Assistimos recentemente à visita
da Ministra da Agricultura e do Mar que veio à Região tratar de assuntos
ligados ao sector agrícola, área de vital importância para a economia dos
Açores.
Os Açorianos esperavam que aquela
governante também viesse tratar de assuntos ligados ao mar e às pescas, áreas
que também tutela, mas sobre essas questões, também elas relevantes, nada
disse.
Esta falha, propositada ou não,
leva-nos a acreditar que a Ministra quer evitar abordar, com as autoridades
regionais, temas importantes que devem ser clarificados o mais rapidamente
possível, como a lei do ordenamento do espaço marítimo, a lei de bases dos
recursos geológicos e a lei das áreas marinhas oceânicas.
São conhecidas as divergências no
entendimento que o Estado e a Região mantêm sobre questões que envolvem a
gestão partilhada e a forma como os Açores podem projetar o país no que
consiste a assuntos do mar.
A Região Autónoma dos Açores tem
mais de dois terços do mar do país e não pode, nem deve, abdicar dessa condição
que a geografia lhe confere, mesmo contra as ideias centralistas que surgem nos
ministérios de Lisboa.
Como diz o nosso povo, a
esperança é a última a morrer. Esperemos que a Ministra venha cá novamente e
traga na sua bagagem boa vontade para pôr em prática a revolução na economia do
mar muito prometida pelo seu governo mas cujos resultados tardam em aparecer.
Contamos também que a Ministra
venha aos Açores apresentar, pela primeira vez no país, o Roteiro Nacional do
Mar, tal como referiu informalmente, reconhecendo, com este gesto, a
importância estratégica do mar dos Açores na projeção atlântica de Portugal.
Carlos César foi confirmado, em
sede da Comissão Regional, no passado sábado, na Ilha Terceira, como candidato
do Partido Socialista pelos Açores às próximas eleições nacionais.
Este era um desejo dos
socialistas e de muitos Açorianos, quer pelo prestígio que este político tem
granjeado ao longo da sua carreia política por todas as ilhas, pelas
comunidades emigrantes e mesmo no continente Português, quer pela garantia que
dá de colocar os Açores e a sua defesa em primeiro lugar.
Usando sempre a máxima “temos de
mudar senão o povo muda-nos”, Carlos César fez o seu percurso sem se deslumbrar
com o poder, ao ponto de sair por força de uma norma redigida por ele próprio
que, muito embora existissem diversas interpretações, acabou por cumprir para
que não subsistissem quaisquer dúvidas.
Se esta escolha reuniu o consenso
do partido, dos militantes e de muito simpatizantes, o que se está a passar no
PSD-Açores parece exatamente o contrário.
Estão na rua duas candidaturas a
cabeça de lista. Por um lado, Mota Amaral, e por outro, Berta Cabral. Nos
jornais já se contam espingardas para a luta que aí vem.
Como se sabe Mota Amaral não
reúne muitas simpatias por parte de Passos Coelho e companhia, pelas críticas ao
executivo que tem ensaiado ao longo deste mandato. Já Berta Cabral é vista como
uma boa embaixadora do pensamento que domina este governo.
O dramático nisto tudo é que a
escolha do cabeça de lista do PSD pelos Açores está a ser feita, pelo menos é o
que parece, pela direção nacional daquele partido, ou seja, o próprio Passos
Coelho, mandando às malvas a autonomia que aquele partido conquistou ao longo
dos 40 anos que tão efusivamente foi comemorando ao longo dos últimos meses.
Estamos, mais uma vez, perante
duas formas de exercer a autonomia.
Não é a primeira vez que isso
acontece, nem será a última, com toda a certeza. O PSD de Duarte Freitas vota
favoravelmente os cortes nos apoios sociais no país e aqui nos Açores quer dar
lições de como bem-fazer.
Mas esta postura não ocorre
apenas quando estamos perante as questões sociais. Aconteceu quando se discutia
a RTP-Açores ou a Universidade dos Açores. Aconteceu também, mais recentemente,
com o novo modelo de mobilidade aérea.
No caso do financiamento do
serviço público de televisão ou do financiamento do ensino público, o
PSD-Açores sempre quis que o Governo dos Açores resolvesse as questões
relativas àqueles organismos mesmo sabendo que essa era a responsabilidade da
República. No caso do novo modelo de mobilidade aérea basta lembrar a ideia de
Berta Cabral, em 2012, para a qual a solução seria reservar parte do orçamento da
Região para financiar o que é, afinal, obrigação do Estado Português.
No Parlamento Açoriano
discutiu-se um pacote de três propostas do PSD na área social que, segundo o
partido proponente, decorreu de uma profunda reflexão junto de várias
instituições de solidariedade social dos Açores.
Uma delas, ficou a saber-se, era
uma cópia da legislação nacional e as restantes referem-se a temas que se
encontram em fase de análise e estudo numa estrutura de missão criada
exatamente para esse efeito e que, inclusivamente, já produziu trabalho com
aplicação prática.
Todas as propostas merecem a
melhor atenção dos eleitos, mas, por vezes, parece que se propõe só porque sim.
Na passada quarta-feira esteve na
Assembleia Legislativa uma delegação da Comissão das Pescas do Parlamento
Europeu que visita os Açores, para conhecer a realidade deste sector importante
para a nossa economia.
No encontro os deputados
Açorianos, de todos os partidos, tiveram a hipótese de transmitir a sua visão
sobre a fileira da pesca e as suas preocupações.
Uma das questões levantadas teve
a ver com as quotas impostas pela União Europeia aos pescadores dos Açores e
que, obviamente, têm de ser respeitadas.
A recente redução da quota do
goraz vai penalizar algumas comunidades piscatórias que dependem muito desta
espécie, sobretudo no próximo ano, em a quota será novamente reduzida. São os
casos do Corvo, Flores e Graciosa.
Como é do conhecimento geral, as
artes de pescas utilizadas maioritariamente pelos profissionais do sector
nestas ilhas, são artesanais e, como tal, de impacto muito menos agressivo na
vida marinha. A maioria da nossa frota tem menos de nove metros de comprimento
e pesca, sobretudo, com linhas de mão.
A gestão dos stocks é uma obrigação de todos: começando nos decisores políticos,
passando pela comunidade científica e acabando nos pescadores e as suas
associações representativas. Todos devem ter presente que este tema tem de
merecer um cuidado estudo e posterior acompanhamento para garantir a
sustentabilidade da atividade.
Foi com satisfação que, no final
da visita, ouvimos a Vice-presidente da Comissão das Pescas do Parlamento
Europeu admitir alterar os atuais critérios, reconhecidos por muitos como
injustos, para a atribuição das quotas nos Açores, recompensando com mais quota
os que utilizam métodos de pesca mais seletivos.
É por estas e por outras que é
importante conhecer a realidade.
Ontem começaram as operações das companhias aéreas de baixo
custo nos Açores, permitidas pela liberalização de dois destinos: Ponta
Delgada, em S. Miguel, e Lajes, na ilha Terceira.
Num primeiro momento as companhias, que passaram a viajar
para a região, optaram por fazê-lo apenas para o aeroporto João Paulo II, por
razões estratégicas, com certeza.
Neste novo modelo, que já ouvi chamarem revolução, com toda a
razão, garantirá aos Açorianos uma proteção especial no custo das passagens,
que não poderá ultrapassar 134 euros para os residentes e os 99 euros para os
estudantes, seja qual for a opção do aeroporto de saída.
Quando a Região Autónoma da Madeira liberalizou o seu espaço
aéreo houve quem defendesse o mesmo para os Açores, muito embora agora todos
percebam que o nosso modelo em nada se assemelha ao do arquipélago vizinho, que
não garante qualquer tipo de proteção aos seus habitantes.
É importante reter, neste novo esquema de acessibilidade, que
o destino Açores é único e um turista que queira fazer as suas férias na Ilha
Graciosa paga exatamente o mesmo do que se fosse para S. Miguel. Os residentes
podem optar pela gateway que lhe for
mais em conta, seja pela Terceira, Pico, Faial, Santa Maria ou S. Miguel, escolhendo
a companhia que mais lhe convier, normal ou low
cost, tendo sempre a certeza que, caso o seu bilhete custe mais do que os
valores referidos, pode fazer o reembolso da diferença numa estação dos CTT,
logo depois de iniciada a viagem.
Outro dado importante tem a ver com os reencaminhamentos. Um
voo Graciosa para Lisboa, Porto ou Funchal tem exatamente o mesmo preço do que
se a partida ocorresse em S. Miguel.
Este novo modelo permite a competitividade das empresas aéreas
e aeroportos ao mesmo tempo que garante um preço máximo razoável para
residentes e estudantes.
É caso para concluirmos que, a partir de agora, nada será como
antes. Mais facilidades na mobilidade dos Açorianos e maiores oportunidades
para quem nos quer visitar, serão os resultados desta liberalização.
Mas isto não é tudo. O resto depende mesmo de nós…
Na qualidade de deputado
municipal tenho acompanhado a atividade da Câmara de Santa Cruz da Graciosa,
como é meu dever, na qualidade de eleito para a Assembleia Municipal.
A vários propósitos têm surgido,
ultimamente, algumas declarações públicas, em jeito de notícia, de que o
Presidente da Câmara deste concelho tem sido muito presidencialista e, em casos
mais extremos, é mesmo acusado de ter tiques de ditador por tomar decisões que
deveriam ser tomadas no âmbito do executivo camarário.
Conheço desde há muito o autarca
referido. Tenho trabalhado com ele, mais de perto, a partir de 2004 e, muito
sinceramente, nunca descortinei esta característica que lhe querem atribuir,
por isso só quero acreditar que se trata de puro engano ou então de uma
maldadezinha da oposição, sempre à procura de motivos para desancar.
Vejamos. A primeira vez em que
isso aconteceu, que me recorde, foi aquando da atribuição do nome do senhor
Manuel Barcelos ao passeio marítimo da Rochela. Na reunião da Câmara Municipal
de 2 de janeiro, do corrente ano, o Presidente da Câmara Municipal foi acusado
de não ter cumprido o estipulado na alínea ss) do número um do artigo 33º, da
Lei 75/2013, que diz que compete à Câmara Municipal “Estabelecer a denominação
das ruas e praças das localidades e das povoações, após parecer da correspondente
junta de freguesia”.
As acusações renovaram-se, num
tom ainda muito mais duro, aquando da aprovação do Regulamento de Cedência de
Lotes na Zona Industrial, chegando o PSD a considerar, e cito, “é mesmo
vergonhoso que a restante vereação socialista consinta que o presidente de
câmara tenha espelhado esse seu poder absoluto num simples regulamento de
atribuição de lotes (…)”.
Parece-me que a cedência se pode
encaixar na alínea g) do referido artigo “Adquirir, alienar ou onerar bens
imóveis de valor até 1000 vezes a Retribuição Mínima Mensal Garantida”, ou a gestão
do parque industrial se possa enquadrar alínea ee) que refere que compete à
Câmara Municipal “Criar, construir e gerir instalações, equipamentos, serviços,
redes de circulação, de transportes, de energia, de distribuição de bens e
recursos físicos integrados no património do município ou colocados, por lei,
sob administração municipal.”
Ora bem, se fosse só assim o
Presidente da Câmara Municipal talvez estivesse a desrespeitar a Lei 75/2013,
mas o problema, ou não, é que o artigo 34º dessa lei permite que a Câmara
Municipal delegue no seu Presidente algumas competências do artigo 33º, onde
estão incluídas as alíneas g), ee) e ss).
Acontece, também, que na primeira
reunião do atual mandato, que ocorreu no dia 24 de outubro de 2013, a Câmara
Municipal aprovou, por maioria, com 2 votos a favor do PS e duas abstenções do
PSD, a delegação de competências no Presidente da Câmara, que incluem aquelas três
alíneas e que legitimam a sua ação nestas situações em que foi muito maltratado
pela oposição, pelos vistos sem qualquer razão.
Se foi só por isso, aquelas
acusações caem por terra e reiteram o conceito de que a crítica não deve ser
leviana nem gratuita.
Depois de anos a questionar as
tarifas e o modelo de transporte aéreo existente nos Açores, eis-nos a poucos
dias da implementação de um outro modelo que irá implicar uma mudança radical
nas acessibilidades por via aérea à Região.
Nenhuma mudança de paradigma é
pacífica. Surgem inúmeras dúvidas e muitos “ses”, mas, mais do que isso, há
muita gente que, perante a inevitabilidade da mudança das novas obrigações de
serviço público e da liberalização dos aeroportos de Ponta Delgada e das Lajes,
agora procura novas desculpas para contestar ou, pelo menos, duvidar do novo
modelo.
Este complexo processo implicou,
naturalmente, longas negociações entre os executivos da Região e da República,
mas, finalmente, chegou ao seu fim e, aparentemente, bem recebido população.
Da parte do Governo Regional
sempre houve a intenção de proteger os Açorianos neste novo figurino. Esse
desígnio foi alcançado, e ainda bem, com o estabelecimento de valor máximo de
134 euros nas ligações com o Continente e a Madeira e os estudantes terão o seu
bilhete sempre abaixo dos 100 euros. Recorde-se que a Região Autónoma da
Madeira, aquando da liberalização, não conseguiu garantir essa proteção para os
seus habitantes, o que implicou preço exorbitantes em determinados períodos do
ano.
A mobilidade dos Açorianos para
fora da Região ficará facilitada com as novas regras, não só pelos preços de
mercado mas também pela concorrência entre empresas e mesmo entre aeroportos de
entrada e saída dos Açores.
Também se prevê, através das
operações das empresas de baixo custo, maiores fluxos de turistas para as
nossas ilhas e por isso é importante estarmos preparados para o que aí vem.
É caso para dizer que a partir do
primeiro dia de abril nada será como antes.
A oposição tem por hábito atacar
o Governo Regional pela crise que afeta a Região Autónoma dos Açores, tentando,
a todo o custo, desligar a nossa situação com o que se passa no resto do País e
por essa Europa fora.
A esse propósito, foi utilizada,
por um lado, uma suposta afirmação do anterior Presidente do Governo de que a
crise não chegaria aos Açores e, por outro, foi enfatizada a taxa de desemprego
e, no entendimento do PSD, a anemia no investimento que se tem verificado nos
últimos tempos.
Para começar, se a oposição
quisesse ser verdadeira, teria dito que Carlos César, aquando do surgimento
desta enorme crise a nível de Portugal e da Europa, afirmou, tão só, que o seu
Governo tudo faria para que esta chegasse mais tarde aos Açores. Esta é a
verdade.
E foi isso que aconteceu e é isso
que o Governo de Vasco Cordeiro está a fazer. Alocar verbas para apoiar as
famílias e as empresas, de modo a manter o consumo e conservar postos de
trabalho, tem sido uma prioridade, quer a oposição goste ou não. O reforço dos
apoios sociais e a reposição dos cortes impostos por Lisboa têm sido
fundamentais para minimizar os efeitos desastrosos da austeridade.
Relativamente ao investimento, ou
à falta dele, o PSD, interpelante nesta discussão, devia queixar-se a Passos
Coelho. Foi o seu Governo que, com a sua férrea vontade de ir mais além do que
a troika, reduziu drasticamente o
investimento privado e condicionou o investimento das autarquias locais. O
Governo Regional fez a sua parte ao manter o mesmo nível de investimento para
não agravar ainda mais a situação.
No que se refere às questões que
envolvem o aumento do desemprego, que tem merecido uma forte crítica do PSD, o
Governo e o Partido Socialista que o suporta reconhecem que é um problema grave
que tem origem em diversos fatores, sobretudo externos e já referidos. Houve
uma destruição de emprego nestes anos de crise, sobretudo na construção civil e
isso constitui uma preocupação para qualquer cidadão consciente.
Mas nesta matéria de emprego o
Partido Socialista não recebe lições do PSD. No último Programa Regional de
Emprego, que encerrou em 2008, surgiram mais 21.433 ativos e um incremento de
mais 39% de mulheres e mais 55% de jovens no mercado de trabalho. Esse é um
património que nos orgulha. Nessa altura o PSD nada disse e é por isso que,
também, nada se espera desse mesmo PSD quando se regista uma recuperação de
cerca de 3.900 postos de trabalho em 2014.
Curiosamente no Programa de
Emprego executado pelo PSD, é importante recordar, apenas se registou um
aumento de 30 ativos. É muito pouco para um partido que quer ser alternativa.
Relembra-se, também, que o PSD,
quando chamado a dar ideias para ajudar a resolver o problema, como proposta para
criar emprego apresentou uma que, afinal, tinha a ver com a exploração de
petróleo e hulha, atividades que por cá não existem nem nunca existiram.
Sobre o emprego o PSD, além da
anemia com que acusa os outros, sofre de amnésia profunda e, na hora de
apresentar ideias, demonstrou uma enorme dose de distração que até deu pena.
O estado - com a intenção de
conter a fuga aos impostos, combate que já tem alguns anos - utiliza a informação
cruzada como uma das armas que leva aos cofres do estado muitos milhões de
euros que, de outra maneira, não seriam cobrados.
Ao fisco juntou-se também a
segurança social que tem vindo a recuperar muitas contribuições que estavam
perdidas ou, pelo menos, classificadas como de cobrança difícil.
Se juntarmos a isto o combate à
lavagem de dinheiro que provém de atividades ilícitas, pode-se concluir que
este caminho impõe alguma justiça contributiva e aumenta, em muito, as receitas
do estado.
Este cenário aparentemente
certinho leva-nos a outras questões que, pelo menos em termos humanos,
fazem-nos pensar.
Não obstante alguns avanços na
máquina fiscal, neste governo de direita, que dirige o país desde 2011, grassa
a insensibilidade social. Impôs cortes nos rendimentos das famílias e das
empresas e implementou reduções nos direitos e benefícios que foram conquistados
no alvor da democracia em Abril de 1974.
Esta política atirou para a
pobreza milhares de pessoas, assim, de um dia para o outro, sem contemplações.
Esta franja a quem o Estado Português apertou o cinto, está a perder casas e
outros bens por incumprimento das suas obrigações fiscais e de outra índole.
Sempre houve penhoras ao longo
dos tempos para a execução de diversos tipos de créditos, mas o que está a
acontecer comprova que a autoridade tributária, para além de ter ganho alguma
eficiência, denota grande frieza na execução de penhoras de bens imóveis por
dívidas de valor irrisório.
As propostas legislativas
apresentadas na Assembleia da República que visavam impedir que tais situações
acontecessem, foram chumbadas pelo PSD e CDS-PP.
Prevê-se, assim, que a escalada
das penhoras por dívidas continue, mesmo aquelas em que o seu baixo valor não
justificam uma atuação tão drástica.
Dizer é fácil, fazer é que é mais
difícil. Mais do que nunca esta verdade insofismável, que tem passado de
geração em geração, ganha valor no nosso dia-a-dia e, sobretudo, na vida
política.
O maior partido da oposição nos
Açores e o seu líder recentemente reeleito, ainda não perceberam que grande
parte das dificuldades que a Região atravessa, têm a ver com os
constrangimentos financeiros impostos pelo Governo de Passos Coelho,
nomeadamente o aperto fiscal com que sujeitou todos os Portugueses e que,
segundo agora veio a público através de afirmações de altos funcionários
europeus, terá sido muito acima do necessário e do humanamente aceitável.
E é evidente, também, que se não
fossem as medidas extraordinárias criadas pelo Governo Regional para minimizar
os impactos negativos dessa crise nacional e europeia, os mais frágeis teriam
ainda mais dificuldades e a situação social seria muito pior. Só não vê quem
não quer.
Passando por cima desta realidade,
o PSD continua a fazer aquilo que faz melhor: prometer tudo sem explicar como o
fazer, ignorando completamente o sufoco imposto a Portugal pelo seu partido nos
últimos três anos, que provocou a destruição sem paralelo de emprego, o desmantelamento
de inúmeras empresas, a criação de novos pobres e mandando para fora uma
geração inteira que já não acredita no seu próprio país.
Hoje, mais do que no passado,
pede-se responsabilidade e bom senso aos atores políticos. As promessas devem
ser fundamentadas e as propostas têm de ser exequíveis.
O povo sabe que quando a esmola é
grande até o santo desconfia.
Terminou mais um Carnaval. Como
diz o nosso povo, “tudo o que é bom também tem o seu fim”. A esse respeito, um
conhecido folião dizia-me, do alto da sua já provecta idade, que o dia mais
triste do ano era, para ele, a quarta-feira de cinzas.
Na Ilha Graciosa o Carnaval molda
o quotidiano dos Graciosenses desde o Natal. Os afazeres do dia-a-dia são
intercalados - para além dos convívios proporcionado pelas matanças do porco,
dos dias dos amigos, das amigas, dos compadres e das comadres - pelos bailes
tradicionais que se realizam nos clubes desportivos, recreativos e filarmónicas
por toda a ilha, primeiro ao fim de semana e, na parte final desta época, praticamente
todos os dias.
O convívio e o reencontro com
amigos marcam estes momentos de alegria, mas o divertimento puro e duro é o
resultado mais visível deste período. Dá a ideia que os Graciosenses, dizem os que
nos visitam, aprenderam a dançar à saída do berço. Novos e velhos fazem jus
dessa fama e todos se empenham em dar fulgor ao Carnaval, gingando até
amanhecer ao ritmo dos acordes dos conjuntos musicais que animam os salões.
O Carnaval da Graciosa sempre foi
diferente. Na sua génese está o mote “diversão para todos”. As pessoas
deslocam-se aos clubes para assistir ao ritmo dos bailarinos e ao colorido das
fantasias mas não abdicam de participar ativamente nos longos bailes que só
esmorecem depois do nascer do dia.
Curiosamente os clubes fazem o
mesmo que fazem as famílias Graciosenses. Franqueiam as suas portas e recebem,
como ninguém, os forasteiros, fazendo tudo para que se sintam bem.
Todos os anos ouvimos os mais
pessimistas augurarem o fim do Carnaval tal como tem sido até agora. Mas todos
os anos assistimos, também, ao renovar do entusiasmo por parte das direções que
dão um brilho especial aos festejos carnavalescos, quer na decoração das salas,
nas coreografias e na elaboração das fantasias.
Este ano cumpriu-se, e bem, a
tradição. Para o ano há mais…
O atual líder do PSD - Açores será,
ao que parece, o único candidato a um novo mandato como presidente daquele
partido.
No lançamento da caminhada para o
seu renovado mandato, o atual e, mais do que provável, futuro presidente do
PSD-Açores, agora um pouco mais conhecido fruto da campanha dos outdoors em todas as ilhas dos Açores, lançou
as ideias chave da sua candidatura.
Entre uma série de propostas, que
surgem naturalmente nestes períodos de definições partidárias, houve algumas, a
que denominou “reformas”, que chamaram à atenção dos mais atentos nestas coisas.
Uma delas passa pela redução do
número de cargos políticos na administração regional e pela extinção dos cargos
de delegados de ilha das secretarias regionais.
Se pudéssemos recuar a 2011,
certamente iriamos encontrar declarações de Pedro Passos Coelho, o seu amigo de
Lisboa, que iam também nesse mesmo caminho, defendendo a ocupação de cargos
apenas pelo mérito profissional e não pela cor do cartão partidário. O que se
viu foi precisamente ao contrário e esse facto é público. Ainda recentemente o
país ficou a saber que os cargos de chefia da Segurança Social foram todos
ocupados por gente ligada ao PSD e ao CDS-PP. O mérito ficou à porta…
Ainda sobre esta questão,
populista e demagógica, o presidente do PSD deve entender-se com o seu líder
parlamentar, curiosamente a mesma pessoa, porque a prática deste partido não
parecer ser assim tão consentânea com aqueles ideais.
Quase à mesma hora desta
terça-feira em que Duarte Freitas apresentava a sua candidatura, o seu PSD na
Assembleia propunha a criação de uma unidade técnica para acompanhar o sector
público empresarial da Região.
Na tarde de ontem, quarta-feira,
o PSD propôs a criação de mais uma unidade técnica, desta vez para apoiar o
orçamento.
Estamos assim. Um dia o PSD
liderado pelo presidente do partido, Duarte Freitas, quer reduzir em tudo, no
dia seguinte, ou até no próprio dia, o mesmo PSD em Plenário, liderado pelo
líder parlamentar, o mesmo Duarte Freitas, quer mais serviços e, por
conseguinte, mais despesa.
Ao procurar-se o significado de
política ou de fazer política encontramos várias definições, desde “ciência de
governação”, passando por “arte de negociação para compatibilizar interesses” e
até “ciência que busca estabelecer mecanismos que permitam a construção
coletiva do bem comum”.
Fazer política não é só fazer
campanha eleitoral, votar, ser eleito e responder ao eleitorado. É, de facto,
muito mais do que isso. Participar nos debates de assuntos de interesse
público, influenciar ou tentar influenciar nas questões mais corriqueiras do
dia-a-dia, manter-se atento e participativo no que se passa na comunidade, são
também formas de exercer os direitos cívicos e, no fundo, fazer política.
Visto por este prisma chegamos à
conclusão que, afinal, todos fazemos política, de uma maneira ou de outra,
muito embora muitos jurem a pés juntos que não o fazem.
Nesta busca por conceitos mais ou
menos definidos, porque, como em tantas outras coisas, o seu significado não é
linear, não encontramos lugar para encaixar aqueles que fazem da política um constante
deita abaixo ou se entretém a puxar para trás.
Infelizmente quanto mais nos
aproximamos do período eleitoral mais baixo voam as negras aves da desgraça à
espera que algo corra mal, para logo desferirem os seus ataques.
Esta espécie de política feita às
avessas é capaz de, em certos momentos, dar notoriedade aos seus autores, mesmo
que efémera, mas, certamente, não contribuirá para o bem coletivo, que é, no
fundo, aquilo que os deveria motivar.
É pena que alguns partidos, em
círculos bem definidos e em pleno século XXI, façam dessa prática o seu modo de
vida.
A empresa Organizações Filnor
Lda. foi distinguida com o prémio Estatuto PME Excelência 2014 pelo seu desempenho
económico-financeiro e de gestão.
Esta empresa, com atividade e
sede na Ilha Graciosa, faz parte de um restrito leque de 29 empresas Açorianas,
3 de São Jorge, 6 da Terceira, 1 de Santa Maria e 18 de São Miguel, que
cumpriram os requisitos para obterem essa honrosa distinção.
Este reconhecimento, associado a
outros ligados ao desporto, à qualidade dos produtos locais, à qualidade
ambiental e ao enorme esforço que agricultores e pescadores fizeram para se
modernizarem, deve orgulhar-nos.
Vencer um prémio destes, sair
vencedor num concurso de vinhos, ganhar um campeonato de ralis, ser vencedor
numa série nacional voleibol, ser campeão em xadrez, ir a uma final da Taça
Açores, vencer e bater um recorde no desporto escolar, não é para todos. São
feitos difíceis de alcançar numa ilha com menos de 5.000 habitantes, pela
dimensão da economia e pelo reduzido campo de recrutamento, mas possíveis, como
a realidade tem comprovado no passado recente.
Num tempo difícil, em que vivemos
enredados numa grande crise económica, financeira e social, nada melhor do que
fazer uma introspeção para reconhecermos que temos muitas coisas boas e com
valor.
As contingências conhecidas e os
obstáculos nunca foram suficientes para quartarem a vontade de vencer dos
habitantes desta terra.
A cada um de nós compete lutar
pela excelência e aos governos, regional e municipal, compete criar condições
para que tal seja possível.
Sabe-se que temos ainda um longo
caminho a percorrer porque não está tudo feito. Mas o que foi feito até aqui é
muito mais do que falta fazer, não haja dúvida.
Na passada terça-feira fiquei a
saber, pela boca do líder do maior partido da oposição, a propósito dos
problemas relativos à redução anunciada na Base das Lajes, que os Terceirenses
tinham “resistido ao sismo de 1980 de forma eloquente”.
Fiquei a saber, repito, porque
sinceramente não me tinha apercebido disso, apesar de lá ter estado nesse dia
de triste memória e de ter acompanhado, como todos os Açorianos, o processo
desencadeado após esse evento de efeitos devastadores.
Vimos, ouvimos e sentimos os
Terceirenses, depois do choque terrível por verem a sua ilha praticamente
destruída e o seu património, pessoal e coletivo, reduzido a escombros, encherem-se
de coragem para ultrapassar as amarguras e deitar mãos à obra para reconstruir a
cidade de Angra do Heroísmo e as dizimadas freguesias à sua volta.
O processo de reconstrução, que
contou com a orientação e o empenho exemplar do Governo Regional, só foi
possível com a solidariedade de diversas entidades, nomeadamente a do Governo
da República, fator que se revelou decisivo para o sucesso de todo este complexo
procedimento.
Nesta longa luta pela recuperação
de uma ilha inteira, houve muito mais do que a eloquência referida. Houve
capacidade de resiliência de um povo que viu renascer dos escombros, aos
poucos, as casas, os estabelecimentos comerciais, os palácios e os templos
religiosos. Povo que esperou para ver ressuscitar a atividade económica e assistir
ao regresso à normalidade.
A Ilha Terceira enfrentou outros problemas
em 2013, como as intempéries que assolaram algumas freguesias. Hoje aquela ilha
enfrenta a ameaça da anunciada redução de efetivos e de trabalhadores na Base
das Lajes.
Se no primeiro caso a
solidariedade do Governo da República não funcionou, no segundo ainda não deu
para perceber qual o papel que está a desempenhar neste assunto.
É conhecida a ação do Governo
Regional e do seu Presidente na resolução destas situações. Ao líder do PSD
pede-se que utilize a sua eloquência para chamar à razão os senhores lá de
fora, aqueles que andam sempre de pin
na lapela, e dizer-lhes que aqui também é Portugal.
A notícia era esperada mas foi
recebida como um murro no estômago, à falsa-fé. Os Americanos vão mesmo reduzir
a Base das Lajes a uma simples estação de serviço no meio do atlântico. A
presença daquela força militar será diminuída e, por esse motivo, serão
reduzidos os postos de trabalho de muitos Portugueses. Fala-se em dois mil,
entre os diretos e os indiretos.
A diplomacia norte-americana
nunca nos enganou. Os Estados Unidos da América, ao deixarem de ter o interesse
por aquela estrutura militar, deram agora o golpe de misericórdia e vão embora
sem qualquer asco, deixando cá apenas o mínimo para quando precisarem. É tipo
pastilha elástica, quando fica sem sabor deita-se fora…
No meio desta turbulenta redução
de meios por parte daquele país, que jura ser nosso aliado, resta-nos aferir
qual foi o papel do Governo da República. Fica a dúvida se nestes dois últimos
anos tudo foi feito para inverter esta intenção ou se, por outro lado, a
diplomacia Portuguesa se terá deixado encantar por outras contrapartidas, como
insinuou o embaixador norte-americano quando afirmou que já estava tudo
devidamente acertado. Ambas as situações, a confirmarem-se, são graves.
O Governo Regional dos Açores tem
acompanhado a par e passo esta situação e feito um grande esforço no sentido de
minimizar os estragos daquela decisão, com o apoio, sejamos justos, de todos os
partidos com assento na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores. Foram
dois anos de trabalho silencioso, como era conveniente, aproveitando os
contributos das câmaras municipais da Ilha Terceira, das oposições e de outros
parceiros sociais com ligações a este processo.
Foi preparado um programa para
mitigar o efeito previsto, que, muito certamente, cairá em catadupa a partir de
agora. Muitos conheciam-no, mas ninguém ousou falar dele para não enfraquecer a
posição de Portugal.
Aparentemente o Governo da
República, perante esta realidade que afetará irremediavelmente a economia da
Terceira e dos Açores, assobia para o lado. O primeiro-ministro comporta-se
como se esta catástrofe não acontecesse no seu (nosso) país e o ministro dos
negócios estrangeiros, num assalto de incompreensível ciúme, parece mais
interessado em definir as competências do que tratar o que realmente interessa.
Num momento em que seria
necessário impor uma posição firme de Portugal, exigindo responsabilidade e os
seus direitos, vemos os seus maiores representantes de cócoras.
Não se admirem, portanto, de
verem os Açorianos numa busca desenfreada por soluções porque quando o Estado
falha desta maneira é preciso que alguém faça alguma coisa.
A SATA iniciou a sua operação
comercial a 15 de Junho do longínquo ano de 1947. São quase 68 anos de
atividade dedicada ao transporte de passageiros e cargas.
A empresa foi sofrendo várias
alterações e consequentes adaptações ao aumento do tráfego que se registou
desde a sua formação. Em 1994 a SATA Internacional, empresa do grupo que
resultou da aquisição da Oceanair,
inicia também a sua atividade.
As duas empresas tem garantido as
ligações inter-ilhas e a acessibilidade ao Continente Português e às
comunidades Açorianas na diáspora.
Tem sido um inestimável serviço
prestado aos Açores e aos Açorianos que faz com que esta empresa seja, de
facto, uma marca prestigiada, interna e externamente.
É a maior empresa exportadora da
Região Autónoma dos Açores e tem um impacto importante na economia,
nomeadamente no emprego.
Com a entrada em vigor das novas
obrigações de serviço público e a liberalização de duas portas de entrada na
Região, Lajes e Ponta Delgada, já a partir de Abril próximo, a SATA tem de
reposicionar-se num mercado que aquela empresa conhece bem e que, sendo
aparentemente o mesmo, estará sujeito a novas regras.
A SATA fez o que tinha a fazer,
dadas as circunstâncias. Preparou um Plano Estratégico para o período 2015-2020
tendo em conta as contingências que a abertura de rotas a novas operadoras irão
provocar e reorientou toda a sua operação, abandonando rotas com pouco
interesse comercial e apostando no mercado da saudade e da macaronésia. Estão
também previstas a renovação da frota e a alteração da designação da SATA
Internacional para Azores Airlines.
Na passada sexta-feira esse
documento foi apresentado à Comissão Permanente da Economia da Assembleia Legislativa,
conforme havia prometido o Governo.
Esperava-se um intenso e saudável
debate sobre as opções, a estratégia e os meios inseridos neste documento
orientador mas, infelizmente, não foi isso que aconteceu.
A atenção de alguns Deputados da
oposição voltou-se para a existência de um outro documento, mais extenso que,
tudo leva a crer, deverá ter servido de base ao documento final e que
inadvertidamente, ou não, foi tornado público.
No final ficamos sem saber o que
pensam os partidos da oposição sobre esta reestruturação e se a querem ou não.
A SATA é demasiado importante
para ser usada como arma de arremesso político.
O CDS emitiu um comunicado a
propósito do início do ano de 2015. Depois de várias considerações sobre o
presente e o futuro, aquele partido demonstrou a sua satisfação pelo
arquivamento do tão falado processo dos submarinos.
Abstendo-me de fazer
considerações ou palpites sobre quem será o culpado, porque não me compete tal
apreciação, o assunto dos submarinos e do que lhe está adjacente merece alguma
reflexão.
Como se sabe este processo teve
na sua génese o suposto pagamento de “luvas” a quem, alegadamente, detinha
algum poder de decisão nesta matéria ou a quem facilitou ou abriu portas para
que o negócio se efetuasse, como, aliás, acabou por acontecer.
O CDS afirma, nesse comunicado,
que nada foi provado e que o partido tinha demonstrado uma grande capacidade de
resistência em todo este processo.
Nada me repugna mais do que os
julgamentos na praça pública. Infelizmente é o que mais se tem visto por aí nos
últimos tempos.
Na Alemanha, país onde foram
construídos os submarinos, foi desenvolvido um processo pelos mesmos motivos e
houve condenação, por corrupção ativa, de pessoas que subornaram outras para
ficarem com este negócio de valores milionários. Ora, como se sabe, se há um aliciador
tem de haver um aliciado. Um não vive sem o outro.
E é aqui que está o problema. Na
Alemanha foram detetados e detidos os subornadores, mas em Portugal a justiça
não conseguiu chegar até aos que se governaram com maquias enormes, provadas
pelos magistrados Alemães que apreciaram o caso, ao contrário do que aconteceu
na Grécia num caso idêntico e que envolvia também a mesma empresa naval.
No nosso caso a justiça ficou
coxa e à conta disso os ladrões encontram-se cá fora. É uma triste realidade.
No dia 1 de Janeiro de cada ano,
depois da festa da passagem de ano, é o momento de fazer o balanço do ano que
terminou e de perspetivar o futuro.
Para o ano que hoje começa as
perspetivas, no contexto Nacional, não são muito animadoras: o IVA vai
manter-se na taxa atual, o Imposto sobre Veículos aumenta 3%, a cláusula de
salvaguarda no IMI que impedia o aumento superior a 75 euros por ano, vai ser
eliminada, os impostos verdes vão surgir, o preço da eletricidade vai aumentar,
tal como os impostos sobre o tabaco e o álcool, são alguns dos exemplos do que
nos espera.
Como novidades teremos a
aplicação da reforma do IRS e as novas tabelas de retenção na fonte com
entregas previsivelmente mais baixas, o atenuar ligeiro dos cortes na Função Pública,
o fim da Contribuição Extraordinária de Solidariedade nas pensões até 4.611
euros e o aumento de 1% nas pensões mínimas, que corresponderá a um crescimento
mensal de 2,5 euros apenas.
Nos Açores, apesar do Governo da
República ter reduzido as transferências para a Região e de ter diminuído o
diferencial fiscal, foram criados mecanismos sociais que têm atenuado esta
crise nos últimos anos.
Os números de 2011 e de 2013,
recentemente divulgados, são bastante animadores e permitirão, a curto prazo,
melhorar a vida dos Açorianos.
O Produto Interno Bruto dos
Açores (PIB) registou, em 2013, o maior crescimento de todas as regiões do
País, com 1,7%. O PIB per capita dos
Açores é de 14,9 mil euros, enquanto no Norte era de 13,3 mil euros, 14,0 no
Centro e 15,1 no Alentejo. A Região Autónoma dos Açores foi a que mais
convergiu para as médias Nacional e da União Europeia. Ficamos também a saber
que a em 2011 as famílias dos Açores tiveram um rendimento disponível bruto de
11.913 euros, superior à média Nacional, que se situava nos 11.532 euros.
Apesar de alguns insistirem em
puxar para baixo, tentando ensombrar estas conquistas com anúncios repetidos da
maior crise de sempre nos Açores, o Governo Regional, numa grande parceria com
a sociedade civil, tem avançado na melhoria dos indicadores económicos apesar
desta conjuntura muito difícil que atravessamos.
A boa governação e o empenho das
empresas e dos seus trabalhadores dão-nos a garantia que estamos no caminho
certo.
O Imposto Municipal sobre os
Imóveis constitui uma receita importante para as autarquias. Dos 308 municípios
Portugueses, menos de metade, ou seja 135, vão continuar a aplicar a taxa
mínima (0,3%), tal como já o fizeram no ano 2014.
Nos Açores, do total das 19 Câmaras
Municipais, 3 estão a aplicar e vão continuar a aplicar a taxa máxima (0,5%) e
16 vão manter a taxa mínima.
Em 2015, como é do conhecimento
público, deixa de existir a cláusula de salvaguarda que impedia aumentos
repentinos na sequência das novas avaliações dos imóveis. O estado irá ter um
encaixe 1.632 milhões de euros em receita deste imposto, ou seja, mais 25% do
que o arrecadado em 2013, agravamento provocado, em grande medida, pelo
desaparecimento deste mecanismo que travava a subida do imposto.
Este aumento vai repercutir-se,
como sempre, no bolso dos Portugueses. É mais um contributo para o
empobrecimento do país que viu a troika
tirar, nos últimos 3 anos, 5,8 mil milhões de euros ao rendimento do trabalho e
a dar 4,4 mil milhões à remuneração do capital.
A Câmara Municipal de Santa Cruz da
Graciosa, tal como a maioria dos municípios Açorianos, propôs, mais uma vez,
manter a taxa mínima deste imposto em 2015, tal como já o fizera com a derrama.
É uma maneira de suster, em certa
medida, o aumento deste imposto que surgirá encapotado em 2015.
Naquele tempo os comerciantes
puxavam pela imaginação para aumentarem as vendas. Criavam um serviço de
distribuição de prendas, lideradas por um Pai Natal vestido a rigor, instalado
num Ford ou num Opel, em substituição dos trenós, coadjuvado por um condutor
que normalmente era o dono da loja.
Cumprida a obrigação da Missa do
Galo ali estava eu, com o nariz esborrachado na vidraça embaciada pelo respirar
ofegante provocado pela emoção do momento, à espera do Pai Natal.
Via-os passar para cima e para
baixo e perguntava-me por que raio não paravam na minha casa. Assolava-me a
dúvida se o meu comportamento teria alguma coisa a ver com essa postura do Pai
Natal, ignorando os esclarecimentos avisados da minha mãe que me tentava acalmar
dizendo que o Pai Natal não podia parar em todas as casas ao mesmo tempo, explicação
que eu me esforçava por acreditar que fosse verdade.
Era madrugada. Já tinha desistido
da janela. Recostado no sofá, dividindo o tempo entre contemplar o piscar das
lâmpadas coloridas que contornavam uniformemente a árvore e umas rápidas
passagens pelas brasas, ouvi o carro parar à frente da minha casa e daí a pouco
era a campainha a sinalizar a visita do Pai Natal.
Por entre algumas frases que a
ocasião proporciona, o Pai Natal dobrou-se e do fundo do seu saco encarnado
retirou dois embrulhos que me eram destinados. As pulsações aumentavam tal a
ansiedade.
Abri o primeiro dos presentes.
Dois pares de meias e duas cuecas. Abri o segundo, muito mais apreensivo. Era
uma bola de futebol, muito diferente das bolas de plástico que eu e os meus
amigos havíamos recebido no ano anterior. O seu cheiro fazia-me pensar que era
de muito melhor qualidade, parecia borracha e tinha uma válvula para ajustar a
sua pressão. Era uma bola e tanto… Nunca tinha tido uma igual.
No dia seguinte dei a volta pelas
casas dos meus amigos, orgulhoso e de bola debaixo do braço ia distribuindo
convites verbais para uma futebolada
na Avenida.
A Avenida tinha uma
particularidade ideal para este tipo de brincadeiras. Até ao Hospital ainda
havia algum movimento, mas a partir da casa dos magistrados apenas passava o
senhor Mário, com o camião Scania da Junta Geral, ou o senhor Luís Coelho para
o Rádio Farol. Como estávamos perante um dia feriado apenas podíamos ter algum
movimento para o Rádio Farol.
Na hora marcada, lá estávamos
nós. Depois de divididas as equipas começaram as hostilidades. O jogo era
intenso e exigia de nós muita atenção. As balizas eram marcadas com pedras e o
meio do campo era calculado a olho.
Entusiasmados com o decorrer do
jogo e embrenhados na missão de marcar mais golos que o nosso adversário, não
reparamos na aproximação de um polícia que, numa missão destinada a manter a
ordem pública, interrompeu o jogo e apreendeu a minha preciosa bola.
De lágrimas nos olhos vi o agente
da autoridade, com um ar malicioso, afastar-se com a bola que o Pai Natal me
havia presenteado horas antes.
Por entre a raiva e a
incompreensão por tal zeloso ato, vi, deste modo, ser destruído um sonho de
criança.
Nas Pescas - sector relevante para a economia dos Açores
pelo impacto no emprego, pelo peso na criação de riqueza e pela importante
participação nas exportações - o Governo dos Açores vai prosseguir as políticas
de desenvolvimento da atividade, garantindo a sua sustentabilidade e promovendo
a melhoria do rendimento dos seus profissionais.
O Programa 3 “Pescas e Aquicultura”, tem previsto um
investimento de 24,6 milhões de euros, sendo 17,1 milhões de euros do Plano e
7,5 milhões de euros com origem em Outros Fundos.
É certo que aparentemente existe uma redução do total de
investimento relativamente aos dois anos anteriores, mas isso deve-se à conclusão
de obras com maior volume de comparticipação comunitária, como são os casos do
Porto de Rabo de Peixe e o Porto da Povoação.
O Projeto “Infraestruturas Portuárias” dispõe de 11,8
milhões de euros, onde se destacam as Ações “Construção do Entreposto
Frigorífico de Ponta Delgada”, “Portos da Região”, onde se incluem os
protocolos com as organizações de produtores e outras instituições, e
“Aquisição de centrais de gelo para os portos da Praia da Vitória, S. Mateus,
Horta e Madalena”.
Estão também previstas verbas, na ordem dos 5,8 milhões de
euros, para o Projeto “Programa Regional de Desenvolvimento do Sector das
Pescas”, 3,6 milhões de euros para a “Frota e Recursos Humanos”, 2,2 milhões de
euros para “Produtos da Pesca” e 1,1 milhões destinados à Ação “Inspeção e
Gestão”.
Na última década foi efetuado um grande esforço financeiro
na construção e requalificação de portos de pesca por todas as ilhas do Açores,
dotando-os de boas condições para os profissionais do mar, melhorando as zonas
de abrigo, apoiando a renovação da frota, instalando equipamentos de uso coletivo,
fornecendo água e eletricidade, apoiando as associações de produtores, construindo
casas de apresto, lotas, postos de abastecimento de combustíveis, rede de frio,
etc..
Hoje podemos afirmar que o panorama neste sector mudou
radicalmente nos últimos anos, fruto de uma visão estratégica e de um trabalho
intenso, que partiu praticamente do zero, apoiado pelos pescadores, através das
suas associações representativas, que souberam, desde logo, aproveitar os meios
ao seu dispor para incentivar os seus associados para a modernização da frota,
criando assim melhores condições a bordo das embarcações.
Hoje podemos afirmar, também, que transformamos radicalmente
a profissão de pescador. De uma atividade pobre, quase sempre a meio tempo, muitas
vezes portadora de um estigma negativo, passamos a ter uma profissão condigna, a
tempo inteiro, com perspetivas de futuro, dotada de boas condições de trabalho e
de segurança, e, por isso, com os riscos mais mitigados.
Depois de terminar o ciclo das infraestruturas portuárias, este
Plano de Investimentos comtempla uma mudança de paradigma. A prioridade vira-se
para a valorização dos produtos da pesca, com o reforço e a reabilitação da
rede de frio.
O futuro da pesca passa por vender melhor. É nessa linha que
o Governo dos Açores vai investir 4,5 milhões de euros no Entreposto
Frigorífico de Ponta Delgada, 2 milhões na aquisição de centrais de gelo para
diversos portos e ainda 1,4 milhões de euros destinado a melhorias de
operacionalidade de algumas infraestruturas portuárias, às lotas e oficinas.
Mas a valorização passa também por uma maior eficácia no
processo de escoamento, desde o manuseamento, passando pelo transporte, até à
colocação nos mercados.
As organizações de produtores têm aqui boas oportunidades,
desde a intervenção em caso de depreciação dos preços na primeira venda,
passando pela transformação e congelação para posterior introdução no mercado.
Outra estratégia para a valorização do pescado passa pelo
lançamento de campanhas para aumentar o consumo a nível interno, nomeadamente das
espécies com menor valor comercial que, muito facilmente, poderão substituir
espécies de menor qualidade provenientes de países terceiros, através da
transformação para venda em fresco ou congelado.
Os selos de qualidade e certificação ambiental dos produtos da
pesca, mormente os destinados à exportação poderão contribuir também para um incremento
no preço médio desse pescado.
A formação dedicada à valorização dos produtos da pesca tem
um papel muito importante nesta trajetória e revela-se fundamental para a
entrada do pescado em novos mercados que, por serem mais exigentes, relevam o
seu valor comercial.
Por outro lado o transporte assume-se como um significativo
contributo para o incremento de mais-valias deste produto quando negociado em
fresco e com a boa qualidade que lhe é reconhecida.
As novas Obrigações de Serviço Público de transporte aéreo
permitirão ultrapassar alguns constrangimentos sentidos - agora muito menos
frequentes, felizmente - nas ligações das ilhas para os principais aeroportos
de saída da Região e destes para o exterior.
O mercado da saudade nos Estados Unidos da América e Canadá
terá de ser melhor trabalhado, aproveitando as ligações aéreas diretas a partir
da Região.
A Escola do Mar dos Açores, considerada uma prioridade para
o Governo dos Açores, está em processo de instalação.
Esta estrutura destina-se a capacitar os Açores para dar
respostas no âmbito das profissões do mar, em primeiro lugar, às necessidades
formativas da Região e, em segundo lugar, prestando esse serviço no âmbito dos
mercados nacionais e internacionais.
As parcerias com a Universidade do Açores, que importa
prosseguir, têm-se revelado fundamentais no acompanhamento da gestão dos stocks e na investigação científica
ligada ao mar.
A aquicultura representa também um complemento à pesca
tradicional que poderá trazer rendimento.
Está a ser preparado um programa de incentivos destinado à
criação de emprego nesta área, enquanto se faz o levantamento das zonas com
potencial para a implantação de unidades de exploração.
A fiscalização é outro dos fatores determinantes a que o
Governo dos Açores vai dar uma atenção especial. A utilização dos meios
existentes, coadjuvados pelas novas tecnologias, de modo a persuadir os
profissionais para o cumprimento das regras e evitar a fuga à lota, a pesca em
zonas interditas e a introdução no mercado de pescado ilegal por embarcações
não licenciadas.
Senhora
Presidente da Assembleia
Senhoras
e Senhores Deputados
O ex-Presidente do Governo dos Açores, Carlos César disse,
em determinado dia, nesta casa: “o mar dos Açores é muito mais do que a nossa
vista alcança”.
O mar dos Açores, com mais de metade do mar do país, dá a
Portugal uma dimensão Atlântica, aproximando as nossas fronteiras do continente
americano, atribuindo-lhe uma relevância geoestratégica no espaço europeu.
Estas verdades irrefutáveis sublinham as potencialidades
deste importante património para a economia da Região, uma fonte de riqueza
pelos recursos marinhos que poderão ser determinantes, num futuro próximo, para
a criação de emprego e crescimento económico dos Açores.
A gestão partilhada dos recursos do Mar dos Açores é de
vital importância para os Açorianos e, como tal, deve ser acautelada e, depois
disso, respeitada. Os de lá não podem esperar dos de cá, o exercício de uma
função de simples consultor ou um papel meramente administrativo, mas antes de
codecisor, de acordo com os preceitos lavrados na Constituição Portuguesa e no
Estatuto Político-Administrativo.
Li, há relativamente pouco tempo, que o melhor lugar na
Terra era… no mar!
Essa constatação, que eu confirmo por experiência própria,
vem a propósito das outras utilizações do mar que hoje trazem valor
acrescentado à economia dos Açores.
O mergulho com escafandro autónomo, a observação de cetáceos
e de aves marinhas, são atividades introduzidas nos últimos anos e que começam
a dar resultados. Representam apenas nichos de mercado, é certo, mas são
importantes para as pequenas economias insulares.
A pesca desportiva e a pesca turismo têm também potencialidades
para crescer e ganhar espaço na oferta de animação turística.
Queremos que o mar dos Açores continue a ser um dos melhores
lugares na Terra, mas ambicionamos mais. Queremos que a Região seja parte na
exploração dos recursos e que essa exploração seja ambientalmente sustentável.
Estamos a discutir o Plano e
Orçamento Regional para 2015 que será votado na próxima madrugada na Assembleia
Legislativa da Região Autónoma dos Açores.
Nestes momentos de discussão é
normal registarem-se tentativas de alguns partidos políticos de chamar a si a
paternidade das coisas boas e enjeitar responsabilidades nas menos boas.
O PSD, sempre à espreita de uma
boa oportunidade para “cavalgar a onda”, apresentou-se como o pai de diversas
coisas, boas, como convém.
Esta ilusão com que embala o
sonho de algum dia vir a ser governo não é coisa inocente, porque de inocente o
PSD-Açores nada tem.
As novas obrigações de serviço
público de transporte aéreo são um exemplo, mas podia citar outros.
Vendo que a coisa estava quase
resolvida, o PSD-Açores, pela boca do seu líder, chegou-se à frente e, numa
atitude incompreensível, chamou a si a paternidade desta importante conquista
que é, afinal, dos Açorianos e só deles.
Depois de anos na gaveta, só
agora o Governo da República deu seu acordo esta pretensão do Governo dos
Açores.
Curiosamente este passo em frente
nas negociações e a aceitação de limitar a tarifa máxima nos 134 euros, como
exigia o Governo Regional, só aconteceu recentemente depois da saída do Ministro
da Economia, do PSD, e a entrada do Ministro Pires de Lima que é, como se sabe,
do CDS-PP.
Como já foi reconhecido
publicamente, só com a chegada deste novo governante é que foi possível
assistir a novos desenvolvimentos que, de outro modo, não teriam saído da gaveta.
Nesta questão, o PSD-Açores tem poucos motivos de
orgulho, ao contrário do que quer fazer crer.
O PSD-Açores, através do seu
Presidente, deu a conhecer que iria votar contra o Orçamento e Plano Regional
para 2015.
É, de facto, um direito que lhe
assiste mas, dadas as circunstâncias, é merecedor de crítica pelas
incongruências de tal decisão.
Um partido que se propõe
apresentar propostas de alteração ao Plano e Orçamento, dez no caso do
PSD-Açores, deve ter como intuito último melhorar estes documentos de
planeamento.
Esta posição soa a ressentimento.
As propostas de alteração que apresentam cheiram a falso.
Vejamos a proposta de criar um
complemento regional ao Rendimento Social de Inserção para a população em idade
escolar. Na República os Deputados do PSD-Açores alinharam com Passos Coelho na
redução de benefícios sociais, incluindo os drásticos cortes neste importante
apoio, mas cá, na Região, exigem a sua ampliação.
Vejamos o caso da restituição das
transferências do Estado para a Região. Como se sabe o Governo de Passos Coelho
alterou o diferencial fiscal de 30% para 20% em 2013, fazendo com que os
impostos aumentassem nos Açores e, ao mesmo tempo, diminuiu as transferências
para Região. Este ano, em sede de Orçamento de Estado para 2015, o PSD-Açores
votou contra a reposição das transferências, mas exige a restituição do
diferencial fiscal para os 30%, sem a consequente compensação financeira. É
como dar com uma mão e tirar com as duas…
Mas o mais curioso, ou talvez
não, é a postura do maior partido da oposição na questão do desemprego. É no
momento em que se assiste a uma inversão na tendência de crescimento do
desemprego que vemos um PSD ressabiado afirmar que afinal já não dá mais o
benefício da dúvida ao Governo Regional, como aconteceu em 2013 e 2014.
O desemprego tem sido uma grande
preocupação para o Governo dos Açores que tem criado vários programas e
injetado recursos financeiros para minimizar os seus efeitos.
Nos últimos tempos o PSD-Açores
tem feito do desemprego um ”cavalo de batalha” e um dos seus principais temas
do combate político, mas, mesmo assim, nas propostas de alteração que anuncia
com propalado orgulho nem uma única destinada a este flagelo.
Não sei de estamos perante um
caso de inabilidade política, ou perante uma completa falta de ideias.
Numa das suas muitas aparições
públicas, Passos Coelho admitiu que só a sua conhecida teimosia tinha permitido
a saída limpa da intervenção externa a que estivemos sujeitos e também evitar
um segundo resgate.
Creio que, com esta deixa, o Primeiro-
Ministro acredita naquilo que diz, mesmo vendo que o que se passa à sua volta
não corresponde a esta visão triunfalista.
Mas, pondo a hipótese de tal ser
verdade, que a teimosia de Passos Coelho foi providencial, temos de fazer uma
reflexão para se perceber os contornos desta sua ideia.
Em primeiro lugar não quero acreditar
que Primeiro-Ministro tenha confundido teimosia com outra coisa qualquer, como
determinação ou coragem, por exemplo.
A teimosia, segundo o dicionário,
define-se como o “apego obstinado às próprias ideias” sabendo-se que obstinado,
ainda segundo o mesmo dicionário, significa que “não se pode persuadir ou
convencer”.
Revendo o passado recente, tudo o
que se passou nos últimos anos, tenho de reconhecer que, afinal, Pedro Passos
Coelho terá razão no que disse.
Já no passado fomos governados
por um Primeiro-Ministro que nunca se enganava e raramente tinha dúvidas e
agora somos governados, nos últimos três anos, por um Primeiro-Ministro que,
segundo as suas próprias definições, não gosta de ouvir ninguém e muito menos
se deixa influenciar por terceiros.
Resta saber se essa obstinação
não terá sido prejudicial a Portugal e aos Portugueses. O certo é que Portugal
está pior, os Portugueses estão mais pobres, a dívida pública cresceu, o sistema
de saúde enfraqueceu, a educação não é o que era e os apoios sociais mingaram.
Uma escritora austríaca (Marie Von Ebner-Eschenbach)
escreveu, a esse propósito, que a força de vontade dos fracos chama-se
teimosia.