"Ao enfrentar as situações impossíveis, as pessoas que amam o seu país podem mudá-lo". Barack Obama
10 de março de 2017
Mais uma vez contra
Em vésperas da discussão e
eventual aprovação do Orçamento para 2017, Plano de Investimentos e Orientações
a Médio Prazo, vem o PSD, mais uma vez, dizer que vai votar contra,
independentemente da posição que o PS tem assumido, nomeadamente através de
afirmações do seu Presidente, Vasco Cordeiro, da total abertura para discutir e
analisar propostas de alteração realistas e exequíveis que possam vir a
enriquecer estes documentos de planeamento.
Esta reação extemporânea denota,
quanto a mim, a firme intenção deste partido não negociar com ninguém, ou seja,
ficar isolado num dos momentos mais importantes para os Açores e que marca o
início de mais uma legislatura.
Elaborar e apresentar propostas,
e conformá-las com várias vontades, dá trabalho e exige esforço dos
protagonistas. Negociar implica cedências e a defesa de princípios. Pelos
vistos ao PSD nada disto interessa. É estar contra apenas porque sim. Esta é
uma posição cómoda de quem se exigia mais responsabilidade.
O PSD enveredou pelo caminho mais
fácil. Apesar de estar contra as políticas sociais do Partido Socialista, não
se percebendo bem porquê, vai apresentar, afinal, umas propostas avulsas
atribuindo mais uns pozinhos aos mecanismos de proteção social criados e
mantidos pelos governos do PS.
Não parece nada de mais, mas para
este partido da oposição, sempre desconfiado das contas públicas, apesar destas
estarem certificadas por organismos nacionais e internacionais e refletirem um
défice insignificante e uma dívida pública inferior a 40% do PIB, faz o que
sempre dizia condenar: atirar dinheiro para os problemas.
Depois de fugir ao debate de
ideias e de soluções para os problemas dos Açorianos, o PSD está a enveredar
pelo caminho mais fácil: dizer apenas o que as pessoas gostam de ouvir.
3 de março de 2017
Carnaval é na Graciosa
Terminou mais um carnaval, época
de pura diversão com muita música, cor e ritmo muito apreciados pelos
Graciosenses, os de cá e os que, estando fora, aproveitam esta altura do ano
para visitarem a terra que os viu nascer e os seus entes queridos.
Em alguns sítios o carnaval
desenrola-se em três dias. Na Graciosa são quase três meses. No dia 25 de
dezembro de cada ano abrem as “hostilidades” com o primeiro baile carnavalesco,
num qualquer clube ou filarmónica da ilha, que marca o início de um tão longo
como animado caminho que só terminará por volta da meia noite da terça-feira de
carnaval.
Ouvi de um Graciosense, dançarino
provecto, que a quarta-feira de cinzas era, para si, o dia mais triste do ano,
precisamente por marcar o fim desta folia que contagia toda a gente, incluindo
os que chegam de fora para, com os seus próprios olhos, confirmarem esta forma
peculiar e alegre de festejar o carnaval.
Os clubes organizam-se muito
cedo, preparando o seu programa com bailes cada vez mais frequentes conforme
nos aproximamos daquele fim de semana mítico. Os bailes estão marcados para os
diversos dias da semana, não havendo dúvidas sobre que dias da semana toca a
cada um, conforme manda a tradição.
Preparam as suas fantasias, onde
se incluem os convites informais aos figurantes, as escolhas das indumentárias,
as opções pelo tema musical e a decoração das salas. A seguir há ensaios para
acertar a coreografia, mais ou menos elaborada, que será exibida em todos os
outros clubes da ilha.
Este ano o carnaval Graciosense
contou com 650 figurantes nas 23 fantasias vindas de 8 clubes ou filarmónicas,
número que representa cerca 15% da população e muitos mais participaram nas
restantes atividades. Esta envolvência é, de facto, impressionante.
Por fim temos os bailes. Os
clubes e filarmónicas da ilha abrem as suas portas a toda a gente,
literalmente, para proporcionar noites de autêntica magia e diversão.
Na Graciosa o carnaval será
sempre assim, será sempre dos clubes e no futuro só poderá ser aquilo que os
clubes quiserem. E estará muito bem entregue.
17 de fevereiro de 2017
Um problema chamado Centeno
Mário Centeno é, como bem se
sabe, o ministro das Finanças de Portugal desde novembro de 2015, altura em que
foi encontrada uma solução governativa à esquerda no âmbito da Assembleia da
República
Este cargo é, com toda a certeza,
um dos mais difíceis de desempenhar em qualquer governo e ainda muito mais
complicado quando os recursos disponíveis são diminutos, incapazes de chegar
para todas as solicitações.
Mas o que é certo é que Mário
Centeno, apesar dos maus prenúncios da direita e da desconfiança dos organismos
internacionais, conseguiu ligar este governo aos melhores resultados do país
desde a estabelecimento da democracia em Portugal.
Reverteu os cortes cegos nos
salários e pensões, devolveu direitos há muito adquiridos, diminuiu o
desemprego, está a recapitalizar a Caixa Geral de Depósitos sem ajuda do
estado, não embarca na flexibilização da legislação laboral, descentraliza
importantes serviços, como os transportes públicos, recuperou a maioria da TAP,
vendida à pressa e em cima de eleições.
Estes feitos, que quase ninguém
acreditava, não beliscaram os compromissos internacionais assumidos e permitem ao
país, mesmo assim, sair do procedimento por défice excessivo.
Este sucesso inesperado representa
um preço muito alto para Mário Centeno e a direita portuguesa, desesperada e
embirrenta, quer agora cobrar através do ódio e de um julgamento de caráter na
praça pública, tudo por causa, imagine-se, de umas simples mensagens escritas.
Esta é uma vil forma de fazer
oposição quando pouco resta para contestar, mas tem sido esta a imagem de marca
desta direita que continua a viver sem qualquer ressentimento pelo mal que fez
aos portugueses nos últimos anos.
Para a oposição Mário Centeno é e
será sempre um empecilho, mas para os portugueses representa a estabilização do
país e a devolução da esperança.
10 de fevereiro de 2017
As três semanas que estão a abalar o mundo
No início de novembro de passado
ano os norte-americanos foram chamados para escolher entre os dois candidatos
que resistiram às eleições primárias.
Venceu Donald Trump que, apesar
de ter recebido menos votos populares, foi o candidato que maior número de
grandes eleitores conseguiu alcançar, facto que lhe atribuiu a vitória. Eram
estas as regras e quanto a isso nada há a dizer.
Depois da sua tomada de posse, o
atual inquilino da Casa Branca iniciou o processo de execução das medidas
estapafúrdias que tinha anunciado na sua campanha e que muita gente pensava que
não as iria pôr em prática, mas Donald Trump tem, de facto, sido coerente com o
que prometeu, infelizmente para todos nós.
Nos últimos dias determinou
proibir a entrada de pessoas de sete países por motivos de segurança e
curiosamente não há história de atentados terroristas perpetrados por pessoas
desses países nos Estados Unidos da América.
Vendo esta questão com maior
acuidade, verifica-se que muitas das pessoas que fogem da guerra, ou melhor,
das guerras que todos os dias destroem lares e infraestruturas básicas,
fazem-no devido também às bombas que os Estados Unidos da América e os seus
aliados espalham constantemente pelos países massacrados de tal maneira que não
oferecem condições de segurança e mesmo de sobrevivência aos seus cidadãos.
E isto quer dizer, em última
análise, que aquele país é um dos grandes responsáveis pelo enorme movimento
migratório que tem origem nas zonas de conflito e agora esta administração quer
lavar as mãos deste assunto como se nada tivesse a ver com isso.
Mas tem e muito. Em alguns casos aquele
país utilizou, perante os seus aliados, argumentos com base em ameaças inexistentes,
como foi o caso do Iraque, arrastando consigo outros países, uns mais
ingenuamente do que outros, para um autêntico pântano sem saída à vista.
Fala-se num tempo novo e que
temos de nos habituar a ele, mas custa ver o primeiro dignatário de um país com
enormes tradições democráticas, muitas vezes autointitulado polícia do mundo, lavar as mãos de responsabilidades advindas, a
maior parte das vezes, de atos de índole bélico, seus e dos aliados que
arrastam consigo, tentando ultrapassar de qualquer maneira os entraves legais
que, entretanto, vão surgindo, tudo isto de uma forma exageradamente explicita,
tal como acontece em programas televisivos de qualidade duvidosa.
Estas três semanas foram, de
facto, vertiginosas e não indiciam nada de bom para os próximos tempos.
3 de fevereiro de 2017
Amigos para sempre
“A amizade duplica as alegrias e divide as tristezas.” (Bacon)
Hoje
estamos praticamente à mesma distância do dia dos amigos, já passado, e do dia
das amigas, que se comemora na próxima quinta-feira. Ambos se destinam a
celebrar a amizade, como é óbvio.
O
convívio que marca estes dias não é mais do que a oportunidade para dar ênfase
a tudo o que une os amigos e ajuda a manter viva a verdadeira amizade e a desvalorizar
tudo aquilo que a faz perigar.
Apesar
da construção da verdadeira amizade ser apanágio dos humanos, o maior desafio,
sobretudo nestes tempos de incertezas e competição desenfreada, é a sua
manutenção.
Contamos
com os amigos nas horas das vitórias, mas é nas derrotas que mais falta nos
fazem. Ter amigos é poder contar com apoio destes nas horas difíceis e nos
momentos em que mesmo a auto estima é posta em causa.
Ter
um amigo é sentir que, apesar do caminho ser longo, ao nosso lado temos alguém
que nunca nos abandona. Ter um amigo é ter alguém com o qual podemos pensar em
voz alta, é ter alguém que nos ouve.
Ser
amigo é confiar muito, compartilhar tudo, amparar sempre e ajudar a realizar os
sonhos de outro.
Um
amigo é um irmão, só que escolhido por nós. Por ter um irmão que é um grande
amigo e ter amigos que são grandes irmãos, digo, convictamente, que tenho os
melhores amigos do mundo…
(escrevi e publiquei este texto a 6/2/2006, mas por ser
atual gostava de o partilhar novamente)
27 de janeiro de 2017
A importância das Autarquias
Por
definição, as autarquias locais são entidades públicas que desenvolvem a sua
ação sobre uma parte definida do território, visando a concretização de
interesses próprios das populações aí residentes.
As
autarquias, Câmaras Municipais e Juntas de Freguesias, representam as funções
do estado mais perto das populações.
São
estas instituições que estão na linha da frente quando há uma catástrofe ou intempérie.
São elas as primeiras a acudir quem mais precisa. São elas as primeiras a ser
chamadas para colmatar dificuldades imprevistas das famílias.
É
a elas que recorre a população para resolver diferendos com a restante
administração pública. É a elas que o cidadão recorre quando tem dificuldades
no acesso à administração regional ou nacional. É a elas que muito gente
recorre para um desabafo ou apenas para receber alguma atenção.
Tratam
dos problemas relativos a proteção de pessoas e bens, de questões sociais, da
rede viária, da gestão dos resíduos, do investimento, do parque escolar, das
zonas balneares, dos cemitérios, dos parques de campismo, entre outros.
No
fundo, as autarquias locais tratam de tudo, ou quase tudo, que tem a ver com o
seu concelho ou com a sua freguesia.
A
Carta Europeia de Autonomia Local consagra o conceito de autonomia local como o
direito das autarquias locais regulamentarem e gerirem sob sua responsabilidade
e no interesse das populações uma parte importante das questões públicas. A
atual lei nacional apenas admite que o Governo exerça tutela administrativa
sobre as autarquias locais.
As
autarquias, sobretudo as mais pequenas, vivem com dificuldades. O seu fraco
poder financeiro e as fracas capacidades são quase todos direcionados para
diversas carências quer sociais, quer económicas, dos seus concelhos.
Sem
possibilidades de recorrer ao financiamento, sem capacidade de constituir um
quadro técnico abrangente, entaladas pela lei dos compromissos e sem receitas
fiscais importantes, as autarquias de menor dimensão vivem momentos desafiantes
que importa enfrentar com determinação.
Se
é verdade que as autarquias perderam poder e verbas nos anos de crise, não será
menos verdade que o Governo de António Costa se predispõe, desde já, a atribuir
mais competências e os correspondentes meios ao Poder Local já para o próximo
mandato, sendo este um voto de confiança importante nas próprias freguesias e
municípios.
No
entendimento deste Governo esta descentralização será uma parceria entre o estado
e as freguesias e resultará numa maior aproximação desse mesmo estado às
populações.
21 de janeiro de 2017
20 de janeiro de 2017
Gestão da quota do goraz
Nesta quinta-feira estivemos a
debater e a votar um Projeto de Resolução do Bloco de Esquerda que recomendava
ao Governo a concessão de apoio financeiro aos pescadores e armadores devido à
cessação temporária da pesca do goraz de 15 de janeiro a 29 de fevereiro com
recurso a fundos com origem comunitária.
Defendi que, em primeiro lugar,
esta proposta não fazia qualquer sentido depois do consenso alargado que foi
encontrado na passada segunda-feira à volta da gestão da quota do goraz.
Em segundo lugar, este Projeto de
Resolução, se vingasse, pressupunha o reconhecimento de um problema biológico
grave no stock desta espécie e isso
implicaria, de imediato, ficarem os Açores sujeitos a novos cortes na atual
quota, que já é insuficiente, como bem sabemos.
Segundo o regulamento do Fundo
Europeu dos Assuntos Marítimos e das Pescas, uma paragem com concessão de apoio
implicaria a interrupção total da atividade dos beneficiários.
Como é conhecido, os barcos
açorianos que se dedicam à pesca do goraz, não o fazem em exclusividade.
Este tipo de pesca, quer com
linha de mão ou com palangre de fundo, captura também outras espécies
demersais, o que quer dizer, em última análise, que uma paragem apoiada teria
de ser total e implicaria rotura no abastecimento de peixe no mercado, pondo em
causa toda a fileira, onde se incluem as empresas que comercializam e
transformam o pescado.
Este problema da escassez de
pescado, nomeadamente de tunídeos e lulas, que poderiam muito bem compensar a
redução da quota do goraz, não se resolve apenas com compensações financeiras,
mas antes com políticas de valorização do produto, diversificação das pescarias
e criação de outro tipo de rendimento através de mecanismos já existentes,
acompanhado de medidas de abate de embarcações e, consequentemente, redução do
número de pescadores.
O Governo, desde há muito, criou
apoios à fileira para reduzir custos de contexto. Esses apoios continuam a
fazer sentido nesta fase em que a perda de rendimentos é uma realidade.
Perante este problema o Governo
agiu e juntou os parceiros sociais para encontrar soluções.
É por aqui que devemos ir. Resolver internamente as questões
da gestão da quota atribuída e, devido a essa imposição, ganhar mais pescando o
mesmo.
13 de janeiro de 2017
Mário Soares
No passado dia 7 de janeiro, aos
92 anos de idade, faleceu o Dr. Mário Soares, uma das maiores figuras da
democracia portuguesa.
Antes da revolução dos cravos foi
um grande ativista político que tentou combater o anterior regime e defendeu,
como advogado, diversos presos políticos, condições que o levaram à prisão,
pelo menos 12 vezes.
Não se intimidou e lutou sempre.
Arrancado da sua família foi obrigado ao desterro e ao exílio. Foi co-fundador do
Partido Socialista em 1973, em França, e regressou a Portugal logo a seguir à
revolução de Abril de 1974.
Político com rara intuição, atuou
com sabedoria para garantir a liberdade e evitar outros tipos de ditadura que a
extrema esquerda desenhava para o país no verão quente de 75.
Adepto do pluralismo partidário,
incentivou o surgimento de novas formações partidárias, quer à sua direita,
quer à sua esquerda, atuando sempre com desprendimento e sem qualquer obsessão
pelo poder.
Foi ministro em alguns governos
provisórios, primeiro-ministro em três governos constitucionais, Presidente da
República em dois mandatos e eurodeputado. Inaugurou uma nova maneira de fazer
política de proximidade, as presidências abertas, percorrendo todo o país para
ouvir diretamente as preocupações e anseios das populações.
Lutou sempre por aquilo em que
acreditava. Foi acutilante, mas sabia e gostava de ouvir. Nunca se vergou ao
poder económico. Respeitou sempre quem não pensava como ele.
Foi o político que mais vezes foi
a eleições e que mais votos recebeu. Homem do mundo, foi pela sua mão que
Portugal entrou na Europa, contribuindo para a modernidade de um país que foi,
até 1974, cinzento e com o futuro adiado.
Morreu o Homem, resta-nos o seu
vasto legado.
6 de janeiro de 2017
Ano Novo, outra vez
No fecho de um ano e no início de
outro acontece sempre o mesmo. Fazem-se os habituais balanços do passado
recente e perspetiva-se o ano que começa, com mais ou menos promessas, também
habituais, que podem implicar mudança de vida ou, pelo menos, mudança de velhos
hábitos, dando razão à expressão “ano novo, vida nova”.
É verdade que o passado pouco
interessa e que é sempre melhor olhar para a frente, a não ser que nesse
passado tenham existido eventos com potencialidades para marcar ou condicionar
o nosso futuro.
A nível internacional é o que se
vê. Guerras em vários cantos do mundo, permanentes ameaças terroristas, tudo
isto temperado por uma crise económica sem fim à vista.
Em breve haverá o render da
guarda na pretensa polícia do mundo e os novos inquilinos, que desfilam
diariamente nas televisões, prometem polémica e uma preocupante ação mais
musculada.
A mediar os conflitos pelo mundo
vamos passar a ter António Guterres, recentemente empossado Secretário-geral da
ONU. Já afirmou não ser milagreiro, mas acreditamos que tudo fará para tornar o
mundo mais seguro.
No país, a dupla António Costa e
Carlos César fez passar mais um orçamento, negociando à esquerda, num exercício
democrático em que poucos acreditavam.
Esta solução, que tem viabilizado
políticas mais amigas dos Portugueses e revertido medidas injustas, foi
diabolizada pelos que preferiam outro caminho, mas agora é reconhecida, até por
organismos internacionais, como uma boa solução. É o renovar da esperança.
Na Região os Açorianos foram
chamados, a 16 de outubro, para julgar a governação de Vasco Cordeiro. Foi uma
vitória retumbante que alguns tentaram menorizar com o fantasma da abstenção,
curiosamente os mesmos que utilizaram a abstenção na campanha para minimizar a
derrota que se adivinhava. Foi o renovar da confiança.
Bom ano.
18 de novembro de 2016
28 de outubro de 2016
Do outro lado
Fui convidado pelo Rui Jorge para
participar no convívio anual dos Graciosenses na cidade de Lowell, nos Estados
Unidos da América.
Não foi a primeira vez que tal
aconteceu, mas por uma razão ou por outra só agora consegui cumprir esse desejo
antigo de visitar aqueles que foram em busca dos seus sonhos.
No exercício de funções públicas
tenho por hábito dizer, aos que me acompanham, que temos de estar presentes
onde houver um Graciosense e, talvez por isso, considerava que, para além do desejo
de participar naquele convívio, esta também seria uma obrigação minha.
Nesta viagem, confirmei, mais uma
vez, que a Ilha Graciosa é muito mais do que os 62 quilómetros quadrados que a
geografia lhe proporcionou. Digamos que há o lado de cá e o lado de lá desta mesma
ilha e essa peculiaridade sente-se quando se visita uma comunidade como aquela.
Encontrei muitos amigos, alguns
que revejo anualmente, outros que quase já lhes tinha perdido o rasto. Uns
cresceram e brincaram comigo. Outros, apesar de pertencerem a uma geração mais
velha, marcaram também a minha juventude. Outros, ainda, apesar de ter sido
incapaz de, à primeira, recordar os seus nomes, cheguei lá através das suas
feições, devidamente atualizadas pela ação do tempo, que não perdoa, como bem
sabemos.
Todos eles saíram da ilha, mas
vê-se que a ilha não saiu deles. Estão lá, construíram famílias e vidas, mas o
coração continua neste torrão plantado no meio do Atlântico. Em nenhum caso senti amargura pelo facto da
sua ilha, da sua região e do seu país, terem sido incapazes de lhes dar
condições para evitar a sua emigração.
O Cônsul de Portugal na cidade de
Boston, conhecedor da realidade da nossa diáspora, teceu, no seu discurso,
grandes elogios à comunidade Graciosense residente naquele estado,
considerando-a mesmo um exemplo, facto que embeveceu quem lá estava.
Mas manter uma comunidade unida
dá trabalho e por isso é necessário enaltecer a dedicação destas mulheres e
destes homens que, dirigidos pelo Rui Jorge, mantêm de pé este encontro há exatamente
treze anos consecutivos, incutindo nos participantes, para além do espírito de
união, o gosto pelas tradições da nossa terra.
Foi um reencontro cheio de
emoções fortes, mas que valeu a pena.
30 de setembro de 2016
Um novo investimento
Na passada quarta-feira foi lançada a primeira pedra de um novo investimento reprodutivo na Ilha Graciosa: o matadouro.
O matadouro da Graciosa é um dos últimos investimentos estruturais que faltava nesta ilha que, como se sabe, foi sujeito a um adiamento por vontade do Conselho de Ilha que preferiu optar por um novo, ao invés da ampliação do atual que, como se sabe, já se encontra integrado na malha urbana que se desenvolve nos arredores do centro de Santa Cruz.
Esta alteração foi, quanto a mim, oportuna, mas implicou um atraso compreensível para se fazer um novo projeto e, ao mesmo tempo, encontrar um terreno adequado para o implementar.
Apesar destas vicissitudes, chegamos ao dia em que a obra arrancou. Representando um investimento de quase 5 milhões de euros, o matadouro terá cerca de 2.200 metros quadrados de área coberta e um prazo de execução de 18 meses.
Os seus equipamentos serão dos mais modernos, capazes de, por si só, criar melhores condições de trabalho aos colaboradores daquele serviço, desde a abegoaria até à preparação de subprodutos, passando pelo abate, desmancha, espaços refrigerados e climatizados.
No entanto, as maiores repercussões estão destinadas aos produtores de carne Graciosenses, pela melhoria geral das condições do abate e, sobretudo, pela possibilidade de obterem maiores rendimentos em resultado da sua atividade.
26 de setembro de 2016
Um novo pilar
A agricultura, a pesca e o turismo constituem os pilares da economia da Ilha Graciosa, à semelhança do que sucede em quase todas as outras ilhas, mas a energia e o ambiente estão a revelar-se como sectores que acabam por ser transversais a todos os outros e incontornáveis.
O projeto piloto que está a ser desenvolvido na Graciosa para a produção de energia limpa, pode contribuir para a valorização dos produtos locais, da agricultura à pesca, mas para o turismo poderá ser uma mais-valia importantíssima.
A autossustentabilidade é uma das maiores preocupações das sociedades ocidentais e a Graciosa está a escassos passos de poder concretizar esse objetivo.
Mais dia menos dia teremos cerca de 65% do total do consumo energético produzido por fontes renováveis, podendo esse valor ser aumentado com a microgeração de energia, ou seja, a produção de energia em pequena escala.
O caminho faz-se caminhando, diz o povo e com toda a razão.
O objetivo de um projeto destes, que envolve um investimento na ordem dos 25 milhões de euros, é anular a dependência dos combustíveis fósseis, minimizar a pegada ambiental e reduzir os custos das famílias com o consumo de energia.
Isso só será possível com uma mudança de hábitos e com a introdução de incentivos para alterar o paradigma.
O Presidente do Partido Socialista, Vasco Cordeiro, apresentou, na sua recente visita à Graciosa, uma proposta para promover a mobilidade elétrica, que fará parte do seu programa de governo.
Para os Graciosenses esta foi uma excelente notícia, digamos, a cereja em cima do bolo, porque um programa deste tipo, a ser implementado, cumprirá o objetivo de reduzir gastos com a energia, baixar a emissão de gases poluentes e fará da Graciosa uma ilha ainda mais apetecível.
20 de setembro de 2016
9 de setembro de 2016
Entre o dizer e o fazer vai uma grande diferença
Debater as problemáticas das
pescas é sempre uma questão oportuna e de relevante interesse para os Açores,
porque estamos a falar de um sector que é responsável por cerca de 20% das
nossas exportações e representa mais ou menos 5% da população ativa da Região.
No Plenário desta semana, as
pescas foram objeto de uma interpelação ao Governo. Foi, de facto, uma
excelente oportunidade para reunir contributos para a política de pescas dos
Açores.
É conhecida a crise que tem
afetado o sector nestes últimos três anos, sobretudo devido à escassez do atum
nos mares dos Açores. Veja-se que em 2012 o atum representava 42% do total de
capturas, em 2013 era de 33%, em 2014 baixou para 17% e em 2016, até agosto, o
atum representou apenas 9% das capturas descarregadas nos portos dos Açores.
Outro fator que está a ditar esta
redução nas capturas prende-se com a abrupta redução da quota do goraz que
implicou algumas medidas, nomeadamente a sua gestão por ilha e um defeso no
período da desova.
No entanto, neste Plenário não
surgiram propostas para ajudar a resolver esta situação. Apenas o bota abaixo do
costume e nada de contributos.
O PSD, neste debate, perdeu a
oportunidade, quiçá a última antes das eleições, de escrever algumas propostas sobre
pescas nas páginas em branco do seu documento orientador para a elaboração do
programa de governo, que nada diz sobre este importante sector, ou acrescentar
alguma coisa às duas estafadas propostas que se encontram no seu site.
4 de setembro de 2016
Em pratos limpos
Várias vezes tenho visto e lido que
o Algar do Carvão, na Ilha Terceira, é o único vulcão visitável no mundo.
Estas alegações servem,
sobretudo, para dar notoriedade àquele sistema vulcânico que é, por sinal,
muito bonito e merecedor de ser visitado.
O problema é que esta
classificação é baseada num grande equívoco que - acreditando não haver
qualquer maldade nesta atitude - pode
confundir e confunde, com toda a certeza, as pessoas de boa fé.
Que o Algar do Carvão é um vulcão
do mundo e que é visitável, não há qualquer dúvida, mas mesmo ao lado, na ilha
Graciosa, existe um vulcão, também visitável, e que ainda por cima desenvolveu,
aquando da última erupção, a maior cúpula vulcânica de toda a Europa.
Se consultarmos a página “Vulcões
de Portugal”, poderemos encontrar, entre vários, o Algar do Carvão e a Caldeira
da Graciosa, sistema vulcânico onde se encontra a Furna do Enxofre.
Podemos também tirar as dúvidas no "Catálogo das Cavidades Vulcânicas dos Açores", onde ainda aparecem outras com essas características que apenas querem atribuir ao Algar do Carvão, vá lá saber-se porquê.
A existência da Furna do Enxofre
na Graciosa não retira qualquer brilho ao Algar do Carvão, antes pelo
contrário, pode completar a oferta para os visitantes que se interessam por
vulcanismo e que deambulam pelo mundo à procura deste tipo de monumentos
naturais.
A Furna do Enxofre apenas retira
o que se quer dar em exclusividade ao Algar do Carvão que, por capricho da
natureza, não é, de todo, verdade.
Errar é humano, perdoar é divino,
mas corrigir é de sábio e não custa nada.
26 de agosto de 2016
Inverdades à solta
Vendo os títulos dos jornais e o que passa nas televisões nota-se que as coisas não estão a correr nada bem para o lado PSD de Passos Coelho nos últimos tempos.
A não aplicação de sanções a Portugal pela União Europeia devido ao défice excessivo, originado, curiosamente, pelo próprio governo daquele partido, não agradou nada à direita. Depois a capitalização da Caixa Geral de Depósitos, várias vezes adiada para esconder o problema, também gerou algumas atitudes ressabiadas.
O desconforto do líder do PSD é por demais evidente sempre que se avança, mas como alguém dizia, é a vida.
Nesta sua última incursão pelos Açores, Pedro Passos Coelho deu novo tiro no pé, desta vez pressionado pelos seus companheiros locais, no sentido de dar a entender que a iniciativa de liberalizar duas rotas aéreas tinha sido do seu governo, para que aquele partido possa, eventualmente, retirar alguns dividendos do bom momento por que passa o turismo nos Açores.
Mas não foi isso que se passou e os Açorianos bem sabem. Foi o Governo dos Açores que tomou a iniciativa de apresentar uma proposta de alteração do modelo de acessibilidades à Região por via aérea que esteve fechada numa gaveta do governo de Passos Coelho durante três longos anos, só vendo a luz verde aquando da mudança de ministro.
Nesta altura de pré-campanha e assustado pelos estudos de opinião que se diz existirem por aí, o PSD optou por esta tática de descarado aproveitamento do trabalho dos outros.
A sorte de todos nós é que a mentira tem perna curta.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
