiva 2011-2012.

Pescas


Hoje visitei o Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores para ouvir os cientistas daquela instituição sobre a problemática das pescas, nomeadamente sobre gestão dos recursos.

12 de maio de 2011

A Graciosa e a União Europeia

Na passada segunda-feira, dia 9 de Maio, comemorou-se na Ilha Graciosa o 25º aniversário da integração do nosso país na União Europeia. Foi mais uma iniciativa do Governo dos Açores e que contou com o apoio da Câmara Municipal e da Escola Básica e Secundária da Graciosa. É bom continuar a ver esta ilha como palco de acontecimentos importantes a nível regional. É bom ver que existem muitas pessoas que não ficam à espera que as coisas aconteçam, mas antes fazem as coisas acontecerem.

Apesar de vivermos tempos muito conturbados no seio da Europa, temos de reconhecer que a adesão à então denominada Comunidade Económica Europeia trouxe enormes vantagens para os Açores, fruto do investimento feito ao longo destes últimos 25 anos, notando-se um maior incremento a partir do primeiro governo do Partido Socialista, saído das eleições de 1996.
A região, devido à sua forma arquipelágica e ao centralismo do estado exercido de forma exacerbada, não tinha qualquer perspectiva de futuro. Escasseavam as infra-estruturas básicas, desde a saúde aos transportes, passando pela habitação.
Os fundos comunitários permitiram aos sucessivos governos, às autarquias e aos agentes económicos, construir uma série de estruturas fundamentais, como sejam, aeroportos, portos, estradas e unidades de saúde. Foi com programas específicos que se modernizou a agricultura apostando no melhoramento animal e na construção de novas unidades de transformação. Nas pescas assistiu-se à modernização da frota e à construção de uma rede de novas lotas. Foi também com apoios comunitários que se modernizou o comércio e a indústria. Foram esses fundos que permitiram modernizar a rede eléctrica e apostar, de uma forma exemplar, na produção de energia amiga do ambiente.
Dentro do arquipélago existiam grandes diferenças, ou dupla insularidade, como agora se chama e, quanto a isso, a Graciosa era classificada como uma das ilhas mais isoladas e tida como votada ao abandono.
A nossa economia assentava em dois vectores: agricultura incipiente e pesca de subsistência. O resto era paisagem, literalmente.
Hoje a nossa realidade é diferente, e para melhor. Fruto dos apoios comunitários e tal como aconteceu nas restantes ilhas dos Açores, a Graciosa foi-se transformando numa ilha com estruturas capazes de suportar o desenvolvimento que temos sentido nos últimos anos.
Demos um grande salto em frente.
Passamos a ter um sector agrícola mais forte e capaz de ombrear com as outras ilhas. A classe foi rejuvenescida e aproveitou os fundos colocados à sua disposição para melhorar as explorações e o governo fez o que lhe competia: criou condições para a construção de uma nova fábrica de lacticínios, melhorou as acessibilidades, apostou na formação profissional e no melhoramento animal.
A pesca também sofreu transformações importantes. Passamos a ter uma frota moderna e com boas condições de trabalho para os seus profissionais. Foi construído um novo porto com casas de aprestos e uma nova lota, que será inaugurada em breve.
Mais recentemente o Governo dos Açores apostou no sector do turismo, com a construção de um hotel de quatro estrelas e apoiou a instalação de unidades de turismo rural. A recuperação das termas do Carapacho veio criar mais uma oferta de qualidade para os locais e para quem nos visita. O centro de apoio ao visitante da Caldeira veio também trazer mais segurança e condições condignas a quem quer visitar aquele monumento natural.
Na educação, com a requalificação da escola, no apoio social, com a construção de um novo lar de idosos e a requalificação de um outro, nos transportes marítimos, com a requalificação e reorientação do porto comercial, nos transportes aéreos, com a requalificação da aerogare e melhoria das condições de operacionalidade também foram áreas de intervenção importantes.
Ao nível da saúde, da energia e dos resíduos, estamos também a aproximar-nos de uma grande revolução, impensável há alguns anos atrás. Está a construir-se uma moderna unidade de saúde, capaz de responder de forma mais eficaz aos anseios da população. Está também a ser ultimado o projecto de instalação nesta ilha de capacidade para fornecimento de energia provinda apenas de fontes ambientalmente limpas. Em fase de conclusão está também o centro de processamento de resíduos que irá terminar com este que é um problema para uma ilha da nossa dimensão, porquanto cerca de 75% do lixo processado será exportado.
Por aqui se vê que, por iniciativa e empenhamento do Governo dos Açores e com os apoios comunitários postos à disposição, foi possível mudar a face desta ilha e melhorar a nossa qualidade de vida. Só não vê quem não quer…

5 de maio de 2011

Figuras II

No passado mês de Abril escrevi um artigo denominado Figuras, onde apresentava uma manifesta discordância sobre a maneira como o PSD tinha apresentado um tema na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, numa forma regimental inapropriada, por impedir a discussão do assunto em questão.

Mal sabia eu que passado apenas um mês, estaria aqui de novo com o mesmo argumento para discordar, mais uma vez, da forma como o PSD se manifesta sobre assuntos sérios, só que, desta vez, na Assembleia Municipal de Santa Cruz da Graciosa.

Na passada semana as contas do Município foram levadas à Assembleia para serem apresentadas, discutidas e eventualmente aprovadas por aquele órgão.

Infelizmente e em rigor, não foi isso que aconteceu, por muito que me custe aceitar. O PSD, paladino da democracia, furtou-se à sua obrigação e preferiu fazer daquele órgão um local de pura mediatização.

Surpreendentemente, ou talvez não, aquele partido político, ou, se calhar, alguns políticos daquele partido, depois de apresentadas as contas, nada disseram e nada perguntaram. Em democracia são nobres os períodos dedicados à discussão e esclarecimento, mas estes foram simplesmente banidos de uma das sessões ordinárias mais importantes de qualquer Assembleia Municipal, por um partido que se diz campeão da democracia.

Mesmo assim as contas foram aprovadas, por maioria, com a abstenção do PSD. De seguida veio ao de cima aquele ressentimento de mau perder: uma declaração de voto ressabiada, repleta de imprecisões e que confirma que ainda há quem não tenha digerido bem a derrota de 2009.

Esta declaração de voto, apesar de ser uma figura regimental, não permitiu qualquer tipo de discussão, como se sabe e, o que é mais grave, impediu o Presidente da Câmara de se defender das acusações maliciosas que, numa forma mais ou menos subtil, estavam implícitas nos seus considerandos.

Acho sinceramente que muitos dos deputados municipais do PSD não concordarão com este tipo de actuação, até porque desempenham outros cargos autárquicos e não gostariam, certamente, de ver tal desiderato acontecer nas suas Assembleias de Freguesia.

28 de abril de 2011

O meu Abril

O 25 de Abril de 1974 apanhou-me a viver na ilha do Faial, onde estudava no então Liceu Nacional da Horta.

Eram tempos difíceis, esses. Tinha saído de casa dos meus pais dois anos antes, com apenas 12 anos de idade, em direcção ao desconhecido, numa viagem que durava mais de uma dúzia de horas, muitas das vezes sob condições meteorológicas difíceis. Hoje pode parecer ridículo, mas naquele tempo o Faial ficava mesmo longe.

Nessa madrugada de Abril fiquei com alguns colegas em vigília aguardando a leitura de um comunicado dos revoltosos, que tardava em chegar. Foi uma noite que passamos em claro acompanhados por um pequeno transístor, que serviu para ir conhecendo alguns dos defeitos do regime cinzento que nos governou até a esse dia.

Finalmente veio o tal comunicado, repleto de confiança e de promessas de devolver o poder ao povo.

Mentiria se afirmasse que, nessa altura, tinha consciência política apurada. Não só não a tinha, como a maioria dos jovens da minha idade também não a tinha.

Sabia-se que nem tudo estava bem, quando arrancavam de casa os nossos irmãos, primos ou vizinhos para os levarem até uma guerra longínqua que não entendíamos. Via-se que algo de anormal se passava quando os nossos pais para saberem notícias fidedignas tinham de sintonizar a BBC de forma quase clandestina. Percebia-se que a manipulação de eleições, com votos de todos, incluindo ausentes e falecidos, era a única forma de perpetuar o poder.

Eram tempos difíceis, esses. Muitos não tinham acesso à educação e à saúde. As estruturas básicas escasseavam e o povo era mantido com rédea curta. Foram gerações que, mesmo assim, nunca estiveram à rasca, porque, apesar das contingências impostas pelo regime totalitário, sempre foram desenrascadas.

Abril ficará para sempre na nossa memória como a marca de uma geração que sabia o que queria e para onde ia e que conseguiu abrir Portugal ao mundo, numa revolução de cravos e de esperança.

Bem hajam.

21 de abril de 2011

Nobre desilusão

Depois de ter sido mandatário do Bloco de Esquerda às eleições europeias, o Dr. Fernando Nobre resolveu, e tem todo o direito a isso, candidatar-se a Presidente da República em Janeiro passado.
A sua candidatura assumiu-se como sendo diferente, lutando pela ética e pela participação dos cidadãos, insinuando-se, de uma forma mais ou menos velada, contra classe política ou mesmo contra o sistema. Foi esta a imagem de marca da sua campanha que parecia opor-se a todas as outras.
No passado dia um de Março, afirmava, naquela que foi a primeira entrevista depois das eleições presidenciais: "Partido político nem pensar, nunca. Não peço nada, nunca pedi. Por isso nunca aceitarei nenhum cargo partidário nem governativo.”
Sabe-se agora que aceitou encabeçar a lista do PSD por Lisboa, mas com a condição de ser presidente da Assembleia da Republica, assumindo que não desempenhará o cargo de deputado, caso o PSD não consiga obter a maioria nestas eleições.
Esta sua atitude causou enorme contestação junto dos seus apoiantes e algum incómodo nos militantes do PSD.
Como toda a gente sabe, o presidente da Assembleia da República é eleito por todos os deputados e por voto secreto.
 
O Dr. Fernando Nobre candidata-se a um lugar de deputado que, no fundo, não quer exercer. E, assim sendo, o povo devia dar-lhe um jeitinho, proporcionando-lhe uma lição de humildade, qualidade que sempre apregoou possuir.
Entrar na política com esta postura errática e periclitante é uma demonstração de incoerência e de falta de respeito pelos eleitores.

14 de abril de 2011

Olho aberto

É do conhecimento dos Portugueses que esta crise seria evitável, não fosse a ambição de alguns políticos em chegar ao poder de qualquer maneira.

Mas é aqui que estamos. O Presidente da República aceitou a demissão do Primeiro-Ministro e agora caminhamos para o dia 5 de Junho, dia de todas as decisões.

Até lá teremos um período para esclarecimento e reflexão. Os cidadãos deste país, ninguém tem dúvidas, têm o direito de saber como estamos e para onde vamos.

O PSD tem de esclarecer se confirma o aumento do IVA, quando há pouco tempo Passos Coelho escrevia no seu livro Mudar que era contra. Queremos saber se vai combater a precariedade com os contratos de trabalho meramente verbais. O PSD tem de explicar o que vai fazer com o 13º e 14º meses ou se vai despedir funcionários públicos, para “emagrecer” o estado, como insinuou. Precisamos todos de saber o que vai fazer da TAP e da RTP, se as vai privatizar conforme tem sido notícia. Se isso acontecer precisamos também saber o que vai acontecer à nossa RTP/ Açores e era bom que o PSD Açores também marcasse uma posição sobre este assunto. O Serviço Nacional de Saúde é para desmantelar? O ensino público é para privatizar? E a Caixa Geral de Depósitos é para vender a preços de saldo? Estas são interrogações para as quais se exigem respostas.

No passado recente ouviram-se afirmações que confirmavam essa tendência social-democrata. Alienar ao desbarato o sector empresarial do estado numa altura pouco favorável e acabar com a educação e saúde para todos, para além da única medida conhecida para a agricultura: extinguir o respectivo ministério.

O PSD afirmou não se importar de governar com a presença do Fundo Monetário Internacional (FMI) e aqui poderemos ter gato escondido com rabo de fora.

Como se sabe a Grécia pediu ajuda ao FMI e à União Europeia (UE) em Abril de 2010 e seis meses depois foi a vez da Irlanda.

Os gregos e os irlandeses sentem que o preço das medidas de austeridade impostas por estes organismos tornou-os mais pobres e mais pessimistas quanto ao seu futuro. Aumentou o desemprego ainda mais (13,4% na Irlanda e 12,5% na Grécia), o custo de vida subiu, prevêem-se mais reduções nos benefícios sociais e nos salários, na Grécia estão ainda iminentes fortes cortes no 13º e 14º meses, enquanto a Irlanda se prepara para despedir 25 mil funcionários públicos.

Será que é por isto que o PSD não se importa de partilhar o governo com o FMI? Será que as agendas das reformas necessárias são basicamente as mesmas e assim o ónus ficaria apenas do lado do FMI?

Portugueses, olho aberto…

13 de abril de 2011

Artigo do New York Times fala em 'pressão injusta e arbitrária' sobre Portugal - Sol

Artigo do New York Times fala em 'pressão injusta e arbitrária' sobre Portugal - Sol

Bancada do PS/Açores quer melhorar rendimento dos pescadores, anuncia Berto Messias

O líder do Grupo Parlamentar do PS/Açores anunciou, esta quarta-feira, a apresentação de um diploma com o objectivo de aumentar o rendimento dos pescadores açorianos e, em simultâneo, de garantir uma maior sustentabilidade dos recursos piscícolas da nossa Região.

“Um dos pontos desta iniciativa legislativa pretende a valorização do pescado dos Açores e o consequente aumento do rendimento dos pescadores, através da abertura do capital social da empresa Espada Pescas às associações representativas dos profissionais da pesca”, explicou Berto Messias.

Em conferência de imprensa na cidade da Horta, o Presidente da bancada socialista adiantou que, na prática, recomenda-se que os pescadores entrem no circuito de comercialização de pescado através da empresa detida pela Lotaçor, que deve desenvolver as estratégias de comercialização e de distribuição no Continente Europeu, de forma a valorizar o pescado capturado na Região e, assim, possa proporcionar melhores rendimentos aos pescadores açorianos.

De acordo com Berto Messias, o Projecto de Resolução que deu entrada hoje propõe, também, o reforço das medidas de protecção à pequena pesca artesanal de cada ilha, de forma a melhorar a sustentabilidade dos recursos marinhos na zona entre a costa e as 6 milhas.

“Estas medidas de protecção, que podem ser temporárias e diferentes para cada ilha, podem incluir a proibição de utilização de determinadas artes de pesca, a limitação do número e tipo de embarcações que podem aceder à zona ou a criação de reservas integrais”, adiantou Berto Messias aos jornalistas.

Segundo disse, fora da zona das 6 milhas importa também reforçar as medidas de ordenamento das actividades pesqueiras, consoante as características das pescarias e das embarcações.

Berto Messias explicou, ainda, que estas medidas justificam-se pela importância significativa que a Pesca tem para a Região Autónoma dos Açores, tanto ao nível da actividade económica, enquanto contribuinte real para a criação de riqueza, como para a mão-de-obra que absorve em toda a sua fileira.

“Nos últimos anos, este sector recebeu investimentos públicos de cerca de 250 milhões de euros em infra-estruturas essenciais para a actividade e na renovação da frota, além do apoio a determinados sectores, caso da indústria conserveira, que se assume como grande empregador em algumas ilhas dos Açores”, recordou o líder parlamentar socialista.

“Apesar do volume de pesca ter aumentado de 24 para 40 milhões de euros, entre 1998 e 2010, o prolongamento dos efeitos nos Açores da crise financeira, assim como a imprevisibilidade desta actividade, obrigam as entidades públicas à definição de novas soluções que permitam aumentar o rendimento dos profissionais da Pesca”, justificou Berto Messias.

Para o deputado socialista, a sustentabilidade económica desta actividade, a médio e longo prazo, deve ser alicerçada no aumento gradual dos rendimentos de todos os intervenientes na fileira, em detrimento dos apoios sociais, que têm uma função de apoio pontual e com determinados objectivos bem definidos na legislação em vigor.

“Com esta proposta, o Grupo Parlamentar tem uma preocupação clara e um objectivo concreto: A preocupação de defender os pescadores e os recursos dos Açores e o objectivo de contribuir para a melhoria das condições de vida e de trabalho desta importante classe profissional”, concluiu Berto Messias.

Com estas medidas agora apresentadas, o Grupo Parlamentar do PS/Açores pretende contribuir para amenizar as dificuldades a que está sujeita uma classe profissional que escolheu uma actividade dura e imprevisível, mas de extrema importância para os Açores.

7 de abril de 2011

Figuras

O Partido Socialista, desde que está em maioria nos Açores, sempre pugnou por dar mais voz à oposição e lutou pela alteração da lei eleitoral de modo a proteger os partidos mais pequenos, dando-lhes mais visibilidade e mais tempo para debate.

Todo esse esforço em prol de uma sociedade verdadeiramente democrata e em que todos se sintam devidamente representados.

A Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, agora mais “colorida” do nunca, tem um Regimento que regula todo o seu funcionamento, nomeadamente as questões de participação dos deputados e dos partidos, tais como os tempos e a forma das intervenções.

No Período de Tratamento de Assuntos Políticos, que antecede a agenda da sessão, existem várias figuras regimentais que são, invariavelmente, utilizadas por todos os partidos com assento naquele órgão legislativo, desde os votos - que podem ser de congratulação, saudação, protesto ou de pesar – às declarações políticas, até ao tratamento de assuntos de interesse político relevante.

No plenário de Março e na sequência das Jornadas Parlamentares realizadas na Graciosa, cuja temática estava assente nas questões sociais, esperava-se que o PSD usasse uma dessas figuras regimentais para trazer a debate este assunto tão importante para todos nós.

E foi isso que realmente aconteceu. No entanto, a opção do PSD foi pelo modelo da declaração política, que, como todos os que acompanham estas coisas sabem, não possibilita qualquer debate nem esclarecimento, pois só permite a intervenção de apenas um deputado de cada bancada e por uma só vez, o mesmo acontecendo com o governo.

Ora bem, se um partido acha que a temática era relevante e que seria importante esclarecer todos os Açorianos do que está bem ou do que está mal neste sector, deveria escolher outra figura regimental, que permitisse a discussão e a troca de argumentos para um cabal esclarecimento, sem subtilezas, porque o assunto era sério. De certeza que os Açorianos ficariam todos a ganhar.

Neste caso, refugiar-se na declaração política foi uma atitude pouco responsável e denotou receio de ser confrontado com outras maneiras de ver, ou então fica a confirmação de que o PSD não quer verdadeiramente debater estes assuntos.

É o que acontece quando se dá mais valor a uns segundos na televisão do que ao interesse colectivo. É uma pena!

31 de março de 2011

Os passos do senhor Coelho

Na quarta-feira da passada semana, quis o PSD, com o apoio da restante oposição, da direita à esquerda radical, derrubar o Governo legitimamente eleito em 2009.

Instalou-se uma crise política que vem juntar-se a uma crise financeira e económica que, entretanto, já abalava Portugal e o mundo.

É certo que foi o Governo que afirmou que não teria condições para continuar, caso fosse aprovada a resolução de rejeição do Plano de Estabilidade e Crescimento e a demissão aconteceu, no mesmo dia em que o Parlamento se manifestou nesse sentido.

Curiosamente nenhum dos partidos foi capaz de, apesar dos apelos do Governo e do partido que o suporta, apresentar propostas alternativas na busca de consensos. Optaram pelo silêncio em favor dos seus interesses partidários, ao invés do interesse Nacional, que reclamava maior responsabilidade.

Nessa mesma quarta-feira, dia em que decorreu em Bruxelas uma cimeira para fortalecimento da zona euro, ouvíamos Angela Merkel, da mesma família política europeia, como se sabe, dar um valente puxão de orelhas a Pedro Passos Coelho pela posição irreflectida de provocar uma crise política num momento em que existe grande pressão dos mercados sobre a dívida do nosso país. E não foi só. Muitos líderes europeus, incluindo mesmo o Presidente da Comissão Europeia, terão ficado incomodados com esta atitude.

Os efeitos desta incerteza política provocados pela demissão do Governo não demoraram a chegar. Os juros aumentaram desmesuradamente e instalou-se uma desconfiança nos investidores, pondo em risco a capacidade do nosso país se refinanciar nos mercados num futuro próximo.

O que é incrível é que Passos Coelho não demorou muito a afirmar que os objectivos do défice são para cumprir, caso chegue ao Governo. Alguém o terá forçado a admitir que o PEC em questão era essencial para o nosso país e que, caso chegue ao poder, vai afinal aplicar o plano que rejeitou e que fez cair o Governo. E sabe-se agora, através duma entrevista dada a um jornal estrangeiro, que o chumbo deveu-se não ao facto do documento ir longe demais, como quis fazer crer, mas tão só porque não foi ainda mais longe… Tudo dito.

É também incompreensível que, apesar de estar há seis anos na oposição e a dois meses das eleições, o PSD não tenha já um programa para governar Portugal. Neste momento apenas conhecemos, e aos poucos, as linhas gerais de um programa.

O assalto ao poder era previsível, estando apenas em aberto a questão da oportunidade e esta, por sua vez, estava dependente das sondagens sobre a intenção de voto dos Portugueses.

Passos Coelho e o PSD revelam um apetite desenfreado pelo poder. O líder e o seu partido foram capazes de esquecer os altos interesses do estado, para satisfazerem os desejos de chegarem a primeiro-ministro e ao Governo, a qualquer preço, pelos vistos.

O líder do PSD, que tanto criticou o Governo por aumentar a carga fiscal e de não ser de confiança, perdeu a face: afinal vai resolver a crise com o aumento dos impostos, atitude sempre renegada, e como tal não é um homem de palavra.