16 de outubro de 2014

Escolher o lado

O princípio da solidariedade nacional não é obra do acaso nem é um assunto recente, mas, invariavelmente vem à liça quando surgem os cataclismos a que estamos sujeitos.

No primeiro dia de 1980 o grupo central dos Açores - com maior veemência as ilhas de Terceira, S. Jorge e Graciosa - foi sacudido por um sismo de grande magnitude que destruiu grande parte do parque habitacional e equipamentos coletivos, sobretudo na Ilha Terceira.

A reconstrução exigiu um grande esforço das autoridades regionais e contou com o apoio incondicional da República e só assim foi possível reerguer a cidade de Angra e todas as freguesias afetadas. Foi a primeira vez, que me lembre, que a solidariedade nacional foi ativada, diga-se assim, em benefício de uma população que, se assim não fosse, ficaria impedida de repor o que a natureza destruiu, por manifesta falta de meios.

Noutras situações o mesmo princípio funcionou, como foi o caso dos recentes temporais que assolaram a Ilha da Madeira, onde o Governo da República, e muito bem, destacou meios financeiros e outros, para obviar o sofrimento das populações afetadas e repor a normalidade

Não há regras sem exceções e essa exceção verificou-se no sismo de 1998, que afetou o Faial e o Pico, quando o Governo da República dirigido por Durão Barroso recusou ajudar a Região, obrigando o Governo dos Açores a recorrer à banca para ultrapassar as enormes dificuldades provocadas por mais este cataclismo.

Na catástrofe de Março de 2013, que afetou, sobretudo, o Porto Judeu e o Faial da Terra, Passos Coelho fez o mesmo, lavou as suas mãos, tal como Pilatos, e mandou a solidariedade às malvas.

Depois de recusar as ajudas, cujo valor poderia chegar aos 35 milhões de euros, o PSD deixou na gaveta uma anteproposta de lei sobre esta questão na Assembleia da República e, quando obrigado a agendar o assunto, votou contra, contando também com os votos do CDS-PP. Os Deputados dos Açores do PSD refugiaram-se numa abstenção envergonhada justificando esta postura com questões formais e difíceis de compreender.

Neste processo confirmou-se o fraco sentido solidário de Passos Coelho e sobressaiu a fraca liderança do PSD – Açores que não consegue escolher, quando é chegada à hora da verdade, se fica ao lado dos seus companheiros de partido ou ao lado dos Açorianos, como seria suposto.

9 de outubro de 2014

5 de Outubro

Domingo comemorou-se a Implantação da República Portuguesa, data importante para a história de Portugal. Não é feriado por imposição deste governo, mas, com toda a certeza, voltará a sê-lo num futuro próximo.

De uma maneira ou de outra haveremos de continuar a assistir ao hastear da bandeira Portuguesa e a ouvir os tradicionais discursos na Câmara Municipal de Lisboa, onde, afinal, tudo começou.

No 5 de Outubro deste ano o Presidente da República voltou a deixar alguns recados. Falou da necessidade de estabilidade política, dos compromissos, do populismo fácil, das promessas não cumpridas e do descrédito por que passa a classe política.

Afirmou ainda que “os portugueses são dos povos da União Europeia que demonstram maiores níveis de insatisfação com o regime em que vivem”, avisando para o afastamento da vida cívica, para o perigo do populismo e do carreirismo partidário. Alertou também para risco de implosão do sistema partidário e pediu reformas políticas.

Se algumas das afirmações feitas neste dia não nos surpreendem e até, inclusivamente, podemo-nos rever em algumas delas, por serem oportunas e por corresponderem à realidade, outros dos recados deixados ao poder político não nos parecem aceitáveis quando ditas por um homem que foi Primeiro-ministro e líder partidário durante 10 anos e se prepara para cumprir outros 10 anos como Presidente da República.

Nestes 20 anos de funções públicas, para além do seu conhecido papel, quando era Primeiro-ministro, na agricultura, na indústria e nas pescas deste País, resta saber se o Presidente Cavaco Silva fez alguma coisa para melhorar o sistema político ou quais os contributos que deu para credibilizar a classe política ou ainda que ações desenvolveu para separar a política dos negócios, relação que, como se sabe, enormes danos trouxe ao país nos últimos tempos.

Era também importante sabermos o que fez para evitar o desvario deste governo que fez tudo ao contrário do que prometeu, abstendo-se de intervir, como seria seu dever, deixando apenas nas mãos do Tribunal Constitucional a fiscalização de diplomas que iam contra a Constituição Portuguesa.

Esta sua postura de quem nada tem a ver com a atual situação é mais uma nota que descredibiliza, também, a sua ação política e faz-nos recordar a história do Frei Tomás…

2 de outubro de 2014

O renovar da esperança

O Partido Socialista passou, nos últimos tempos, por uma fase de clarificação interna muito importante e inédita. Independentemente de se concordar ou não com a forma da escolha do candidato a primeiro-ministro do nosso País, este foi um método arrojado e que, com toda a certeza, fará escola para os partidos que tem de tomar idênticas opções.

António Costa ganhou por uma maioria inequívoca num universo de cerca de 175 mil eleitores, entre militantes e simpatizantes do partido.

Esta enorme afluência às urnas por parte de militantes e simpatizantes é a demonstração que o país está unido e apostado numa mudança de políticas e de protagonistas.

Depois de passada a refrega eleitoral, António Costa tem pela sua frente o desafio de unir o Partido Socialista à volta da uma liderança forte e inclusiva, aproveitando as capacidades dos militantes, simpatizantes e independentes, para elaborar um programa de governo galvanizador, capaz de envolver os Portugueses.

Este governo ainda em funções, da dupla Passos Coelho e Paulo Portas, impôs enormes sacrifícios aos Portugueses, muito além do exigido pela troika. O povo ficou muito mais pobre e sem vislumbrar as melhorias na economia, como foi apregoado, e que lhe dessem outras perspetivas para um futuro melhor.

As reformas anunciadas para viabilizar o país não passaram de despedimentos, cortes salariais, reduções nos benefícios sociais, aumento de impostos e encerramento de serviços. O País virou reino da incerteza e do descrédito.

Portugal precisa de um projeto político novo, com pessoas e para as pessoas. Portugal tem de oferecer um futuro melhor aos mais novos, recuperar a classe média, deixar os idosos viverem com a dignidade que merecem ter e apoiar os mais frágeis da sociedade. Portugal tem de salvar o estado social, uma das mais importantes conquistas de Abril.


António Costa tem capacidade para mobilizar Portugal e renovar a esperança num futuro melhor.

30 de setembro de 2014

Em que ficamos?

No plenário do mês de Setembro o PSD suscitou um debate de urgência sobre o investimento público na Região Autónoma dos Açores.

Fê-lo com toda a legitimidade, como é lógico, mas, no entanto, aquele partido fez uma espécie de contabilidade antecipada de quatro anos de mandato quando estão decorridos apenas dois. Foi uma espécie de um ajuste de contas antecipado sem se saber qual a despesa que temos de acertar.

O mais curioso nesta situação é que se tratou de um desfiar de investimentos por todas as ilhas que, afinal, já estão em curso, quase a acabar ou prestes a começar. Foi uma ladainha, exigindo obras e mais obras quando ainda recentemente esta mesma oposição, quando confrontada com o forte investimento feito nos últimos anos, se queixava do excesso de betão aplicado nas nossas ilhas para, deste modo, menorizar a ação do Governo Regional.

Na Graciosa os sucessivos Governos Regionais, da responsabilidade do Partido Socialista, têm cumprido de forma muito aceitável com as propostas apresentadas aos Graciosenses. De 2000 a 2004 ficaram por cumprir 3 propostas do programa eleitoral. Em 2008 das 57 propostas apresentadas aos eleitores ficaram apenas 5 por cumprir, o que dá uma taxa de execução de 91%. Em 2012 dos 69 compromissos 7 ficaram em falta, o que resulta numa taxa de execução de cerca de 90%.

Sabemos, no entanto, que nem tudo está feito e que nem tudo foi bem feito. Não escondemos, também, que o nosso objetivo era atingir o pleno, mas reconhecemos que este nível de cumprimento é invejável e não está ao alcance de todos.


O mais curioso em toda esta situação é que este partido, o PSD, fora de portas insiste ao investimento, mas cá dentro faz tudo para atrapalhar, apelando à contestação e desferindo fortes críticas, como foram os casos do Museu, do Hotel ou da remodelação da Praça Fontes Pereira de Melo e, ao que parece, agora com o Parque Industrial.

25 de setembro de 2014

Sem desculpa

O Presidente do Governo Regional dos Açores ficou indignado com a deselegância com que o Vice-primeiro-ministro tratou os Açores (e a Madeira) na preparação da visita que iniciou ao Canadá, na passada segunda-feira, na companhia da Ministra da Agricultura e do Mar, e que foi pensada precisamente para tratar de assuntos relativos à economia do mar e captar investimento nessa área, que se tem revelado cada vez mais importante.

A esmagadora maioria dos Açorianos concordará, com toda a certeza, com esta forma de contestar a exclusão – premeditada, a meu ver – de representantes da Região nesta comitiva. Como é de todos conhecido, no passado recente o Presidente da República também se “esqueceu” de incluir na sua vasta comitiva uma representação dos Açores numa visita de Estado a um país onde a comunidade Açoriana era relevante.

É conhecida a reivindicação do Governo dos Açores de gerir os recursos marinhos do imenso mar que rodeia as ilhas. Olhando para um mapa também se percebe que Portugal “cresceu” muito à custa da nossa Zona Económica Exclusiva.

O mar dos Açores possui recursos naturais importantes que poderão trazer benefícios económicos e avanços tecnológicos. Esta realidade assusta os centralistas que não demoram na demonstração da sua profunda inquietação.  

É lícito falar-se nos Açores quando se fala em economia do mar e como tal não se percebe como não se inclui numa viagem com esta importância uma delegação do Governo dos Açores quando se sabe, ainda para mais, que os Açores têm um peso significativo na comunidade Portuguesa instalada naquele país. 

É uma pena que esta tacanha forma de ver estas coisas permita estes intoleráveis “esquecimentos” que diminuem a representação do Estado.  

22 de setembro de 2014

A nossa televisão

A RTP-Açores, no meu entendimento, é imprescindível aos Açores. Representa o traço de união entre todos os Açorianos, de Santa Maria ao Corvo.

Quando surgiu, no dealbar da nossa autonomia política e administrativa, a RTP-Açores era a única estação televisiva que os Açorianos podiam sintonizar. Foi com ela que vimos as primeiras novelas, foi através dela que nos habituamos a ver o que acontecia nas outras ilhas, no continente e no mundo, foi por ela que desfilaram figuras conhecidas de todas as ilhas, foi por causa dela que aprendemos a respeitar e a conhecer melhor as nossas tradições.

No passado esta estação viveu momentos de grande criatividade, quer na produção de programas que os especialistas valorizaram, quer na realização de séries em que a imaginação e o profissionalismo tratavam de arranjar soluções para a falta de meios técnicos.

Foi um período áureo desta estação regional que coincidiu com a dispersão pelas ilhas de alguns meios, nomeadamente os correspondentes, que permitiam enviar para um dos centros regionais peças dos acontecimentos locais para os programas de informação, mais ou menos formais, que emitiam de manhã, à tarde e à noite.

No passado recente a RTP-Açores, à conta das enormes restrições financeiras, sofreu um ataque que reduziu o serviço público a quase nada. Vimos desaparecer programas, reduzir noticiários, sair gente com muito valor. Esta fase coincidiu com a proliferação de canais e com a revolução tecnológica que permite a qualquer cidadão ter um canal próprio ou mesmo fazer uma reportagem com um simples telemóvel.

A RTP-Açores vive, neste momento, tempos difíceis, não só pela indefinição, mas também pela demora em arranjar uma solução sustentada que permita àquela estação prestar um verdadeiro serviço público em todas as ilhas dos Açores.

Hoje, com a revolução verificada no audiovisual, provavelmente podíamos viver sem ela, mas de certeza que não seria a mesma coisa.

28 de agosto de 2014

O passado

O PSD-Açores anda de ilha em ilha a comemorar os quarenta anos de existência daquele partido, relevando, como não podia deixar de ser, o seu papel na construção da autonomia democrática dos Açores, facto que é inegável para quem acompanha o que se tem passado nesta região desde 1975.

Neste grande frenesim pelas ilhas, o PSD-Açores esqueceu-se de referir, e isso era não só fundamental como seria justo, que esse património é pertença dos diversos partidos que, de uma maneira ou de outra, tem dado o seu contributo para consolidar as conquistas que a revolução de Abril proporcionou.

Este súbito olhar para o passado e acerto de contas com a história se tem como objetivo relembrar os seus anos de governação, é, quando muito, um processo falhado porquanto o estado da região em 1996, quando aquele partido saiu do Governo, não pode orgulhar quem hoje se assume como principal alternativa de poder e é sempre muito lesto na crítica.

Aqueles múltiplos momentos comemorativos servem, já se sabia, para disferir mais uns ataques ao Governo, mantendo, sem nenhum pudor, as incoerências costumeiras.

Primeiro apelida o Governo de despesista mas todos os dias propõe aumento da despesa. Critica a dívida da saúde e recusa-se a admitir que esse crescimento teve a ver com a construção de novas infraestruturas para proporcionar mais e melhores serviços aos Açorianos. Critica o aumento do desemprego e apresenta na Assembleia uma proposta que cria emprego em indústrias inexistentes nos Açores, como são os casos da extração de petróleo e de hulha. Está contra os cortes mas manda os seus deputados votar favoravelmente o Orçamento de Estado onde estes estão previstos.

Este modo de “trabalhar” causa alguns momentos de felicidade aos seus promotores, mas revela muitas fragilidades, sobretudo quando se esperava deste partido uma maior intervenção na concretização de propostas que ajudassem a melhorar a vida dos Açorianos.

Enquanto isto, surgem, de quando em vez, dados que atiram por terra a postura derrotista do PSD-Açores, como foi o caso da execução orçamental conhecida recentemente. Os Açores tem as suas contas controladas enquanto no Continente o deficit agrava-se e a dívida pública sobe para os 134% do PIB, dando a perceber que todos estes sacrifícios pedidos aos Portugueses afinal não serviram para nada.


É por isso que ao PSD-Açores se pede que, no lugar de glorificar o passado, tente ajudar a encontrar soluções para o presente que levem a um futuro melhor e que rejeite, de uma vez, as políticas de empobrecimento perpetradas por Passos Coelho, o amigo de Lisboa. 

21 de agosto de 2014

O amigo Zé Jorge

A morte, com o passar dos anos, cada vez se acerca mais de nós. Leva-nos os familiares mais idosos, nossos e dos nossos amigos, intervalado aqui e ali pelas mortes mais ou menos prematuras, por acidente ou por doença súbita.

Todas essas mortes são dolorosas para os familiares e amigos, mas aquelas para as quais não encontramos explicação convincente, por serem geralmente inesperadas, são as que mais doem. Para essas não estamos, nem nunca estaremos, devidamente preparados.

O amigo Zé Jorge partiu no passado sábado, repentinamente, sem avisar. Para a sua família esta é uma perda irreparável e uma dor difícil de imaginar. Os muitos amigos que o rodeavam ficaram mais pobres e nunca o poderão esquecer.

Conheço o Zé Jorge desde que me lembro. Das brincadeiras na Calheta e no Santo, aos jogos na Praça, passando pelos escuteiros, foram incontáveis dias de uma sã convivência que normalmente marca a vida dos adolescentes.

No Lar Académico, no Faial, o Zé Jorge, que já lá estava há mais tempo, recebia os seus conterrâneos de um modo afável e sempre bem-disposto, fator importante para quem saia da casa dos seus pais com tenra idade e que não sabia ao que ia. O estatuto de mais velho não lhe quartava a vontade de apoiar os mais novos e, como tal, mais instáveis por estarem num ambiente diferente do seu.

Por entre jogos de futebol intermináveis ou partidas de ping pong disputadíssimas, passando pelos acampamentos na quinta e as clandestinas petiscadas, tudo serviu para consolidar os laços que ainda hoje une os que por lá passaram e cujas aventuras serviam de tema de conversa nos inúmeros encontros que fomos mantendo, o último ainda muito recentemente e que recordo com grande saudade.

O Zé Jorge não gostava de dar nas vistas e fugia de protagonismos. Era muito honesto e dotado de grande humildade, qualidades que terá herdado de seu pai. Era trabalhador e gostava de “dar uma mão”, quer aos amigos que dele precisavam, quer nas suas funções profissionais. Parecia reservado, mas no fundo era um excelente conversador e bom contador de histórias. Detestava as injustiças.

Às contrariedades que a vida lhe reservou, e que duras que foram, respondeu com coragem e determinação. 

Como ser humano devia ter também alguns defeitos, mas, sinceramente, nunca os vi. Nunca o vi faltar ao respeito ou ofender alguém. Nunca o ouvi ser maledicente ou mesmo inconveniente.

Quem o conheceu só o pode definir de uma forma: UM HOMEM BOM.

29 de julho de 2014

Conhecer ou não conhecer, eis a questão

No passado dia 18 de Julho, o Governo dos Açores, pela voz do Presidente Vasco Cordeiro, anunciou a conclusão das longas negociações para melhorar as acessibilidades aéreas de e para a região.

Foi, sem dúvida, uma grande vitória dos Açores e a prova de que o Governo Regional não desiste de criar melhores condições de vida para todos os Açorianos.

Esta demora na resolução de todo este processo devido à natureza sensível e com um caracter mais técnico, levou os descrentes a desconfiarem do empenho do Governo e a duvidarem do seu sucesso.

Afinal enganaram-se. Os resultados desse trabalho exaustivo e minucioso surgiram, garantindo uma melhor mobilidade dos Açorianos e salvaguardando os interesses da economia da Região.

No entanto, como já referi no artigo anterior, o Presidente do PSD quis associar-se a esta vitória da persistência e do empenho insinuando, ou melhor, confirmando mesmo a sua participação neste processo incluindo a sua intervenção nas negociações com o Governo da República.

Comentadores independentes deram-lhe a resposta sem demoras, considerando esta atitude de muito mau gosto e, mesmo, pouco ética. Mas, enfim, os atos ficam com quem os pratica…

O que veio a seguir é que ninguém contava. O PSD veio agora exigir explicações sobre o novo modelo das obrigações de serviço público negociado, e aprovado, pelos dois Governos.

Assim, por mais incrível que pareça, ficamos todos a saber que, afinal, o PSD nada sabe de todo um processo que, alegadamente, tinha contado com a sua participação. Alguém consegue compreender esta enorme contradição? Creio que não.


Esta nova tática, num jeito desesperado para ganhar protagonismo a qualquer custo, pode, eventualmente, enganar um ou outro mais desprevenido, mas descredibiliza o ainda maior partido da oposição e, sobretudo, o seu líder.

22 de julho de 2014

O seu a seu dono

Na passada sexta-feira estava ao computador quando “caiu” na caixa de correio a notícia sobre a resolução do problema das acessibilidades há muito esperada.

Sei, de antemão, a importância que esta questão tinha para Vasco Cordeiro e para o seu Governo, sei também a importância que os Açorianos sempre deram e dão aos transportes que, para uma região arquipelágica e afastada do continente português e europeu, assumem uma inquestionável prioridade para quem, como é o caso do Presidente do Governo, põe as pessoas em primeiro lugar.

Por aquilo que me fui apercebendo nos últimos tempos, as negociações foram longas e demoraram mais do que seria expetável, mas com a sua conhecida tenacidade e sentido de estado e com a agilidade da equipa que o rodeou nesta tarefa, foi possível ao Presidente do Governo chegar a um entendimento com o outro lado da barricada, onde estava, segundo as suas próprias palavras, gente que se esforçou também para atingir este acordo final, temos de ser justos.

Este percurso discreto, feito sempre longe dos holofotes, muitas vezes debaixo de críticas maledicentes de uma oposição que nada propõe de construtivo, permitiu ao Governo do Açores atingir os objetivos que há muito se propunha: reduzir significativamente as tarifas aéreas, liberalizar duas rotas e abrir a possibilidade da entrada das companhias aéreas de baixo custo.

É evidente que este novo modelo, agora em fase final de negociação, vai ser bom para todos os Açorianos e servir melhor a economia da região. É por isso que devemos estar todos, sem exceção, satisfeitos com esta vitória.


Lamentavelmente o líder do maior partido da oposição quis associar-se a este momento da pior forma: reivindicando louros para todo um trabalho que não foi seu, pondo-se em bicos de pés para aparecer na fotografia, tal como fazem os “emplastros” que andam por aí.

10 de julho de 2014

Coerência

O Bloco de Esquerda desencadeou uma interpelação ao Governo dos Açores sobre a situação económica e social na região.

De pronto levantaram-se as oposições de cá e que lá foram comandam os destinos do país e, como é sabido, infligem, a um ritmo diário, cortes e mais cortes com o perfeito conhecimento, sabe-se agora, de que estes vão além do necessário para resolver os problemas estruturais do país.

Assumem que alguns dos indicadores não são os ideais e fazem-no de um modo subtil escondendo a tremenda responsabilidade que os seus partidos tem nessas políticas de empobrecimento do país.

Como era possível evitar com sucesso a degradação da situação social se o Governo da dupla Passos Coelho e Paulo Portas corta no RSI, nas pensões, no abono de família e nos rendimentos dos funcionários públicos?

Como era possível evitar o crescimento do desemprego se o Governo do PSD/CDS-PP, com a aplicação das fortes medidas de austeridade, desencadeou processos de insolvência em catadupa, sobretudo das pequenas e médias empresas?

Como é possível evitar as dificuldades nas farmácias se no continente as políticas do Governo estão a por em risco metade das farmácias existentes no país?

É evidente que o Governo dos Açores, liderado por gente que está muito atenta às questões sociais, tem feito, e muito bem, um enorme esforço para devolver aos açorianos aquilo que lhes tem sido sonegado pelo Governo da República.

A contínua aposta nos apoios aos mais desprotegidos é a prova que este Governo não deixa nem quer deixar ninguém para trás.

Por isso o PSD, pelo menos esse, se quisesse, de facto, melhorar ou pelo menos não deixar degradar a qualidade de vida dos mais desprotegidos, dava ordens aos seus três deputados da Assembleia da República para votar contra os diplomas que produzem esses cortes.


O resto é conversa … e falta de coragem.

5 de junho de 2014

Debate sobre a Porto de Abrigo


O Tribunal Constitucional e o crescimento económico

O primeiro ministro de Portugal, acossado com o chumbo do Tribunal Constitucional, resolveu desferir uma série de ataques a este órgão de soberania chegando a emitir uma solução: é preciso escolher melhor os juízes.

Esta sua descuidada afirmação revela a fraca tolerância para lidar com aqueles que não pensam como ele.

Qualquer dia Passos Coelho, para resolver esta questão da tolerância para com as suas políticas, vai pedir para mudar o povo, já que o atual não lhe dá qualquer crédito e isso foi bem percetível nos resultados eleitorais das europeias.

Se o Presidente da República cumprisse verdadeiramente a função para que foi eleito, que incluí o juramento de “cumprir e fazer cumprir a Constituição Portuguesa”, o Tribunal Constitucional passaria despercebido.

Infelizmente os portugueses não podem contar com o primeiro magistrado da nação para impedir os desvarios deste governo, como se tem visto ao longo deste mandato da aliança do PSD com o CDS-PP.

Resta-nos apenas o Tribunal Constitucional que, já por oito vezes, chumbou normas que iam muito para além da Constituição Portuguesa e que penalizavam em muito o povo deste país.

Curiosamente sempre que tal acontece e aconteceu Portugal registou sinais que revelam um crescimento económico acima do expetável.

Mais do que as políticas do governo de Passos Coelho, são, no fundo, os chumbos do Tribunal Constitucional que tem motivado algum crescimento da economia do país.


Vivemos assim numa realidade aflitiva de termos um governo que não se inibe de apresentar, constantemente e de uma forma bem consciente, normas inconstitucionais e de termos um Presidente que aceita tudo sem pestanejar.

22 de maio de 2014

Mudança

Nestes dias de campanha eleitoral a Aliança Portugal, que representa o governo do PSD e CDS-PP e que defende estas políticas de austeridade sem paralelo, tem-se desdobrado em afirmações contra, quase sempre, o Partido Socialista e o anterior líder, José Sócrates, acusando ambos de despesistas e culpados de todo o mal que acontece neste país, sempre apoiados pelas “caixas-de-ressonância” do costume.

Cair neste atrevimento tem sido um hábito da direita desde o tempo de Durão Barroso que, antes de fugir do país, implementou o discurso da tanga para tentar incutir no povo a ideia de que os seus eventuais insucessos no futuro seriam culpa, afinal, dos seus antecessores.

É neste contexto de desvario e de preocupação com os resultados eleitorais que acusam também o Partido Socialista de ter aberto a porta à troika.

E é aqui que começam os equívocos. Quem chamou os organismos internacionais foram precisamente o PSD de Passos Coelho e o CDS-PP de Paulo Portas ao chumbar o PEC 4. A verdade é esta.

O PEC 4 consubstanciava uma ligeira austeridade, é certo, e esses dois partidos da direita portuguesa não aceitaram esse programa por o considerarem demasiado penalizador para os portugueses.

Depois disso é o que se sabe. De mentira em mentira este Governo da direita radical avançou com aumento de impostos, com a redução de benefícios e de rendimentos dos trabalhadores e dos pensionistas. Foi muito mais além do PEC 4 e também além do que é exigido pela troika.

O PSD e o CDS-PP executaram até aqui um detalhado pograma de empobrecimento do país e, nesse aspeto, tem tido algum êxito, infelizmente para milhões de portugueses. Neste caminho feito de costas voltadas para o povo tem tido alguns aliados na Europa, com é o caso do senhor Juncker que, pasme-se, considera as pessoas iguais a mercadorias e a capital, denotando uma insensibilidade social preocupante para quem quer ser Presidente da Comissão Europeia.

Depois de milhões arrecadados com o aumento de impostos, depois de milhões de receitas da venda de empresas do estado, depois de milhões sonegados aos funcionários públicos e aos pensionistas, o que se vê é que, de 2010 a 2013, a taxa de crescimento do PIB passou de 1,4% para -1,4%, a taxa de desemprego amentou de 10,8% para 16,3%, a carga fiscal cresceu de 31,6% para 34,9% do PIB e a dívida pública disparou de 93,3% para 129% do PIB.

É por isso que no próximo domingo, dia das eleições para o Parlamento Europeu, temos de dar um sinal a esta direita radical que nos governa de que a mudança está em marcha. Em Portugal e na Europa.

15 de maio de 2014

Eu, não...

Desde há algum tempo os comentadores políticos que não alinham pelos diretórios partidários, vão dando sinais evidentes de que a imparcialidade do Presidente da República na condução dos assuntos a seu cargo tem estado muito abaixo do que seria expetável.

Essa postura tem sido percetível na imposição de condecorações, nas intervenções a propósito da ajuda externa, nas mensagens do facebook e por aí fora.

Numa recente conferência sobre temas europeus, depois de uma série de trocas de elogios que chegaram a parecer mal, o Presidente da República, num timbre sério, como é seu apanágio, informou a atenta plateia que os portugueses deviam muito ao Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.

No meio desta evocação ficou também visível esta súbita colagem a Portugal do ainda Presidente da Comissão Europeia, mais percetível no último mês. Esta sua postura alertou muitos portugueses de que poderia estar em marcha uma candidatura a Belém reforçada por estas atitudes e posições do mais alto magistrado da nação.

Esta convicção do Presidente pode ter convencido muito gente de que Durão Barroso deu uma mãozinha a Portugal, mas a mim não, decididamente. Não me considero devedor de Durão Barroso. De todo.

Aliás, considero que, neste caso, é Durão Barroso que me deve explicações. A mim e aos restantes portugueses.

Temos de saber se esta austeridade que ajudou a impor a alguns países da europa era mesmo necessária ou se só serviu para salvar os bancos credores nomeadamente os alemães.

Precisamos também saber porque fugiu do país numa altura em que estava a cumprir um mandato que lhe foi dado nas urnas pelo povo de Portugal. É importante sabermos se essa atitude apenas teve a ver com a sua ambição pessoal em prejuízo do interesse do nosso país.


Neste ajuste de contas, e ao contrário do que o senhor Presidente da República pensa e diz, Durão Barroso tem uma dívida para com os portugueses e receio que fique por saldar.

8 de maio de 2014

Limpinhos

Ficamos a saber que o governo de Passos Coelho optou, ou terá sido obrigado a optar, por uma saída limpa depois deste período em que estivemos sujeitos a uma intervenção externa por via de um programa de assistência financeira.

Não haja dúvida que estes últimos três anos foram penosos para os Portugueses que, mesmo habituados a aumento de impostos quando as coisas correm mal, nunca viram nada parecido com este esforço descarado para empobrecer os pensionistas e a classe média, enquanto, de um modo incompreensível, os mais ricos e poderosos continuaram a reforçar os seus ativos e as suas contas bancárias.

Este desequilíbrio na distribuição de sacrifícios não tem sido feito de uma forma inocente, como já se percebeu. Esta política neoliberal é mesmo assim e estes protagonistas já há muito aguardavam por esta oportunidade para levar à prática estas suas políticas.

Portugal tem mais pobres, mais desempregados, sobretudo jovens, uma dívida pública maior, tem menor acesso à saúde, à educação e aos benefícios sociais, como o subsídio de desemprego, abono de família ou rendimento social de inserção.

Registamos nestes últimos três anos um brutal aumento de impostos e um leque de cortes sem precedentes, mesmo feitos à socapa e quase sempre depois de juras que tal não iria acontecer.

Por força disso os índices de consumo baixaram para níveis nunca vistos, prejudicando milhares de pequenas e médias empresas que foram obrigadas a fechar e a despedir os seus empregados que engrossaram os números do desemprego.

Vieram agora a público o Presidente da Comissão Europeia, o Presidente da República, o Primeiro-ministro, a Ministra das Finanças e outros seguidores, afirmar que esta era uma saída limpa e que Portugal estava no bom caminho.


Duvido que este sufoco possa ser considerado um caminho, tão só, e classificá-lo como bom é uma força de expressão de mau gosto. Quanto a limpeza, a única certeza que nos ocorre é que limpinhos, limpinhos estão os bolsos dos trabalhadores Portugueses. 

10 de abril de 2014

Ocultação


Os Portugueses ficaram agora a saber que a Presidência da República não deu a conhecer a listagem de compras conforme é imposto pela lei, o mesmo acontecendo com a Assembleia da República que também enveredou pelo mesmo caminho e não publicou os contratos das aquisições a que está obrigada.

Os Portugueses já sabiam que houve um ministro que ocultou as suas verdadeiras habilitações académicas, que o Governo da Madeira escondeu parte da sua dívida, que o BPN, dirigido por um ex-governante do PSD, tinha uma contabilidade oculta e que o Banco Insular era operador financeiro que suportava negócios recônditos.

Já sabiam também que houve um ex-ministro e ex-Conselheiro de Estado que fazia de conta que nada tinha a ver com o escândalo do BPN e que nessa ocultação contou sempre com o apoio dos seus correligionários, de tal maneira que só de lá saiu quando não era possível disfarçar mais.

Os Portugueses também já sabem, pelos acontecimentos recentes, que o primeiro-ministro é exímio em esconder a verdade e que o vice-primeiro-ministro oculta com frequência o verdadeiro significado do irrevogável e traça linhas intransponíveis, mas só a brincar. 

Finalmente tomaram conhecimento que o antigo primeiro-ministro e ainda Presidente da Comissão Europeia, numa entrevista recente, tentou esconder a sua responsabilidade no caso do BPN, fazendo uma coisa feia ao tentar comprometer terceiros.

Como se vê alguma da direita liberal que detém o poder em Portugal é exímia na arte da ocultação e do disfarce.

Não é por acaso que sempre pediram aos eleitores deste país uma maioria e um presidente. E esse é o preço que estamos a pagar agora …

3 de abril de 2014

Mentiras e outros dislates


O tempo de antena onde eram descritas as incongruências de Passos Coelho foi o programa mais visto do Canal 1 da RTP na passada terça-feira, com cerca de um milhão de telespetadores.

Pudera… Com tamanha discrepância entre o apregoado em tempo de campanha e a obra feita (ou desfeita, neste caso) depois de estar em funções, quem não quererá confirmar, mais uma vez, a postura obscura deste político?

Coincidindo com o conhecido dia das mentiras esta terá sido a melhor forma de mostrar a todos os Portugueses o estilo truculento com que o primeiro-ministro de Portugal trata a verdade e a coerência, esta última muito propalada quando tenta definir o seu trajeto.

Estou em crer que este estadista vai fazer escola nos meandros da política nacional, pelos piores motivos, no meu entendimento.

Os seus admiradores Açorianos, na oposição, conseguem construir, por cá, uma imagem de que o que se passa lá fora nada tem a ver com eles.

É um discurso estafado, é certo, mas com um conteúdo enganador quanto baste que poderá surpreender os menos avisados para estas coisas.

Veja-se a postura que o PSD assume nos Açores ao impor atirar mais dinheiros públicos para serviços e responsabilidades do estado, enquanto manda os seus deputados na Assembleia da República votar a favor dos cortes para a RTP-Açores, a Universidade dos Açores, redução dos apoios sociais e na saúde, encerramento de finanças e tribunais, diminuição dos salários dos funcionários públicos e pensionistas.

É caso para dizer que é uma sorte não ter gente desta, de cá e de lá, a governar os Açores.