"Ao enfrentar as situações impossíveis, as pessoas que amam o seu país podem mudá-lo". Barack Obama
12 de fevereiro de 2014
6 de fevereiro de 2014
A linha que foi ultrapassada
O Partido Socialista – Açores
votou contra o aumento e o alargamento da contribuição especial de
solidariedade inscrito no Orçamento Retificativo que foi analisado em sede da
Comissão de Economia.
Como é sabido essa contribuição
especial resulta da inconstitucionalidade de várias normas detetadas pelo
Tribunal Constitucional contidas no Orçamento do Estado para 2014.
Esta medida alarga a contribuição
especial de solidariedade a pensões superiores a 1.000 euros e não dos 1.350
euros que se previa.
Vemos por estas e por outras
medidas que este governo da república de Coelho e Portas não olha a meios para
atingir os seus fins que passam, com um orgulho mal disfarçado, pela
demonstração de ser um bom aluno aos olhos da troika, preocupação que os tem acompanhado, diga-se a verdade, desde
o início desta legislatura.
Depois dos funcionários públicos
verem reduzidos os seus rendimentos de uma forma nunca vista e de assistirem ao
desprezo e arrogância com que são tratados, é agora a vez de os pensionistas
serem novamente espoliados dos seus já parcos rendimentos e usados nesta
indignidade política que constitui mais este acérrimo ataque aos mais
fragilizados da sociedade.
No meio de todo este turbilhão de
aumentos e de dúvidas quanto ao futuro a única certeza é que para Passos Coelho
as preocupações sociais já eram e que a linha vermelha que Paulo Portas não
podia ultrapassar era apenas uma falácia.
30 de janeiro de 2014
Uma outra via
Na passada semana houve uma
decisão do Tribunal Constitucional que ficará na história das nossas ilhas,
muito provavelmente. O Tribunal Constitucional declarou-se pela legalidade das
normas do Orçamento da Região Autónoma dos Açores, contrariando, assim, a
postura centralista inédita de quem o mandou fiscalizar.
Esta decisão do Tribunal
Constitucional era esperada por ser justa e legítima, conforme defenderam
inúmeros especialistas na matéria, num quadro político nacional em que se
assiste a um ataque demolidor ao estado social, onde os funcionários públicos e
os pensionistas são tratados como autênticos inimigos e os nossos jovens são cinicamente
convidados a emigrar, tudo isto acompanhado por uma intenção deliberada de
empobrecer o país a todo o custo utilizando a desculpa do equilíbrio das contas
públicas.
Este órgão de soberania, que tem
feito finca-pé à troika e a este desgoverno
que considera a Constituição um estorvo, tem pautado a sua atuação pela defesa dos
Portugueses perante os ataques desavergonhados perpetrados pelo PSD/CDS-PP onde
sobressaem as políticas cegas e cortes sem nexo.
Desta feita o Tribunal
Constitucional estancou, e muito bem, os avanços dos que detestam as
autonomias.
Ganhou a Região e, sobretudo,
ganharam os Açorianos perante uma tentativa de condicionar a capacidade de auto
governação lavrada no Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores.
É, no fundo, o reconhecimento da
legitimidade da Via Açoriana que Vasco Cordeiro e o Partido Socialista há muito
defendem para os Açores.
16 de janeiro de 2014
Afinal havia outro caminho
Jean-Claude Trichet, presidente
do Banco Central Europeu (BCE) entre 2003 e 2011, disse muito recentemente que
“no caso de Portugal e Grécia, se o pacto de estabilidade e crescimento (PEC)
tivesse sido rigorosamente aplicado, teríamos evitado muitos problemas. Não
diria todos, mas muitos”, citei.
Isto quer dizer, e aqui realço o
conhecimento profundo que o ex-presidente do BCE deve ter sobre estas matérias,
que, afinal, havia uma alternativa, um outro caminho a esta feroz e dolorosa austeridade
com que nos brinda este governo do PSD e CDS-PP, onde se inclui um ataque sem
precedentes aos pensionistas e funcionários públicos, sem esquecer a tentativa
de desmantelar o estado social em todas as suas vertentes.
Aos poucos o povo de Portugal tem
vindo a conhecer a verdade ao mesmo tempo que se apercebe do enorme logro em
que caiu a meados de 2011.
Passos Coelho alcançou o poder
com base, no entender dele, num PEC 4 penalizador e com medidas de austeridade
exageradas e, como tal, inconsonantes com o seu projeto de governo.
Daí até agora é o que se vê.
Brutal aumento de impostos, despedimentos na função pública, redução de
rendimentos, enfim, uma panóplia de ataques aos direitos dos portugueses que,
assustados, assistem a tudo isto sem saberem o que lhes reserva o futuro
próximo.
O problema de tudo isto é que
esta desgraça que se abateu sobre Portugal, e isso vem ao nosso conhecimento
aos bochechos, como é o caso do que disse o ex-presidente do BCE, pode ter sido
provocado pela ambição desmedida e desenfreada de um político. É mau demais
para ser verdade, mas é o que parece.
14 de janeiro de 2014
9 de janeiro de 2014
Eles andam aí
O Governo da República de Passos
Coelho e Paulo Portas não gosta do Tribunal Constitucional. Isso é ponto assente. Considera-o uma espécie
de empecilho ao sufocante confisco dos já parcos rendimentos dos Portugueses.
Este Tribunal, como guardião da
Constituição Portuguesa, tem impedido a violação grosseira dos princípios
fundamentais que regem a nossa nação e isso, pelos vistos, nunca foi bem aceite
pelos governantes do PSD e do CDS-PP.
Antes das normas seguirem até ao
Palácio Ratton para verificação da sua conformidade com a Constituição,
assistimos, invariavelmente, a um chorrilho de ameaças, tipo “se não passar
assim, ainda vai ser pior”, com a conivência de altos funcionários de
organismos internacionais, sobressaindo, nessa vassalagem, o nosso compatriota
Durão Barroso.
É também sabido que o
Primeiro-ministro e o Presidente da República, para além de outros centralistas
espalhados pelo sistema político-partidário, nunca olharam com bons olhos para
as autonomias regionais, sobretudo para a dos Açores, curiosamente. É por isso
que o estado se tem demitido das suas responsabilidades na região, como são os
casos da falta de apoio nas intempéries e nos cataclismos naturais, das
indecisões relativamente às forças militares e militarizadas, da redução dos
tribunais, do encerramento das finanças, das novas obrigações serviço público
de transporte aéreo, nas questões da Universidade e da RTP, etc..
Recorrendo à Wikipédia ficamos a saber que autonomia, em ciência política, é a
qualidade de um território ou organização de estabelecer com liberdade as suas
próprias leis ou normas.
Utilizando essa prerrogativa os
órgãos próprios da região têm procurado as melhores opções para enfrentar estes
tempos difíceis, protegendo os idosos, compensando os funcionários públicos,
ajudando as famílias e apoiando as empresas na criação e manutenção de emprego.
É precisamente o contrário do que
acontece na república que assiste, a pouco e pouco, ao desmantelamento do
estado social e onde os mais fracos, sempre eles, continuam a ser os mais espoliados
do pouco que ainda lhes resta, incluído a esperança.
Esta “Via Açoriana” para resolver
os problemas dos habitantes de uma região arquipelágica e, como tal, de
governança mais difícil, contrasta, e muito, com a obsessão de Pedro Passos
Coelho e companhia pela redução de direitos e rendimentos dos Portugueses.
É dentro desta leitura que os
Açorianos, de vários quadrantes políticos, não conseguem compreender a razão
que levou o Representante da República a enviar o Orçamento da Região para o
Tribunal Constitucional, quando as normas em causa apenas pretendem manter
alguns direitos com o esforço financeiro da região, permitido pela boa gestão
das suas contas e que em nada comprometem as finanças públicas nacionais.
Pela primeira vez o Orçamento
Regional vai para fiscalização e, lamentavelmente, pelos motivos errados.
19 de dezembro de 2013
Uma questão de calibragem
O atual primeiro-ministro, Pedro
Passos Coelho, referiu recentemente que não era objetivo do Governo criar um
modelo assente em salários baixos ao mesmo momento em que baixava o rendimento
dos funcionários públicos, dos pensionistas e incentiva a redução de salários
no sector privado.
Referiu, também recentemente, que
as medidas duras que aplicou aos Portugueses se deviam a um programa da troika bem desenhado mas mal calibrado,
muito embora ninguém se esqueça das suas declarações em plena campanha, onde
afirmava orgulhosamente que o seu programa coincidia com o memorando de
entendimento e dizendo, depois de ser empossado, que iria mais além do exigido
pela troika.
Durante estes dois anos e tal em que
dirige o Governo de Portugal já deu para entender que este senhor diz uma coisa
e faz outra, sem qualquer pejo nem consideração por um povo que sofre nas mãos
de ultraliberais assumidos que fazem jogos de experimentalismos económicos sem se
preocuparem com as consequências.
Estas e outras considerações
enquadram-se, com toda a certeza, no reconhecimento que deve ter do mal que fez
a todo um povo que se sente arrasado por esta onda de austeridade. Agora, muito
devagarinho e quase à socapa, o primeiro-ministro vem assumindo que talvez
tenha sido excessivo na sua aplicação, tendo para isso um grande apoio do Fundo
Monetário Internacional que, na pessoa da sua Presidente, vem agora admitir que
aquele organismo errou na aplicação da austeridade e na avaliação das suas
consequências nos países com maiores dificuldades. Tarde de mais. Cheira a peso
na consciência, a remorso tardio.
Enquanto isto, alguns
comentadores das áreas políticas do PSD e do CDS-PP vêm a público regozijar-se
com alguns indicadores de crescimento da economia e sinais de estabilização do
desemprego. Depois de arrasada é natural que a economia cresça, não há outro
remédio. Sabe-se que o consumo tem sido responsável por esse ténue crescimento,
consumo esse que foi completamente dizimado pelo Governo, queda atenuada pela
ação fiscalizadora do Tribunal Constitucional que, em boa hora, conteve o
desvario deste desgoverno. O desemprego foi estabilizado à conta da sangria da
emigração motivada pela falta de esperança de inúmeros concidadãos que não
encontraram respostas no seu país.
Fazendo fé neste amontoado de
incongruências e no sentimento da esmagadora maioria do povo de Portugal
chegamos à conclusão que afinal este Governo de Passos Coelho e Paulo Portas
não tem calibre para servir o nosso país.
12 de dezembro de 2013
Uma coisa e o seu contrário
Estivemos discutir e a votar, no
passado mês de Novembro, o Plano Regional e o Orçamento para ano 2014, documentos
fundamentais para a governação da Região Autónoma dos Açores.
Há nestes documentos um conjunto
de medidas visando minimizar o impacto negativo da austeridade imposta pelo
Governo da República no Orçamento do Estado para 2014 aprovado pelo PSD e CDS-PP
uns dias antes e que contou, diga-se com toda a verdade, com o voto favorável
dos deputados do PSD eleitos pelo círculo eleitoral dos Açores, facto que se
revelará importante para quem quiser fazer uma análise séria ao que se passou
na Assembleia Legislativa durante esta discussão.
O PSD Açores decidiu e anunciou,
com muita antecedência, é certo, a sua abstenção nestes dois documentos de
planeamento regionais, sem se abster, no entanto de apresentar algumas propostas
de alteração aos mesmos, com a legitimidade que se lhes assiste. E é aqui que
está o problema.
Enquanto lá fora os deputados do
PSD Açores votam favoravelmente um orçamento que lesa gravemente as famílias,
retira benefícios aos funcionários públicos, promove políticas que aumentam o
desemprego, reduz pensões, sonega verbas à Universidade dos Açores e à
RTP-Açores, aqui, esse mesmo partido, define-se como o arauto na defesa dos
Açores e apresenta algumas alterações impondo à Região um esforço financeiro suplementar
no sentido de substituir o Estado Português naquelas que são as suas funções e obrigações.
É caso para dizer que este
partido defende uma coisa nos Açores e precisamente o seu contrário na República,
o que não deixa de ser estranho. Por aqui se vê que a coerência não mora ali.
28 de novembro de 2013
Intervenção no âmbito da discussão do Plano e Orçamento
Senhora Presidente da
Assembleia
Senhoras e Senhores
Deputados
Senhor Presidente do
Governo
Senhora e Senhores
Membros do Governo
É conhecido que a pesca
tem um peso importante na economia na Região Autónoma dos Açores pelo impacto positivo
que regista no Produto Interno Bruto. É um sector exportador por excelência, é
um empregador importante e encerra ainda um potencial de crescimento com o
aproveitamento de todas as suas vertentes.
Há quem não acredite
neste sector. Há quem emita “raios e coriscos” quando algo não corre como o
previsto. Há quem brada aos céus quando as capturas diminuem. Dos mesmos nunca
ouvi uma manifestação de satisfação quando aumentam as capturas, quando se
inaugurou mais um porto, se colocou mais uma grua, se construiu mais uma casa
de aprestos ou uma instalação de frio.
Resta-nos a satisfação
de saber que os pescadores sabem que os Governos do Partido Socialista deram
condições de segurança aos profissionais do mar, deram-lhes condições dignas
para desempenharem uma atividade de qual depende cerca de 5% da população ativa
dos Açores.
Platão dizia que
existiam três tipos de Homens: os vivos, os mortos e os que andam no mar. Esta
citação enaltecia, sem dúvida, estes profissionais pela vida rude que o mar
lhes dava.
Na atualidade, nos
Açores, essas dificuldades estão muito atenuadas fruto do grande investimento
feito em todas as ilhas, nos portos, nos entrepostos de frio, nas casas de
aprestos, nos equipamentos de apoio, na renovação da frota, na formação, apoio
ao associativismo, etc..
Esta realidade advém do
enorme investimento público desencadeado nessas ações ao longo dos últimos 17
anos.
Os resultados
revelaram-se com: mais segurança, mais rendimento, novas técnicas aplicadas nas
pescarias, melhores condições de habitabilidade nas embarcações, organizações
de pescadores mais dinâmicas, mais reivindicativas e mais participativas, etc..
Hoje o desafio neste
sector passa pela mudança de paradigma. A qualidade em detrimento da
quantidade.
O futuro nesta fileira
passa pela valorização do produto da pesca, pela captura de novas espécies com
aproveitamento ainda reduzido e pela transformação de subprodutos de modo a
trazer mais-valias aos seus profissionais nos diversos níveis.
Será necessário também
introduzir a discussão, com os diversos parceiros, de medidas cautelares
relativamente à exploração dos recursos, como sejam a fiscalização até às 3
milhas ao redor das ilhas, a gestão do espaço das 3 às 6 milhas, já reivindicada
por algumas associações do sector, e a constituição de zonas, parcial ou
integralmente, protegidas.
A questão da pesca
entre as 3 e as 6 milhas é muito importante para algumas comunidades
piscatórias, sobretudo das ilhas mais pequenas.
Os Projetos Inspeção e
Gestão (0,9 milhões de euros), Infraestruturas Portuárias (13,8 milhões de
euros), Frota e Recursos Humanos (3,7 milhões de euros), Produtos da Pesca (2,5
milhões de euros) e Programa Regional de Desenvolvimento do Sector das Pescas
(5,9 milhões de euros), representam, no seu conjunto, um investimento de cerca
de 27 milhões de euros (21,5 do Plano e 5,5 proveniente de Outros Fundos)
destinados ao Programa 3, Pescas e Aquicultura.
Completar a rede de
portos de pesca, valorizar o pescado para obter mais rendimento, transformar o
pescado com menos valor comercial para criar mais-valias, reforçar as medidas
de proteção aos pescadores através do Fundopesca, introduzir novas pescarias e
avançar com a aquicultura para preservar alguns stocks, são respostas que, penso, estão explicita ou implicitamente
consagradas neste Plano.
Posto isto, pergunto ao
Senhor Secretário Regional dos Recursos Naturais:
- Porque que razão há
uma diminuição do total do valor investido no sector das pescas, relativamente
ao ano anterior?
- O que prevê o Governo
fazer no que se refere à pesca das 3 às 6 milhas por embarcações provenientes de
outras ilhas?
- Que medidas estão
previstas para melhorar a rede de frio na Região?
- Relativamente à transformação
do pescado que iniciativas estão previstas em 2014?
- Que medidas serão
tomadas relativamente à aquicultura?
- O que pensa a Lotaçor
ou o Governo fazer para colocar o pescado o mais rapidamente possível no
mercado exterior?
Obrigado.
18 de novembro de 2013
28 de outubro de 2013
18 de outubro de 2013
Nota de Imprensa
José Ávila acusa Governo do PSD e do CDS/PP de querer fechar Serviço de
Finanças da ilha Graciosa
O deputado do PS/Açores, José Ávila, manifestou, esta sexta-feira, na Assembleia Legislativa dos Açores, a sua preocupação perante a ameaça, do Governo da República do PSD e do CDS/PP, de encerrar o Serviço de Finanças da ilha Graciosa.
De acordo com o deputado eleito pelo Círculo Eleitoral da Graciosa, “percebemos que a modernização administrativa, nomeadamente com a melhoria das plataformas informáticas, melhorou a acessibilidade dos cidadãos aos departamentos do estado, como é o caso dos serviços de finanças” sendo que “essa modernização implicou a redução de trabalhadores e obrigou ao redimensionamento de alguns serviços. No entanto nunca se esperou que o estado fugisse às suas responsabilidades e encerrasse serviços fundamentais nalgumas ilhas”.
Intervindo no plenário da Assembleia Legislativa dos Açores, José Ávila referiu que “antes das eleições autárquicas ouviram-se rumores que a repartição de finanças da Graciosa poderia encerrar” sendo que “depois desse ato eleitoral ouvimos, em primeira mão, o conselheiro do estado Marques Mendes, afirmar que o Governo da República iria encerrar 50% dos serviços locais de finanças, portanto serviços de proximidade”.
Para José Ávila, “o que efetivamente está em causa nesta matéria é a forma completamente cega com que este governo da república do PSD/CDS-PP resolve cortar serviços sem qualquer critério”.
“A Graciosa, tem 4.393 habitantes, uma grande maioria idosa e sem conhecimentos informáticos. A repartição de finanças mais próxima fica a 20 minutos de avião e a mais de 40 milhas náuticas, obrigatoriamente percorridos de avião e com despesas de estadia e alimentação inerentes”, referiu o parlamentar da bancada do PS para quem, “das duas, uma: ou este governo da república do PSD/CDS-PP não sabe o que faz e corta sem saber em que condições ou então é dotado de uma anormal insensibilidade social e caso se concretize esta ameaça, abrimos a porta a esta forma danosa de administrar o país pelo Governo da República do PSD e do CDS/PP”.
Por último, José Ávila exortou os Graciosenses a “irem à luta, custe o que custar, porque de gente desta espera-se tudo”.
Recorde-se que nos 19 concelhos açorianos estima-se que venham a encerrar treze serviços de Finanças nomeadamente os de Calheta, Santa Cruz da Graciosa, Velas, Corvo, Lajes do Pico, Lajes das Flores, S. Roque do Pico, Santa Cruz das Flores, Lagoa, Nordeste, Povoação, Vila do Porto e Vila Franca do Campo. Uma situação que José Ávila considera “inaceitável”.
16 de outubro de 2013
Hoje na Assembleia
A propósito de um Projeto de Resolução
do PCP que recomenda ao Governo que desenvolva os estudos técnicos necessários com
vista à criação de um sistema de proteção e incentivo à reutilização produtiva
das zonas de currais de vinha, recomendando também um reforço nos apoios à
criação de atividades turísticas relacionadas com a produção de vinho e com a
paisagem da vinha.
5 de setembro de 2013
18 de julho de 2013
Mais respeito pelo poder local
É bem conhecida a
posição do governo PSD/CDS-PP relativamente às autarquias. Miguel Relvas,
fartou-se de classificar o poder local como despesista e uma espécie de mal que
faz do país uma nação enferma.
Com base neste conceito,
errado a meu ver, encetou uma tremenda batalha contra o poder local, a coberto
de uma pretensa reforma e legislando de modo a condicionar a atividade das
autarquias locais, tudo isto nas costas dos próprios autarcas que, apesar de veementes
protestos, não conseguiram alterar esta posição centralista do governo de
Passos Coelho e de Paulo Portas.
Em tempos de crise,
económica e social, só uma política de proximidade pode aliviar o sofrimento
dos mais frágeis e, claro está, é através das camaras municipais e das juntas
de freguesia que se pode dar melhores e mais rápidas respostas sociais às
populações.
É também localmente
que as verbas são melhores aplicadas em investimentos que servem as populações.
Um poder local forte e
independente assusta os arautos do centralismo e foi por isso que se procedeu à
extinção de mais de 1000 freguesias e inúmeras empresas municipais num processo
com critérios pouco entendíveis, feito a régua e esquadro, sem atender às especificidades
de cada município ou de cada freguesia.
Hoje assiste-se a uma
tentativa de fazer o poder local refém dos caprichos centralistas,
retirando-lhe a possibilidade de aplicar competências antigas no apoio às
pessoas e ao tecido empresarial local.
11 de julho de 2013
Os deuses devem estar loucos ou o irrevogável não é o que parece
Qualquer destas expressões podia
muito bem classificar os últimos dias do governo da responsabilidade do
PSD/CDS-PP que mais pareciam mesmo o estertor deste executivo já fora de prazo.
Foram dias vertiginosos, sem
dúvida. Desde a saída de um ministro que deixou uma carta reconhecendo o
falhanço da sua política, até facadas pelas costas, passando pelas omissões,
vimos de tudo um pouco.
Do Presidente da República não
ouvimos nem um queixume. O mais alto magistrado da nação, outrora muito
sensível a deslealdades, nem pestanejou ao ser informado, apenas uma hora antes
da tomada de posse da nova ministra das finanças, que poderia não haver mais
governo devido à demissão, (mais ou menos) irrevogável, de Paulo Portas.
De seguida vimos o desfilhar de
críticas de todos os lados, até vindas de dentro,
trazendo à liça a legitimidade de um governo que não se entende e que, numa
segunda análise, não consegue atingir nenhum dos objetivos a que se propôs.
Também me junto àqueles que
pensam que os mandatos são para cumprir, mas confesso que, tal como muitos
portugueses, estou numa fase de mudança de opinião, não por ter alterado muito
a minha maneira de ver, mas antes por demérito de um desfeito governo que não
acerta uma e ainda se entretém a dar ao país este triste espetáculo a que
assistimos, mais ou menos incrédulos com a ligeireza com que estes assuntos são
tratados na praça pública.
No fim de tudo isto ficam os
portugueses a saber que irrevogável não é o que vem no dicionário e que para o
Presidente da República, o tal que nunca se engana e raramente tem dúvidas, a
classificação de desleal não serve de carapuça daqueles que são da sua família
política.
4 de julho de 2013
Nunca me senti preso na ilha
Foi aqui na Ilha Graciosa que dei
os primeiros passos. Foi aqui que rasguei a pele em brincadeiras de crianças
felizes, que sarei feridas lambidas pelo tempo e que fiz amigos para a vida.
Foi aqui que aprendi a ler, a escrever e a contar. Foi aqui que aprendi a
respeitar.
Nunca me senti preso na ilha. O
isolamento que a insularidade e a fúria do tempo por vezes nos impingem nunca
foi uma fatalidade incontornável. A ilha, se calhar, ganhou alguma coisa com
isso. Enriqueceu-se em termos culturais, moldou-se às dificuldades e manteve a
sua natureza intocável.
A Graciosa foi o porto de partida
e de chegada quando, ainda criança, tive de sair. Voltei sempre e cada vez que
voltava mais gostava das vistas do Monte da Ajuda e da Senhora da Saúde, com as
vilas a seus pés, de apreciar o Carapacho e a Beira Mar da Luz, lugares
prazenteiros, de admirar a bela planície do Guadalupe e os vinhedos da Vitória,
que tanta riqueza geraram.
Nesses regressos gostava de rever
amigos, jogar à bola em S. Francisco, ou à barra na Praça, ao rato de sociedade
ou ao quartel-general pelas ruas de Santa Cruz. Retomava os cheiros, ia à
mercearia do senhor Juvenal Martins ou à barraca do senhor Manuel Augusto, onde
se comprava fiado. Mergulhava nas águas límpidas da Fonte da Areia, das
Fontinhas ou do Boqueirão. Requisitava livros na biblioteca itinerante para os
ler a fio noite fora à luz de uma vela.
As coisas mudaram. Hoje já
ninguém lê à luz de uma vela ou tem de sair com 11 ou 12 anos para estudar.
Hoje os jovens saem com o 12º ano para as universidades, muito mais maduros e
autónomos.
Hoje sai-se de avião, joga-se com
uma consola, lê-se no Ipad e tiram-se
dúvidas no Google. Hoje quando se
quer “matar” saudades liga-se o telemóvel, o Skype ou o Facebook.
Tudo mudou, mudaram o mundo,
Portugal, os Açores e a Graciosa. A Revolução de Abril de 1974 abriu as portas
à Autonomia dos Açores e esta, por sua vez, tratou de colocar todas as ilhas no
mesmo patamar. A revolução tecnológica fez o resto.
Em 2004 iniciei a minha atividade
no mundo da política. Foi com muita honra que aceitei o encargo, nem sempre
fácil, de defender os Açores e a Ilha Graciosa, o meu círculo eleitoral. Numa
ilha pequena, onde todos se conhecem, o exercício de um cargo público
reveste-se de outra dimensão, a proximidade entre o eleito e o eleitor que acarreta
outras responsabilidades e impõe uma ação mais exigente.
Durante estes anos tive a
felicidade de assistir à fase de maior investimento de sempre nesta ilha.
O sector primário foi
reestruturado profundamente. As condições criadas, nomeadamente com a
construção da nova fábrica de lacticínios, do porto de pescas com respetivos
equipamentos de apoio, aliados ao redimensionamento das explorações agrícolas e
à renovação da frota pesqueira, possibilitaram o rejuvenescimento e a
profissionalização destas classes, fatores que deram um novo impulso à economia
da ilha.
Por outro lado, o Governo dos
Açores avançou com a construção de um centro de apoio ao visitante da Furna do
Enxofre, ex-libris desta ilha, e, substituindo a iniciativa privada em
investimentos estruturais, construiu um hotel de quatro estrelas dando início,
assim, a uma nova atividade económica, o turismo.
A par desta visão de
desenvolvimento, que se quer sustentado, foi possível dar uma especial atenção
aos assuntos sociais com a inauguração de um novo centro de saúde, a
requalificação de um lar de idosos e a construção de um outro lar. O ambiente e
os transportes também sofreram transformações importantes.
Não está tudo feito, no entanto
foram criadas as bases para se passar a uma nova fase em que o empreendedorismo
poderá ajudar a fazer o que resto.
(artigo publicado no jornal
digital Mundo Açoriano em 28 de Junho de 2013)
20 de junho de 2013
Frei Tomás não faria melhor
Nos últimos tempos, o Presidente
da República no âmbito dos périplos que realiza pelo país, declarou que os
portugueses deveriam voltar-se para a agricultura. A bondade deste conselho é
evidente e merece a melhor atenção de todos nós pela importância que esta
pretensão encerra, mas em nome da coerência é preciso ver esta questão com
outros olhos, porque o tempo não apaga tudo, mesmo que isso desse imenso jeito.
As reações às palavras do
Presidente da República não se fizeram esperar e logo vieram a público sinais
de estupefação dos produtores agrícolas deste país pela ligeireza que
demonstrou em abordar a agricultura, precisamente o setor que quase sucumbiu quando
o atual mais alto dignatário deste país era primeiro-ministro. Se falasse em
pescas o seu problema seria muito semelhante pois foi nos dez anos que esteve
no poder que a nossa frota foi praticamente desfeita.
Entre 1986 e 1995, altura em que
o primeiro-ministro era o atual Presidente da República (1985-1995), o peso no PIB
da agricultura e das pescas baixou de 9,9% para 6,5%, enquanto o peso no PIB da
indústria, eletricidade e águas baixou, no mesmo período, de 32,2% para 26,4%.
Com o evidente declínio destas
atividades, cresceu a dependência do exterior, com os malefícios que lhe estão
inerentes.
Já se sabe que o povo, ao
vislumbrar estas diferenças entre a teoria e a prática, tem por hábito citar um
ditado bem a propósito: “Que bem prega Frei Tomás, façam o que ele diz e não
olhem ao que ele faz”.
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