28 de outubro de 2016

Do outro lado

Fui convidado pelo Rui Jorge para participar no convívio anual dos Graciosenses na cidade de Lowell, nos Estados Unidos da América.

Não foi a primeira vez que tal aconteceu, mas por uma razão ou por outra só agora consegui cumprir esse desejo antigo de visitar aqueles que foram em busca dos seus sonhos.

No exercício de funções públicas tenho por hábito dizer, aos que me acompanham, que temos de estar presentes onde houver um Graciosense e, talvez por isso, considerava que, para além do desejo de participar naquele convívio, esta também seria uma obrigação minha.

Nesta viagem, confirmei, mais uma vez, que a Ilha Graciosa é muito mais do que os 62 quilómetros quadrados que a geografia lhe proporcionou. Digamos que há o lado de cá e o lado de lá desta mesma ilha e essa peculiaridade sente-se quando se visita uma comunidade como aquela.

Encontrei muitos amigos, alguns que revejo anualmente, outros que quase já lhes tinha perdido o rasto. Uns cresceram e brincaram comigo. Outros, apesar de pertencerem a uma geração mais velha, marcaram também a minha juventude. Outros, ainda, apesar de ter sido incapaz de, à primeira, recordar os seus nomes, cheguei lá através das suas feições, devidamente atualizadas pela ação do tempo, que não perdoa, como bem sabemos.

Todos eles saíram da ilha, mas vê-se que a ilha não saiu deles. Estão lá, construíram famílias e vidas, mas o coração continua neste torrão plantado no meio do Atlântico.  Em nenhum caso senti amargura pelo facto da sua ilha, da sua região e do seu país, terem sido incapazes de lhes dar condições para evitar a sua emigração.

O Cônsul de Portugal na cidade de Boston, conhecedor da realidade da nossa diáspora, teceu, no seu discurso, grandes elogios à comunidade Graciosense residente naquele estado, considerando-a mesmo um exemplo, facto que embeveceu quem lá estava.

Mas manter uma comunidade unida dá trabalho e por isso é necessário enaltecer a dedicação destas mulheres e destes homens que, dirigidos pelo Rui Jorge, mantêm de pé este encontro há exatamente treze anos consecutivos, incutindo nos participantes, para além do espírito de união, o gosto pelas tradições da nossa terra.

Foi um reencontro cheio de emoções fortes, mas que valeu a pena.

30 de setembro de 2016

Um novo investimento

Na passada quarta-feira foi lançada a primeira pedra de um novo investimento reprodutivo na Ilha Graciosa: o matadouro.

O matadouro da Graciosa é um dos últimos investimentos estruturais que faltava nesta ilha que, como se sabe, foi sujeito a um adiamento por vontade do Conselho de Ilha que preferiu optar por um novo, ao invés da ampliação do atual que, como se sabe, já se encontra integrado na malha urbana que se desenvolve nos arredores do centro de Santa Cruz.

Esta alteração foi, quanto a mim, oportuna, mas implicou um atraso compreensível para se fazer um novo projeto e, ao mesmo tempo, encontrar um terreno adequado para o implementar.

Apesar destas vicissitudes, chegamos ao dia em que a obra arrancou. Representando um investimento de quase 5 milhões de euros, o matadouro terá cerca de 2.200 metros quadrados de área coberta e um prazo de execução de 18 meses.

Os seus equipamentos serão dos mais modernos, capazes de, por si só, criar melhores condições de trabalho aos colaboradores daquele serviço, desde a abegoaria até à preparação de subprodutos, passando pelo abate, desmancha, espaços refrigerados e climatizados.

No entanto, as maiores repercussões estão destinadas aos produtores de carne Graciosenses, pela melhoria geral das condições do abate e, sobretudo, pela possibilidade de obterem maiores rendimentos em resultado da sua atividade.




26 de setembro de 2016

Um novo pilar

A agricultura, a pesca e o turismo constituem os pilares da economia da Ilha Graciosa, à semelhança do que sucede em quase todas as outras ilhas, mas a energia e o ambiente estão a revelar-se como sectores que acabam por ser transversais a todos os outros e incontornáveis.

O projeto piloto que está a ser desenvolvido na Graciosa para a produção de energia limpa, pode contribuir para a valorização dos produtos locais, da agricultura à pesca, mas para o turismo poderá ser uma mais-valia importantíssima.

A autossustentabilidade é uma das maiores preocupações das sociedades ocidentais e a Graciosa está a escassos passos de poder concretizar esse objetivo.

Mais dia menos dia teremos cerca de 65% do total do consumo energético produzido por fontes renováveis, podendo esse valor ser aumentado com a microgeração de energia, ou seja, a produção de energia em pequena escala.

O caminho faz-se caminhando, diz o povo e com toda a razão.

O objetivo de um projeto destes, que envolve um investimento na ordem dos 25 milhões de euros, é anular a dependência dos combustíveis fósseis, minimizar a pegada ambiental e reduzir os custos das famílias com o consumo de energia.

Isso só será possível com uma mudança de hábitos e com a introdução de incentivos para alterar o paradigma.

O Presidente do Partido Socialista, Vasco Cordeiro, apresentou, na sua recente visita à Graciosa, uma proposta para promover a mobilidade elétrica, que fará parte do seu programa de governo.

Para os Graciosenses esta foi uma excelente notícia, digamos, a cereja em cima do bolo, porque um programa deste tipo, a ser implementado, cumprirá o objetivo de reduzir gastos com a energia, baixar a emissão de gases poluentes e fará da Graciosa uma ilha ainda mais apetecível.

9 de setembro de 2016

Entre o dizer e o fazer vai uma grande diferença

Debater as problemáticas das pescas é sempre uma questão oportuna e de relevante interesse para os Açores, porque estamos a falar de um sector que é responsável por cerca de 20% das nossas exportações e representa mais ou menos 5% da população ativa da Região.

No Plenário desta semana, as pescas foram objeto de uma interpelação ao Governo. Foi, de facto, uma excelente oportunidade para reunir contributos para a política de pescas dos Açores.

É conhecida a crise que tem afetado o sector nestes últimos três anos, sobretudo devido à escassez do atum nos mares dos Açores. Veja-se que em 2012 o atum representava 42% do total de capturas, em 2013 era de 33%, em 2014 baixou para 17% e em 2016, até agosto, o atum representou apenas 9% das capturas descarregadas nos portos dos Açores.

Outro fator que está a ditar esta redução nas capturas prende-se com a abrupta redução da quota do goraz que implicou algumas medidas, nomeadamente a sua gestão por ilha e um defeso no período da desova.

No entanto, neste Plenário não surgiram propostas para ajudar a resolver esta situação. Apenas o bota abaixo do costume e nada de contributos.


O PSD, neste debate, perdeu a oportunidade, quiçá a última antes das eleições, de escrever algumas propostas sobre pescas nas páginas em branco do seu documento orientador para a elaboração do programa de governo, que nada diz sobre este importante sector, ou acrescentar alguma coisa às duas estafadas propostas que se encontram no seu site. 

4 de setembro de 2016

Em pratos limpos

Várias vezes tenho visto e lido que o Algar do Carvão, na Ilha Terceira, é o único vulcão visitável no mundo.

Estas alegações servem, sobretudo, para dar notoriedade àquele sistema vulcânico que é, por sinal, muito bonito e merecedor de ser visitado.

O problema é que esta classificação é baseada num grande equívoco que - acreditando não haver qualquer maldade nesta atitude -  pode confundir e confunde, com toda a certeza, as pessoas de boa fé.

Que o Algar do Carvão é um vulcão do mundo e que é visitável, não há qualquer dúvida, mas mesmo ao lado, na ilha Graciosa, existe um vulcão, também visitável, e que ainda por cima desenvolveu, aquando da última erupção, a maior cúpula vulcânica de toda a Europa.

Se consultarmos a página “Vulcões de Portugal”, poderemos encontrar, entre vários, o Algar do Carvão e a Caldeira da Graciosa, sistema vulcânico onde se encontra a Furna do Enxofre.

Podemos também tirar as dúvidas no "Catálogo das Cavidades Vulcânicas dos Açores", onde ainda aparecem outras com essas características que apenas querem atribuir ao Algar do Carvão, vá lá saber-se porquê.

A existência da Furna do Enxofre na Graciosa não retira qualquer brilho ao Algar do Carvão, antes pelo contrário, pode completar a oferta para os visitantes que se interessam por vulcanismo e que deambulam pelo mundo à procura deste tipo de monumentos naturais.

A Furna do Enxofre apenas retira o que se quer dar em exclusividade ao Algar do Carvão que, por capricho da natureza, não é, de todo, verdade.

Errar é humano, perdoar é divino, mas corrigir é de sábio e não custa nada.

26 de agosto de 2016

Inverdades à solta

Vendo os títulos dos jornais e o que passa nas televisões nota-se que as coisas não estão a correr nada bem para o lado PSD de Passos Coelho nos últimos tempos. 

A não aplicação de sanções a Portugal pela União Europeia devido ao défice excessivo, originado, curiosamente, pelo próprio governo daquele partido, não agradou nada à direita. Depois a capitalização da Caixa Geral de Depósitos, várias vezes adiada para esconder o problema, também gerou algumas atitudes ressabiadas.

O desconforto do líder do PSD é por demais evidente sempre que se avança, mas como alguém dizia, é a vida.

Nesta sua última incursão pelos Açores, Pedro Passos Coelho deu novo tiro no pé, desta vez pressionado pelos seus companheiros locais, no sentido de dar a entender que a iniciativa de liberalizar duas rotas aéreas tinha sido do seu governo, para que aquele partido possa, eventualmente, retirar alguns dividendos do bom momento por que passa o turismo nos Açores.

Mas não foi isso que se passou e os Açorianos bem sabem. Foi o Governo dos Açores que tomou a iniciativa de apresentar uma proposta de alteração do modelo de acessibilidades à Região por via aérea que esteve fechada numa gaveta do governo de Passos Coelho durante três longos anos, só vendo a luz verde aquando da mudança de ministro.

Nesta altura de pré-campanha e assustado pelos estudos de opinião que se diz existirem por aí, o PSD optou por esta tática de descarado aproveitamento do trabalho dos outros. 

A sorte de todos nós é que a mentira tem perna curta.

29 de julho de 2016

A nova industria

O turismo é cada vez mais uma industria importante para muitos países dos quatro cantos do mundo que, acossados pela enorme concorrência, investem milhões na promoção dos seus destinos.


Os Açores começam também a despertar para o turismo, depois de um longo percurso de construção e requalificação de unidades hoteleiras, na promoção do destino e outras ações importantes, para qualificar a oferta, como o apoio a empresas de animação turística, requalificação da rede de trilhos e formação, de modo a chegarmos até aqui, mais capacitados para receber os que procuram estas ilhas para fazer as suas férias. 


O arquipélago tem realidades distintas, com aptidões também distintas, o que faz destas nove ilhas um destino diferente e seguro, características muito apreciadas nos tempos que correm.

A opção pelo turismo de natureza foi uma boa política e a sua prática tem dado resultados, especialmente quando, na hora da escolha, o destino é comparado com outros.    

Ao ouvir as entidades que, de uma maneira ou de outra, estão ligadas ao turismo, nota-se um otimismo prudente sobre o futuro desta importante industria nos Açores.

Na região, de janeiro a maio, quando comparado com o ano anterior, as dormidas cresceram 36%.
A Terceira (+136%), Santa Maria (35%), Graciosa (+34%), S. Miguel (+26%), Pico (+15%) e Faial, (+13%) apresentaram crescimentos positivos, enquanto as Flores (-11%), Corvo (-9%) e S. Jorge (-3%), registaram uma redução nas dormidas, nos primeiros cinco meses do ano, comparados com ano 2015.

Muito embora tenha havido sinais de uma retoma antes Low Cost, não há qualquer dúvida que a liberalização de duas gateways teve um grande impacto neste crescimento.
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Relativamente aos mercados emissores, nota-se um progressivo destaque dos residentes no estrangeiro, nomeadamente Alemanha e EUA.

Agora que os Açores estão na moda é preciso aproveitar todas as sinergias para resolver os problemas que ainda existem e consolidar este destino que se quer ambientalmente equilibrado e sustentável.

Esta é uma tarefa de todos.