13 de novembro de 2014

A teimosia

Numa das suas muitas aparições públicas, Passos Coelho admitiu que só a sua conhecida teimosia tinha permitido a saída limpa da intervenção externa a que estivemos sujeitos e também evitar um segundo resgate.

Creio que, com esta deixa, o Primeiro- Ministro acredita naquilo que diz, mesmo vendo que o que se passa à sua volta não corresponde a esta visão triunfalista.

Mas, pondo a hipótese de tal ser verdade, que a teimosia de Passos Coelho foi providencial, temos de fazer uma reflexão para se perceber os contornos desta sua ideia.

Em primeiro lugar não quero acreditar que Primeiro-Ministro tenha confundido teimosia com outra coisa qualquer, como determinação ou coragem, por exemplo.

A teimosia, segundo o dicionário, define-se como o “apego obstinado às próprias ideias” sabendo-se que obstinado, ainda segundo o mesmo dicionário, significa que “não se pode persuadir ou convencer”.

Revendo o passado recente, tudo o que se passou nos últimos anos, tenho de reconhecer que, afinal, Pedro Passos Coelho terá razão no que disse.

Já no passado fomos governados por um Primeiro-Ministro que nunca se enganava e raramente tinha dúvidas e agora somos governados, nos últimos três anos, por um Primeiro-Ministro que, segundo as suas próprias definições, não gosta de ouvir ninguém e muito menos se deixa influenciar por terceiros.

Resta saber se essa obstinação não terá sido prejudicial a Portugal e aos Portugueses. O certo é que Portugal está pior, os Portugueses estão mais pobres, a dívida pública cresceu, o sistema de saúde enfraqueceu, a educação não é o que era e os apoios sociais mingaram.

Uma escritora austríaca (Marie Von Ebner-Eschenbach) escreveu, a esse propósito, que a força de vontade dos fracos chama-se teimosia.

8 de novembro de 2014

Os 75 anos do Graciosa Futebol Clube

Quando a Direção Graciosa Futebol Clube me convidou para proferir algumas palavras a propósito da passagem dos 75 anos do clube não pude recusar.

Como é tradicional nestes dias de festa, podia optar por mencionar a história do Graciosa, referir os feitos desportivos e sociais, enfim, lembrar o que de bom se passou neste clube.

Preferi ir por outro caminho, revelar o que a minha geração vivenciou nesta casa ao longo dos últimos anos.

A missa das 11, o almoço em família e a ida ao jogo a meio da tarde faziam parte dos hábitos das famílias aos Domingos.

Crianças, jovens e adultos, engalanados pelos fatos domingueiros, juntavam-se nas imediações do Graciosa e, em cortejo, dirigiam-se para o Campo Grande, do Graciosa, pela canada do moinho do Chico Bala.

Esse percurso era marcado pela ruido do calcorrear das botas de futebol de travessas e os jogadores eram brindados com palavras de incentivo.   

Já no campo, por entre brincadeiras próprias da idade, trocas de olhar com as moças, uma malagueta doce ou um saco de pipocas, lá íamos observando o jogo onde nos habituámos a ver classe do Manuel Maria, a imponência do Gaspar, a destreza do Valter, o passo miudinho do Serra, o calculismo do Ilberto, a ratice do Reizinho e os voos acrobáticos do António Pires. Nessa altura já despertara para o Futebol um grande senhor desta arte: o Fernando Mesquita que foi um jogador notável e que atravessou várias gerações.

Eram estes, e os outros, os heróis da nossa infância. Aprendemos, desde cedo, a admirar os golos e outros feitos destes homens que de uma forma abnegada vestiam o equipamento amarelo e branco (às vezes amarelo e vermelho) e davam tudo pelo seu clube.

Mais tarde, já grandotes - mas não o suficiente para poder ombrear com a geração que veio a seguir - eu, o Rui Jorge, o Jorginho e o Adriano, entre outros - iniciamos a nossa carreira de futebolistas, digamos assim, indo, dias a fio, para os treinos e, quando restava uma das únicas duas bolas de couro, duras como uma rocha, lá tínhamos a oportunidade de treinar, ou melhor, de brincar.

Lembro-me de me equipar, pela primeira vez, de camisa amarela e calção verde. Foi uma alegria que ficou registada em fotografia que ainda guardo comigo.

Naquele tempo não havia escalões de formação. Quando o corpo despontava lá se integrava o jovem na equipa. Era uma passagem repentina de criança para jovem/adulto. Esta realidade não nos amolecia. Antes pelo contrário, dava-nos estaleca, como se diz na gíria.

Mais tarde surgiu uma geração de ouro no Graciosa Futebol Clube: o Serafim, jogador muto tecnicista; o Gasparinho, defesa seguro e um bom organizador de jogo; o Marcelo, guarda-redes que dava espetáculo com as suas defesas; o João Carlos, com excelente técnica, uma capacidade física acima da média e competência na leitura de jogo; o Elvino, defesa implacável; o António, avançado rápido e com um forte pé esquerdo, juntamente com o Mesquita, um colocador de bolas como não se vê por aí, formavam uma equipa de sonho.

Qualquer um destes atletas poderia ter ido longe em clubes de maior prestígio, não fora esta fronteira marítima que nos rodeia a quartar essa possibilidade. O João Carlos ainda fez um excelente percurso no Santa Clara, onde ainda hoje é recordado.

É nesta altura que surgem os terceirenses José do Reis, Carlinhos e João Gabriel. Ajudavam o clube no período de verão mas, sobretudo, transmitiam aos locais outros hábitos, nomeadamente de treino. 

Acompanharam a equipa aos Estados Unidos e Canadá em 1976, levando um enorme valor acrescentado na apresentação do nosso clube perante os adeptos naqueles países de acolhimento.

Entretanto já jogam o Luís Sousa (Extremo), o José Leite, o João Sousa (Canzil), o José Carlos (Canário). De seguida sou eu a entrar (Zé Boeta), o Rui Jorge, o José Luís Veiga (Burreca), o Henrique, o Hélio Picanço, etc..

Mais tarde surgem o Carlos Alberto, o Fernando Rui Santos, o João Picanço (cabaço), o Rui Picanço (carcereiro), o Moisés, o João Luís (Rufino), o Hélio Gil, o Artur, entre outros.

Nesse tempo os treinos eram poucos, mas a vontade de treinar era muita. Lembro-me, como se fosse hoje, um grupinho de jogadores insistia em treinar, tipo auto treino, umas vezes no campo de futebol outras vezes em corridas até ao farol da Ponta da Barca, numa estrada ainda em terra batida.

Fizesse sol ou chuva, lá estávamos nós para cumprir com aquilo que julgávamos ser a nossa obrigação enquanto atletas.

É nessa época que se iniciam as provas associativas e as viagens. Eram grandes aventuras que traziam sempre histórias que davam para tema de conversa durante meses. Ainda hoje oiço algumas que, apesar de repetidas, tem sempre piada e fazem aparecer outras que eram menos conhecidas.

Se há coisas de que arrependo é a de ter sido expulso num jogo por mau comportamento em que o Professor Manuel era o árbitro.

Tenho também remorsos por ter marcado 2 autogolos ao Carlos Alberto, num jogo com o Marítimo em que perdemos por 4-2. O Carlos ficou 2 semanas sem me falar nos treinos por tamanha desfaçatez.

Um foi um tiro, ele não tinha hipóteses, mas o segundo foi um frango, dizia-lhe eu na altura.

E ainda tenho arrepios ao pensar que participei num assalto à lata da linguiça do João Sousa na Praia da Vitória e fico com calafrios quando me lembro da Ana a procurar as ditas linguiças e a encontrar apenas pedras entre a gordura, habilmente colocadas pelos ladrões. Nesse dia não houve almoço.

O Graciosa faz um excelente percurso nas provas locais e, por muitas vezes representa a Graciosa em S. Jorge e na Terceira.

Até 2003 conquistou 13 Taças de ilha, 6 Campeonatos e 7 Torneios de Abertura.

Vai a duas finais da Taça Açores e por duas vezes representa a Associação de Futebol de Angra do Heroísmo na Taça de Portugal.

Nos escalões de formação é o clube com mais troféus, fruto de um grande trabalho iniciado pelo Professor Manuel Mendonça e prosseguido pelo Pedro Gil.

Mas o Graciosa não é só futebol. É também música.

A minha geração assistiu ao nascimento do Ritmo 2000, conjunto adquirido no Pico através do Padre Garcia. Essa geração aprendeu mesmo a dançar ao ritmo das marchas e dos slows cantados pela Bieta, pelo Chico Lobão ou pelo Gasparinho.

Este conjunto, que incluía também o Emanuel, o Acácio e o Valdemiro, foi sofrendo transformações ao longo dos anos e por ele passaram o Viegas, o Manuel José, o Manuel Maria, o Valdemar, o Francisco Ávila, o José Silva, o Steven, o Valter Rui, o Helder, o Pedro Coelho, o Nuno Bettencourt, a Edite, a Daniela, o Sérgio e muitos outros.

Este grupo animou inúmeros bailes e festas do clube ao longo destes anos. Muitos filhos desta geração que vos falo adormeceram ao som dos acordes melodiosos enquanto os seus pais davam ao pé na sala minúscula da casa da D. Carolina Maria, e, depois, já neste enorme salão.

Esta gente também animava tertúlias que acabavam, quase sempre, com o inevitável “solo mio” cantado, quase solenemente, pelo Serra.

Gravaram dois discos, o que não era muito normal nos conjuntos musicais daquele tempo.

Estas mulheres e estes homens, que abdicavam de muita coisa para animarem os outros, não eram devidamente compreendidos, segundo a sua perspetiva.

Começar a tocar e a cantar num baile pelas 10 horas da noite e acabar quando o sol nascia, era um esforço quase sobre-humano. E isto sem nada em troca.

Já fiz um desafio ao Valdemiro para reunir todos os músicos que passaram pelo Ritmo 2000 para prepararem um concerto.

Nos anos 80 houve um grupo de sócios, liderados pelo Valter Melo, Ilberto Pereira e João Manuel Picanço, que resolveram deitar mão à obra e construir esta sede. Não deve ter sido uma decisão fácil de assumir, mas naquele tempo existia espírito empreendedor e tenacidade capazes de ultrapassar as dificuldades.

Quem conheceu a anterior sede sabe que a equipa de futebol não tinha condições. Os duches de água fria ficavam mesmo na entrada do Clube e a água era esgotada para a estrada.

Tínhamos bons bailes e belas festas onde os sócios e convidados eram bem recebidos, mas as condições eram de facto muito más, daí termos de reconhecer que a construção desta nova sede foi o momento mais marcante destes primeiros 75 anos de vida do Graciosa Futebol Clube.

Hoje, ao olhar para trás, revejo os dirigentes, treinadores, atletas e músicos e penso no quanto nós aprendemos com eles. Em troca de nada deram muito para que este clube nunca interrompesse este percurso de vida que hoje completa 75 anos.

São 75 anos divididos entre derrotas e vitórias, entre tristezas e alegrias, mas sempre marcado por um convívio fraterno.

É por isso que se diz: o Graciosa não é melhor nem pior. É diferente.

Neste dia de festa é também importante recordar todos os que serviram o clube, de um modo ou de outro, nestes 75 anos.

No entanto, vou lembrar alguns que já partiram e que a minha geração nunca esquecerá:

O Gasparinho, Marcelo Cunha, João Luís Serra, Valter Melo, Rui Picanço (carcereiro), Berto Freitas, João Picanço (cabaço), João Gabriel, Eusébio Ferreira, Filipe Albuquerque, Helmano, Vasco Weber Vasconcelos, Arnaldo Nascimento, Luiz do Carmo Bettencourt, Manuel Gil, Ruben Cardoso e Valdemar Clarimundo, um dos organizadores das bodas de ouro, há 25 anos atrás.

Em termos pessoais tenho uma dívida de gratidão para com este clube. Foi aqui que aprendi a jogar futebol; foi aqui que aprendi a ser dirigente e foi aqui que aprendi a ser treinador. Foi aqui que entendi o que é espírito de grupo e respeito pelo próximo.

Termino, dizendo-vos:

Ó Graciosa,
Astro rei iluminante,
Tens fama airosa,
Nos Açores, teu jogar.
Mas se algum dia,
A virgem te proteger,
Serás um dia,
Quer de noite ou quer de dia,
E deixarás de sofrer.


Graciosa Futebol Clube, 1 de Novembro de 2014.

6 de novembro de 2014

Os meios

Devido à forma dispersa das ilhas, a Zona Económica Exclusiva (ZEE) dos Açores é de quase um milhão de Km2. A distância entre Santa Maria e o Corvo é de 602 Km. Estes dados demonstram bem a enorme projeção atlântica que a região dá ao nosso país.

Conhecidas que são as potencialidades dos fundos marinhos e a necessidade de preservar os recursos haliêuticos, o Estado Português tem a obrigação de fiscalizar esta imensidão azul que representa 57% da ZEE Nacional e 30% da ZEE Europeia.  

A Força Aérea Portuguesa, com uma base operacional nas Lajes, tem vindo a desempenhar um papel de enorme relevo nos Açores, nomeadamente a partir do final dos anos 70. O transporte de pessoas de para e de ilhas sem aeroporto foi uma das suas primeiras incumbências, mas as evacuações médicas das ilhas sem hospital revelaram-se, em todo este tempo, como uma das mais nobres missões daquela força militar.

Os Açorianos das ilhas mais pequenas conhecem bem esta realidade. Muitos passaram por isso, ou tem familiares ou amigos que tiveram essa experiência.
As operações de resgate e salvamento são, também, uma componente com muita relevância pelas inúmeras vidas recuperadas a uma morte quase certa.

Nos Açores os bons serviços prestados pela Força Aérea são reconhecidos pela maioria dos cidadãos, muito embora nos últimos tempos se tenha registado uma degradação dos meios ao dispor daquele ramo das Forças Armadas, como é o caso da falta de comandantes para os helicópteros que, como se sabe, já alguns problemas originou no passado recente.

Na última visita da Secretária de Estado da Defesa, Berta Cabral, que coincidiu com passagem do Primeiro-Ministro, esperava-se que trouxesse algumas novidades sobre essa matéria, mas da sua parte apenas ouvimos que os meios existentes nos Açores eram os suficientes.


Não se percebe.

30 de outubro de 2014

Participação no debate sobre o SRS a 29/10/2014


Muito estranho

Terminou a visita do Primeiro-Ministro aos Açores. Falta menos de um ano para acabar o mandato e esta foi a primeira vez que, nessa qualidade, tal aconteceu, mas como diz, e bem, o nosso povo, antes tarde do que nunca.

Como seria de esperar, havia alguma expetativa por parte dos Açorianos com os resultados deste périplo por 4 das 9 ilhas dos Açores. Contava-se que algumas situações pendentes fossem resolvidas.
Mas, apesar da grande abertura demonstrada, o muito que estava pendente ficou novamente adiado para uma nova oportunidade.

O aeroporto da Horta não será ampliado. A cadeia de Ponta Delgada não será construída. A Força Aérea vai continuar com falta de pilotos para as evacuações sanitárias. A revitalização das Lajes foi recusada. Relativamente ao desmantelamento das quotas leiteiras, tudo na mesma. A RTP-Açores fica como está e a Universidade vai continuar a viver num aperto e sem verbas para a investigação científica.

Sobre o diferencial fiscal - que, como se sabe, alterou de 30% para 20% a diferença dos impostos pagos cá e lá e que representou um agravamento da carga fiscal nesta Região – gerou-se uma enorme confusão.

O líder do PSD-Açores, dando a entender que tal poderia acontecer, apressou-se a apregoar a descida dos impostos e desdobrou-se em declarações públicas, a esse respeito, um pouco por toda a comunicação social, incluindo a continental. Chamou a si a paternidade desta boa nova milagreira.

O que veio a seguir é que nos espantou. Na segunda-feira, em palavras de circunstância num encontro no Faial, Passos Coelho, que dias antes tinha desancado nos jornalistas e comentadores, afirmou perante uma grande audiência e, curiosamente, sem comunicação social, que da sua boca ninguém ouvira nada sobre a descida de impostos, até porque essa opção estava na esfera das competências regionais.


Motivado pela necessidade de mostrar serviço, o líder do maior partido da oposição nos Açores deu um novo tiro no pé.

24 de outubro de 2014

OE para 2015

Nesta altura do calendário político é tempo dos Governos da República apresentarem o Orçamento para o novo ano.

Este será o quarto orçamento apresentado por esta maioria que, mesmo depois de algumas expetativas criadas à volta de um possível alívio fiscal, parece que irá trazer mais do mesmo. Espera-se, contudo, que desta vez este documento venha expurgado das normas inconstitucionais que contaminaram os últimos três orçamentos.

Este Orçamento do Estado para o ano 2015 revela-se como a estocada final nas “bandeiras” que o CDS-PP ainda teimava em manter, mesmo depois das irrevogáveis decisões que acabaram por não o ser.

A carga fiscal aumenta, as sobretaxas mantêm-se, criam-se benefícios para as famílias que são, afinal, uma mão cheia de nada e atiram-se expetativas da devolução de impostos, mas só em 2016 e se calhar.

Confirma-se, assim, que Passos Coelho teima em prosseguir com a sua política austera e recessiva que ultrapassa em muito o exigido pelas entidades que compõem a troika e que Paulo Portas, outrora o paladino dos contribuintes, desistiu de defender os reformados e pensionistas.

Ficamos a saber que as freguesias e os municípios vão receber menos e que as regiões autónomas também vão ver diminuídas as verbas da República.

Sobre o IMI esperam-se grandes e desagradáveis surpresas sobre os valores a pagar pelos proprietários, com o desaparecimento da cláusula de salvaguarda criada em 2011.

Este Orçamento mantém a injusta Lei dos Compromissos que, em conjunto com a Lei das Finanças Locais, poderá inviabilizar a concretização, pelos municípios, de muitos projetos comparticipados pela União Europeia até, pelo menos, ao ano 2020, impossibilitando-os de gerir as suas comparticipações nos projetos e os limites de endividamento. Esta convergência de restrições limitam, em muito, a ação do poder local junto das populações que servem.

Concluímos que este é mais um orçamento recessivo e incapaz de dar alguma esperança aos Portugueses. Temos, por isso, de esperar pelo orçamento de 2016.

16 de outubro de 2014

Escolher o lado

O princípio da solidariedade nacional não é obra do acaso nem é um assunto recente, mas, invariavelmente vem à liça quando surgem os cataclismos a que estamos sujeitos.

No primeiro dia de 1980 o grupo central dos Açores - com maior veemência as ilhas de Terceira, S. Jorge e Graciosa - foi sacudido por um sismo de grande magnitude que destruiu grande parte do parque habitacional e equipamentos coletivos, sobretudo na Ilha Terceira.

A reconstrução exigiu um grande esforço das autoridades regionais e contou com o apoio incondicional da República e só assim foi possível reerguer a cidade de Angra e todas as freguesias afetadas. Foi a primeira vez, que me lembre, que a solidariedade nacional foi ativada, diga-se assim, em benefício de uma população que, se assim não fosse, ficaria impedida de repor o que a natureza destruiu, por manifesta falta de meios.

Noutras situações o mesmo princípio funcionou, como foi o caso dos recentes temporais que assolaram a Ilha da Madeira, onde o Governo da República, e muito bem, destacou meios financeiros e outros, para obviar o sofrimento das populações afetadas e repor a normalidade

Não há regras sem exceções e essa exceção verificou-se no sismo de 1998, que afetou o Faial e o Pico, quando o Governo da República dirigido por Durão Barroso recusou ajudar a Região, obrigando o Governo dos Açores a recorrer à banca para ultrapassar as enormes dificuldades provocadas por mais este cataclismo.

Na catástrofe de Março de 2013, que afetou, sobretudo, o Porto Judeu e o Faial da Terra, Passos Coelho fez o mesmo, lavou as suas mãos, tal como Pilatos, e mandou a solidariedade às malvas.

Depois de recusar as ajudas, cujo valor poderia chegar aos 35 milhões de euros, o PSD deixou na gaveta uma anteproposta de lei sobre esta questão na Assembleia da República e, quando obrigado a agendar o assunto, votou contra, contando também com os votos do CDS-PP. Os Deputados dos Açores do PSD refugiaram-se numa abstenção envergonhada justificando esta postura com questões formais e difíceis de compreender.

Neste processo confirmou-se o fraco sentido solidário de Passos Coelho e sobressaiu a fraca liderança do PSD – Açores que não consegue escolher, quando é chegada à hora da verdade, se fica ao lado dos seus companheiros de partido ou ao lado dos Açorianos, como seria suposto.

9 de outubro de 2014

5 de Outubro

Domingo comemorou-se a Implantação da República Portuguesa, data importante para a história de Portugal. Não é feriado por imposição deste governo, mas, com toda a certeza, voltará a sê-lo num futuro próximo.

De uma maneira ou de outra haveremos de continuar a assistir ao hastear da bandeira Portuguesa e a ouvir os tradicionais discursos na Câmara Municipal de Lisboa, onde, afinal, tudo começou.

No 5 de Outubro deste ano o Presidente da República voltou a deixar alguns recados. Falou da necessidade de estabilidade política, dos compromissos, do populismo fácil, das promessas não cumpridas e do descrédito por que passa a classe política.

Afirmou ainda que “os portugueses são dos povos da União Europeia que demonstram maiores níveis de insatisfação com o regime em que vivem”, avisando para o afastamento da vida cívica, para o perigo do populismo e do carreirismo partidário. Alertou também para risco de implosão do sistema partidário e pediu reformas políticas.

Se algumas das afirmações feitas neste dia não nos surpreendem e até, inclusivamente, podemo-nos rever em algumas delas, por serem oportunas e por corresponderem à realidade, outros dos recados deixados ao poder político não nos parecem aceitáveis quando ditas por um homem que foi Primeiro-ministro e líder partidário durante 10 anos e se prepara para cumprir outros 10 anos como Presidente da República.

Nestes 20 anos de funções públicas, para além do seu conhecido papel, quando era Primeiro-ministro, na agricultura, na indústria e nas pescas deste País, resta saber se o Presidente Cavaco Silva fez alguma coisa para melhorar o sistema político ou quais os contributos que deu para credibilizar a classe política ou ainda que ações desenvolveu para separar a política dos negócios, relação que, como se sabe, enormes danos trouxe ao país nos últimos tempos.

Era também importante sabermos o que fez para evitar o desvario deste governo que fez tudo ao contrário do que prometeu, abstendo-se de intervir, como seria seu dever, deixando apenas nas mãos do Tribunal Constitucional a fiscalização de diplomas que iam contra a Constituição Portuguesa.

Esta sua postura de quem nada tem a ver com a atual situação é mais uma nota que descredibiliza, também, a sua ação política e faz-nos recordar a história do Frei Tomás…

2 de outubro de 2014

O renovar da esperança

O Partido Socialista passou, nos últimos tempos, por uma fase de clarificação interna muito importante e inédita. Independentemente de se concordar ou não com a forma da escolha do candidato a primeiro-ministro do nosso País, este foi um método arrojado e que, com toda a certeza, fará escola para os partidos que tem de tomar idênticas opções.

António Costa ganhou por uma maioria inequívoca num universo de cerca de 175 mil eleitores, entre militantes e simpatizantes do partido.

Esta enorme afluência às urnas por parte de militantes e simpatizantes é a demonstração que o país está unido e apostado numa mudança de políticas e de protagonistas.

Depois de passada a refrega eleitoral, António Costa tem pela sua frente o desafio de unir o Partido Socialista à volta da uma liderança forte e inclusiva, aproveitando as capacidades dos militantes, simpatizantes e independentes, para elaborar um programa de governo galvanizador, capaz de envolver os Portugueses.

Este governo ainda em funções, da dupla Passos Coelho e Paulo Portas, impôs enormes sacrifícios aos Portugueses, muito além do exigido pela troika. O povo ficou muito mais pobre e sem vislumbrar as melhorias na economia, como foi apregoado, e que lhe dessem outras perspetivas para um futuro melhor.

As reformas anunciadas para viabilizar o país não passaram de despedimentos, cortes salariais, reduções nos benefícios sociais, aumento de impostos e encerramento de serviços. O País virou reino da incerteza e do descrédito.

Portugal precisa de um projeto político novo, com pessoas e para as pessoas. Portugal tem de oferecer um futuro melhor aos mais novos, recuperar a classe média, deixar os idosos viverem com a dignidade que merecem ter e apoiar os mais frágeis da sociedade. Portugal tem de salvar o estado social, uma das mais importantes conquistas de Abril.


António Costa tem capacidade para mobilizar Portugal e renovar a esperança num futuro melhor.

30 de setembro de 2014

Em que ficamos?

No plenário do mês de Setembro o PSD suscitou um debate de urgência sobre o investimento público na Região Autónoma dos Açores.

Fê-lo com toda a legitimidade, como é lógico, mas, no entanto, aquele partido fez uma espécie de contabilidade antecipada de quatro anos de mandato quando estão decorridos apenas dois. Foi uma espécie de um ajuste de contas antecipado sem se saber qual a despesa que temos de acertar.

O mais curioso nesta situação é que se tratou de um desfiar de investimentos por todas as ilhas que, afinal, já estão em curso, quase a acabar ou prestes a começar. Foi uma ladainha, exigindo obras e mais obras quando ainda recentemente esta mesma oposição, quando confrontada com o forte investimento feito nos últimos anos, se queixava do excesso de betão aplicado nas nossas ilhas para, deste modo, menorizar a ação do Governo Regional.

Na Graciosa os sucessivos Governos Regionais, da responsabilidade do Partido Socialista, têm cumprido de forma muito aceitável com as propostas apresentadas aos Graciosenses. De 2000 a 2004 ficaram por cumprir 3 propostas do programa eleitoral. Em 2008 das 57 propostas apresentadas aos eleitores ficaram apenas 5 por cumprir, o que dá uma taxa de execução de 91%. Em 2012 dos 69 compromissos 7 ficaram em falta, o que resulta numa taxa de execução de cerca de 90%.

Sabemos, no entanto, que nem tudo está feito e que nem tudo foi bem feito. Não escondemos, também, que o nosso objetivo era atingir o pleno, mas reconhecemos que este nível de cumprimento é invejável e não está ao alcance de todos.


O mais curioso em toda esta situação é que este partido, o PSD, fora de portas insiste ao investimento, mas cá dentro faz tudo para atrapalhar, apelando à contestação e desferindo fortes críticas, como foram os casos do Museu, do Hotel ou da remodelação da Praça Fontes Pereira de Melo e, ao que parece, agora com o Parque Industrial.

25 de setembro de 2014

Sem desculpa

O Presidente do Governo Regional dos Açores ficou indignado com a deselegância com que o Vice-primeiro-ministro tratou os Açores (e a Madeira) na preparação da visita que iniciou ao Canadá, na passada segunda-feira, na companhia da Ministra da Agricultura e do Mar, e que foi pensada precisamente para tratar de assuntos relativos à economia do mar e captar investimento nessa área, que se tem revelado cada vez mais importante.

A esmagadora maioria dos Açorianos concordará, com toda a certeza, com esta forma de contestar a exclusão – premeditada, a meu ver – de representantes da Região nesta comitiva. Como é de todos conhecido, no passado recente o Presidente da República também se “esqueceu” de incluir na sua vasta comitiva uma representação dos Açores numa visita de Estado a um país onde a comunidade Açoriana era relevante.

É conhecida a reivindicação do Governo dos Açores de gerir os recursos marinhos do imenso mar que rodeia as ilhas. Olhando para um mapa também se percebe que Portugal “cresceu” muito à custa da nossa Zona Económica Exclusiva.

O mar dos Açores possui recursos naturais importantes que poderão trazer benefícios económicos e avanços tecnológicos. Esta realidade assusta os centralistas que não demoram na demonstração da sua profunda inquietação.  

É lícito falar-se nos Açores quando se fala em economia do mar e como tal não se percebe como não se inclui numa viagem com esta importância uma delegação do Governo dos Açores quando se sabe, ainda para mais, que os Açores têm um peso significativo na comunidade Portuguesa instalada naquele país. 

É uma pena que esta tacanha forma de ver estas coisas permita estes intoleráveis “esquecimentos” que diminuem a representação do Estado.  

22 de setembro de 2014

A nossa televisão

A RTP-Açores, no meu entendimento, é imprescindível aos Açores. Representa o traço de união entre todos os Açorianos, de Santa Maria ao Corvo.

Quando surgiu, no dealbar da nossa autonomia política e administrativa, a RTP-Açores era a única estação televisiva que os Açorianos podiam sintonizar. Foi com ela que vimos as primeiras novelas, foi através dela que nos habituamos a ver o que acontecia nas outras ilhas, no continente e no mundo, foi por ela que desfilaram figuras conhecidas de todas as ilhas, foi por causa dela que aprendemos a respeitar e a conhecer melhor as nossas tradições.

No passado esta estação viveu momentos de grande criatividade, quer na produção de programas que os especialistas valorizaram, quer na realização de séries em que a imaginação e o profissionalismo tratavam de arranjar soluções para a falta de meios técnicos.

Foi um período áureo desta estação regional que coincidiu com a dispersão pelas ilhas de alguns meios, nomeadamente os correspondentes, que permitiam enviar para um dos centros regionais peças dos acontecimentos locais para os programas de informação, mais ou menos formais, que emitiam de manhã, à tarde e à noite.

No passado recente a RTP-Açores, à conta das enormes restrições financeiras, sofreu um ataque que reduziu o serviço público a quase nada. Vimos desaparecer programas, reduzir noticiários, sair gente com muito valor. Esta fase coincidiu com a proliferação de canais e com a revolução tecnológica que permite a qualquer cidadão ter um canal próprio ou mesmo fazer uma reportagem com um simples telemóvel.

A RTP-Açores vive, neste momento, tempos difíceis, não só pela indefinição, mas também pela demora em arranjar uma solução sustentada que permita àquela estação prestar um verdadeiro serviço público em todas as ilhas dos Açores.

Hoje, com a revolução verificada no audiovisual, provavelmente podíamos viver sem ela, mas de certeza que não seria a mesma coisa.

28 de agosto de 2014

O passado

O PSD-Açores anda de ilha em ilha a comemorar os quarenta anos de existência daquele partido, relevando, como não podia deixar de ser, o seu papel na construção da autonomia democrática dos Açores, facto que é inegável para quem acompanha o que se tem passado nesta região desde 1975.

Neste grande frenesim pelas ilhas, o PSD-Açores esqueceu-se de referir, e isso era não só fundamental como seria justo, que esse património é pertença dos diversos partidos que, de uma maneira ou de outra, tem dado o seu contributo para consolidar as conquistas que a revolução de Abril proporcionou.

Este súbito olhar para o passado e acerto de contas com a história se tem como objetivo relembrar os seus anos de governação, é, quando muito, um processo falhado porquanto o estado da região em 1996, quando aquele partido saiu do Governo, não pode orgulhar quem hoje se assume como principal alternativa de poder e é sempre muito lesto na crítica.

Aqueles múltiplos momentos comemorativos servem, já se sabia, para disferir mais uns ataques ao Governo, mantendo, sem nenhum pudor, as incoerências costumeiras.

Primeiro apelida o Governo de despesista mas todos os dias propõe aumento da despesa. Critica a dívida da saúde e recusa-se a admitir que esse crescimento teve a ver com a construção de novas infraestruturas para proporcionar mais e melhores serviços aos Açorianos. Critica o aumento do desemprego e apresenta na Assembleia uma proposta que cria emprego em indústrias inexistentes nos Açores, como são os casos da extração de petróleo e de hulha. Está contra os cortes mas manda os seus deputados votar favoravelmente o Orçamento de Estado onde estes estão previstos.

Este modo de “trabalhar” causa alguns momentos de felicidade aos seus promotores, mas revela muitas fragilidades, sobretudo quando se esperava deste partido uma maior intervenção na concretização de propostas que ajudassem a melhorar a vida dos Açorianos.

Enquanto isto, surgem, de quando em vez, dados que atiram por terra a postura derrotista do PSD-Açores, como foi o caso da execução orçamental conhecida recentemente. Os Açores tem as suas contas controladas enquanto no Continente o deficit agrava-se e a dívida pública sobe para os 134% do PIB, dando a perceber que todos estes sacrifícios pedidos aos Portugueses afinal não serviram para nada.


É por isso que ao PSD-Açores se pede que, no lugar de glorificar o passado, tente ajudar a encontrar soluções para o presente que levem a um futuro melhor e que rejeite, de uma vez, as políticas de empobrecimento perpetradas por Passos Coelho, o amigo de Lisboa. 

21 de agosto de 2014

O amigo Zé Jorge

A morte, com o passar dos anos, cada vez se acerca mais de nós. Leva-nos os familiares mais idosos, nossos e dos nossos amigos, intervalado aqui e ali pelas mortes mais ou menos prematuras, por acidente ou por doença súbita.

Todas essas mortes são dolorosas para os familiares e amigos, mas aquelas para as quais não encontramos explicação convincente, por serem geralmente inesperadas, são as que mais doem. Para essas não estamos, nem nunca estaremos, devidamente preparados.

O amigo Zé Jorge partiu no passado sábado, repentinamente, sem avisar. Para a sua família esta é uma perda irreparável e uma dor difícil de imaginar. Os muitos amigos que o rodeavam ficaram mais pobres e nunca o poderão esquecer.

Conheço o Zé Jorge desde que me lembro. Das brincadeiras na Calheta e no Santo, aos jogos na Praça, passando pelos escuteiros, foram incontáveis dias de uma sã convivência que normalmente marca a vida dos adolescentes.

No Lar Académico, no Faial, o Zé Jorge, que já lá estava há mais tempo, recebia os seus conterrâneos de um modo afável e sempre bem-disposto, fator importante para quem saia da casa dos seus pais com tenra idade e que não sabia ao que ia. O estatuto de mais velho não lhe quartava a vontade de apoiar os mais novos e, como tal, mais instáveis por estarem num ambiente diferente do seu.

Por entre jogos de futebol intermináveis ou partidas de ping pong disputadíssimas, passando pelos acampamentos na quinta e as clandestinas petiscadas, tudo serviu para consolidar os laços que ainda hoje une os que por lá passaram e cujas aventuras serviam de tema de conversa nos inúmeros encontros que fomos mantendo, o último ainda muito recentemente e que recordo com grande saudade.

O Zé Jorge não gostava de dar nas vistas e fugia de protagonismos. Era muito honesto e dotado de grande humildade, qualidades que terá herdado de seu pai. Era trabalhador e gostava de “dar uma mão”, quer aos amigos que dele precisavam, quer nas suas funções profissionais. Parecia reservado, mas no fundo era um excelente conversador e bom contador de histórias. Detestava as injustiças.

Às contrariedades que a vida lhe reservou, e que duras que foram, respondeu com coragem e determinação. 

Como ser humano devia ter também alguns defeitos, mas, sinceramente, nunca os vi. Nunca o vi faltar ao respeito ou ofender alguém. Nunca o ouvi ser maledicente ou mesmo inconveniente.

Quem o conheceu só o pode definir de uma forma: UM HOMEM BOM.

29 de julho de 2014

Conhecer ou não conhecer, eis a questão

No passado dia 18 de Julho, o Governo dos Açores, pela voz do Presidente Vasco Cordeiro, anunciou a conclusão das longas negociações para melhorar as acessibilidades aéreas de e para a região.

Foi, sem dúvida, uma grande vitória dos Açores e a prova de que o Governo Regional não desiste de criar melhores condições de vida para todos os Açorianos.

Esta demora na resolução de todo este processo devido à natureza sensível e com um caracter mais técnico, levou os descrentes a desconfiarem do empenho do Governo e a duvidarem do seu sucesso.

Afinal enganaram-se. Os resultados desse trabalho exaustivo e minucioso surgiram, garantindo uma melhor mobilidade dos Açorianos e salvaguardando os interesses da economia da Região.

No entanto, como já referi no artigo anterior, o Presidente do PSD quis associar-se a esta vitória da persistência e do empenho insinuando, ou melhor, confirmando mesmo a sua participação neste processo incluindo a sua intervenção nas negociações com o Governo da República.

Comentadores independentes deram-lhe a resposta sem demoras, considerando esta atitude de muito mau gosto e, mesmo, pouco ética. Mas, enfim, os atos ficam com quem os pratica…

O que veio a seguir é que ninguém contava. O PSD veio agora exigir explicações sobre o novo modelo das obrigações de serviço público negociado, e aprovado, pelos dois Governos.

Assim, por mais incrível que pareça, ficamos todos a saber que, afinal, o PSD nada sabe de todo um processo que, alegadamente, tinha contado com a sua participação. Alguém consegue compreender esta enorme contradição? Creio que não.


Esta nova tática, num jeito desesperado para ganhar protagonismo a qualquer custo, pode, eventualmente, enganar um ou outro mais desprevenido, mas descredibiliza o ainda maior partido da oposição e, sobretudo, o seu líder.

22 de julho de 2014

O seu a seu dono

Na passada sexta-feira estava ao computador quando “caiu” na caixa de correio a notícia sobre a resolução do problema das acessibilidades há muito esperada.

Sei, de antemão, a importância que esta questão tinha para Vasco Cordeiro e para o seu Governo, sei também a importância que os Açorianos sempre deram e dão aos transportes que, para uma região arquipelágica e afastada do continente português e europeu, assumem uma inquestionável prioridade para quem, como é o caso do Presidente do Governo, põe as pessoas em primeiro lugar.

Por aquilo que me fui apercebendo nos últimos tempos, as negociações foram longas e demoraram mais do que seria expetável, mas com a sua conhecida tenacidade e sentido de estado e com a agilidade da equipa que o rodeou nesta tarefa, foi possível ao Presidente do Governo chegar a um entendimento com o outro lado da barricada, onde estava, segundo as suas próprias palavras, gente que se esforçou também para atingir este acordo final, temos de ser justos.

Este percurso discreto, feito sempre longe dos holofotes, muitas vezes debaixo de críticas maledicentes de uma oposição que nada propõe de construtivo, permitiu ao Governo do Açores atingir os objetivos que há muito se propunha: reduzir significativamente as tarifas aéreas, liberalizar duas rotas e abrir a possibilidade da entrada das companhias aéreas de baixo custo.

É evidente que este novo modelo, agora em fase final de negociação, vai ser bom para todos os Açorianos e servir melhor a economia da região. É por isso que devemos estar todos, sem exceção, satisfeitos com esta vitória.


Lamentavelmente o líder do maior partido da oposição quis associar-se a este momento da pior forma: reivindicando louros para todo um trabalho que não foi seu, pondo-se em bicos de pés para aparecer na fotografia, tal como fazem os “emplastros” que andam por aí.

10 de julho de 2014

Coerência

O Bloco de Esquerda desencadeou uma interpelação ao Governo dos Açores sobre a situação económica e social na região.

De pronto levantaram-se as oposições de cá e que lá foram comandam os destinos do país e, como é sabido, infligem, a um ritmo diário, cortes e mais cortes com o perfeito conhecimento, sabe-se agora, de que estes vão além do necessário para resolver os problemas estruturais do país.

Assumem que alguns dos indicadores não são os ideais e fazem-no de um modo subtil escondendo a tremenda responsabilidade que os seus partidos tem nessas políticas de empobrecimento do país.

Como era possível evitar com sucesso a degradação da situação social se o Governo da dupla Passos Coelho e Paulo Portas corta no RSI, nas pensões, no abono de família e nos rendimentos dos funcionários públicos?

Como era possível evitar o crescimento do desemprego se o Governo do PSD/CDS-PP, com a aplicação das fortes medidas de austeridade, desencadeou processos de insolvência em catadupa, sobretudo das pequenas e médias empresas?

Como é possível evitar as dificuldades nas farmácias se no continente as políticas do Governo estão a por em risco metade das farmácias existentes no país?

É evidente que o Governo dos Açores, liderado por gente que está muito atenta às questões sociais, tem feito, e muito bem, um enorme esforço para devolver aos açorianos aquilo que lhes tem sido sonegado pelo Governo da República.

A contínua aposta nos apoios aos mais desprotegidos é a prova que este Governo não deixa nem quer deixar ninguém para trás.

Por isso o PSD, pelo menos esse, se quisesse, de facto, melhorar ou pelo menos não deixar degradar a qualidade de vida dos mais desprotegidos, dava ordens aos seus três deputados da Assembleia da República para votar contra os diplomas que produzem esses cortes.


O resto é conversa … e falta de coragem.

5 de junho de 2014

Debate sobre a Porto de Abrigo


O Tribunal Constitucional e o crescimento económico

O primeiro ministro de Portugal, acossado com o chumbo do Tribunal Constitucional, resolveu desferir uma série de ataques a este órgão de soberania chegando a emitir uma solução: é preciso escolher melhor os juízes.

Esta sua descuidada afirmação revela a fraca tolerância para lidar com aqueles que não pensam como ele.

Qualquer dia Passos Coelho, para resolver esta questão da tolerância para com as suas políticas, vai pedir para mudar o povo, já que o atual não lhe dá qualquer crédito e isso foi bem percetível nos resultados eleitorais das europeias.

Se o Presidente da República cumprisse verdadeiramente a função para que foi eleito, que incluí o juramento de “cumprir e fazer cumprir a Constituição Portuguesa”, o Tribunal Constitucional passaria despercebido.

Infelizmente os portugueses não podem contar com o primeiro magistrado da nação para impedir os desvarios deste governo, como se tem visto ao longo deste mandato da aliança do PSD com o CDS-PP.

Resta-nos apenas o Tribunal Constitucional que, já por oito vezes, chumbou normas que iam muito para além da Constituição Portuguesa e que penalizavam em muito o povo deste país.

Curiosamente sempre que tal acontece e aconteceu Portugal registou sinais que revelam um crescimento económico acima do expetável.

Mais do que as políticas do governo de Passos Coelho, são, no fundo, os chumbos do Tribunal Constitucional que tem motivado algum crescimento da economia do país.


Vivemos assim numa realidade aflitiva de termos um governo que não se inibe de apresentar, constantemente e de uma forma bem consciente, normas inconstitucionais e de termos um Presidente que aceita tudo sem pestanejar.