10 de abril de 2014

Ocultação


Os Portugueses ficaram agora a saber que a Presidência da República não deu a conhecer a listagem de compras conforme é imposto pela lei, o mesmo acontecendo com a Assembleia da República que também enveredou pelo mesmo caminho e não publicou os contratos das aquisições a que está obrigada.

Os Portugueses já sabiam que houve um ministro que ocultou as suas verdadeiras habilitações académicas, que o Governo da Madeira escondeu parte da sua dívida, que o BPN, dirigido por um ex-governante do PSD, tinha uma contabilidade oculta e que o Banco Insular era operador financeiro que suportava negócios recônditos.

Já sabiam também que houve um ex-ministro e ex-Conselheiro de Estado que fazia de conta que nada tinha a ver com o escândalo do BPN e que nessa ocultação contou sempre com o apoio dos seus correligionários, de tal maneira que só de lá saiu quando não era possível disfarçar mais.

Os Portugueses também já sabem, pelos acontecimentos recentes, que o primeiro-ministro é exímio em esconder a verdade e que o vice-primeiro-ministro oculta com frequência o verdadeiro significado do irrevogável e traça linhas intransponíveis, mas só a brincar. 

Finalmente tomaram conhecimento que o antigo primeiro-ministro e ainda Presidente da Comissão Europeia, numa entrevista recente, tentou esconder a sua responsabilidade no caso do BPN, fazendo uma coisa feia ao tentar comprometer terceiros.

Como se vê alguma da direita liberal que detém o poder em Portugal é exímia na arte da ocultação e do disfarce.

Não é por acaso que sempre pediram aos eleitores deste país uma maioria e um presidente. E esse é o preço que estamos a pagar agora …

3 de abril de 2014

Mentiras e outros dislates


O tempo de antena onde eram descritas as incongruências de Passos Coelho foi o programa mais visto do Canal 1 da RTP na passada terça-feira, com cerca de um milhão de telespetadores.

Pudera… Com tamanha discrepância entre o apregoado em tempo de campanha e a obra feita (ou desfeita, neste caso) depois de estar em funções, quem não quererá confirmar, mais uma vez, a postura obscura deste político?

Coincidindo com o conhecido dia das mentiras esta terá sido a melhor forma de mostrar a todos os Portugueses o estilo truculento com que o primeiro-ministro de Portugal trata a verdade e a coerência, esta última muito propalada quando tenta definir o seu trajeto.

Estou em crer que este estadista vai fazer escola nos meandros da política nacional, pelos piores motivos, no meu entendimento.

Os seus admiradores Açorianos, na oposição, conseguem construir, por cá, uma imagem de que o que se passa lá fora nada tem a ver com eles.

É um discurso estafado, é certo, mas com um conteúdo enganador quanto baste que poderá surpreender os menos avisados para estas coisas.

Veja-se a postura que o PSD assume nos Açores ao impor atirar mais dinheiros públicos para serviços e responsabilidades do estado, enquanto manda os seus deputados na Assembleia da República votar a favor dos cortes para a RTP-Açores, a Universidade dos Açores, redução dos apoios sociais e na saúde, encerramento de finanças e tribunais, diminuição dos salários dos funcionários públicos e pensionistas.

É caso para dizer que é uma sorte não ter gente desta, de cá e de lá, a governar os Açores.

20 de março de 2014

O défice que parece incomodar


Quando foi conhecido que o défice orçamental dos Açores se situara pelos 0,2% do Produto Interno Bruto logo surgiram os escribas do costume atacando tudo e todos e introduzindo na discussão outros temas em catadupa, numa tentativa desesperada para apagar os bons resultados da governação.

Vi nessa oposição, sempre ávida por maus resultados, um certo desprezo pela boa prestação das contas públicas nos Açores, muito embora se saiba e se veja que, apesar do contexto economicista nacional onde reinam os cortes cegos e os conhecidos constrangimentos orçamentais, aqui os Açorianos veem um Governo preocupado com as pessoas e com as famílias.

Neste contexto desfavorável é importante saber que a Região não só mantem uma boa gestão pública como também não contribui, de todo, para o défice das contas do País que, como se sabe, não está grande coisa.

Este esforço tem sido reconhecido em todas as verificações feitas pelos diversos organismos nacionais e internacionais que validam as contas da Região e constitui, de facto, um pilar na defesa da nossa Autonomia que, nestas alturas de crise, é constantemente ameaçada pelos decrépitos centralistas.

Aquilo que parecia uma boa notícia para todos os Açorianos e que, inclusivamente, levou à dispensa (novamente) de análise das contas da Região pelas instituições internacionais, acabou por sofrer uma tentativa de menorização por parte de alguma oposição que, muitas das vezes, exige mais e mais, sem, no entanto, conseguir explicar como o fazer.

19 de março de 2014

Homenagem no Dia do Pai

A LIBERDADE

 
Quem amar a Liberdade

tem de ser, além de unido,

bom e justo de verdade

se não quiser ser vencido.

 

Duas liberdades traz

quem viver nelas se atreve:

uma, fazer o que apraz,

outra… fazer o que deve.

 

Ser Livre é, na realidade,

do Mundo a coisa mais bela.

Mas quanto mais Liberdade,

menos tens de abusar dela.

 

A Liberdade é um modo

de bem viver ou de lutas;

mas outras vezes… engodo

com que se pescam as trutas!

 

Quem é contra a Liberdade

e inda impõe a sujeição,

deve encontrar, na verdade,

proveito na Escravidão!...

 

Liberdade! Quem havia

chamar-te Pomba da Paz…

Pois quanta patifaria

à tua sombra se faz!

 

Manuel Machado Ávila
In “Horizonte Liberto”

13 de março de 2014

Outros carnavais


Estou há um bom bocado com o processador de texto aberto e sem fazer ideia do tema que hei-de escolher para o artigo de hoje. Acontece-me frequentemente e, presumo, também acontecerá com todos os que tem o compromisso de escrever com alguma regularidade.

Podia muito bem escrever sobre o congresso do PSD mas ali nada aconteceu de novo a não ser um repetido e enganador autoelogio e o costumeiro ataque ao partido que o precedeu no Governo.

Ou meditar sobre o regresso do “Doutor” Relvas à vida política que tanto gosta, mas isso é apenas o pagamento que Passos conseguiu fazer ao seu amigo de sempre e como tal era esperado e não merece comentários.

Podia debruçar-me sobre a frase emitida por um alto dirigente do PSD que disse que “Portugal estava melhor, mas os Portugueses não”, ideia sintomática de uma direita que acalenta o sonho de ter um país sem Portugueses e que, para esse efeito, já iniciou esse trabalho despejando os jovens para fora de portas e a retirar dinheiro e direitos aos velhinhos, garantindo, no entanto, que morram em paz, mas quanto mais cedo melhor para não dar despesa.

Podia analisar uma notícia recente em que era dado a conhecer que metade das casas Portuguesas têm máquinas de café em cápsulas, da inquietação que tal informação deve ter provocado no nosso primeiro-ministro e das ideias que lhe terão passado pela cabeça para taxar mais esta leviandade dos Portugueses que teimam em viver acima das suas possibilidades.

Podia escrever sobre as preocupações do ainda Presidente da Comissão Europeia, o nosso concidadão Durão Barroso, que praguejou nos noticiários de todas as televisões por esse mundo fora, condenando o posicionamento das tropas russas na Crimeia e considerando inadmissível esta postura em pleno século XXI, quando ainda há poucos anos apadrinhou a cimeira da guerra realizada nas Lajes e a posterior cruzada à procura de armas de destruição em massa, afinal inexistentes, sem se importar com o sofrimento de muitos Iraquianos que nunca mais tiveram paz nas suas vidas.

Podia muito bem falar nas Jornadas Parlamentares do PSD-Açores dedicadas às políticas sociais, iniciadas em dia das cinzas – “símbolo para a reflexão sobre o dever da conversão, da mudança de vida, recordando a passageira, transitória, efêmera fragilidade da vida humana, sujeita à morte”.

Podia, sem muito esforço, criticar esta iniciativa por ter sido realizada apenas com o intento de reduzir o impacto do roteiro que o PS fez por todas as ilhas dos Açores dedicado a esse tema. Pensei melhor e concluí que com as questões sociais não se brinca, especialmente neste período em que o governo de Passos Coelho tira tudo a alguns, os mais frágeis. Todos somos poucos para minimizar o impacto deste empobrecimento brutal a que estamos sujeitos e, como tal, só tenho de louvar a preocupação que este partido demonstrou com esta problemática, muito embora não concorde, de todo, com a sua visão sobre este assunto e com a crónica falta de ideias e soluções para os problemas que levanta.

Por fim podia criticar o mesmo PSD-Açores por ter promovido uma visita à Adega dos Biscoitos, em Janeiro passado, mas resolvi não entrar por aí para não cair no ridículo, porque ao PSD-Açores assiste-lhe todo o direito de fazer as visitas que quiser, onde quiser e quando quiser, que eu não tenho, rigorosamente, nada a ver com isso.

Meu pai, homem humilde e honesto, dizia-me, sabiamente: “José, quando não souberes o que dizer é melhor ficares calado”. Confesso que não foi o caso de hoje, mas tenho por hábito levar esse ensinamento à risca.

28 de fevereiro de 2014

Nota de Imprensa


O deputado socialista José Ávila participou esta quinta-feira, em Ponta Delgada, numa reunião com a Direção da Unileite e Lactaçores, no âmbito do trabalho desenvolvido pela Comissão de Economia da Assembleia Legislativa Regional dos Açores.

O coordenador do Grupo de Trabalho criado pela Comissão Permanente da Economia adiantou que, resultado destas visitas e reuniões, será elaborado um relatório sobre a situação atual e perspetivas futuras do setor cooperativo de laticínios, considerado estratégico para os Açores.

13 de fevereiro de 2014

O mito


Em democracia os sufrágios eleitorais resultam em duas componentes: o partido que ganha governa e os outros partidos fazem oposição.

Ao partido ganhador cumpre a obrigação de por em prática o seu programa - aquele que, no fundo, foi o mais votado - e à oposição, além da necessária fiscalização da atividade governativa, cabe usar a propositura para encontrar outros caminhos para atingir os mesmos fins. Esta função é também importante, sobretudo, para partidos que ambicionam chegar ao poder.

Nestes tempos problemáticos e incertos devido a uma crise de contornos ainda difíceis de perceber onde se assiste a uma excessiva austeridade da autoria do Governo da República do PSD/CDS-PP, o Governo Regional dos Açores do Partido Socialista implementou e implementa medidas capazes de atenuar os efeitos nefastos que nos chegam do exterior.

Esta luta sem tréguas não tem sido fácil, mas, como tem sido apanágio do Partido Socialista, onde estiver uma Açoriana ou um Açoriano em dificuldades, temos de lá estar.

Nesse âmbito surgiu a Agenda para o Emprego e Competitividade, onde sobressaem diversas medidas para ajudar as empresas a criar e a manter o emprego, para além de outros programas dirigidos aos desempregados, precisamente para obviar as dificuldades.

Esperava-se do PSD-Açores um contributo importante na resolução destes e de outros problemas, mas, ao contrário do que seria espectável, este partido político, com legítimas aspirações de chegar ao governo, limita-se a propor o que já existe a nível do emprego ou então a formalizar propostas inexequíveis, como foi o caso do emprego jovem cuja aplicação apenas se poderia fazer na industria extrativa inexistente nos Açores.

É muito pouco para este partido que é muito expedito a criticar e muito parco a propor.

6 de fevereiro de 2014

A linha que foi ultrapassada


O Partido Socialista – Açores votou contra o aumento e o alargamento da contribuição especial de solidariedade inscrito no Orçamento Retificativo que foi analisado em sede da Comissão de Economia.

Como é sabido essa contribuição especial resulta da inconstitucionalidade de várias normas detetadas pelo Tribunal Constitucional contidas no Orçamento do Estado para 2014.

Esta medida alarga a contribuição especial de solidariedade a pensões superiores a 1.000 euros e não dos 1.350 euros que se previa.

Vemos por estas e por outras medidas que este governo da república de Coelho e Portas não olha a meios para atingir os seus fins que passam, com um orgulho mal disfarçado, pela demonstração de ser um bom aluno aos olhos da troika, preocupação que os tem acompanhado, diga-se a verdade, desde o início desta legislatura.

Depois dos funcionários públicos verem reduzidos os seus rendimentos de uma forma nunca vista e de assistirem ao desprezo e arrogância com que são tratados, é agora a vez de os pensionistas serem novamente espoliados dos seus já parcos rendimentos e usados nesta indignidade política que constitui mais este acérrimo ataque aos mais fragilizados da sociedade.

No meio de todo este turbilhão de aumentos e de dúvidas quanto ao futuro a única certeza é que para Passos Coelho as preocupações sociais já eram e que a linha vermelha que Paulo Portas não podia ultrapassar era apenas uma falácia.

30 de janeiro de 2014

Uma outra via


Na passada semana houve uma decisão do Tribunal Constitucional que ficará na história das nossas ilhas, muito provavelmente. O Tribunal Constitucional declarou-se pela legalidade das normas do Orçamento da Região Autónoma dos Açores, contrariando, assim, a postura centralista inédita de quem o mandou fiscalizar.

Esta decisão do Tribunal Constitucional era esperada por ser justa e legítima, conforme defenderam inúmeros especialistas na matéria, num quadro político nacional em que se assiste a um ataque demolidor ao estado social, onde os funcionários públicos e os pensionistas são tratados como autênticos inimigos e os nossos jovens são cinicamente convidados a emigrar, tudo isto acompanhado por uma intenção deliberada de empobrecer o país a todo o custo utilizando a desculpa do equilíbrio das contas públicas. 

Este órgão de soberania, que tem feito finca-pé à troika e a este desgoverno que considera a Constituição um estorvo, tem pautado a sua atuação pela defesa dos Portugueses perante os ataques desavergonhados perpetrados pelo PSD/CDS-PP onde sobressaem as políticas cegas e cortes sem nexo.

Desta feita o Tribunal Constitucional estancou, e muito bem, os avanços dos que detestam as autonomias.

Ganhou a Região e, sobretudo, ganharam os Açorianos perante uma tentativa de condicionar a capacidade de auto governação lavrada no Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores.

É, no fundo, o reconhecimento da legitimidade da Via Açoriana que Vasco Cordeiro e o Partido Socialista há muito defendem para os Açores.

16 de janeiro de 2014

Afinal havia outro caminho


Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu (BCE) entre 2003 e 2011, disse muito recentemente que “no caso de Portugal e Grécia, se o pacto de estabilidade e crescimento (PEC) tivesse sido rigorosamente aplicado, teríamos evitado muitos problemas. Não diria todos, mas muitos”, citei.

Isto quer dizer, e aqui realço o conhecimento profundo que o ex-presidente do BCE deve ter sobre estas matérias, que, afinal, havia uma alternativa, um outro caminho a esta feroz e dolorosa austeridade com que nos brinda este governo do PSD e CDS-PP, onde se inclui um ataque sem precedentes aos pensionistas e funcionários públicos, sem esquecer a tentativa de desmantelar o estado social em todas as suas vertentes.

Aos poucos o povo de Portugal tem vindo a conhecer a verdade ao mesmo tempo que se apercebe do enorme logro em que caiu a meados de 2011.

Passos Coelho alcançou o poder com base, no entender dele, num PEC 4 penalizador e com medidas de austeridade exageradas e, como tal, inconsonantes com o seu projeto de governo.

Daí até agora é o que se vê. Brutal aumento de impostos, despedimentos na função pública, redução de rendimentos, enfim, uma panóplia de ataques aos direitos dos portugueses que, assustados, assistem a tudo isto sem saberem o que lhes reserva o futuro próximo.

O problema de tudo isto é que esta desgraça que se abateu sobre Portugal, e isso vem ao nosso conhecimento aos bochechos, como é o caso do que disse o ex-presidente do BCE, pode ter sido provocado pela ambição desmedida e desenfreada de um político. É mau demais para ser verdade, mas é o que parece.

9 de janeiro de 2014

Eles andam aí


O Governo da República de Passos Coelho e Paulo Portas não gosta do Tribunal Constitucional.  Isso é ponto assente. Considera-o uma espécie de empecilho ao sufocante confisco dos já parcos rendimentos dos Portugueses.

Este Tribunal, como guardião da Constituição Portuguesa, tem impedido a violação grosseira dos princípios fundamentais que regem a nossa nação e isso, pelos vistos, nunca foi bem aceite pelos governantes do PSD e do CDS-PP.

Antes das normas seguirem até ao Palácio Ratton para verificação da sua conformidade com a Constituição, assistimos, invariavelmente, a um chorrilho de ameaças, tipo “se não passar assim, ainda vai ser pior”, com a conivência de altos funcionários de organismos internacionais, sobressaindo, nessa vassalagem, o nosso compatriota Durão Barroso.

É também sabido que o Primeiro-ministro e o Presidente da República, para além de outros centralistas espalhados pelo sistema político-partidário, nunca olharam com bons olhos para as autonomias regionais, sobretudo para a dos Açores, curiosamente. É por isso que o estado se tem demitido das suas responsabilidades na região, como são os casos da falta de apoio nas intempéries e nos cataclismos naturais, das indecisões relativamente às forças militares e militarizadas, da redução dos tribunais, do encerramento das finanças, das novas obrigações serviço público de transporte aéreo, nas questões da Universidade e da RTP, etc..

Recorrendo à Wikipédia ficamos a saber que autonomia, em ciência política, é a qualidade de um território ou organização de estabelecer com liberdade as suas próprias leis ou normas.

Utilizando essa prerrogativa os órgãos próprios da região têm procurado as melhores opções para enfrentar estes tempos difíceis, protegendo os idosos, compensando os funcionários públicos, ajudando as famílias e apoiando as empresas na criação e manutenção de emprego.

É precisamente o contrário do que acontece na república que assiste, a pouco e pouco, ao desmantelamento do estado social e onde os mais fracos, sempre eles, continuam a ser os mais espoliados do pouco que ainda lhes resta, incluído a esperança.

Esta “Via Açoriana” para resolver os problemas dos habitantes de uma região arquipelágica e, como tal, de governança mais difícil, contrasta, e muito, com a obsessão de Pedro Passos Coelho e companhia pela redução de direitos e rendimentos dos Portugueses.

É dentro desta leitura que os Açorianos, de vários quadrantes políticos, não conseguem compreender a razão que levou o Representante da República a enviar o Orçamento da Região para o Tribunal Constitucional, quando as normas em causa apenas pretendem manter alguns direitos com o esforço financeiro da região, permitido pela boa gestão das suas contas e que em nada comprometem as finanças públicas nacionais.

Pela primeira vez o Orçamento Regional vai para fiscalização e, lamentavelmente, pelos motivos errados.

19 de dezembro de 2013

Uma questão de calibragem


O atual primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, referiu recentemente que não era objetivo do Governo criar um modelo assente em salários baixos ao mesmo momento em que baixava o rendimento dos funcionários públicos, dos pensionistas e incentiva a redução de salários no sector privado.

Referiu, também recentemente, que as medidas duras que aplicou aos Portugueses se deviam a um programa da troika bem desenhado mas mal calibrado, muito embora ninguém se esqueça das suas declarações em plena campanha, onde afirmava orgulhosamente que o seu programa coincidia com o memorando de entendimento e dizendo, depois de ser empossado, que iria mais além do exigido pela troika.

Durante estes dois anos e tal em que dirige o Governo de Portugal já deu para entender que este senhor diz uma coisa e faz outra, sem qualquer pejo nem consideração por um povo que sofre nas mãos de ultraliberais assumidos que fazem jogos de experimentalismos económicos sem se preocuparem com as consequências.

Estas e outras considerações enquadram-se, com toda a certeza, no reconhecimento que deve ter do mal que fez a todo um povo que se sente arrasado por esta onda de austeridade. Agora, muito devagarinho e quase à socapa, o primeiro-ministro vem assumindo que talvez tenha sido excessivo na sua aplicação, tendo para isso um grande apoio do Fundo Monetário Internacional que, na pessoa da sua Presidente, vem agora admitir que aquele organismo errou na aplicação da austeridade e na avaliação das suas consequências nos países com maiores dificuldades. Tarde de mais. Cheira a peso na consciência, a remorso tardio.

Enquanto isto, alguns comentadores das áreas políticas do PSD e do CDS-PP vêm a público regozijar-se com alguns indicadores de crescimento da economia e sinais de estabilização do desemprego. Depois de arrasada é natural que a economia cresça, não há outro remédio. Sabe-se que o consumo tem sido responsável por esse ténue crescimento, consumo esse que foi completamente dizimado pelo Governo, queda atenuada pela ação fiscalizadora do Tribunal Constitucional que, em boa hora, conteve o desvario deste desgoverno. O desemprego foi estabilizado à conta da sangria da emigração motivada pela falta de esperança de inúmeros concidadãos que não encontraram respostas no seu país.

Fazendo fé neste amontoado de incongruências e no sentimento da esmagadora maioria do povo de Portugal chegamos à conclusão que afinal este Governo de Passos Coelho e Paulo Portas não tem calibre para servir o nosso país.

12 de dezembro de 2013

Uma coisa e o seu contrário


Estivemos discutir e a votar, no passado mês de Novembro, o Plano Regional e o Orçamento para ano 2014, documentos fundamentais para a governação da Região Autónoma dos Açores.

Há nestes documentos um conjunto de medidas visando minimizar o impacto negativo da austeridade imposta pelo Governo da República no Orçamento do Estado para 2014 aprovado pelo PSD e CDS-PP uns dias antes e que contou, diga-se com toda a verdade, com o voto favorável dos deputados do PSD eleitos pelo círculo eleitoral dos Açores, facto que se revelará importante para quem quiser fazer uma análise séria ao que se passou na Assembleia Legislativa durante esta discussão.

O PSD Açores decidiu e anunciou, com muita antecedência, é certo, a sua abstenção nestes dois documentos de planeamento regionais, sem se abster, no entanto de apresentar algumas propostas de alteração aos mesmos, com a legitimidade que se lhes assiste. E é aqui que está o problema.

Enquanto lá fora os deputados do PSD Açores votam favoravelmente um orçamento que lesa gravemente as famílias, retira benefícios aos funcionários públicos, promove políticas que aumentam o desemprego, reduz pensões, sonega verbas à Universidade dos Açores e à RTP-Açores, aqui, esse mesmo partido, define-se como o arauto na defesa dos Açores e apresenta algumas alterações impondo à Região um esforço financeiro suplementar no sentido de substituir o Estado Português naquelas que são as suas funções e obrigações.

É caso para dizer que este partido defende uma coisa nos Açores e precisamente o seu contrário na República, o que não deixa de ser estranho. Por aqui se vê que a coerência não mora ali.

28 de novembro de 2013

Intervenção no âmbito da discussão do Plano e Orçamento



Senhora Presidente da Assembleia

Senhoras e Senhores Deputados

Senhor Presidente do Governo

Senhora e Senhores Membros do Governo

É conhecido que a pesca tem um peso importante na economia na Região Autónoma dos Açores pelo impacto positivo que regista no Produto Interno Bruto. É um sector exportador por excelência, é um empregador importante e encerra ainda um potencial de crescimento com o aproveitamento de todas as suas vertentes.

Há quem não acredite neste sector. Há quem emita “raios e coriscos” quando algo não corre como o previsto. Há quem brada aos céus quando as capturas diminuem. Dos mesmos nunca ouvi uma manifestação de satisfação quando aumentam as capturas, quando se inaugurou mais um porto, se colocou mais uma grua, se construiu mais uma casa de aprestos ou uma instalação de frio.

Resta-nos a satisfação de saber que os pescadores sabem que os Governos do Partido Socialista deram condições de segurança aos profissionais do mar, deram-lhes condições dignas para desempenharem uma atividade de qual depende cerca de 5% da população ativa dos Açores.

Platão dizia que existiam três tipos de Homens: os vivos, os mortos e os que andam no mar. Esta citação enaltecia, sem dúvida, estes profissionais pela vida rude que o mar lhes dava.

Na atualidade, nos Açores, essas dificuldades estão muito atenuadas fruto do grande investimento feito em todas as ilhas, nos portos, nos entrepostos de frio, nas casas de aprestos, nos equipamentos de apoio, na renovação da frota, na formação, apoio ao associativismo, etc..

Esta realidade advém do enorme investimento público desencadeado nessas ações ao longo dos últimos 17 anos.

Os resultados revelaram-se com: mais segurança, mais rendimento, novas técnicas aplicadas nas pescarias, melhores condições de habitabilidade nas embarcações, organizações de pescadores mais dinâmicas, mais reivindicativas e mais participativas, etc..

Hoje o desafio neste sector passa pela mudança de paradigma. A qualidade em detrimento da quantidade.

O futuro nesta fileira passa pela valorização do produto da pesca, pela captura de novas espécies com aproveitamento ainda reduzido e pela transformação de subprodutos de modo a trazer mais-valias aos seus profissionais nos diversos níveis.

Será necessário também introduzir a discussão, com os diversos parceiros, de medidas cautelares relativamente à exploração dos recursos, como sejam a fiscalização até às 3 milhas ao redor das ilhas, a gestão do espaço das 3 às 6 milhas, já reivindicada por algumas associações do sector, e a constituição de zonas, parcial ou integralmente, protegidas.

A questão da pesca entre as 3 e as 6 milhas é muito importante para algumas comunidades piscatórias, sobretudo das ilhas mais pequenas.

Os Projetos Inspeção e Gestão (0,9 milhões de euros), Infraestruturas Portuárias (13,8 milhões de euros), Frota e Recursos Humanos (3,7 milhões de euros), Produtos da Pesca (2,5 milhões de euros) e Programa Regional de Desenvolvimento do Sector das Pescas (5,9 milhões de euros), representam, no seu conjunto, um investimento de cerca de 27 milhões de euros (21,5 do Plano e 5,5 proveniente de Outros Fundos) destinados ao Programa 3, Pescas e Aquicultura.

Completar a rede de portos de pesca, valorizar o pescado para obter mais rendimento, transformar o pescado com menos valor comercial para criar mais-valias, reforçar as medidas de proteção aos pescadores através do Fundopesca, introduzir novas pescarias e avançar com a aquicultura para preservar alguns stocks, são respostas que, penso, estão explicita ou implicitamente consagradas neste Plano.

Posto isto, pergunto ao Senhor Secretário Regional dos Recursos Naturais:

- Porque que razão há uma diminuição do total do valor investido no sector das pescas, relativamente ao ano anterior?

- O que prevê o Governo fazer no que se refere à pesca das 3 às 6 milhas por embarcações provenientes de outras ilhas?

- Que medidas estão previstas para melhorar a rede de frio na Região?

- Relativamente à transformação do pescado que iniciativas estão previstas em 2014?

- Que medidas serão tomadas relativamente à aquicultura?

- O que pensa a Lotaçor ou o Governo fazer para colocar o pescado o mais rapidamente possível no mercado exterior?

Obrigado.