16 de maio de 2013

Drogas legais e ilegais


A droga é um problema sério que, aos poucos, se tem vindo a disseminar pelas nossas ilhas, afetando inúmeras famílias que, depois de apanhadas nesta malha, têm dificuldades em reagir atempadamente de modo a debelar esta aflição da qual ninguém está livre.

Não é fácil combater este flagelo, pois de um lado temos redes bem organizadas e por outro temos jovens que, pela sua maior exposição, são mais facilmente persuadidos.

Não obstante este problema do tráfico e consumo de drogas ilícitas, surgiram por esse país fora estabelecimentos que vendem substâncias que, por mais incrível que pareça, estão enquadradas na lei, mas que, no entanto, são tanto ou até mais perigosas que as outras.

Esta questão, qual fenómeno em crescendo, tem merecido muita preocupação junto dos profissionais de saúde e alguma perplexidade no seio das famílias e das comunidades escolares, pelas consequências graves que podem advir para os seus consumidores.

Em boa hora a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores levou à sua sessão plenária, na passada terça-feira, um diploma da autoria do Governo dos Açores que pretende colmatar o vazio legal por onde estas drogas se movimentam.

Assim ficou proibida a venda nos Açores de 160 substâncias psicoativas identificadas pelo Observatório Europeu das Drogas e Toxicodependências.

Muito embora os canais de venda destas substâncias vão, hoje em dia, muito para além das lojas de porta aberta, esta medida é, sobretudo, preventiva, porque, como diz o nosso povo, precaução e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém.

9 de maio de 2013

Mais um menos um


Na passada semana ficamos a conhecer os cabeças de lista do PSD / Açores a 18 dos 19 municípios dos Açores.

E lá está. Mais uma vez o PSD / Açores não conseguiu fazer o pleno e apresentar de uma só vez todos os seus candidatos.

Já se está a tornar num hábito, pois como é sabido foi muito criticada a opção do PSD / Açores de não apresentar nas últimas eleições regionais candidaturas próprias em todos os círculos eleitorais.

É claro que para os eleitores esta foi também uma surpresa até porque já se tinham habituado a ver nos cartazes e nos panfletos de apelo ao voto uma insistência na imagem de 9 ilhas.

No entanto em Outubro passado a Ilha do Corvo acabou por ficar de fora e foi assim que o 9 do orgulho e da unidade regional se transformou num coxo e envergonhado 8, deixando para trás uma ilha e um povo.

Outra grande novidade daquela semana fértil em acontecimentos é a constatação de que Pedro Passos Coelho, e isso foi dito pelo próprio, não se demite mesmo em caso de derrota nas eleições autárquicas.

Posição idêntica já tinha sido assumida pelo Presidente do PSD / Açores que afirmou, na altura da sua eleição, que não se demitiria da liderança do seu partido caso perca as eleições de 2016.

Embora ambos os casos possam fazer transparecer falta de confiança, admitimos que no caso do segundo é perfeitamente compreensível por se tratar de uma liderança nova, ainda em estado de graça e com necessidade de afirmação. Já no caso de Passos Coelho temos de reconhecer que essa postura é, de facto, uma pena pois talvez a sua saída pudesse representar para os portugueses a renovação da esperança.

25 de abril de 2013

Os caminhos de Abril


A liberdade, a fraternidade e a igualdade deram o mote ao movimento revolucionário que derrubou a ditadura e implantou a democracia devolvendo o poder ao povo.

A revolução dos cravos de 1974 percorreu este país de uma ponta à outra, semeando a esperança e a liberdade. O povo, até aí esquecido e oprimido por governantes déspotas, saiu à rua e acreditou que os ventos da mudança levariam este país a um futuro melhor.

Neste dia penso nas mulheres e nos homens que libertaram este país das garras da tirania, no que sofreram quando eram presos, torturados ou deportados, apenas por terem divergências ideológicas com aquele regime de direita que isolou Portugal do resto do mundo.

Hoje, dia 25 de Abril de 2013, os portugueses devem interrogar-se que raio de caminho Passos Coelho nos fez percorrer nestes dois anos.

Num ápice retiraram-se direitos, usurparam-se rendimentos, reduziram-se benefícios na saúde e na educação. Enquanto isso este país viu crescer os impostos, a pobreza, o desemprego e o incumprimento.

Ao mesmo tempo ignoram a Constituição Portuguesa ou veem-na com uma plasticidade adaptável às suas políticas recessivas e não, ao contrário, como um instrumento capaz de proteger os cidadãos da prepotência de um governo que está cada vez mais longe do seu povo.

Chegamos aqui, com um governo a cumprir à risca as ordens que vem de fora, executando uma saga de experimentalismos económicos, sem qualquer sucesso, demonstrando, em toda a linha, uma rara e atroz insensibilidade social.

São estranhos os caminhos de Abril.

18 de abril de 2013

Voto de Pesar pelo falecimento do Padre José Simões Borges


Senhora Presidente da Assembleia

Senhoras e Senhores Deputados

Senhor Presidente do Governo

Senhora e Senhores Membros do Governo

José Simões Borges, carinhosamente tratado pelos graciosenses por Padre Simões, era um homem notável. Destacou-se ao exercer o sacerdócio, a sua vocação, pela proximidade que mantinha com o seu rebanho quer nas horas de festa e alegria quer nas alturas em que o infortúnio batia à porta dos seus paroquianos.

Mas o Padre Simões não foi só um sacerdote. Foi também professor e gestor escolar, no entanto é na cultura que se transformou numa figura incontornável, deixando uma marca indelével na memória coletiva da Ilha Graciosa.

Da música ao folclore, da rádio ao teatro, não esquecendo os cargos que desempenhou como dirigente de instituições desportivas, culturais e de solidariedade social, o Padre Simões viveu feliz entre os seus paroquianos. Na sua casa, sempre de porta aberta, vivia rodeado de registos em papéis e bobines com história e com histórias que gostava de contar aos seus visitantes.

O Padre Simões nasceu a 15 de Março de 1928, na freguesia do Cabo da Praia, na Ilha Terceira e faleceu ontem, dia 17 de Abril de 2013.

Foi ordenado em 16 de Novembro de 1952. No ano seguinte paroquiou na freguesia da Conceição, em Angra do Heroísmo, tendo rumado a S. Jorge em 1955. Quatro anos depois regressa à Terceira e é colocado na freguesia da Fonte do Bastardo.

Em 1 de Julho de 1964 vai até à Ilha Graciosa ficando responsável pelas igrejas da Ribeirinha e Vitória. Em 1985 passou a dirigir a paróquia de Guadalupe.

Foi professor de 1979 a 1994 na Escola Preparatória da Graciosa onde desempenho o cargo de Presidente do Conselho Executivo durante 10 anos.

Violinista, compositor e maestro, o Padre Simões colaborou com diversos grupos musicais, nomeadamente com o conjunto Selvagens do Ritmo e as filarmónicas Recreio dos Artistas e União e Progresso de Guadalupe.

Foi colaborador dos programas “A Voz da Força Aérea no Atlântico” da Rádio Lajes, “Manhãs de Sábado” da RDP e “Pensamentos” da Rádio Graciosa.

Deixa ainda na nossa memória a celebração da eucaristia no interior da Caldeira e o acompanhamento com violino de uma descida do então Presidente da República Mário Soares à Furna do Enxofre.

Assim, ao abrigo das disposições estatutárias e regimentais aplicáveis, a Assembleia Legislativa da Região Autónoma do Açores, reunida na cidade da Horta no dia 18 Abril de 2013, aprova um voto de pesar pelo falecimento do Padre José Simões Borges, sacerdote dos Açores, homem de cultura, cidadão do mundo, amigo fraterno de tantos que com ele partilharam a vida.

Do presente voto deverá ser dado conhecimento à sua família, à Ouvidoria da Graciosa e à Diocese de Angra e Ilhas dos Açores.

Pescas


Discutiu-se esta semana na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores uma proposta de alteração ao regime do Fundopesca apresentada pelo Bloco de Esquerda.

O Partido Socialista inviabilizou este diploma justificando que o seu articulado penalizava os pescadores por reduzir os seus direitos.

Uma das questões levantadas, e que justificaram o voto contra, tinha a ver com o critério das descargas efetuadas. Enquanto o atual regulamento exige que o número de descargas mínimo para poder usufruir da compensação salarial é de 20 para as embarcações de pesca local e de 15 para a pesca costeira, a proposta do Bloco de Esquerda exigia 40 descargas nos últimos 12 meses como valor mínimo.

Outra divergência entre o proponente e a maioria tinha a ver com o pagamento da compensação salarial. O Bloco de Esquerda propunha o pagamento apenas uma vez por ano, sempre no mês de dezembro, enquanto o Partido Socialista entende que o Fundo de Compensação Salarial tem de ser ativado sempre que necessário, pois é isso que está na génese da sua criação.

A par desta discussão veio também à baila a questão das dificuldades que esta classe está a passar neste momento.

É conhecido e reconhecido que o inverno de 2012 foi muito rigoroso e que esse fator, sempre imprevisível, repercutiu-se nas capturas, como é óbvio. Também ao olhar para os números deste primeiro trimestre se infere que o ano de 2013 começou muito mal, com quebras nas capturas na ordem dos 50%. Esta inflexão relativamente ao mesmo período do ano anterior está também ligada ao mau tempo que temos vindo a sentir desde o início do ano.

Percebendo essas dificuldades sentidas pelos profissionais deste sector o Conselho Administrativo do Fundopesca já mandou ativar duas vezes, este inverno, este mecanismo de modo a compensar os pescadores pela quebra no seu rendimento.

No entanto olhando os números com mais atenção (conforme gráfico) percebe-se rapidamente que os anos 2011 e 2012 foram piores que 2010, de facto, mas é também percetível que nos últimos 11 anos 2012 foi o 4º melhor ano, quer em capturas quer em valor e 2011, também nesse período, foi o 2º melhor.

17 de abril de 2013

Programa Parlamento de 16/04/2013

http://videos.sapo.pt/ZQpjb5lcl1zlJMvc09qp#share

Intervenção a propósito de um Voto de Saudação pelo 75º Aniversário da Filarmónica União Popular Luzense



Senhora Presidente da Assembleia

Senhoras e Senhores Deputados

Senhor Presidente do Governo

Senhora e Senhores Membros do Governo

As filarmónicas são os verdadeiros Conservatórios do Povo.

Imprimem dinâmicas nas comunidades onde estão inseridas, não só pelo ensino da música, mas também pelas atividades culturais que desenvolvem.

A Ilha Graciosa tem a sorte de ter quatro filarmónicas ativas, uma por freguesia, com gente de todas as idades, destacando-se os jovens, o que faz prever que o futuro está garantido.

A Filarmónica União Popular Luzense é uma delas e está a completar 75 anos de existência.

Dirigida por gente jovem e dinâmica a Filarmónica União Popular Luzense presta um inestimável serviço à sua freguesia e à nossa ilha e possuí projetos que, no futuro próximo, darão melhores condições aos seus sócios e a todos os Luzenses.

Por isso o Grupo Parlamentar do Partido Socialista associa-se a este Voto de Saudação.

16 de abril de 2013

Intervenção aquando da discussão de uma proposta do BE sobre alteração do Fundopesca




Senhora Presidente da Assembleia

Senhoras e Senhores Deputados

Senhor Presidente do Governo

Senhora e Senhores Membros do Governo

O Fundopesca, criado em 2002, é um mecanismo importante na proteção dos pescadores quando estes se encontram impedidos de saírem para o mar em caso de mau tempo prolongado, quando estiver em causa a preservação de recursos, interdição de pesca por motivos de saúde pública ou defesa do ambiente e impossibilidade do exercício da faina ditada por condicionantes decorrentes do carater migratório das espécies.

Desde 2002 o fundo já atribuiu cerca de 5 milhões de euros aos pescadores açorianos.

Tal como aconteceu na legislatura passada com uma proposta praticamente idêntica do BE, o Partido Socialista não vai apoiar esta pretensão por a considerar mais redutora do que a legislação atual, nomeadamente no que respeita ao número de descargas exigida aos beneficiários. Entende também o Partido Socialista que o Fundopesca deve ser acionado e pago quando necessário e não em data certa, como está nesta proposta.

Desde há algum tempo que é assumido pelo PS e por esta bancada que este diploma necessita de ser aperfeiçoado não só para abranger outras situações não previstas na atual legislação mas também para clarificar os direitos e as obrigações dos beneficiários. Sempre houve disponibilidade para introduzir ajustamentos desde que sirvam para agilizar o seu funcionamento e que sejam não só equilibrados e justos, mas também exequíveis e devidamente enquadrados no orçamento.

O Governo já afirmou publicamente, nomeadamente na Comissão de Economia, que vai enviar a este Parlamento, muito em breve, um novo documento que irá acautelar os interesses específicos desta classe em caso de impedimento de exercer a sua atividade.

A par da evolução verificada neste setor com a melhoria das condições em todas as vertentes desta fileira, o Governo está muito empenhado em apoiar os profissionais da pesca numa altura em que o persistente mau tempo os impede de obterem os rendimentos do seu trabalho. Foi por isso que nesta legislatura este mecanismo já foi ativado por duas vezes.

Estivemos com os pescadores quando se iniciou a infraestruturação da região, ouvindo-os, incentivando-os. Estivemos com os pescadores nos anos mais proveitosos. Agora, nestes tempos de maiores dificuldades, dizemos aos homens e mulheres do mar que estamos aqui para os ajudar a passar este momento.

Estivemos com os pescadores nos bons momentos.

Posso afirmar também que os pescadores podem contar connosco nos maus momentos.

Intervenção de 16/04/2013


 
 
Senhora Presidente da Assembleia

Senhoras e Senhores Deputados

Senhor Presidente do Governo

Senhora e Senhores Membros do Governo

Em primeiro lugar queria dar os parabéns à Senhora Presidente da Assembleia pela realização do Concerto Solidário na Ilha Graciosa, no passado sábado. Esta iniciativa de V. Exa. teve subjacente o nobre objetivo de ajudar os que mais precisam e contou com a solidariedade de mais de uma centena de participantes que, de uma forma graciosa, deram também o seu contributo a esta causa. Com a plateia repleta, aquele espetáculo provou mais uma vez que a Ilha Graciosa é rica em termos culturais e que é possível organizar eventos de qualidade apenas com a “prata da casa”.

 Mas hoje o que me traz aqui a esta tribuna é a primeira Visita Estatutária que o atual Governo dos Açores fez à Ilha Graciosa nos dias 8 e 9 do corrente mês.

Numa altura em que os efeitos da enorme crise provocada pelo Governo da República de Passos Coelho chegam aos Açores é muito natural que a Ilha Graciosa seja também afetada. E está a sê-lo, não tenho dúvidas.

A escassez de crédito bancário e a drástica redução do investimento privado devido às medidas severas impostas por um Governo que se orgulha de ir muito mais além do que é exigido pela troika, tem feito as suas vítimas, nomeadamente com a paralisação das pequenas empresas de construção civil, aumentando, por essa via, o desemprego.

A obrigação do Governo dos Açores é tomar medidas para contrariar estes efeitos nefastos e é isso que tem acontecido.

A abordagem decidida logo no início do mandato, com a criação da Agenda para a Criação de Emprego e Competitividade Empresarial, a preparação de uma nova geração de incentivos para o novo quadro comunitário 2014-2020 e a ambição de transformar o tecido produtivo com a aposta em novos sectores de atividade em que a inovação seja um fator fundamental, determinarão a sustentabilidade económica no futuro próximo.

Nesta visita do Governo dos Açores à Graciosa, a primeira nesta legislatura, foram aprovadas em Conselho de Governo 21 medidas destinadas àquela ilha, algumas das quais vão de encontro as estas pretensões, nomeadamente a aprovação de 100 candidaturas distribuídas pelos programas Prosa, Estagiar L, Estagiar T, CTTS, Integra + e CPE-Premium.

Ainda neste âmbito o Governo inaugurou um centro tecnológico onde serão criados, para já, 12 postos de trabalho, com mão-de-obra jovem e qualificada, havendo a possibilidade de aí serem instalados outros projetos inovadores que, certamente, criarão novas oportunidades capazes de dinamizar a economia da Ilha Graciosa.    

O direcionamento para aquela ilha destes investimentos está ligado às majorações nos incentivos para as ilhas da coesão, que em boa hora foram criadas, para, deste modo, descriminar positivamente as economias mais frágeis. Esta estratégia pode ter demorado a dar frutos, mas já valeu a pena.

O Governo dos Açores inaugurou também o furo de abastecimento de água das Fontes e a rampa roll-on roll-off que irá trazer uma maior eficiência ao novo sistema de transportes de carga rodada.

Tendo em conta a necessidade de um novo Matadouro pelo impacto positivo que poderá ter na economia Graciosense, o Governo está a completar as peças processuais para lançar o concurso internacional para a sua construção. Recordo, porque é sempre bom lembrar os factos, que as obras de beneficiação no atual Matadouro foram abandonadas a pedido do Conselho de Ilha que, numa atitude lúcida e com visão de futuro, optou por reclamar a construção de uma nova estrutura fora da malha urbana mesmo assumindo o risco dessa alteração protelar por mais algum tempo a sua execução. Sobre esta questão, por muito que queiram inventar, é isso mesmo que está a acontecer. Nada mais.

Ainda no âmbito da agricultura o Governo deliberou proceder à limpeza de 15 Km de caminhos agrícolas e mandar fazer o projeto para prolongar a rede de distribuição de água à lavoura no perímetro agrícola Santa Cruz / Guadalupe.

O Governo decidiu reforçar o número de médicos de família para estabilizar o quadro destes profissionais e ainda contratar um novo fisioterapeuta.

No área do turismo foi tomada a iniciativa de proceder à reparação das piscinas naturais do Carapacho, apoiar ações de promoção do destino Graciosa, lançar um necessário programa de promoção da Reserva da Biosfera e melhorar o sistema de monitorização da Furna do Enxofre.

No âmbito das pescas foi tomada a decisão de reparar os pontões flutuantes danificados pelos temporais e instalar um posto de abastecimento para embarcações no Porto de Pescas e ainda mandar elaborar o projeto de requalificação do Porto Afonso que terá valências nas áreas do turismo e de outas atividades lúdicas.

No primeiro ano desta legislatura o Governo dos Açores inaugurou um novo formato de interação com a população ao disponibilizar-se para receber todos os interessados.

Apesar do acesso aos membros dos executivos do Partido Socialista ter sido sempre fácil, este gesto, num momento de grandes dificuldades, demonstra que o Governo dos Açores está com as pessoas, ao contrário do que acontece lá fora onde o Governo da República vive amedrontado e a esquivar-se constantemente da ira popular.  

Disse.

Horta, Sala das Sessões, 16 de Abril de 2013.

7 de março de 2013

Grândola Vila Morena


O artigo “Já leram o memorando da troika?”, do escritor e jornalista Domingos Freitas do Amaral - cuja leitura recomendo e para o qual deixo uma ligação - dá que pensar e deita por terra toda esta estratégia montada por Coelho, Portas e Gaspar, para empobrecer este país de um modo irreversível, atemorizando os portugueses com medidas que afinal não estão inscritas no memorando de entendimento que Portugal assinou em 2011, ao contrário do que fazem o povo acreditar.

Esta gente é mais troikista que a troika, já se sabia. Esta gente, apesar destas duras medidas que nos impõem todos os dias, não consegue atingir nenhum dos objetivos traçados para resolver esta crise, ficamos a saber com a análise dos indicadores económicos. A mensagem que este governo da república passa de que algumas destas medidas são obrigações decorrentes do compromisso que Portugal assumiu com as organizações internacionais que participaram no resgate financeiro, é mais um truque falacioso.

Uma leitura mais atenta do memorando, como é recomendado pelo escritor e jornalista referido, indica que essa é mais uma mentira que nos impingem diariamente.

O povo deste país não foi capaz de reagir quando foi apanhado por este turbilhão de ataques a muitos direitos que foram adquiridos a partir da revolução de 1974. Os rumores, as incertezas, o medo, têm sido armas usadas para encobrir a incompetência de um governo que apenas quer fazer o papel de bonzinho perante a poderosa Alemanha.

Hoje as coisas mudaram. Por todo o lado vê-se a revolta em crescendo e o movimento “Que se lixe a troika” trouxe para as ruas de 40 cidades deste país, no passado dia 2 de março, cerca de um milhão de indignados que exigiram deste governo uma mudança de rumo e apresentaram um forte protesto contra estas medidas de austeridade.

Por isso a “Grândola Vila Morena” do Zeca Afonso continua um hino, agora um hino de revolta que ressoa por este país fora.   

28 de fevereiro de 2013

Serviço Regional de Saúde


O Bloco de Esquerda promoveu na passada semana, na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, uma interpelação ao Governo Regional sobre a defesa e sustentabilidade do Serviço Regional de Saúde.

Esta figura está prevista no regimento e, por esse facto, tem o Bloco de Esquerda toda a legitimidade para trazer esse assunto à discussão, até porque este é um tema que interessa e é importante para todos os Açorianos.

Como é conhecido o Governo dos Açores, sabendo da importância deste assunto, encetou, muito recentemente, conversações com todos os partidos políticos e outros parceiros no sentido de receber contributos sobre a reforma o Serviço Regional de Saúde.

Quando se discute esta matéria, normalmente surgem sempre as questões relativas à dívida do sector, por vezes fora de contexto e de forma imprecisa, muito embora perceba a preocupação.

Hoje vive-se mais, hoje existem mais meios complementares de diagnóstico, hoje as pessoas tratam melhor da sua saúde. São fatores positivos, sem dúvida, mas absorvem cada vez mais recursos financeiros. 

Parece-me que ninguém tem dúvidas que esta dívida resulta do enorme investimento, sem igual, na modernização do sistema de saúde, que está disperso por nove ilhas, e na melhoria da acessibilidade por parte de todos os Açorianos. Foi dinheiro gasto ou, melhor, investido, nas pessoas e para as pessoas.

Esta reforma, como já foi dito muitas vezes, não é necessária por ser este um mau serviço, mas antes para continuar a ser um bom serviço e, sobretudo, sustentável.

É conhecida a vontade do Governo dos Açores de manter a tendência gratuita do acesso ao Serviço Regional de Saúde, porque, entende o Partido Socialista, que sustenta o Governo, as pessoas são a razão de ser das suas políticas da saúde.

22 de fevereiro de 2013

Engraxador bem-falante

 
Renato da Cunha Bettencourt Neves

(08/11/1936 – 10/10/1988)

Via o Renato todos os dias, saltitando entre o quiosque da Praça Fontes Pereira de Melo e os baixos da casa do senhor Belchior. Era nesse dois sítios que estava quase sempre.

O único ofício que lhe conheci foi o de engraxador. Com um banco e a sua caixa, que servia para arrumar os utensílios da profissão e de base para colocar o pé com o calçado à espera de atenção, procurava os clientes, sobretudo aos domingos, na Praça Fontes Pereira de Melo, para lhes dar brilho nos sapatos. Enquanto limpava, dava graxa e polia, o Renato conversava com os seus clientes, que eram todos seus conhecidos, sobretudo sobre futebol.

No entanto o Renato, enquanto rapaz, serviu em várias casas de Santa Cruz. Cuidava dos quintais, tratava dos animais e fazia as “voltas” necessárias àquelas famílias. Nesse tempo ficou conhecido por “guarda-joias”, talvez devido a alguma inconfidência logo aproveitada pelos especialistas em atribuir alcunhas.

Era um homem magro e de baixa estatura, podendo mesmo classificar-se com franzino. Andava bem penteado, muito à conta da brilhantina que lhe alisava o cabelo. No canto da boca via-se quase sempre um cigarro que também lhe amarelava os dedos.

Com o advento da democracia em 1974, os partidos de então, e eram muitos, faziam incursões por estas ilhas debitando as suas ideias em inúmeras sessões de esclarecimentos. O Renato, impulsionado por aquilo que era uma autêntica novidade para todos os graciosenses, levou isso a peito de tal maneira que, quando bebia uns “copitos” a mais, era vê-lo por cima do quiosque da praça em animado “comício” para deleite dos transeuntes, sobretudo os notívagos, que faziam da praça a sua sala de estar.    

Empenhava-se muito naquelas suas intervenções, mas não ofendia ninguém. Quando queria reforçar uma ideia ou mesmo repeti-la usava sempre a expressão “ou que seja”, o que levou algumas pessoas a tratá-lo assim, pois, como se sabe e já aqui foi referido, as alcunhas na Graciosa, por vezes, surgem do nada.

Era adepto do Graciosa Futebol Clube, onde chegou a jogar. Certo dia, o treinador mandou-o, na segunda parte, saltar do banco para jogar a ponta de lança. O defesa Reinaldo Tristão, pai e avô de dois guarda-redes do mesmo clube, colocou-lhe a bola no meio campo e o Renato, com o seu passo miudeiro, isolou-se e correu em direção à baliza à guarda do Antero. Quando se viu só à frente da guarda-redes do Santa Cruz Sport Clube desferiu um remate e o Antero, fazendo o que lhe competia, atirou-se para o lado esquerdo e defendeu … a bota de travessas do Renato, enquanto a bola seguiu, menos veloz mas mais certeira, em direção à baliza, fazendo assim um golo de antologia, que o seu autor nunca mais esqueceu, nem nunca deixou de contar sempre que se falava de futebol.

O Renato, ainda novo, teve necessidade de receber tratamento na vizinha Ilha Terceira. Foi aí que acabou por encontrar-se com a morte de uma forma trágica e inesperada.

21 de fevereiro de 2013

As pescas e a economia do mar


O peso que o sector das pescas representa na economia dos Açores (3,6% do PIB e cerca de 20% das exportações) atribui à Região enormes responsabilidades na sua gestão e, sobretudo, na preservação.

Os Governos dos Açores constituíram como objetivo prioritário nesta área a proteção da nossa Zona Económica Exclusiva, porque sempre foi reconhecido que, para além de uma atividade importante do ponto de vista da economia regional, configura-se também importante em termos sociais e mesmo culturais.

A perseverança neste desígnio, há muito reivindicado, deu frutos e permitiu aos Açores, muito recentemente, recuperar a exclusividade para a frota açoriana das zonas em redor dos montes submarinos, situadas para além das 100 milhas da nossa ZEE.

A aprovação da não obrigatoriedade de imposição das quotas individuais transferíveis, também veio ao encontro das pretensões do Governo dos Açores, garantindo, por esta via, que a gestão destas questões tenha a sua sede na Região Autónoma dos Açores.

A grande evolução verificada nos equipamentos (casas de aprestos, gruas, e pórticos de varagem), nos portos de pesca (com a construção de novos e intervenções nos existentes), a renovação da frota e a formação, trouxeram enormes benefícios, nomeadamente criando melhores condições de segurança, de trabalho e de habitabilidade, acentuaram a pressão sobre os recursos, que, sabe-se agora, são sensíveis e finitos.

Sem dúvida que estes fatores contribuíram para a dignificação da classe e consequente rejuvenescimento dos seus profissionais.

Por outro lado as oscilações nas capturas, nomeadamente na pesca demersal, vieram levantar outra questão que tem estado na ordem do dia: a gestão dos recursos. Aqui a Região também viu a União Europeia reconhecer a necessidade de financiar a investigação nesta importante fileira, dando a conhecer aos utilizadores do mar a sua real situação.

São estes avanços que nos permitem acreditar no futuro deste setor.

14 de fevereiro de 2013

Venha mais um


Passamos mais um Carnaval na Graciosa. Exatamente como aconteceu em todos os outros, logo houve quem se apressasse a tecer algumas considerações, tais como “o nosso carnaval já não é o que era”, “o carnaval está a desvirtuar-se a cada ano que passa”, “as roupas já são importadas”, “no meu tempo é que era bom”, etc.

Mas uma coisa é certa: na Graciosa fez-se mais um carnaval e cumpriu-se a tradição. Também se fez jus à fama do gosto que os graciosenses nutrem pela folia e confirmou-se, mais uma vez, que nos Açores não há carnaval como o nosso.

Apesar do fulgor destes dias, a ausência da RTP-Açores na cobertura do desfile do domingo gordo causou alguma estranheza, ainda para mais quando se soube que se tratou de uma decisão da nova direção daquela estação que nada teve a ver com questões financeiras, justificação agora muito em voga, já que as despesas têm corrido, desde há muito, por conta da edilidade graciosense.

Nunca escondi que não concordava com o modelo que aquela estação implementou para as ilhas que não tem delegações da RTP-Açores: se querem cobertura dos vossos eventos e das vossas tradições então paguem os encargos com as deslocações dos profissionais. Aliás, já o manifestei numa reunião de uma comissão parlamentar em que participaram os seus responsáveis. E a fundamentação é muito simples. Não me parece que a Câmara de Ponta Delgada pague alguma coisa para ter a cobertura das Festas de Santo Cristo, ou que as Câmaras de Angra do Heroísmo ou a da Praia da Vitória se cheguem à frente para terem as suas festas concelhias transmitidas por aquele canal. Então porque que teremos nós de pagar?

Num momento em que se esgrime argumentos com os centralistas para justificar a existência de um canal como garante da nossa autonomia regional, coisas deste tipo representam, de facto, um retrocesso.

Este já passou. Para o ano há mais.

7 de fevereiro de 2013

Duas notícias


Passando em revista as últimas notícias, em pleno dia das comadres, duas sobressaem pela importância que têm para os Açores, muito embora sejam de sinais opostos.

A primeira prende-se com a aprovação no Parlamento Europeu de medidas para as pescas defendidas pelos Açores e a segunda tem a ver com as declarações do PSD sobre as dívidas da saúde.

No primeiro caso, a Região Autónoma dos Açores, soube-se agora, ganhou uma dura e longa batalha ao conseguir reservar a área à volta dos montes submarinos, para lá das 100 milhas, à frota de pesca açoriana, em exclusivo.

Esta pretensão antiga - e justa, diga-se - insere-se na estratégia que o Governo do Açores tem imprimido no sentido de ser a região a gerir os recursos marinhos existentes.

No caso das dívidas do Serviço Regional da Saúde, outro dos temas falados esta semana, ouvimos, sobretudo o PSD, tecer, durante vários dias, grandes considerações sobre o tema, que foi, inclusivamente, objeto de jornadas parlamentares.

Curiosamente estas manifestações do PSD surgem num momento em que o Governo dos Açores se prepara para, juntamente com todos os partidos políticos e parceiros sociais, celebrar um Compromisso para a Sustentabilidade do Serviço Regional de Saúde.
Esta colagem não será por acaso, certamente.

1 de fevereiro de 2013

Defender os Açores


Como se esperava, o Presidente do PS / Açores, Vasco Cordeiro, fez duas excelentes intervenções neste que foi o XV Congresso do partido, não tanto pela forma, que nesta altura pouco interessará, mas, sobretudo, pelo tom assertivo com que identificou as ameaças que aí vêm, pela esperança que incutiu nas palavras que dirigiu ao povo dos Açores nestes momentos de dificuldades e pela certeza que este conclave não servia para resolver questões internas ou disputas pelo poder, mas antes para procurar soluções para os problemas que estes novos tempos nos vão trazer.

Foram discursos para fora do partido, lembrando, aqui e ali, que os consensos alargados com os parceiros, sociais e políticos, só nos tornarão mais coesos.

Não haja dúvida nenhuma que os centralistas de Lisboa se preparam para assaltar o nosso mar de uma forma que, no dizer de Vasco Cordeiro, se assemelha à pirataria de outros tempos.

Agora, quando são conhecidas as potencialidades dos minérios existentes nos fundos açorianos, o Governo da República põe as garras de fora e tenta, a todo o custo, tirar proveitos à conta de atropelos à nossa autonomia política e administrativa.

Passos Coelho também se propõe alterar a Lei das Finanças das Regiões Autónomas. No meio de algumas propostas que vão no sentido de maior rigor e transparência que, para o nosso caso, são inócuas, o Governo Central quer baixar o diferencial fiscal de 30 para 20%, significando essa medida mais impostos para o açorianos, o que é verdadeiramente inaceitável para Vasco Cordeiro.

Vasco Cordeiro também se demarcou, e muito bem, do desmantelamento do estado social que o governo do PSD / PP está a preparar no continente.

Aqui, na Região Autónoma dos Açores, cabe-nos defender os que mais precisam, os mais desfavorecidos. É por isso que Vasco Cordeiro anunciou que irá manter todos os apoios sociais já existentes e aumentar o “cheque pequenino”, tal como o prometido na campanha eleitoral.

 Também foi anunciado o reforço de 30 milhões de euros na saúde, como forma de garantir a qualidade nesta importante área.

Temos de estar atentos e vigilantes para não sermos surpreendidos por manobras perpetradas nos corredores cinzentos do poder central.

A autonomia e os autonomistas têm agora a oportunidade de defender, em uníssono, as conquistas dos últimos 37 anos.