17 de abril de 2013

Intervenção a propósito de um Voto de Saudação pelo 75º Aniversário da Filarmónica União Popular Luzense



Senhora Presidente da Assembleia

Senhoras e Senhores Deputados

Senhor Presidente do Governo

Senhora e Senhores Membros do Governo

As filarmónicas são os verdadeiros Conservatórios do Povo.

Imprimem dinâmicas nas comunidades onde estão inseridas, não só pelo ensino da música, mas também pelas atividades culturais que desenvolvem.

A Ilha Graciosa tem a sorte de ter quatro filarmónicas ativas, uma por freguesia, com gente de todas as idades, destacando-se os jovens, o que faz prever que o futuro está garantido.

A Filarmónica União Popular Luzense é uma delas e está a completar 75 anos de existência.

Dirigida por gente jovem e dinâmica a Filarmónica União Popular Luzense presta um inestimável serviço à sua freguesia e à nossa ilha e possuí projetos que, no futuro próximo, darão melhores condições aos seus sócios e a todos os Luzenses.

Por isso o Grupo Parlamentar do Partido Socialista associa-se a este Voto de Saudação.

16 de abril de 2013

Intervenção aquando da discussão de uma proposta do BE sobre alteração do Fundopesca




Senhora Presidente da Assembleia

Senhoras e Senhores Deputados

Senhor Presidente do Governo

Senhora e Senhores Membros do Governo

O Fundopesca, criado em 2002, é um mecanismo importante na proteção dos pescadores quando estes se encontram impedidos de saírem para o mar em caso de mau tempo prolongado, quando estiver em causa a preservação de recursos, interdição de pesca por motivos de saúde pública ou defesa do ambiente e impossibilidade do exercício da faina ditada por condicionantes decorrentes do carater migratório das espécies.

Desde 2002 o fundo já atribuiu cerca de 5 milhões de euros aos pescadores açorianos.

Tal como aconteceu na legislatura passada com uma proposta praticamente idêntica do BE, o Partido Socialista não vai apoiar esta pretensão por a considerar mais redutora do que a legislação atual, nomeadamente no que respeita ao número de descargas exigida aos beneficiários. Entende também o Partido Socialista que o Fundopesca deve ser acionado e pago quando necessário e não em data certa, como está nesta proposta.

Desde há algum tempo que é assumido pelo PS e por esta bancada que este diploma necessita de ser aperfeiçoado não só para abranger outras situações não previstas na atual legislação mas também para clarificar os direitos e as obrigações dos beneficiários. Sempre houve disponibilidade para introduzir ajustamentos desde que sirvam para agilizar o seu funcionamento e que sejam não só equilibrados e justos, mas também exequíveis e devidamente enquadrados no orçamento.

O Governo já afirmou publicamente, nomeadamente na Comissão de Economia, que vai enviar a este Parlamento, muito em breve, um novo documento que irá acautelar os interesses específicos desta classe em caso de impedimento de exercer a sua atividade.

A par da evolução verificada neste setor com a melhoria das condições em todas as vertentes desta fileira, o Governo está muito empenhado em apoiar os profissionais da pesca numa altura em que o persistente mau tempo os impede de obterem os rendimentos do seu trabalho. Foi por isso que nesta legislatura este mecanismo já foi ativado por duas vezes.

Estivemos com os pescadores quando se iniciou a infraestruturação da região, ouvindo-os, incentivando-os. Estivemos com os pescadores nos anos mais proveitosos. Agora, nestes tempos de maiores dificuldades, dizemos aos homens e mulheres do mar que estamos aqui para os ajudar a passar este momento.

Estivemos com os pescadores nos bons momentos.

Posso afirmar também que os pescadores podem contar connosco nos maus momentos.

Intervenção de 16/04/2013


 
 
Senhora Presidente da Assembleia

Senhoras e Senhores Deputados

Senhor Presidente do Governo

Senhora e Senhores Membros do Governo

Em primeiro lugar queria dar os parabéns à Senhora Presidente da Assembleia pela realização do Concerto Solidário na Ilha Graciosa, no passado sábado. Esta iniciativa de V. Exa. teve subjacente o nobre objetivo de ajudar os que mais precisam e contou com a solidariedade de mais de uma centena de participantes que, de uma forma graciosa, deram também o seu contributo a esta causa. Com a plateia repleta, aquele espetáculo provou mais uma vez que a Ilha Graciosa é rica em termos culturais e que é possível organizar eventos de qualidade apenas com a “prata da casa”.

 Mas hoje o que me traz aqui a esta tribuna é a primeira Visita Estatutária que o atual Governo dos Açores fez à Ilha Graciosa nos dias 8 e 9 do corrente mês.

Numa altura em que os efeitos da enorme crise provocada pelo Governo da República de Passos Coelho chegam aos Açores é muito natural que a Ilha Graciosa seja também afetada. E está a sê-lo, não tenho dúvidas.

A escassez de crédito bancário e a drástica redução do investimento privado devido às medidas severas impostas por um Governo que se orgulha de ir muito mais além do que é exigido pela troika, tem feito as suas vítimas, nomeadamente com a paralisação das pequenas empresas de construção civil, aumentando, por essa via, o desemprego.

A obrigação do Governo dos Açores é tomar medidas para contrariar estes efeitos nefastos e é isso que tem acontecido.

A abordagem decidida logo no início do mandato, com a criação da Agenda para a Criação de Emprego e Competitividade Empresarial, a preparação de uma nova geração de incentivos para o novo quadro comunitário 2014-2020 e a ambição de transformar o tecido produtivo com a aposta em novos sectores de atividade em que a inovação seja um fator fundamental, determinarão a sustentabilidade económica no futuro próximo.

Nesta visita do Governo dos Açores à Graciosa, a primeira nesta legislatura, foram aprovadas em Conselho de Governo 21 medidas destinadas àquela ilha, algumas das quais vão de encontro as estas pretensões, nomeadamente a aprovação de 100 candidaturas distribuídas pelos programas Prosa, Estagiar L, Estagiar T, CTTS, Integra + e CPE-Premium.

Ainda neste âmbito o Governo inaugurou um centro tecnológico onde serão criados, para já, 12 postos de trabalho, com mão-de-obra jovem e qualificada, havendo a possibilidade de aí serem instalados outros projetos inovadores que, certamente, criarão novas oportunidades capazes de dinamizar a economia da Ilha Graciosa.    

O direcionamento para aquela ilha destes investimentos está ligado às majorações nos incentivos para as ilhas da coesão, que em boa hora foram criadas, para, deste modo, descriminar positivamente as economias mais frágeis. Esta estratégia pode ter demorado a dar frutos, mas já valeu a pena.

O Governo dos Açores inaugurou também o furo de abastecimento de água das Fontes e a rampa roll-on roll-off que irá trazer uma maior eficiência ao novo sistema de transportes de carga rodada.

Tendo em conta a necessidade de um novo Matadouro pelo impacto positivo que poderá ter na economia Graciosense, o Governo está a completar as peças processuais para lançar o concurso internacional para a sua construção. Recordo, porque é sempre bom lembrar os factos, que as obras de beneficiação no atual Matadouro foram abandonadas a pedido do Conselho de Ilha que, numa atitude lúcida e com visão de futuro, optou por reclamar a construção de uma nova estrutura fora da malha urbana mesmo assumindo o risco dessa alteração protelar por mais algum tempo a sua execução. Sobre esta questão, por muito que queiram inventar, é isso mesmo que está a acontecer. Nada mais.

Ainda no âmbito da agricultura o Governo deliberou proceder à limpeza de 15 Km de caminhos agrícolas e mandar fazer o projeto para prolongar a rede de distribuição de água à lavoura no perímetro agrícola Santa Cruz / Guadalupe.

O Governo decidiu reforçar o número de médicos de família para estabilizar o quadro destes profissionais e ainda contratar um novo fisioterapeuta.

No área do turismo foi tomada a iniciativa de proceder à reparação das piscinas naturais do Carapacho, apoiar ações de promoção do destino Graciosa, lançar um necessário programa de promoção da Reserva da Biosfera e melhorar o sistema de monitorização da Furna do Enxofre.

No âmbito das pescas foi tomada a decisão de reparar os pontões flutuantes danificados pelos temporais e instalar um posto de abastecimento para embarcações no Porto de Pescas e ainda mandar elaborar o projeto de requalificação do Porto Afonso que terá valências nas áreas do turismo e de outas atividades lúdicas.

No primeiro ano desta legislatura o Governo dos Açores inaugurou um novo formato de interação com a população ao disponibilizar-se para receber todos os interessados.

Apesar do acesso aos membros dos executivos do Partido Socialista ter sido sempre fácil, este gesto, num momento de grandes dificuldades, demonstra que o Governo dos Açores está com as pessoas, ao contrário do que acontece lá fora onde o Governo da República vive amedrontado e a esquivar-se constantemente da ira popular.  

Disse.

Horta, Sala das Sessões, 16 de Abril de 2013.

7 de março de 2013

Grândola Vila Morena


O artigo “Já leram o memorando da troika?”, do escritor e jornalista Domingos Freitas do Amaral - cuja leitura recomendo e para o qual deixo uma ligação - dá que pensar e deita por terra toda esta estratégia montada por Coelho, Portas e Gaspar, para empobrecer este país de um modo irreversível, atemorizando os portugueses com medidas que afinal não estão inscritas no memorando de entendimento que Portugal assinou em 2011, ao contrário do que fazem o povo acreditar.

Esta gente é mais troikista que a troika, já se sabia. Esta gente, apesar destas duras medidas que nos impõem todos os dias, não consegue atingir nenhum dos objetivos traçados para resolver esta crise, ficamos a saber com a análise dos indicadores económicos. A mensagem que este governo da república passa de que algumas destas medidas são obrigações decorrentes do compromisso que Portugal assumiu com as organizações internacionais que participaram no resgate financeiro, é mais um truque falacioso.

Uma leitura mais atenta do memorando, como é recomendado pelo escritor e jornalista referido, indica que essa é mais uma mentira que nos impingem diariamente.

O povo deste país não foi capaz de reagir quando foi apanhado por este turbilhão de ataques a muitos direitos que foram adquiridos a partir da revolução de 1974. Os rumores, as incertezas, o medo, têm sido armas usadas para encobrir a incompetência de um governo que apenas quer fazer o papel de bonzinho perante a poderosa Alemanha.

Hoje as coisas mudaram. Por todo o lado vê-se a revolta em crescendo e o movimento “Que se lixe a troika” trouxe para as ruas de 40 cidades deste país, no passado dia 2 de março, cerca de um milhão de indignados que exigiram deste governo uma mudança de rumo e apresentaram um forte protesto contra estas medidas de austeridade.

Por isso a “Grândola Vila Morena” do Zeca Afonso continua um hino, agora um hino de revolta que ressoa por este país fora.   

28 de fevereiro de 2013

Serviço Regional de Saúde


O Bloco de Esquerda promoveu na passada semana, na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, uma interpelação ao Governo Regional sobre a defesa e sustentabilidade do Serviço Regional de Saúde.

Esta figura está prevista no regimento e, por esse facto, tem o Bloco de Esquerda toda a legitimidade para trazer esse assunto à discussão, até porque este é um tema que interessa e é importante para todos os Açorianos.

Como é conhecido o Governo dos Açores, sabendo da importância deste assunto, encetou, muito recentemente, conversações com todos os partidos políticos e outros parceiros no sentido de receber contributos sobre a reforma o Serviço Regional de Saúde.

Quando se discute esta matéria, normalmente surgem sempre as questões relativas à dívida do sector, por vezes fora de contexto e de forma imprecisa, muito embora perceba a preocupação.

Hoje vive-se mais, hoje existem mais meios complementares de diagnóstico, hoje as pessoas tratam melhor da sua saúde. São fatores positivos, sem dúvida, mas absorvem cada vez mais recursos financeiros. 

Parece-me que ninguém tem dúvidas que esta dívida resulta do enorme investimento, sem igual, na modernização do sistema de saúde, que está disperso por nove ilhas, e na melhoria da acessibilidade por parte de todos os Açorianos. Foi dinheiro gasto ou, melhor, investido, nas pessoas e para as pessoas.

Esta reforma, como já foi dito muitas vezes, não é necessária por ser este um mau serviço, mas antes para continuar a ser um bom serviço e, sobretudo, sustentável.

É conhecida a vontade do Governo dos Açores de manter a tendência gratuita do acesso ao Serviço Regional de Saúde, porque, entende o Partido Socialista, que sustenta o Governo, as pessoas são a razão de ser das suas políticas da saúde.

22 de fevereiro de 2013

Engraxador bem-falante

 
Renato da Cunha Bettencourt Neves

(08/11/1936 – 10/10/1988)

Via o Renato todos os dias, saltitando entre o quiosque da Praça Fontes Pereira de Melo e os baixos da casa do senhor Belchior. Era nesse dois sítios que estava quase sempre.

O único ofício que lhe conheci foi o de engraxador. Com um banco e a sua caixa, que servia para arrumar os utensílios da profissão e de base para colocar o pé com o calçado à espera de atenção, procurava os clientes, sobretudo aos domingos, na Praça Fontes Pereira de Melo, para lhes dar brilho nos sapatos. Enquanto limpava, dava graxa e polia, o Renato conversava com os seus clientes, que eram todos seus conhecidos, sobretudo sobre futebol.

No entanto o Renato, enquanto rapaz, serviu em várias casas de Santa Cruz. Cuidava dos quintais, tratava dos animais e fazia as “voltas” necessárias àquelas famílias. Nesse tempo ficou conhecido por “guarda-joias”, talvez devido a alguma inconfidência logo aproveitada pelos especialistas em atribuir alcunhas.

Era um homem magro e de baixa estatura, podendo mesmo classificar-se com franzino. Andava bem penteado, muito à conta da brilhantina que lhe alisava o cabelo. No canto da boca via-se quase sempre um cigarro que também lhe amarelava os dedos.

Com o advento da democracia em 1974, os partidos de então, e eram muitos, faziam incursões por estas ilhas debitando as suas ideias em inúmeras sessões de esclarecimentos. O Renato, impulsionado por aquilo que era uma autêntica novidade para todos os graciosenses, levou isso a peito de tal maneira que, quando bebia uns “copitos” a mais, era vê-lo por cima do quiosque da praça em animado “comício” para deleite dos transeuntes, sobretudo os notívagos, que faziam da praça a sua sala de estar.    

Empenhava-se muito naquelas suas intervenções, mas não ofendia ninguém. Quando queria reforçar uma ideia ou mesmo repeti-la usava sempre a expressão “ou que seja”, o que levou algumas pessoas a tratá-lo assim, pois, como se sabe e já aqui foi referido, as alcunhas na Graciosa, por vezes, surgem do nada.

Era adepto do Graciosa Futebol Clube, onde chegou a jogar. Certo dia, o treinador mandou-o, na segunda parte, saltar do banco para jogar a ponta de lança. O defesa Reinaldo Tristão, pai e avô de dois guarda-redes do mesmo clube, colocou-lhe a bola no meio campo e o Renato, com o seu passo miudeiro, isolou-se e correu em direção à baliza à guarda do Antero. Quando se viu só à frente da guarda-redes do Santa Cruz Sport Clube desferiu um remate e o Antero, fazendo o que lhe competia, atirou-se para o lado esquerdo e defendeu … a bota de travessas do Renato, enquanto a bola seguiu, menos veloz mas mais certeira, em direção à baliza, fazendo assim um golo de antologia, que o seu autor nunca mais esqueceu, nem nunca deixou de contar sempre que se falava de futebol.

O Renato, ainda novo, teve necessidade de receber tratamento na vizinha Ilha Terceira. Foi aí que acabou por encontrar-se com a morte de uma forma trágica e inesperada.

21 de fevereiro de 2013

As pescas e a economia do mar


O peso que o sector das pescas representa na economia dos Açores (3,6% do PIB e cerca de 20% das exportações) atribui à Região enormes responsabilidades na sua gestão e, sobretudo, na preservação.

Os Governos dos Açores constituíram como objetivo prioritário nesta área a proteção da nossa Zona Económica Exclusiva, porque sempre foi reconhecido que, para além de uma atividade importante do ponto de vista da economia regional, configura-se também importante em termos sociais e mesmo culturais.

A perseverança neste desígnio, há muito reivindicado, deu frutos e permitiu aos Açores, muito recentemente, recuperar a exclusividade para a frota açoriana das zonas em redor dos montes submarinos, situadas para além das 100 milhas da nossa ZEE.

A aprovação da não obrigatoriedade de imposição das quotas individuais transferíveis, também veio ao encontro das pretensões do Governo dos Açores, garantindo, por esta via, que a gestão destas questões tenha a sua sede na Região Autónoma dos Açores.

A grande evolução verificada nos equipamentos (casas de aprestos, gruas, e pórticos de varagem), nos portos de pesca (com a construção de novos e intervenções nos existentes), a renovação da frota e a formação, trouxeram enormes benefícios, nomeadamente criando melhores condições de segurança, de trabalho e de habitabilidade, acentuaram a pressão sobre os recursos, que, sabe-se agora, são sensíveis e finitos.

Sem dúvida que estes fatores contribuíram para a dignificação da classe e consequente rejuvenescimento dos seus profissionais.

Por outro lado as oscilações nas capturas, nomeadamente na pesca demersal, vieram levantar outra questão que tem estado na ordem do dia: a gestão dos recursos. Aqui a Região também viu a União Europeia reconhecer a necessidade de financiar a investigação nesta importante fileira, dando a conhecer aos utilizadores do mar a sua real situação.

São estes avanços que nos permitem acreditar no futuro deste setor.

14 de fevereiro de 2013

Venha mais um


Passamos mais um Carnaval na Graciosa. Exatamente como aconteceu em todos os outros, logo houve quem se apressasse a tecer algumas considerações, tais como “o nosso carnaval já não é o que era”, “o carnaval está a desvirtuar-se a cada ano que passa”, “as roupas já são importadas”, “no meu tempo é que era bom”, etc.

Mas uma coisa é certa: na Graciosa fez-se mais um carnaval e cumpriu-se a tradição. Também se fez jus à fama do gosto que os graciosenses nutrem pela folia e confirmou-se, mais uma vez, que nos Açores não há carnaval como o nosso.

Apesar do fulgor destes dias, a ausência da RTP-Açores na cobertura do desfile do domingo gordo causou alguma estranheza, ainda para mais quando se soube que se tratou de uma decisão da nova direção daquela estação que nada teve a ver com questões financeiras, justificação agora muito em voga, já que as despesas têm corrido, desde há muito, por conta da edilidade graciosense.

Nunca escondi que não concordava com o modelo que aquela estação implementou para as ilhas que não tem delegações da RTP-Açores: se querem cobertura dos vossos eventos e das vossas tradições então paguem os encargos com as deslocações dos profissionais. Aliás, já o manifestei numa reunião de uma comissão parlamentar em que participaram os seus responsáveis. E a fundamentação é muito simples. Não me parece que a Câmara de Ponta Delgada pague alguma coisa para ter a cobertura das Festas de Santo Cristo, ou que as Câmaras de Angra do Heroísmo ou a da Praia da Vitória se cheguem à frente para terem as suas festas concelhias transmitidas por aquele canal. Então porque que teremos nós de pagar?

Num momento em que se esgrime argumentos com os centralistas para justificar a existência de um canal como garante da nossa autonomia regional, coisas deste tipo representam, de facto, um retrocesso.

Este já passou. Para o ano há mais.

7 de fevereiro de 2013

Duas notícias


Passando em revista as últimas notícias, em pleno dia das comadres, duas sobressaem pela importância que têm para os Açores, muito embora sejam de sinais opostos.

A primeira prende-se com a aprovação no Parlamento Europeu de medidas para as pescas defendidas pelos Açores e a segunda tem a ver com as declarações do PSD sobre as dívidas da saúde.

No primeiro caso, a Região Autónoma dos Açores, soube-se agora, ganhou uma dura e longa batalha ao conseguir reservar a área à volta dos montes submarinos, para lá das 100 milhas, à frota de pesca açoriana, em exclusivo.

Esta pretensão antiga - e justa, diga-se - insere-se na estratégia que o Governo do Açores tem imprimido no sentido de ser a região a gerir os recursos marinhos existentes.

No caso das dívidas do Serviço Regional da Saúde, outro dos temas falados esta semana, ouvimos, sobretudo o PSD, tecer, durante vários dias, grandes considerações sobre o tema, que foi, inclusivamente, objeto de jornadas parlamentares.

Curiosamente estas manifestações do PSD surgem num momento em que o Governo dos Açores se prepara para, juntamente com todos os partidos políticos e parceiros sociais, celebrar um Compromisso para a Sustentabilidade do Serviço Regional de Saúde.
Esta colagem não será por acaso, certamente.

1 de fevereiro de 2013

Defender os Açores


Como se esperava, o Presidente do PS / Açores, Vasco Cordeiro, fez duas excelentes intervenções neste que foi o XV Congresso do partido, não tanto pela forma, que nesta altura pouco interessará, mas, sobretudo, pelo tom assertivo com que identificou as ameaças que aí vêm, pela esperança que incutiu nas palavras que dirigiu ao povo dos Açores nestes momentos de dificuldades e pela certeza que este conclave não servia para resolver questões internas ou disputas pelo poder, mas antes para procurar soluções para os problemas que estes novos tempos nos vão trazer.

Foram discursos para fora do partido, lembrando, aqui e ali, que os consensos alargados com os parceiros, sociais e políticos, só nos tornarão mais coesos.

Não haja dúvida nenhuma que os centralistas de Lisboa se preparam para assaltar o nosso mar de uma forma que, no dizer de Vasco Cordeiro, se assemelha à pirataria de outros tempos.

Agora, quando são conhecidas as potencialidades dos minérios existentes nos fundos açorianos, o Governo da República põe as garras de fora e tenta, a todo o custo, tirar proveitos à conta de atropelos à nossa autonomia política e administrativa.

Passos Coelho também se propõe alterar a Lei das Finanças das Regiões Autónomas. No meio de algumas propostas que vão no sentido de maior rigor e transparência que, para o nosso caso, são inócuas, o Governo Central quer baixar o diferencial fiscal de 30 para 20%, significando essa medida mais impostos para o açorianos, o que é verdadeiramente inaceitável para Vasco Cordeiro.

Vasco Cordeiro também se demarcou, e muito bem, do desmantelamento do estado social que o governo do PSD / PP está a preparar no continente.

Aqui, na Região Autónoma dos Açores, cabe-nos defender os que mais precisam, os mais desfavorecidos. É por isso que Vasco Cordeiro anunciou que irá manter todos os apoios sociais já existentes e aumentar o “cheque pequenino”, tal como o prometido na campanha eleitoral.

 Também foi anunciado o reforço de 30 milhões de euros na saúde, como forma de garantir a qualidade nesta importante área.

Temos de estar atentos e vigilantes para não sermos surpreendidos por manobras perpetradas nos corredores cinzentos do poder central.

A autonomia e os autonomistas têm agora a oportunidade de defender, em uníssono, as conquistas dos últimos 37 anos.

25 de janeiro de 2013

Médico do povo


 
Manuel Gregório Júnior

(12/04/1902 – 15/07/1986)

Cresci ao lado do meu primo e companheiro de brincadeiras, o Rui Manel, filho do Dr. Gregório. Nos períodos de férias passava, muitas vezes, as noites na sua casa para aproveitar e brincar até tarde e para recomeçar o divertimento bem cedo.

Foram belos tempos, aqueles. A imaginação e a criatividade produziam ideias para os jogos que nos entretinham dias a fio.

Correr de patins no enorme corredor, tocar piano no salão do fundo, jogar à bola no pátio ou lutar com espadas no quintal, eram os nossos passatempos favoritos.

Depois de vencidos pelo cansaço, a noite e o sono recuperador punha-nos aptos para, no dia seguinte, começar tudo de novo, com renovada energia.

O tio Gregório era um homem de hábitos. Noctívago desde que me lembro, nunca se deitava antes das quatro da manhã.

Passava as noites a passear na praça ou, quando o tempo não permitia, abrigado no bar situado por baixo do coreto ou então num qualquer clube jogando ou vendo jogar às cartas e ao dominó. Aquele costume de se deitar tarde fazia-o procurar os foliões ou os convivas de uma qualquer petiscada, para assim ganhar mais umas horas de companhia. Nos dias de maior invernia ou quando não encontrava ninguém a jeito, passeava no seu enorme corredor até à hora de se deitar.

Dava uma volta à ilha diariamente, com ele ao volante enquanto a sua saúde permitiu, ou então conduzido por alguém amigo depois de deixar de conduzir. Confessava que nesse passeio via sempre algo que lhe escapara nas vezes anteriores. Eram conhecidas as suas paragens, na companhia do Comandante Silveira, para ouvir o chilrear de um determinado pássaro que, segundo eles, os presenteava com uma exibição sempre à mesma hora. Já na fase final da sua vida cheguei a ter o privilégio de passear com ele e de ouvir as suas histórias e vivências contadas na primeira pessoa, com a sua inconfundível voz afável. 

Os graciosenses habituaram-se a vê-lo com um sobretudo ou uma gabardina por cima do seu fato com colete, polainas nos sapatos, chapéu na cabeça e sempre com uma varinha numa das mãos. No bolso interior do casaco transportava uma cigarreira de prata, onde colocava cuidadosamente os cigarros para o dia, e ainda uma boquilha para reduzir os efeitos nefastos do tabaco. Quando chegava a casa, colocava a varinha no bengaleiro e trocava o sobretudo ou gabardina por um robe cor de vinho.

O Dr. Gregório foi médico nesta ilha mais de quarenta anos, a grande maioria deles sozinho. Foi Delegado de Saúde, Médico Municipal e tinha consultório no rés-do-chão da sua casa. Era das consultas que deveria tirar a maior parte dos seus proveitos, mas isso nunca aconteceu porque não levava dinheiro. Aos pobres, quando lhe perguntavam quanto era a consulta, respondia “porque é que perguntas, se sabes que não me podes pagar?” Por outro lado ficava indignado quando os que podiam pagar não lhe perguntavam nada.   

Muitas noites o tio Gregório era procurado para acudir a quem sofria. Era frequente vê-lo sair noite dentro, muitas vezes já com a iluminação pública desligada, para tratar doentes. Entrava em casas de pobres e ricos, recebido quase como um salvador. As pessoas tinham fé nos seus conhecimentos para debelar as doenças que os afligiam

Dizem que era quase infalível nos seus diagnósticos, sempre feitos sem apoios de meios técnicos, porque não os havia. O seu estetoscópio, o toque com dois dedos e sua rara intuição, indicavam-lhe a origem do mal e o caminho a seguir para a cura, com uma prescrição que poderia ser um medicamento feito pelo senhor Juvenal “da Farmácia”, ou mesmo o chá mais indicado para aquela maleita. 

Um dia, devido à gravidade da situação e também pelo mau tempo que impedia a “gasolina” da baleia de evacuar um doente, resolveu fazer uma operação para a ablação do apêndice, como último recurso para salvar uma vida. A cirurgia correu bem, mas o tio Gregório apanhou um susto. Nesse dia tinha dado conta do desaparecimento da sua aliança que, chegou a temer, poderia, muito bem, estar no abdómen do seu doente. Felizmente que a dúvida foi desfeita quando verificou que a tinha guardado cuidadosamente antes da operação.

O escritor Augusto Gomes, aquando da sua morte, disse sobre ele: “Atendendo doentes de toda a ilha, os seus diagnósticos tornar-se-iam célebres pela infalibilidade. Salvou centenas de vidas. Seria fastidioso enumerar os casos quase lendários acerca do Dr. Gregório. Aliava à inegável competência profissional um espírito filantrópico e um desprendimento pelo fausto, pela opulência, não cobrando honorários. O povo adorava-o. Por quatro vezes teve o ensejo de o manifestar. Primeiro quando se deslocou a Ponta Delgada em tratamento, teve o seu regresso marcado por uma manifestação jubilosa, na qual se incorporaram milhares de pessoas. A segunda deu-se quando completou 70 anos. A terceira, aquando da inauguração do seu busto (…). E finalmente, a quarta e derradeira, ao derramar lágrimas de sincero pesar junto ao túmulo do seu filho dilecto, que tão relevantes serviços prestou à sua terra”.

Na mesma altura o senhor Raúl Correia da Silva escreveu: “Homem de carácter íntegro, de extrema bondade e de evidente modéstia, era detentor de uma inteligência invulgar, o que lhe permitiu concluir brilhantemente o curso de medicina, em Coimbra, no ano de 1929. De tal modo que, tendo-lhe sido dirigido convite para ocupar as funções de assistente da respectiva faculdade, a sua reconhecida modéstia entendeu por bem decliná-lo. Mas para além de Homem de bem, foi também médico de competência rara que, durante 40 anos, deu o melhor do seu talento e espalhou ininterruptamente a semente da caridade junto dos seus conterrâneos, já que não cobrava praticamente nada pelo exercício do seu múnus profissional, limitando-se aos parcos vencimentos que auferia pelo exercício dos cargos de delegado de saúde e de médico municipal”.

Estes dois testemunhos dizem muito sobre a personalidade deste homem e a sua ligação à Graciosa e aos graciosenses. Ficou mesmo conhecido como “médico do povo”, cognome que aceitava com uma indisfarçável humildade.

Esse mesmo povo, a quem ele deu muito, juntou-se e ergueu-lhe um busto de bronze, ainda em sua vida, cuja inauguração constituiu uma emocionante homenagem acompanhada por centenas de pessoas que deste modo quiseram agradecer tudo o que este homem fez pelos filhos da sua terra.

O teatro era uma das suas paixões. Encenou e representou várias peças de teatro levadas à cena na Graciosa e noutras ilhas dos Açores.

Foi agraciado pelo Presidente da República com a Ordem de Mérito, antes da revolução de 1974 e em 1979, com o Grau da Ordem de Benemerência. A Região Autónoma dos Açores, a título póstumo, atribuiu-lhe a Insígnia Honorifica, pelos relevantes serviços prestados à sua comunidade.

24 de janeiro de 2013

O Congresso


Na reunião magna dos socialistas açorianos, que decorrerá no próximo fim-de-semana, o Dr. Vasco Cordeiro, Presidente do PS, apresentará uma Moção de Orientação de Política Global intitulada “Renovação com Confiança por uma Autonomia com Futuro”.

O título deste documento diz muito sobre o seu conteúdo. Enfatiza-se a renovação de protagonistas, apela-se a uma nova geração de políticas para garantir a sustentabilidade da Autonomia dos Açores.

O Partido Socialista, como grande partido da Autonomia, honra-se do seu passado e da obra feita por todas essas ilhas.

No entanto este partido não se deslumbrou com o seu histórico nem se aquietou no conforto dos bons resultados das suas políticas.

Foi capaz de se renovar de uma forma exemplar, sobressaindo a união de todos em volta de um projeto político que só tem um dono: o povo açoriano.

Agora o Partido Socialista prepara-se para ganhar os desafios que tem pela frente nos próximos tempos, que não serão poucos, como se sabe.

O Governo da República tenta, a todo o custo, criar dificuldades em nome da sua linha de atuação austera, como não há memória.

O poder local, a lei das finanças regionais, a desresponsabilização nas funções do estado ou a tentativa de apropriação de ativos da Região, são alguns dos constrangimentos que já se advinham.

O PS é o partido melhor colocado para defender os Açores dos ataques centralistas neste momento difícil e foi por isso, sem qualquer dúvida, que os açorianos lhes deram um mandato inequívoco para governar a Região.

17 de janeiro de 2013

ALRAA - 16/01/2013


Mais uma semana negra


Esta semana Passos Coelho veio aos Açores fazer um discurso hermético e descolorido. Aliás, a especialidade do primeiro-ministro é pintar de cinzento tudo o que diz. Enfatizou as dificuldades do país com convicção e acenou, a medo, com melhoras lá para a frente, que ninguém, no seu prefeito juízo, consegue vislumbrar.

Esta sua intervenção no congresso do PSD mereceu tímidos aplausos dos militantes do seu partido, talvez desanimados e desiludidos com a ineficácia do seu líder na resolução desta crise, que ele garante não ser da sua responsabilidade, mas que todos os portugueses sabem que foi ele que a precipitou logo a partir da sua tomada de posse.

Ficou também confirmado, através dos dados divulgados pelo Banco de Portugal na última terça-feira, que a recessão em 2013 vai ser mais grave do que se previa, com menos consumo e mais 88 mil postos de trabalho destruídos.

O desacerto deste governo, de matriz ultra liberal, é uma constante e, mais do que isso, é uma triste realidade que está a levar os portugueses ao desespero. Falham previsões atrás de previsões e continuam em frente. Faz lembrar a banda do Titanic que continuou a tocar enquanto o navio se afundava.

O relatório do FMI, encomendado pelo governo, contém uma série de propostas indiscritíveis que, a serem assumidas, irão esmagar, ainda mais, o rendimento dos portugueses. A OCDE também está por cá para colaborar na reforma do estado que, segundo se percebe, vai avançar a direito, sem esperar pela opinião de quem quer que fosse, tal como aconteceu com a reorganização das freguesias agora promulgada pelo Presidente da República.

A clima social por esse país fora é de tal gravidade que gente lúcida e com responsabilidade moral inatacável, como é o caso do Dr. Freitas do Amaral, já prevê a possível queda do governo de Passos Coelho.

Esta foi mais uma semana a correr mal.

11 de janeiro de 2013

Mestre da viola



A oficina do mestre José Juventino - com era mais conhecido o senhor José Gil de Ávila, por ter sido esse o nome de seu pai – ficava ao fundo da rua do Saco. Antes esteve situada na atual rua 25 de Abril e depois na rua Infante D. Henrique.

Adivinhava-se a sua localização pelo amontoado de tábuas encostadas às paredes, secando ao sol, para depois servirem de matéria-prima aos artistas daquela carpintaria e marcenaria, ele e os seus três filhos, que as transformariam em mobílias, armários, portas, janelas, mesas, cadeiras, soalhos, vasilhame ou cabos para utensílios agrícolas.

No seu interior, presas nas paredes ou espalhadas por cima dos bancos de trabalho, existiam várias ferramentas: serras, sutas, esquadros, maços, serrotes de ponta, serrotes de costas, berbequins manuais, plainas, martelos, etc.

Por cima do chão, que antes era nu e frio, acumulavam-se os cavacos de madeira nascidos na ranhura das plainas que, num vai vem frenético, iam dando forma e sentido à madeira. Durante a jornada, para não se perder muito tempo, empurravam-se as aparas e os cavacos para os cantos da tenda, mas no final de cada dia eram queimados mesmo ali do lado de fora da porta.

No teto viam-se alguns moldes e várias violas da terra carinhosamente construídas pelo mestre José Juventino. No início moldava pacientemente a rebelde madeira com que construía as violas com vapor que saía de panelas com água a ferver. Mais tarde construiu as suas próprias formas que, no fundo, lhe facilitavam a vida nesta atividade.

Dali saía quase tudo o que fosse possível moldar. Faziam trabalhos mais toscos, como coberturas de casas, ou moldes para as obras da Junta Geral, mas era na marcenaria que aquela oficina se destacava mais. O mestre José Juventino e os seus filhos deixaram nesta ilha, sobretudo nas casas mais abastadas, mobílias que ainda hoje são muito apreciadas.

Certo dia encomendaram-lhe um candeeiro tendo como corpo um fuso igual ao dos lagares. Depois de fazer as suas contas lá acabou por desenhar um esboço que o ajudaria a concretizar mais uma obra de arte. Apesar de ter pouca instrução, como era normal no tempo em que se criou, tinha conhecimentos empíricos de matemática capazes de o ajudarem a resolver alguns problemas ligados à sua profissão.

Era naquela oficina que vi fazerem piões que depois comprava para jogar com os meus amigos na escola ou na praça. Bocados de madeira amorfos iam-se enformando à custa da rotação do torno e da mão ágil do mestre José Juventino. Foi também nessa carpintaria que vi construir o meu primeiro carro de ladeira que utilizei em inúmeras brincadeiras durante vários anos da minha infância.

Dizem aqueles que o conheceram bem que gostava de fazer duas coisas na vida: trabalhar e tocar viola da terra. Só era visto de duas formas, ou curvado sobre a sua bancada ou então carregando a sua viola.

Andava de casa em casa, de clube em clube, ora tocando nas matanças do porco, ora animando os bailes com as modas de viola, onde mandava como ninguém. Nesta sua faceta era também muito bom.

Tinha conhecimentos musicais e isso dava-lhe mais traquejo e versatilidade para poder acompanhar o acordeão do José Berto, a voz do Joaquim dos Fados ou o piano da D. Nizalda Barcelos. 

Foi músico na centenária Filarmónica Recreio dos Artistas, onde também desempenhou cargos nos seus órgãos sociais. O trombone era o seu instrumento na banda que serviu durante longos anos.

Gostava muito de se juntar com os amigos em concorridas petiscadas que acabavam, quase sempre, em alegres cantorias acompanhadas pela sua inseparável viola.

O senhor José Juventino foi um artista nestas duas artes que foram, sem dúvida, a paixão de uma vida.

10 de janeiro de 2013

Ano fora discurso novo


Confesso que não ouvi a mensagem de Ano Novo do nosso Presidente da República. Não a ouvi por nenhuma razão em especial ou movido por qualquer preconceito, mas apenas por não me despertar qualquer tipo curiosidade, até porque do mais alto magistrado da nação já não espero grande coisa, sentimento que comungo com uma grande parte dos portugueses.

Com esta minha linguagem acabei por levar uma chapada com luva branca, não só por não ter avaliado bem a intervenção política do Presidente da República naquela que seria a sua primeira aparição no novo ano, mas também por ter ignorado a sua capacidade de avaliar os danos que esta política de Passos, Gaspar e companhia provocam aos portugueses e de dar um puxão de orelhas a quem nos levou para este atoleiro em que se encontra Portugal.

Eu - que assumo ser um simples mortal que muitas vezes se engana e que vive carregado de dúvidas, ao contrário do Chefe da Nação - tenho de confessar que, mais uma vez, falhei.

O Presidente da República reconheceu as dificuldades do ano velho, confirmou que o ano novo vai ser difícil e corroborou a certeza que todos temos de que o país empobreceu e que vai empobrecer ainda mais por via do aumento imenso e nunca visto da carga fiscal.

Mas não foi só. Falhei logo a seguir - e isto só pode dizer que são falhanços a mais - quando pensei que o Dr. Mota Amaral iria deixar passar este “deita abaixo” sem qualquer reparo.

Num artigo publicado nas páginas do jornal Açoriano Oriental, com o título “OE 2013 – a prova de fogo”, o Dr. Mota Amaral desfere um ataque a Passos Coelho e aos seus ministros reconhecendo que a situação do país tem vindo a piorar, ao contrário do que o Governo diz, criticando-o duramente por ter sido mais troikista que a troika e por não ter cumprido o que prometeu na campanha, nomeadamente na questão dos cortes nos subsídios de férias e de natal e nas pensões.

Reconheço a coragem destes dois políticos, que, muito certamente, estarão incomodados com estas e outras políticas que podem conduzir a uma, já eminente, rutura social.

No entanto não posso compreender porque não usaram os mecanismos que estão ao seu dispor: o veto em Belém, no caso do primeiro e o voto contra em São Bento, no caso do segundo.

Vamos ver em 2014…