As
filarmónicas são os verdadeiros Conservatórios do Povo.
Imprimem
dinâmicas nas comunidades onde estão inseridas, não só pelo ensino da música,
mas também pelas atividades culturais que desenvolvem.
A
Ilha Graciosa tem a sorte de ter quatro filarmónicas ativas, uma por freguesia,
com gente de todas as idades, destacando-se os jovens, o que faz prever que o
futuro está garantido.
A
Filarmónica União Popular Luzense é uma delas e está a completar 75 anos de
existência.
Dirigida
por gente jovem e dinâmica a Filarmónica União Popular Luzense presta um
inestimável serviço à sua freguesia e à nossa ilha e possuí projetos que, no
futuro próximo, darão melhores condições aos seus sócios e a todos os Luzenses.
Por
isso o Grupo Parlamentar do Partido Socialista associa-se a este Voto de
Saudação.
O
Fundopesca, criado em 2002, é um mecanismo importante na proteção dos
pescadores quando estes se encontram impedidos de saírem para o mar em caso de
mau tempo prolongado, quando estiver em causa a preservação de recursos,
interdição de pesca por motivos de saúde pública ou defesa do ambiente e
impossibilidade do exercício da faina ditada por condicionantes decorrentes do
carater migratório das espécies.
Desde
2002 o fundo já atribuiu cerca de 5 milhões de euros aos pescadores açorianos.
Tal
como aconteceu na legislatura passada com uma proposta praticamente idêntica do
BE, o Partido Socialista não vai apoiar esta pretensão por a considerar mais
redutora do que a legislação atual, nomeadamente no que respeita ao número de
descargas exigida aos beneficiários. Entende também o Partido Socialista que o
Fundopesca deve ser acionado e pago quando necessário e não em data certa, como
está nesta proposta.
Desde
há algum tempo que é assumido pelo PS e por esta bancada que este diploma
necessita de ser aperfeiçoado não só para abranger outras situações não
previstas na atual legislação mas também para clarificar os direitos e as
obrigações dos beneficiários. Sempre houve disponibilidade para introduzir
ajustamentos desde que sirvam para agilizar o seu funcionamento e que sejam não
só equilibrados e justos, mas também exequíveis e devidamente enquadrados no
orçamento.
O
Governo já afirmou publicamente, nomeadamente na Comissão de Economia, que vai
enviar a este Parlamento, muito em breve, um novo documento que irá acautelar
os interesses específicos desta classe em caso de impedimento de exercer a sua
atividade.
A
par da evolução verificada neste setor com a melhoria das condições em todas as
vertentes desta fileira, o Governo está muito empenhado em apoiar os
profissionais da pesca numa altura em que o persistente mau tempo os impede de
obterem os rendimentos do seu trabalho. Foi por isso que nesta legislatura este
mecanismo já foi ativado por duas vezes.
Estivemos
com os pescadores quando se iniciou a infraestruturação da região, ouvindo-os,
incentivando-os. Estivemos com os pescadores nos anos mais proveitosos. Agora,
nestes tempos de maiores dificuldades, dizemos aos homens e mulheres do mar que
estamos aqui para os ajudar a passar este momento.
Estivemos
com os pescadores nos bons momentos.
Posso
afirmar também que os pescadores podem contar connosco nos maus momentos.
Em
primeiro lugar queria dar os parabéns à Senhora Presidente da Assembleia pela
realização do Concerto Solidário na Ilha Graciosa, no passado sábado. Esta
iniciativa de V. Exa. teve subjacente o nobre objetivo de ajudar os que mais
precisam e contou com a solidariedade de mais de uma centena de participantes
que, de uma forma graciosa, deram também o seu contributo a esta causa. Com a
plateia repleta, aquele espetáculo provou mais uma vez que a Ilha Graciosa é
rica em termos culturais e que é possível organizar eventos de qualidade apenas
com a “prata da casa”.
Mas hoje o que me traz aqui a esta tribuna é a
primeira Visita Estatutária que o atual Governo dos Açores fez à Ilha Graciosa
nos dias 8 e 9 do corrente mês.
Numa
altura em que os efeitos da enorme crise provocada pelo Governo da República de
Passos Coelho chegam aos Açores é muito natural que a Ilha Graciosa seja também
afetada. E está a sê-lo, não tenho dúvidas.
A
escassez de crédito bancário e a drástica redução do investimento privado
devido às medidas severas impostas por um Governo que se orgulha de ir muito
mais além do que é exigido pela troika,
tem feito as suas vítimas, nomeadamente com a paralisação das pequenas empresas
de construção civil, aumentando, por essa via, o desemprego.
A
obrigação do Governo dos Açores é tomar medidas para contrariar estes efeitos
nefastos e é isso que tem acontecido.
A
abordagem decidida logo no início do mandato, com a criação da Agenda para a
Criação de Emprego e Competitividade Empresarial, a preparação de uma nova
geração de incentivos para o novo quadro comunitário 2014-2020 e a ambição de
transformar o tecido produtivo com a aposta em novos sectores de atividade em
que a inovação seja um fator fundamental, determinarão a sustentabilidade
económica no futuro próximo.
Nesta
visita do Governo dos Açores à Graciosa, a primeira nesta legislatura, foram
aprovadas em Conselho de Governo 21 medidas destinadas àquela ilha, algumas das
quais vão de encontro as estas pretensões, nomeadamente a aprovação de 100
candidaturas distribuídas pelos programas Prosa, Estagiar L, Estagiar T, CTTS,
Integra + e CPE-Premium.
Ainda
neste âmbito o Governo inaugurou um centro tecnológico onde serão criados, para
já, 12 postos de trabalho, com mão-de-obra jovem e qualificada, havendo a
possibilidade de aí serem instalados outros projetos inovadores que,
certamente, criarão novas oportunidades capazes de dinamizar a economia da Ilha
Graciosa.
O
direcionamento para aquela ilha destes investimentos está ligado às majorações
nos incentivos para as ilhas da coesão, que em boa hora foram criadas, para,
deste modo, descriminar positivamente as economias mais frágeis. Esta
estratégia pode ter demorado a dar frutos, mas já valeu a pena.
O
Governo dos Açores inaugurou também o furo de abastecimento de água das Fontes
e a rampa roll-on roll-off que irá
trazer uma maior eficiência ao novo sistema de transportes de carga rodada.
Tendo
em conta a necessidade de um novo Matadouro pelo impacto positivo que poderá
ter na economia Graciosense, o Governo está a completar as peças processuais
para lançar o concurso internacional para a sua construção. Recordo, porque é
sempre bom lembrar os factos, que as obras de beneficiação no atual Matadouro
foram abandonadas a pedido do Conselho de Ilha que, numa atitude lúcida e com
visão de futuro, optou por reclamar a construção de uma nova estrutura fora da
malha urbana mesmo assumindo o risco dessa alteração protelar por mais algum
tempo a sua execução. Sobre esta questão, por muito que queiram inventar, é
isso mesmo que está a acontecer. Nada mais.
Ainda
no âmbito da agricultura o Governo deliberou proceder à limpeza de 15 Km de
caminhos agrícolas e mandar fazer o projeto para prolongar a rede de
distribuição de água à lavoura no perímetro agrícola Santa Cruz / Guadalupe.
O
Governo decidiu reforçar o número de médicos de família para estabilizar o
quadro destes profissionais e ainda contratar um novo fisioterapeuta.
No
área do turismo foi tomada a iniciativa de proceder à reparação das piscinas
naturais do Carapacho, apoiar ações de promoção do destino Graciosa, lançar um necessário
programa de promoção da Reserva da Biosfera e melhorar o sistema de
monitorização da Furna do Enxofre.
No
âmbito das pescas foi tomada a decisão de reparar os pontões flutuantes danificados
pelos temporais e instalar um posto de abastecimento para embarcações no Porto
de Pescas e ainda mandar elaborar o projeto de requalificação do Porto Afonso
que terá valências nas áreas do turismo e de outas atividades lúdicas.
No
primeiro ano desta legislatura o Governo dos Açores inaugurou um novo formato
de interação com a população ao disponibilizar-se para receber todos os
interessados.
Apesar
do acesso aos membros dos executivos do Partido Socialista ter sido sempre
fácil, este gesto, num momento de grandes dificuldades, demonstra que o Governo
dos Açores está com as pessoas, ao contrário do que acontece lá fora onde o Governo
da República vive amedrontado e a esquivar-se constantemente da ira popular.
O artigo “Já
leram o memorando da troika?”, do escritor e jornalista Domingos Freitas do
Amaral - cuja leitura recomendo e para o qual deixo uma ligação - dá que pensar
e deita por terra toda esta estratégia montada por Coelho, Portas e Gaspar,
para empobrecer este país de um modo irreversível, atemorizando os portugueses
com medidas que afinal não estão inscritas no memorando de entendimento que
Portugal assinou em 2011, ao contrário do que fazem o povo acreditar.
Esta gente é mais troikista que a troika, já se sabia. Esta gente, apesar destas duras medidas que
nos impõem todos os dias, não consegue atingir nenhum dos objetivos traçados
para resolver esta crise, ficamos a saber com a análise dos indicadores
económicos. A mensagem que este governo da república passa de que algumas
destas medidas são obrigações decorrentes do compromisso que Portugal assumiu
com as organizações internacionais que participaram no resgate financeiro, é mais
um truque falacioso.
Uma leitura mais atenta do
memorando, como é recomendado pelo escritor e jornalista referido, indica que
essa é mais uma mentira que nos impingem diariamente.
O povo deste país não foi capaz
de reagir quando foi apanhado por este turbilhão de ataques a muitos direitos
que foram adquiridos a partir da revolução de 1974. Os rumores, as incertezas,
o medo, têm sido armas usadas para encobrir a incompetência de um governo que
apenas quer fazer o papel de bonzinho perante a poderosa Alemanha.
Hoje as coisas mudaram. Por todo
o lado vê-se a revolta em crescendo e o movimento “Que se lixe a troika” trouxe
para as ruas de 40 cidades deste país, no passado dia 2 de março, cerca de um
milhão de indignados que exigiram deste governo uma mudança de rumo e
apresentaram um forte protesto contra estas medidas de austeridade.
Por isso a “Grândola Vila Morena”
do Zeca Afonso continua um hino, agora um hino de revolta que ressoa por este
país fora.
O Bloco de Esquerda promoveu na
passada semana, na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, uma
interpelação ao Governo Regional sobre a defesa e sustentabilidade do Serviço
Regional de Saúde.
Esta figura está prevista no
regimento e, por esse facto, tem o Bloco de Esquerda toda a legitimidade para
trazer esse assunto à discussão, até porque este é um tema que interessa e é
importante para todos os Açorianos.
Como é conhecido o Governo dos
Açores, sabendo da importância deste assunto, encetou, muito recentemente,
conversações com todos os partidos políticos e outros parceiros no sentido de
receber contributos sobre a reforma o Serviço Regional de Saúde.
Quando se discute esta matéria,
normalmente surgem sempre as questões relativas à dívida do sector, por vezes
fora de contexto e de forma imprecisa, muito embora perceba a preocupação.
Hoje vive-se mais, hoje existem
mais meios complementares de diagnóstico, hoje as pessoas tratam melhor da sua
saúde. São fatores positivos, sem dúvida, mas absorvem cada vez mais recursos
financeiros.
Parece-me que ninguém tem dúvidas
que esta dívida resulta do enorme investimento, sem igual, na modernização do
sistema de saúde, que está disperso por nove ilhas, e na melhoria da
acessibilidade por parte de todos os Açorianos. Foi dinheiro gasto ou, melhor,
investido, nas pessoas e para as pessoas.
Esta reforma, como já foi dito
muitas vezes, não é necessária por ser este um mau serviço, mas antes para
continuar a ser um bom serviço e, sobretudo, sustentável.
É conhecida a vontade do Governo
dos Açores de manter a tendência gratuita do acesso ao Serviço Regional de
Saúde, porque, entende o Partido Socialista, que sustenta o Governo, as pessoas
são a razão de ser das suas políticas da saúde.
Via o Renato todos os dias,
saltitando entre o quiosque da Praça Fontes Pereira de Melo e os baixos da casa
do senhor Belchior. Era nesse dois sítios que estava quase sempre.
O único ofício que lhe conheci
foi o de engraxador. Com um banco e a sua caixa, que servia para arrumar os
utensílios da profissão e de base para colocar o pé com o calçado à espera de
atenção, procurava os clientes, sobretudo aos domingos, na Praça Fontes Pereira
de Melo, para lhes dar brilho nos sapatos. Enquanto limpava, dava graxa e
polia, o Renato conversava com os seus clientes, que eram todos seus
conhecidos, sobretudo sobre futebol.
No entanto o Renato, enquanto
rapaz, serviu em várias casas de Santa Cruz. Cuidava dos quintais, tratava dos
animais e fazia as “voltas” necessárias àquelas famílias. Nesse tempo ficou
conhecido por “guarda-joias”, talvez devido a alguma inconfidência logo
aproveitada pelos especialistas em atribuir alcunhas.
Era um homem magro e de baixa
estatura, podendo mesmo classificar-se com franzino. Andava bem penteado, muito
à conta da brilhantina que lhe alisava o cabelo. No canto da boca via-se quase
sempre um cigarro que também lhe amarelava os dedos.
Com o advento da democracia em
1974, os partidos de então, e eram muitos, faziam incursões por estas ilhas
debitando as suas ideias em inúmeras sessões de esclarecimentos. O Renato,
impulsionado por aquilo que era uma autêntica novidade para todos os graciosenses,
levou isso a peito de tal maneira que, quando bebia uns “copitos” a mais, era
vê-lo por cima do quiosque da praça em animado “comício” para deleite dos
transeuntes, sobretudo os notívagos, que faziam da praça a sua sala de estar.
Empenhava-se muito naquelas suas
intervenções, mas não ofendia ninguém. Quando queria reforçar uma ideia ou
mesmo repeti-la usava sempre a expressão “ou que seja”, o que levou algumas
pessoas a tratá-lo assim, pois, como se sabe e já aqui foi referido, as
alcunhas na Graciosa, por vezes, surgem do nada.
Era adepto do Graciosa Futebol
Clube, onde chegou a jogar. Certo dia, o treinador mandou-o, na segunda parte,
saltar do banco para jogar a ponta de lança. O defesa Reinaldo Tristão, pai e
avô de dois guarda-redes do mesmo clube, colocou-lhe a bola no meio campo e o
Renato, com o seu passo miudeiro, isolou-se e correu em direção à baliza à
guarda do Antero. Quando se viu só à frente da guarda-redes do Santa Cruz Sport
Clube desferiu um remate e o Antero, fazendo o que lhe competia, atirou-se para
o lado esquerdo e defendeu … a bota de travessas do Renato, enquanto a bola
seguiu, menos veloz mas mais certeira, em direção à baliza, fazendo assim um
golo de antologia, que o seu autor nunca mais esqueceu, nem nunca deixou de
contar sempre que se falava de futebol.
O Renato, ainda novo, teve
necessidade de receber tratamento na vizinha Ilha Terceira. Foi aí que acabou
por encontrar-se com a morte de uma forma trágica e inesperada.
O peso que o sector das pescas representa na economia dos
Açores (3,6% do PIB e cerca de 20% das exportações) atribui à Região enormes
responsabilidades na sua gestão e, sobretudo, na preservação.
Os Governos dos Açores constituíram como objetivo prioritário
nesta área a proteção da nossa Zona Económica Exclusiva, porque sempre foi
reconhecido que, para além de uma atividade importante do ponto de vista da
economia regional, configura-se também importante em termos sociais e mesmo
culturais.
A perseverança neste desígnio, há muito reivindicado, deu
frutos e permitiu aos Açores, muito recentemente, recuperar a exclusividade
para a frota açoriana das zonas em redor dos montes submarinos, situadas para
além das 100 milhas da nossa ZEE.
A aprovação da não obrigatoriedade de imposição das quotas
individuais transferíveis, também veio ao encontro das pretensões do Governo
dos Açores, garantindo, por esta via, que a gestão destas questões tenha a sua
sede na Região Autónoma dos Açores.
A grande evolução verificada nos equipamentos (casas de
aprestos, gruas, e pórticos de varagem), nos portos de pesca (com a construção
de novos e intervenções nos existentes), a renovação da frota e a formação,
trouxeram enormes benefícios, nomeadamente criando melhores condições de
segurança, de trabalho e de habitabilidade, acentuaram a pressão sobre os
recursos, que, sabe-se agora, são sensíveis e finitos.
Sem dúvida que estes fatores contribuíram para a dignificação
da classe e consequente rejuvenescimento dos seus profissionais.
Por outro lado as oscilações nas capturas, nomeadamente na
pesca demersal, vieram levantar outra questão que tem estado na ordem do dia: a
gestão dos recursos. Aqui a Região também viu a União Europeia reconhecer a
necessidade de financiar a investigação nesta importante fileira, dando a
conhecer aos utilizadores do mar a sua real situação.
São estes avanços que nos permitem acreditar no futuro deste
setor.
Passamos mais um Carnaval na
Graciosa. Exatamente como aconteceu em todos os outros, logo houve quem se
apressasse a tecer algumas considerações, tais como “o nosso carnaval já não é
o que era”, “o carnaval está a desvirtuar-se a cada ano que passa”, “as roupas
já são importadas”, “no meu tempo é que era bom”, etc.
Mas uma coisa é certa: na
Graciosa fez-se mais um carnaval e cumpriu-se a tradição. Também se fez jus à
fama do gosto que os graciosenses nutrem pela folia e confirmou-se, mais uma
vez, que nos Açores não há carnaval como o nosso.
Apesar do fulgor destes dias, a
ausência da RTP-Açores na cobertura do desfile do domingo gordo causou alguma
estranheza, ainda para mais quando se soube que se tratou de uma decisão da
nova direção daquela estação que nada teve a ver com questões financeiras,
justificação agora muito em voga, já que as despesas têm corrido, desde há
muito, por conta da edilidade graciosense.
Nunca escondi que não concordava
com o modelo que aquela estação implementou para as ilhas que não tem
delegações da RTP-Açores: se querem cobertura dos vossos eventos e das vossas
tradições então paguem os encargos com as deslocações dos profissionais. Aliás,
já o manifestei numa reunião de uma comissão parlamentar em que participaram os
seus responsáveis. E a fundamentação é muito simples. Não me parece que a
Câmara de Ponta Delgada pague alguma coisa para ter a cobertura das Festas de
Santo Cristo, ou que as Câmaras de Angra do Heroísmo ou a da Praia da Vitória
se cheguem à frente para terem as suas festas concelhias transmitidas por
aquele canal. Então porque que teremos nós de pagar?
Num momento em que se esgrime
argumentos com os centralistas para justificar a existência de um canal como
garante da nossa autonomia regional, coisas deste tipo representam, de facto,
um retrocesso.
Passando em revista as últimas
notícias, em pleno dia das comadres, duas sobressaem pela importância que têm
para os Açores, muito embora sejam de sinais opostos.
A primeira prende-se com a
aprovação no Parlamento Europeu de medidas para as pescas defendidas pelos
Açores e a segunda tem a ver com as declarações do PSD sobre as dívidas da
saúde.
No primeiro caso, a Região
Autónoma dos Açores, soube-se agora, ganhou uma dura e longa batalha ao
conseguir reservar a área à volta dos montes submarinos, para lá das 100 milhas,
à frota de pesca açoriana, em exclusivo.
Esta pretensão antiga - e justa,
diga-se - insere-se na estratégia que o Governo do Açores tem imprimido no
sentido de ser a região a gerir os recursos marinhos existentes.
No caso das dívidas do Serviço
Regional da Saúde, outro dos temas falados esta semana, ouvimos, sobretudo o
PSD, tecer, durante vários dias, grandes considerações sobre o tema, que foi, inclusivamente,
objeto de jornadas parlamentares.
Curiosamente estas manifestações
do PSD surgem num momento em que o Governo dos Açores se prepara para,
juntamente com todos os partidos políticos e parceiros sociais, celebrar um
Compromisso para a Sustentabilidade do Serviço Regional de Saúde.
Como se esperava, o Presidente do
PS / Açores, Vasco Cordeiro, fez duas excelentes intervenções neste que foi o
XV Congresso do partido, não tanto pela forma, que nesta altura pouco
interessará, mas, sobretudo, pelo tom assertivo com que identificou as ameaças
que aí vêm, pela esperança que incutiu nas palavras que dirigiu ao povo dos
Açores nestes momentos de dificuldades e pela certeza que este conclave não
servia para resolver questões internas ou disputas pelo poder, mas antes para
procurar soluções para os problemas que estes novos tempos nos vão trazer.
Foram discursos para fora do
partido, lembrando, aqui e ali, que os consensos alargados com os parceiros,
sociais e políticos, só nos tornarão mais coesos.
Não haja dúvida nenhuma que os
centralistas de Lisboa se preparam para assaltar o nosso mar de uma forma que,
no dizer de Vasco Cordeiro, se assemelha à pirataria de outros tempos.
Agora, quando são conhecidas as
potencialidades dos minérios existentes nos fundos açorianos, o Governo da
República põe as garras de fora e tenta, a todo o custo, tirar proveitos à
conta de atropelos à nossa autonomia política e administrativa.
Passos Coelho também se propõe
alterar a Lei das Finanças das Regiões Autónomas. No meio de algumas propostas que
vão no sentido de maior rigor e transparência que, para o nosso caso, são
inócuas, o Governo Central quer baixar o diferencial fiscal de 30 para 20%,
significando essa medida mais impostos para o açorianos, o que é
verdadeiramente inaceitável para Vasco Cordeiro.
Vasco Cordeiro também se
demarcou, e muito bem, do desmantelamento do estado social que o governo do PSD
/ PP está a preparar no continente.
Aqui, na Região Autónoma dos
Açores, cabe-nos defender os que mais precisam, os mais desfavorecidos. É por
isso que Vasco Cordeiro anunciou que irá manter todos os apoios sociais já
existentes e aumentar o “cheque pequenino”, tal como o prometido na campanha
eleitoral.
Também foi anunciado o reforço de 30 milhões
de euros na saúde, como forma de garantir a qualidade nesta importante área.
Temos de estar atentos e
vigilantes para não sermos surpreendidos por manobras perpetradas nos
corredores cinzentos do poder central.
A autonomia e os autonomistas têm
agora a oportunidade de defender, em uníssono, as conquistas dos últimos 37
anos.
Cresci ao lado do meu primo e
companheiro de brincadeiras, o Rui Manel,
filho do Dr. Gregório. Nos períodos de férias passava, muitas vezes, as noites
na sua casa para aproveitar e brincar até tarde e para recomeçar o divertimento
bem cedo.
Foram belos tempos, aqueles. A
imaginação e a criatividade produziam ideias para os jogos que nos entretinham
dias a fio.
Correr de patins no enorme
corredor, tocar piano no salão do fundo, jogar à bola no pátio ou lutar com
espadas no quintal, eram os nossos passatempos favoritos.
Depois de vencidos pelo cansaço,
a noite e o sono recuperador punha-nos aptos para, no dia seguinte, começar tudo
de novo, com renovada energia.
O tio Gregório era um homem de
hábitos. Noctívago desde que me lembro, nunca se deitava antes das quatro da
manhã.
Passava as noites a passear na
praça ou, quando o tempo não permitia, abrigado no bar situado por baixo do
coreto ou então num qualquer clube jogando ou vendo jogar às cartas e ao
dominó. Aquele costume de se deitar tarde fazia-o procurar os foliões ou os
convivas de uma qualquer petiscada, para assim ganhar mais umas horas de
companhia. Nos dias de maior invernia ou quando não encontrava ninguém a jeito,
passeava no seu enorme corredor até à hora de se deitar.
Dava uma volta à ilha
diariamente, com ele ao volante enquanto a sua saúde permitiu, ou então conduzido
por alguém amigo depois de deixar de conduzir. Confessava que nesse passeio via
sempre algo que lhe escapara nas vezes anteriores. Eram conhecidas as suas
paragens, na companhia do Comandante Silveira, para ouvir o chilrear de um
determinado pássaro que, segundo eles, os presenteava com uma exibição sempre à
mesma hora. Já na fase final da sua vida cheguei a ter o privilégio de passear
com ele e de ouvir as suas histórias e vivências contadas na primeira pessoa, com
a sua inconfundível voz afável.
Os graciosenses habituaram-se a
vê-lo com um sobretudo ou uma gabardina por cima do seu fato com colete,
polainas nos sapatos, chapéu na cabeça e sempre com uma varinha numa das mãos. No
bolso interior do casaco transportava uma cigarreira de prata, onde colocava
cuidadosamente os cigarros para o dia, e ainda uma boquilha para reduzir os
efeitos nefastos do tabaco. Quando chegava a casa, colocava a varinha no
bengaleiro e trocava o sobretudo ou gabardina por um robe cor de vinho.
O Dr. Gregório foi médico nesta
ilha mais de quarenta anos, a grande maioria deles sozinho. Foi Delegado de
Saúde, Médico Municipal e tinha consultório no rés-do-chão da sua casa. Era das
consultas que deveria tirar a maior parte dos seus proveitos, mas isso nunca
aconteceu porque não levava dinheiro. Aos pobres, quando lhe perguntavam quanto
era a consulta, respondia “porque é que perguntas, se sabes que não me podes
pagar?” Por outro lado ficava indignado quando os que podiam pagar não lhe
perguntavam nada.
Muitas noites o tio Gregório era
procurado para acudir a quem sofria. Era frequente vê-lo sair noite dentro,
muitas vezes já com a iluminação pública desligada, para tratar doentes.
Entrava em casas de pobres e ricos, recebido quase como um salvador. As pessoas
tinham fé nos seus conhecimentos para debelar as doenças que os afligiam
Dizem que era quase infalível nos
seus diagnósticos, sempre feitos sem apoios de meios técnicos, porque não os
havia. O seu estetoscópio, o toque com dois dedos e sua rara intuição,
indicavam-lhe a origem do mal e o caminho a seguir para a cura, com uma
prescrição que poderia ser um medicamento feito pelo senhor Juvenal “da
Farmácia”, ou mesmo o chá mais indicado para aquela maleita.
Um dia, devido à gravidade da
situação e também pelo mau tempo que impedia a “gasolina” da baleia de evacuar
um doente, resolveu fazer uma operação para a ablação do apêndice, como último
recurso para salvar uma vida. A cirurgia correu bem, mas o tio Gregório apanhou
um susto. Nesse dia tinha dado conta do desaparecimento da sua aliança que,
chegou a temer, poderia, muito bem, estar no abdómen do seu doente. Felizmente
que a dúvida foi desfeita quando verificou que a tinha guardado cuidadosamente
antes da operação.
O escritor Augusto Gomes, aquando
da sua morte, disse sobre ele: “Atendendo doentes de toda a ilha, os seus
diagnósticos tornar-se-iam célebres pela infalibilidade. Salvou centenas de
vidas. Seria fastidioso enumerar os casos quase lendários acerca do Dr.
Gregório. Aliava à inegável competência profissional um espírito filantrópico e
um desprendimento pelo fausto, pela opulência, não cobrando honorários. O povo
adorava-o. Por quatro vezes teve o ensejo de o manifestar. Primeiro quando se
deslocou a Ponta Delgada em tratamento, teve o seu regresso marcado por uma
manifestação jubilosa, na qual se incorporaram milhares de pessoas. A segunda
deu-se quando completou 70 anos. A terceira, aquando da inauguração do seu
busto (…). E finalmente, a quarta e derradeira, ao derramar lágrimas de sincero
pesar junto ao túmulo do seu filho dilecto, que tão relevantes serviços prestou
à sua terra”.
Na mesma altura o senhor Raúl
Correia da Silva escreveu: “Homem de carácter íntegro, de extrema bondade e de
evidente modéstia, era detentor de uma inteligência invulgar, o que lhe
permitiu concluir brilhantemente o curso de medicina, em Coimbra, no ano de
1929. De tal modo que, tendo-lhe sido dirigido convite para ocupar as funções
de assistente da respectiva faculdade, a sua reconhecida modéstia entendeu por
bem decliná-lo. Mas para além de Homem de bem, foi também médico de competência
rara que, durante 40 anos, deu o melhor do seu talento e espalhou
ininterruptamente a semente da caridade junto dos seus conterrâneos, já que não
cobrava praticamente nada pelo exercício do seu múnus profissional,
limitando-se aos parcos vencimentos que auferia pelo exercício dos cargos de
delegado de saúde e de médico municipal”.
Estes dois testemunhos dizem
muito sobre a personalidade deste homem e a sua ligação à Graciosa e aos
graciosenses. Ficou mesmo conhecido como “médico do povo”, cognome que aceitava
com uma indisfarçável humildade.
Esse mesmo povo, a quem ele deu
muito, juntou-se e ergueu-lhe um busto de bronze, ainda em sua vida, cuja
inauguração constituiu uma emocionante homenagem acompanhada por centenas de
pessoas que deste modo quiseram agradecer tudo o que este homem fez pelos
filhos da sua terra.
O teatro era uma das suas
paixões. Encenou e representou várias peças de teatro levadas à cena na
Graciosa e noutras ilhas dos Açores.
Foi agraciado pelo Presidente da
República com a Ordem de Mérito, antes da revolução de 1974 e em 1979, com o
Grau da Ordem de Benemerência. A Região Autónoma dos Açores, a título póstumo,
atribuiu-lhe a Insígnia Honorifica, pelos relevantes serviços prestados à sua
comunidade.
Na reunião magna dos socialistas
açorianos, que decorrerá no próximo fim-de-semana, o Dr. Vasco Cordeiro,
Presidente do PS, apresentará uma Moção de Orientação de Política Global
intitulada “Renovação com Confiança por uma Autonomia com Futuro”.
O título deste documento diz
muito sobre o seu conteúdo. Enfatiza-se a renovação de protagonistas, apela-se
a uma nova geração de políticas para garantir a sustentabilidade da Autonomia
dos Açores.
O Partido Socialista, como grande
partido da Autonomia, honra-se do seu passado e da obra feita por todas essas
ilhas.
No entanto este partido não se
deslumbrou com o seu histórico nem se aquietou no conforto dos bons resultados
das suas políticas.
Foi capaz de se renovar de uma
forma exemplar, sobressaindo a união de todos em volta de um projeto político
que só tem um dono: o povo açoriano.
Agora o Partido Socialista
prepara-se para ganhar os desafios que tem pela frente nos próximos tempos, que
não serão poucos, como se sabe.
O Governo da República tenta, a todo
o custo, criar dificuldades em nome da sua linha de atuação austera, como não
há memória.
O poder local, a lei das finanças
regionais, a desresponsabilização nas funções do estado ou a tentativa de
apropriação de ativos da Região, são alguns dos constrangimentos que já se
advinham.
O PS é o partido melhor colocado
para defender os Açores dos ataques centralistas neste momento difícil e foi
por isso, sem qualquer dúvida, que os açorianos lhes deram um mandato
inequívoco para governar a Região.
Esta semana Passos Coelho veio
aos Açores fazer um discurso hermético e descolorido. Aliás, a especialidade do
primeiro-ministro é pintar de cinzento tudo o que diz. Enfatizou as
dificuldades do país com convicção e acenou, a medo, com melhoras lá para a
frente, que ninguém, no seu prefeito juízo, consegue vislumbrar.
Esta sua intervenção no congresso
do PSD mereceu tímidos aplausos dos militantes do seu partido, talvez desanimados
e desiludidos com a ineficácia do seu líder na resolução desta crise, que ele
garante não ser da sua responsabilidade, mas que todos os portugueses sabem que
foi ele que a precipitou logo a partir da sua tomada de posse.
Ficou também confirmado, através
dos dados divulgados pelo Banco de Portugal na última terça-feira, que a
recessão em 2013 vai ser mais grave do que se previa, com menos consumo e mais
88 mil postos de trabalho destruídos.
O desacerto deste governo, de
matriz ultra liberal, é uma constante e, mais do que isso, é uma triste
realidade que está a levar os portugueses ao desespero. Falham previsões atrás
de previsões e continuam em frente. Faz lembrar a banda do Titanic que
continuou a tocar enquanto o navio se afundava.
O relatório do FMI, encomendado
pelo governo, contém uma série de propostas indiscritíveis que, a serem
assumidas, irão esmagar, ainda mais, o rendimento dos portugueses. A OCDE
também está por cá para colaborar na reforma do estado que, segundo se percebe,
vai avançar a direito, sem esperar pela opinião de quem quer que fosse, tal
como aconteceu com a reorganização das freguesias agora promulgada pelo
Presidente da República.
A clima social por esse país fora
é de tal gravidade que gente lúcida e com responsabilidade moral inatacável,
como é o caso do Dr. Freitas do Amaral, já prevê a possível queda do governo de
Passos Coelho.
A oficina do mestre José
Juventino - com era mais conhecido o senhor José Gil de Ávila, por ter sido esse
o nome de seu pai – ficava ao fundo da rua do Saco. Antes esteve situada na
atual rua 25 de Abril e depois na rua Infante D. Henrique.
Adivinhava-se a sua localização
pelo amontoado de tábuas encostadas às paredes, secando ao sol, para depois
servirem de matéria-prima aos artistas daquela carpintaria e marcenaria, ele e
os seus três filhos, que as transformariam em mobílias, armários, portas,
janelas, mesas, cadeiras, soalhos, vasilhame ou cabos para utensílios agrícolas.
No seu interior, presas nas
paredes ou espalhadas por cima dos bancos de trabalho, existiam várias ferramentas:
serras, sutas, esquadros, maços, serrotes de ponta, serrotes de costas, berbequins
manuais, plainas, martelos, etc.
Por cima do chão, que antes era nu
e frio, acumulavam-se os cavacos de madeira nascidos na ranhura das plainas
que, num vai vem frenético, iam dando forma e sentido à madeira. Durante a
jornada, para não se perder muito tempo, empurravam-se as aparas e os cavacos para
os cantos da tenda, mas no final de cada dia eram queimados mesmo ali do lado
de fora da porta.
No teto viam-se alguns moldes e
várias violas da terra carinhosamente construídas pelo mestre José Juventino. No
início moldava pacientemente a rebelde madeira com que construía as violas com
vapor que saía de panelas com água a ferver. Mais tarde construiu as suas
próprias formas que, no fundo, lhe facilitavam a vida nesta atividade.
Dali saía quase tudo o que fosse
possível moldar. Faziam trabalhos mais toscos, como coberturas de casas, ou
moldes para as obras da Junta Geral, mas era na marcenaria que aquela oficina se
destacava mais. O mestre José Juventino e os seus filhos deixaram nesta ilha,
sobretudo nas casas mais abastadas, mobílias que ainda hoje são muito
apreciadas.
Certo dia encomendaram-lhe um candeeiro
tendo como corpo um fuso igual ao dos lagares. Depois de fazer as suas contas
lá acabou por desenhar um esboço que o ajudaria a concretizar mais uma obra de
arte. Apesar de ter pouca instrução, como era normal no tempo em que se criou,
tinha conhecimentos empíricos de matemática capazes de o ajudarem a resolver
alguns problemas ligados à sua profissão.
Era naquela oficina que vi fazerem
piões que depois comprava para jogar com os meus amigos na escola ou na praça.
Bocados de madeira amorfos iam-se enformando à custa da rotação do torno e da
mão ágil do mestre José Juventino. Foi também nessa carpintaria que vi
construir o meu primeiro carro de ladeira que utilizei em inúmeras brincadeiras
durante vários anos da minha infância.
Dizem aqueles que o conheceram
bem que gostava de fazer duas coisas na vida: trabalhar e tocar viola da terra.
Só era visto de duas formas, ou curvado sobre a sua bancada ou então carregando
a sua viola.
Andava de casa em casa, de clube
em clube, ora tocando nas matanças do porco, ora animando os bailes com as
modas de viola, onde mandava como ninguém. Nesta sua faceta era também muito
bom.
Tinha conhecimentos musicais e
isso dava-lhe mais traquejo e versatilidade para poder acompanhar o acordeão do
José Berto, a voz do Joaquim dos Fados ou o piano da D. Nizalda Barcelos.
Foi músico na centenária
Filarmónica Recreio dos Artistas, onde também desempenhou cargos nos seus
órgãos sociais. O trombone era o seu instrumento na banda que serviu durante
longos anos.
Gostava muito de se juntar com os
amigos em concorridas petiscadas que acabavam, quase sempre, em alegres
cantorias acompanhadas pela sua inseparável viola.
O senhor José Juventino foi um
artista nestas duas artes que foram, sem dúvida, a paixão de uma vida.
Confesso que não ouvi a mensagem
de Ano Novo do nosso Presidente da República. Não a ouvi por nenhuma razão em
especial ou movido por qualquer preconceito, mas apenas por não me despertar
qualquer tipo curiosidade, até porque do mais alto magistrado da nação já não
espero grande coisa, sentimento que comungo com uma grande parte dos
portugueses.
Com esta minha linguagem acabei
por levar uma chapada com luva branca, não só por não ter avaliado bem a
intervenção política do Presidente da República naquela que seria a sua
primeira aparição no novo ano, mas também por ter ignorado a sua capacidade de
avaliar os danos que esta política de Passos, Gaspar e companhia provocam aos
portugueses e de dar um puxão de orelhas a quem nos levou para este atoleiro em
que se encontra Portugal.
Eu - que assumo ser um simples
mortal que muitas vezes se engana e que vive carregado de dúvidas, ao contrário
do Chefe da Nação - tenho de confessar que, mais uma vez, falhei.
O Presidente da República
reconheceu as dificuldades do ano velho, confirmou que o ano novo vai ser
difícil e corroborou a certeza que todos temos de que o país empobreceu e que
vai empobrecer ainda mais por via do aumento imenso e nunca visto da carga
fiscal.
Mas não foi só. Falhei logo a
seguir - e isto só pode dizer que são falhanços a mais - quando pensei que o
Dr. Mota Amaral iria deixar passar este “deita abaixo” sem qualquer reparo.
Num artigo publicado nas páginas
do jornal Açoriano Oriental, com o título “OE 2013 – a prova de fogo”, o Dr.
Mota Amaral desfere um ataque a Passos Coelho e aos seus ministros reconhecendo
que a situação do país tem vindo a piorar, ao contrário do que o Governo diz,
criticando-o duramente por ter sido mais troikista
que a troika e por não ter cumprido o
que prometeu na campanha, nomeadamente na questão dos cortes nos subsídios de
férias e de natal e nas pensões.
Reconheço a coragem destes dois
políticos, que, muito certamente, estarão incomodados com estas e outras
políticas que podem conduzir a uma, já eminente, rutura social.
No entanto não posso compreender
porque não usaram os mecanismos que estão ao seu dispor: o veto em Belém, no
caso do primeiro e o voto contra em São Bento, no caso do segundo.