29 de dezembro de 2011

Ano Novo Vida Nova


Logo a seguir ao período de convívio no seio familiar que o Natal proporciona e dos excessos gastronómicos desta época sempre festiva, esta é a expressão que se repete vezes sem conta quanto mais nos aproximamos do ano que se segue e que todos desejam que, pelo menos, não seja pior do que o presente.

É por estes dias, em todos os anos das nossas vidas, que renovamos intenções ou lançamos desafios, sempre num sentido positivo.

O final do ano é também propício a balanços, da vida e da política, e há para todos os gostos, feitos por jornais, revistas, rádios ou pelas televisões.

Este 2011 não deixará muitas saudades, muito por culpa desta crise que assola a Europa ao ponto de por em risco uma das suas maiores conquistas: o euro.

Vários países mudaram de governo sem chamar o povo a eleições, lembrando a suspensão da democracia desejada pela Dra. Manuela Ferreira Leite, há uns tempos atrás. Alguns países entraram numa situação complicada em termos financeiros, enquanto outros, mais poderosos que os primeiros, ouvem, quase diariamente, soar o alarme do perigo que os persegue.

Vivemos tempos de incerteza e de grande complexidade. Vivemos tempos difíceis, é certo, mas nada justifica o governo deste rectângulo à beira mar plantado atirar a toalha ao chão e encher as televisões de desesperança e pintar a negrume o futuro. Nada justifica indicar a porta de saída aos professores e aos jovens, como a grande solução para os seus problemas. Nada justifica atacar os funcionários públicos, sobrecarregando-os fiscalmente criando assim desigualdades inaceitáveis. Nada justifica atacar de modo inqualificável a classe trabalhadora como se esta fosse a culpada de todos os males.

Este tempo que antecede a entrada do novo ano serve para exteriorizar os desejos que se acalenta ao longo do ano. Serve também para renovar a esperança e almejar um futuro melhor.

Não deixem que nos tirem isso.

15 de dezembro de 2011

Cambalhotas


Como as coisas mudam. A posição do PSD sobre o serviço público de rádio e televisão nos Açores deu uma reviravolta da noite para o dia.

Mal os seus companheiros se instalarem em S. Bento já aqui nos Açores se retocava uma outra visão mais consentânea com os novos donos do poder.

Compreende-se que dá muito jeito agradar a gregos e a troianos, mas no fundo esta cambalhota política só serve para revelar uma inexplicável mansidão perante a fúria privatizadora do ministro Relvas.

As confrangedoras declarações de Miguel Relvas numa comissão parlamentar, referindo-se ao serviço público de rádio e televisão das regiões autónomas, denotam um desconhecimento total do que são regiões arquipelágicas e o que por cá se passa.

Ainda recentemente, mais concretamente em Fevereiro de 2011, o PSD apresentou na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores um projecto de resolução em que afirmava e recomendava que o serviço público é uma responsabilidade do estado e por ele deve ser assegurado com as prerrogativas de autonomia financeira, administrativa e editorial.

Agora a solução, no entendimento do PSD, passa pela privatização de parte da RTP-Açores, enquanto a outra parte ficaria nas mãos da Região Autónoma dos Açores e da República. É, na verdade, uma completa inflexão.

Entretanto enquanto se discute o futuro, o ministro deu início a um processo de liquidação da RTP-Açores, por asfixia, transformando-a numa simples “janela”, com apenas 4 horas de emissão própria.

Está na altura de deitar para trás das costas subserviências partidárias e colocar de uma vez por todas os Açores em primeiro lugar.

8 de dezembro de 2011

Contas de merceeiro


Qualquer mercearia que se prezasse tinha (algumas ainda têm) um livro dedicado às contas, normalmente com as lombadas coçadas pelo tempo e de tanto uso. De um lado eram registados as vendas, a azul, e no outro, a vermelho, os pagamentos. Era o Deve e o Haver.

Este método podia ser lento, até arcaico para os nossos dias, mas era infalível, levando o merceeiro a entrar em estado alerta quando as contas a vermelho chegavam perto das outras, quase sempre por culpa de um outro livro, o dos fiados.

Aquilo batia certo. Não era preciso ninguém de gestão ou de economia para lhes dizer se o negócio dava para si. Com uma ou duas contas feitas a lápis naquele papel canelado com que embrulhavam tudo, chegavam rapidamente à conclusão do estado do seu negócio.

Por isso é que não concordo quando se utiliza esta designação em tom depreciativo com que por vezes é utilizado, pois, como se vê, este tipo de registo não permitia leituras enviesadas. Era aquilo e ponto final. O merceeiro sabia, e se não soubesse o problema era só dele, que quando tirasse de um lado tinha de repor o mais rapidamente possível no outro, em razão do equilíbrio do seu ganha pão.

O PSD quando partiu para a discussão do Plano e Orçamento para 2012 anunciou várias iniciativas, de modo pomposo e com o respectivo envolvimento mediático, todas no sentido de grandes ganhos em poupança, que é, como quem diz, aquilo que as pessoas agora gostam de ouvir.

Os Açorianos tinham o direito de saber o verdadeiro teor das propostas, os seus valores e os mecanismos de compensação utilizados. Não é só dizer que se tira daqui e se põe ali. É preciso mais. É preciso explicar claramente o que se quer e como se quer.

Veja-se a confusão. Enganaram-se no valor da dívida regional em mil milhões de euros. Propunham cortes na despesa de 20 milhões, mas afinal dava para poupar apenas um terço desse valor. Propuseram apoios às autarquias nos projectos co-financiados pela União Europeia e verificou-se que a aplicar tal medida as autarquias não seriam beneficiadas. Queriam reduzir as verbas destinadas aos estudos e nos últimos meses não fizeram outra coisa senão propor estudos para tudo.

Nenhum merceeiro aceitaria tamanha trapalhada nos seus livros de registo até porque quem tem uma mercearia sabe muito bem fazer as contas.

1 de dezembro de 2011

Plano Regional Anual para 2012


Hoje, já pela madrugada dentro, foi aprovado o Plano Regional Anual para 2012. Este é um documento fundamental de planeamento que é discutido há meses por Conselhos de Ilha e pelos diversos parceiros sociais que emitem pareceres e acrescentam valor em sede de anteproposta.

Aqui, na Sala das Sessões da Assembleia Legislativa, ainda são introduzidas novas alterações, sendo as mais relevantes para a Graciosa o reforço das verbas atribuídas para a Marina da Barra e novo Centro de Saúde.

Quando partimos para esta discussão o valor atribuído à Graciosa era de 29,3 milhões de euros, que representa 4,06% do total previsto para a região, que é de 722,4 milhões de euros. Tendo em conta a visão catastrofista que vi num apressado “olhar”, relembro que em 1996 a percentagem destinada à Graciosa era de apenas 1,9% do total investido nos Açores.

Este valor representa tão só um investimento per capita de 6.950 euros, o terceiro mais alto da Região, logo atrás do Corvo, com 19.352 euros e Flores com 7.377 euros.

A dotação agora aprovada irá permitir apoiar o programa de habitação degradada e a construção de casas para famílias carenciadas, construir a Creche, Jardim de Infância e Centro de Actividades Ocupacionais, prolongar o molhe de protecção do Porto de Pescas, terminar e equipar o novo Centro de Saúde, lançar a obra da Adega e Cooperativa, construir a rampa roll-on roll-off do Porto Comercial, fazer novos caminhos agrícolas, elaborar o projecto do novo Matadouro e terminar os procedimentos e lançar a obra da Marina da Barra, entre outros.

Os investimentos do Governo dos Açores não são apenas uma espécie de autoelogio, como se vê em algumas autarquias que só se importam com as páginas dos jornais esquecendo-se de quão efémeros são os escaparates. Pelo contrário, são pensados, planeados e executados para benefício das próximas gerações, por conseguinte, com repercussões a longo prazo.

Este Plano prevê e reserva um enorme esforço financeiro no apoio às famílias e empresas que passam por maiores dificuldades, neste momento difícil que o país atravessa por força das medidas impostas pelo Governo da Republica, que estão muito para além das inscritas no memorando de entendimento com as organizações internacionais e que penalizam gravemente os Açorianos.

Mas, neste momento de grande incerteza, os Açores podem esperar deste Plano um mecanismo para manter um bom nível de investimento, para proteger o emprego, dando assim a garantia que para este Governo Regional os Açorianos estarão sempre no centro da sua acção política.

Horta, 1 de Dezembro de 2011.

Marina da Barra II


O Grupo Parlamentar do  Partido Socialista apresentou, esta noite, uma proposta de alteração ao Plano Anual para 2012 de reforço de 100 mil euros na acção denominada Projecto da Marina da Barra e Requalificação da Zona Envolvente, que foi aprovada por unanimidade.

Em 2008, nas eleições regionais, constava no manifesto do PS o item “Projectar e construir um porto de recreio”.

No Plano de 2010, na discussão na especialidade nesta Assembleia, é incluída uma acção, denominada “Projecto da Marina da Marra e Requalificação da Zona Envolvente”.

No Plano de 2011, que já contava com uma dotação nessa rubrica, é aprovada, em sede de especialidade, uma proposta do PCP que previa um reforço de 100.000,00 euros e que, curiosamente, não mereceu o voto favorável do PSD.

Entretanto já foi feito o levantamento topo-hidrográfico, o reconhecimento submarino dos fundos e o estudo prévio.

Muito em breve será apresentado o projecto e o respectivo estudo de impacte ambiental para que se possa, finalmente, lançar a concurso esta obra que é muito desejada pelos Graciosenses e é considerada estruturante por muitos.


29 de novembro de 2011

Marina da Barra


Hoje, no Plenário da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores o Secretário Regional da Economia anunciou o lançamento da obra da Marina da Barra em 2012.

Na sua intervenção Vasco Cordeiro disse:

“Por outro lado, um outro desígnio que sai reforçado no Plano de Investimentos para 2012 é o do trabalho de qualificação da nossa oferta e dos nossos produtos turísticos.

É nesse objectivo que se inserem obras que avançarão em 2012 como sejam, no âmbito do reforço da oferta da Região na área do turismo náutico, a construção da Marina da Barra da Graciosa, cujo concurso público lançaremos ainda durante a corrente legislatura, ou, na área do Turismo de Saúde e Bem Estar, o apoio ao projecto privado de reactivação das obras das Termas do Varadouro, aqui na ilha do Faial.”

Esta é uma boa notícia para todos os Graciosenses.


24 de novembro de 2011

Reconhecer


Há pessoas assim. Depois de anos de labuta, chegam à idade de merecidamente gozarem a aposentação e continuam sensatos e capazes de avaliar o resultado do seu trabalho com humildade, cientes dos muitos sucessos e também com a capacidade de reconhecer aquilo que eventualmente terá corrido menos bem.

O Dr. Joaquim Ferreira da Silva é, sem dúvida, uma dessas pessoas. O seu feitio apaziguador fê-lo cumprir a sua missão, tratando novos e velhos, ricos e pobres, sempre com igual dedicação, demonstrando a mesma disponibilidade para com todos aqueles que dele precisavam. E quando, mais tarde, foi chamado a cumprir funções de chefia, empenhou-se de alma e coração naquilo que entendia ser a função do Centro de Saúde da Graciosa e a política do Serviço Regional de Saúde, zelando pelo alto interesse das nossas gentes, sem se importar com cargos, honrarias ou estatuto.

A vida de médico numa pequena ilha com poucos recursos não deve ser nada fácil. Decidir se evacua ou não um doente, se a gravidade justifica a transferência para um especialista ou não, tudo isto sem os modernos dispositivos de apoio que existem nos hospitais centrais, são acções que um médico que desempenha as suas funções em comunidades mais isoladas tem de tomar diariamente, muitas das vezes de um modo solitário, o que agrava a responsabilidade.

Alguns não conseguiram viver com o peso dessa responsabilidade. Não foi o caso do Dr. Ferreira. Aguentou estoicamente estes 30 anos ao serviço dos Graciosenses, sem nunca vacilar e sem pedir nada em troca.

A gratidão não se exige, antes pelo contrário, conquista-se. Foi isso que aconteceu ao Dr. Ferreira. Ao longo destes anos, sem subserviências, soube conquistar o coração dos Graciosenses sem tão pouco saber que o fazia.

Foi um trajecto notável testemunhado pelos habitantes desta ilha que sabem reconhecer aqueles que lhes querem bem.

17 de novembro de 2011

Estar contra porque sim


É sabido que a actual Câmara Municipal sempre teve intenção de rever o Plano Director Municipal (PDM) em vigor, que, como todos os Graciosenses sabem, levou mais de 14 anos a ser concretizado, tendo, inclusivamente, posto em risco, em determinado momento, o recurso aos fundos comunitários pela edilidade, por tão tardio que foi. Estará desactualizado, com lacunas e, certamente, com necessidade de acertos diversos.

Como também é do conhecimento geral a Câmara Municipal iniciou esse processo em Janeiro passado, justificando esse procedimento com a necessidade de corrigir algumas situações pouco claras e também colocar este instrumento do ordenamento do território num plano mais coerente e mais consentâneo com as necessidades dos habitantes deste concelho. O PDM não pode ser um mecanismo para complicar. É imperioso ordenar e disciplinar mas sempre com o intuito de melhorar a vida das pessoas, em harmonia com o ambiente e com o sector produtivo. Só assim faz sentido.

Por ser um processo moroso por ter, nomeadamente, muitas condicionantes que tornam a alteração complexa, a Câmara Municipal, na passada semana, apresentou uma proposta de suspensão parcial e temporária do PDM em sede de Assembleia Municipal de Santa Cruz da Graciosa para discussão e eventual aprovação.

Essa suspensão visava resolver algumas situações pendentes, nomeadamente na ocupação dos espaços destinados à agricultura, admitindo que aos agricultores seja permitido construir edificações de apoio em zonas agrícolas de baixo aproveitamento, libertando as mais férteis para a produção, podendo, ao mesmo tempo recorrer aos fundos comunitários que, como se sabe, constituem uma ajuda importante para a modernização do sector.

O PSD, que detém a maioria na Assembleia Municipal, votou contra e, como tal, inviabilizou a suspensão parcial do PDM, alegando que está apenas a favor da alteração, como que se uma inviabilizasse a outra. Ora, isso não é verdade, porque, independentemente desta proposta de suspensão, o processo de alteração decorre nos trâmites normais.

Quem ficou satisfeito com esta atitude? Os que detestam os agricultores, os que gostam de complicar a vida à Câmara Municipal, os que não querem que a Câmara Municipal cumpra o seu programa ou aqueles que põem as querelas pessoais à frente do interesse colectivo. Não vejo mais quem ganhe com esta posição.

10 de novembro de 2011

Entre o dizer e o fazer


Quando Portugal se submeteu à intervenção da troika era previsível que grandes sacrifícios estavam reservados aos portugueses, não só por via das grandes reformas mas também pela pressão fiscal que se adivinhava.

O esforço para a redução do défice e consolidação das contas públicas a isso obrigava, sem dúvida, porque a crise instalada em 2008 no mundo, na europa e em Portugal, obrigou, por um lado, a um grande esforço financeiro do nosso país para manter postos de trabalho e apoios sociais e, por outro lado, vimo-nos confrontados com uma drástica diminuição das receitas, enquanto a banca, enredada na malfadada falta de liquidez, não conseguia financiar a economia.

O curioso neste processo é que o partido que se insurgiu contra o chamado PEC 4, fê-lo, supostamente, na convicção de que era impossível pedir mais sacrifícios aos portugueses, sobretudo à classe média. Esta atitude foi bem recebida pelos eleitores, que, aliás, acabaram por confirmar isso mesmo nas urnas, no acto eleitoral que se seguiu.

Esta maneira de ver na altura e o modo de actuar agora, diz-nos apenas e só que se tratava de uma medida meramente populista, ao estilo caça votos. Mas lá que resultou, resultou…

Notam-se, neste momento, grandes contradições ou jogo de cintura, como é comum denominar-se estas diferenças entre o dito e o feito.

Para quem chumbou um programa de estabilidade e crescimento com o argumento de que não poderia subscrever um aumento da carga fiscal e agora procede ao maior ataque à classe média de que há memória, por via do aumento brutal de impostos, isto pode significar que a palavra dada é irrelevante para este governo.

Para quem se insurgia constantemente contra as reformas na saúde, na administração pública, na justiça, pondo constantemente em dúvida o encerramento de serviços sobredimensionados ou desnecessários e agora prepara o desmantelamento cego do Serviço Nacional de Saúde e despedimentos na função pública, isso quererá dizer que na oposição fizeram um mau trabalho, sem o sentido de estado que um partido do arco do poder deveria ter. Lutaram pela justiça tributária e agora acabam com as deduções fiscais em sede de IRS.

Na oposição abominaram reformas, juntando-se às populações que contestavam a perda de direitos, enquanto agora anunciam um novo imposto em cada dia, reformas atrás de reformas que implicam explicitamente cortes na força do trabalho, sem nunca explicar, ou explicar mal, como vai crescer a economia.

Em tempos exigiam mais emprego para os jovens e agora os responsáveis políticos recomendam que estes procurem trabalho lá fora. Tal como prometiam não mexer nos subsídios de natal ou de férias e agora é o que se vê.

Por isso se conclui que não será totalmente exacto quando o PSD diz que o interesse nacional está acima de tudo, porque, como se vê, o interesse partidário comanda, por vezes, os desígnios da nação.

Também poderemos constactar que “falar verdade” nunca mais poderá ser o lema deste partido que jurava prezar esse valor.

Por muito menos o Presidente da República apelou a um “sobressalto cívico”.

3 de novembro de 2011

Quando o trabalho dá frutos


No dia 14 de Outubro passado decorreu na ilha Graciosa a Bienal de Turismo Subaquático dos Açores.

Este certame tem na sua génese questões como formar e informar os operadores, nomeadamente, e no caso desta edição, nas questões de segurança, ética, marketing, inovação, preservação do ambiente, organização, empreendedorismo, etc..

Turismo e mergulho são duas áreas temáticas que se cruzam, que se interligam e se complementam. Quando se fala em mergulho, já se fala em turismo e em oportunidade de negócio.

Em Portugal prevê-se um crescimento exponencial na procura desta actividade nos próximos anos. Os Açores têm de reclamar a sua parte e para isso temos de promover o destino, organizar a oferta e preservar o ambiente.

Esta já foi a 3ª edição desta bienal mas, paralelamente, já decorreram dois campeonatos nacionais e três opens internacionais de fotografia subaquática.

Agora foi a vez de se anunciar a realização do primeiro Campeonato Europeu de Fotografia Subaquática em 2012, na Graciosa, depois de uma negociação com a Confederação Mundial de Actividades Subaquáticas e a respectiva adjudicação em reunião do Conselho de Administração que decorreu em Roma.

Este grande evento trará até esta ilha os melhores fotógrafos do continente europeu e do mundo e proporcionará certamente um momento forte na promoção do mar dos Açores.

Para a conquista da primeira edição deste campeonato europeu terão contribuído, e em muito, as condições que a Graciosa reúne em termos de beleza dos fundos marinhos, hospitalidade das suas gentes, hotelaria, restauração e acessos ao mar, destacando-se ainda a experiência adquirida em organizações anteriores. Na aprovação desta candidatura estiveram envolvidas muitas pessoas, desde a Agraprome, à Federação Portuguesa de Actividades Subaquáticas, passando pela Câmara Municipal.

Na Graciosa não se fica na expectativa de que alguém nos faça o trabalho ou que o turismo cresça por si só. Criam-se novas dinâmicas, enfrentam-se os desafios e avança-se.

27 de outubro de 2011

A crítica barata não vence


O Presidente da República veio à ilha Graciosa pela primeira vez em Setembro passado. É uma espécie de praxe - oportuna, diga-se - que os presidentes de todos os portugueses gostam de cumprir: visitar todos os concelhos do país.

Esta visita, além do simbolismo que se revestiu, teve uma projecção enorme na comunicação social que acompanhou o mais alto magistrado da nação, como é comummente designado.

Inesperadamente, ou talvez não, mal o Dr. Cavaco Silva abandonava esta ilha, já havia uma chuva de críticas, sobretudo quanto à maneira com este tinha sido recebido pela Câmara Municipal - chegando ao cúmulo de chamar incompetente ao seu presidente - emanadas por um directório político que já nos habituou ao bota abaixo e à desconsideração, por vezes pessoal, de uma forma gratuita e muito pouco ingénua.

Já tinha escrito sobre este assunto, mas é importante retomá-lo para desfazer ideias erradas propaladas aos sete ventos.

A verdade é que nós, Graciosenses, sempre tivemos como reconhecida mais-valia o facto de recebermos bem quem nos visita. Isso e a simpatia constituem dois factores importantes do nosso vasto património imaterial, inúmeras vezes referido pelos forasteiros que nos visitam. Não é de agora, é desde sempre e só quem não nos conhece poderá ou poderia pôr em dúvida essas qualidades.

Por isso foi com enorme estupefacção que ouvimos alguém com desprezo incontido propagar algo que não somos.

Mas nestas coisas a verdade vem sempre ao de cima. O Presidente da República, em missiva assinada pelo seu punho, veio agradecer ao Presidente da Câmara, muito sensibilizado, a forma com ele a esposa foram recebidos neste concelho, alargando esse agradecimento aos restantes autarcas e à população, repondo, deste modo, a verdade dos factos e descolando-se daqueles que se querem aproveitar da sua imagem.

Este gesto simpático do Dr. Cavaco Silva deve ser conhecido por todos os Graciosenses porquanto representa uma chapada na cara de quem tenta manipular visitas de terceiros, procurando a todo o custo tirar proveitos políticos, não se importando minimamente com as consequências.

20 de outubro de 2011

Ajudar ou descapitalizar


O PSD Graciosa, em sede da Assembleia Municipal, propôs a devolução aos Graciosenses da parte do IRS que cabe ao Município.

A Lei das Finanças Locais estabelece que os municípios podem abdicar de uma parte ou da totalidade dos 5 % de IRS cobrado na sua área, a favor dos contribuintes individuais do seu concelho.

Logo houve quem viesse a público defender a bondade desta proposta, sobretudo os seus autores, que se fartam de falar neste assunto numa espécie de auto elogio, como se esta fosse a solução para os problemas dos Graciosenses.

Mas também há quem se sinta incomodado com este tipo de abordagem, porquanto mais não é do que vender gato por lebre.

Então façamos um exercício com alguns casos práticos, utilizando nomes fictícios, como é aconselhável: Manuel, operário não qualificado, aufere 485 euros mensais e com esta proposta não receberá nem mais um cêntimo. Maria, assistente operacional, solteira, recebe 580 euros mensais e com esta proposta receberá cerca 20 cêntimos mensais a mais. António, assistente técnico, casado com 1 filho, 1 titular, ganha 683,13 euros mensais, ser-lhe-ão devolvido cerca de 23 cêntimos por mês. Manuela, técnica superior, casada com 2 filhos, 2 titulares, que recebe 1.407,45 euros mensais, com a devolução do IRS receberá pouco mais de 6 euros por mês. João, que recebe 3.147,80 euros mensais, casado, com 2 filhos, 2 titulares, com esta alteração receberá mais ou menos 30 euros por mês.

Por aqui se vê que aqueles que mais necessitam recebem uma mão cheia de nada e os que ganham bem recebem a quase totalidade da fatia retirada ao orçamento da Câmara Municipal.

Com é perceptível, o PSD, com aquela proposta, ao invés de querer ajudar aqueles que mais necessitam, como quer fazer parecer, pretende apenas descapitalizar a Câmara Municipal de verbas que, se utilizadas em investimento público, constituiriam um benefício colectivo.

A Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa é a única dos Açores a devolver IRS aos contribuintes em 2012 e por isso é duplamente penalizada, pois para além da redução de 5,22% a que todas estão sujeitas, exceptuando Ponta Delgada, tem a somar outra redução de 2,46% por isso mesmo.

Não podendo governar a Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa, o PSD Graciosa tenta a todo o custo condicionar a sua governação, utilizando a maioria que obteve na Assembleia Municipal, com o argumento falacioso de que pretende ajudar os que mais necessitam, quando, em última análise, mais não faz do que retirar meios ao executivo.

19 de outubro de 2011

Voto de Congratulação

A Associação dos Agricultores da Graciosa completou 25 anos de existência no passado dia 11 de Julho.

Foi fundada em 1986 por Luís Vasco de Barcelos Machado Gregório, Manuel Ávila da Cunha, José Orlando Bettencourt Santos, João Toste Ferraz, Manuel Isidro Bettencourt Luz, José Luís Coelho Albuquerque Coelho, Hélio Manuel dos Santos, Roberto Augusto Pereira, Luciano Manuel Bettencourt Mendonça, João Manuel Correia Picanço, José Manuel Silva Ramos, Dagoberto Manuel Cunha Boga, Almerindo Serpa Pires Mendonça e Francisco de Assis Barcelos Machado Bettencourt.

Desde cedo esta Associação, de acordo com o articulado dos seus estatutos, dedicou-se à defesa dos interesses dos seus associados junto de parceiros e entidades oficiais e à busca de soluções para os problemas colectivos que afectavam e afectam este classe.

É certo que a sua fundação coincide com um período em que a agricultura definhava naquela ilha, altura em que a produção de leite chegou a ser suspensa e em que os agricultores temiam pelo seu futuro. No entanto o seu trajecto, nos últimos anos, está ligado à modernização deste sector económico que é preponderante para a economia da Ilha Graciosa.

Esta entidade acompanhou o esforço do Governo dos Açores, na procura do estatuto sanitário de excelência, na construção da nova fábrica de lacticínios, na constituição de núcleos de raças puras com vocação de carne, no apoio e acompanhamento aos agricultores em projectos de modernização das explorações, no reforço das acções de informação, de formação profissional e de vulgarização agrária, etc..

Na sua história também cabe a criação de alguns serviços de apoio aos sócios e neste momento, em parceria com a Associação de Jovens Agricultores Graciosenses, apoia o sector com serviços de inseminação artificial, contraste leiteiro e cortes de forragens com equipamentos auto motrizes adquiridos para o efeito.

Como projectos, os actuais corpos gerentes preparam-se para lançar, no início do próximo ano, serviços de medicina veterinária, nutrição animal e aconselhamento técnico para a elaboração de novos projectos. Entretanto aguardam decisões sobre a implementação de um centro de recria e acompanham a par e passo o projecto de transferência de embriões lançado pelo Governo Regional.

Assim, nos termos regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Partido Socialista propõe que a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, reunida em Plenário no dia 19 de Outubro de 2011, emita o seguinte Voto de Congratulação:

“A Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores congratula-se pelo facto da Associação de Agricultores da Graciosa ter completado 25 anos de existência na senda de uma cabal defesa dos interesses dos Agricultores Graciosenses.

Esta congratulação é extensiva a todos os seus sócios, funcionários, direcção e restantes órgãos sociais.”

Do presente voto deverá ser dado conhecimento, além da referida Associação, à Federação Agrícola dos Açores

13 de outubro de 2011

Não é para todos

Carlos César anunciou no passado dia 7 de Outubro que não se recandidatava a Presidente do Governo dos Açores no acto eleitoral previsto para 2012.

Foi uma atitude muito digna, que não está ao alcance de todos, e que, certamente, fará história na política regional, por demonstrar um desprendimento inusual e, sobretudo, por querer honrar a palavra dada aquando da sua reeleição em 2008.

Na sua intervenção explicou de forma concisa aquilo que o levou a tomar essa decisão, que, segundo o próprio, foi pessoal, muito reflectida e tomada há muito.

Confesso que fazia parte do grupo de muitos e muitos açorianos que julgava e desejava que o seu anúncio fosse no sentido contrário.

A esses não resta outra alternativa senão aceitar e admirar aquele que, perante apelos de vários sectores da nossa sociedade, declinou essa possibilidade assente em declarações passadas.

É certo que existiam diversos pareceres jurídicos independentes que apontavam para a admissibilidade da sua candidatura, mas Carlos César optou por respeitar e cumprir a palavra dada, o que dá uma grande dimensão a este gesto.

Carlos César irá cumprir, em 2012, dezasseis anos à frente dos Açores em quatro governos do Partido Socialista.

Não caberia aqui o muito que foi feito durante este período. Da saúde, à agricultura, passando pelas pescas e pelas políticas sociais, não esquecendo o ambiente, o turismo e a revitalização do tecido empresarial, os Governos do Partido Socialista impuseram um forte ritmo de desenvolvimento que contribuíram decisivamente para a convergência com o resto do país e com a Europa. Esta é a marca indelével do Partido Socialista e que ficará, certamente, para memória futura.

Quando se reflecte sobre estas questões o que se depreende é que nos Açores Carlos César dirigiu com mestria, durante dezasseis anos, políticas dirigidas às pessoas e impôs rigor nas finanças públicas, não se conhecendo, por isso, casos de corrupção nem de abuso de poder, mas, não obstante, quando teve oportunidade para isso, uma das coisas que colocou, em sede de revisão do estatuto político-administrativo, foi a limitação de mandatos. Aqui mesmo ao lado, na Região Autónoma da Madeira, temos um líder acossado por todo o lado e com mais de trinta anos de poder, a terminar mais uma luta para se perpetuar no poder apesar das acusações graves de má gestão dos dinheiros públicos e de encobrimento da dívida, que ultimamente foram denunciadas e que inexplicavelmente surpreenderam muita gente.

Alguns dirão que é a ironia do destino, mas o que aqui está em causa é a profunda diferenciação entre duas maneiras de estar na política e entendimento da causa pública.

Adiante… A 7 de Outubro, o tal dia do anúncio público de Carlos César, alguma oposição terá festejado efusivamente, porque, e isso notava-se no constante frenesim quando se falava nestas coisas, estava refém desta decisão e vivia acantonada com medo do adversário, em prejuízo da confiança que deveria ter no seu próprio projecto político.

Essa oposição julgava que o Partido Socialista iria passar por uma incontornável, segundo eles, longa noite das facas longas. Nada de mais errado. Poucas horas depois os órgãos internos do partido reagiram, indigitando e aprovando o nome de Vasco Cordeiro para candidato a Presidente do Governo, sem qualquer contestação. Foi uma escolha acertada porque Vasco Cordeiro é respeitado pelos açorianos, é um jovem com larga experiência política, conhece como ninguém os Açores e domina os principais dossiers do Governo dos Açores.

Foi uma resposta rápida que demonstra a coesão no seio de um partido responsável que entende que os Açores estão acima de qualquer projecto pessoal.

6 de outubro de 2011

O Galinho da Madeira


Vi recentemente um vídeo engraçado no Youtube intitulado o “O Galinho da Madeira”, (http://www.youtube.com/watch?v=dKtEsG7LIIs), que recomendo vivamente, com letra de Carlos Enes, música e interpretação do meu amigo Aristides, um grande artista Graciosense com provas dadas no mundo do fado.

Ouvindo atentamente, e note-se que este fado foi composto e divulgado muito antes do conhecimento generalizado do buraco financeiro na Madeira, percebe-se o que por lá se passa, dando mesmo a entender que o seus autores estavam muito bem informados.

Alguém é capaz de pensar que o descontrolo financeiro na Madeira era apenas do conhecimento do letrista e do Aristides?

Eu pessoalmente não acredito e penso que a grande maioria dos portugueses também não. E entendo que o povo deste país até olha para as autonomias com grande desconfiança, agora mais do que nunca, devido ao conhecimento deste comportamento despesista, sempre acompanhado de rasgos de arrogância quanto baste.

As sucessivas notícias dos mil milhões, primeiro, dos dois mil milhões, depois, e dos seis mil milhões, agora, abalaram aqueles que tinham o dever, no meu entendimento, de fazerem um acompanhamento pormenorizado de toda a situação.

Questões de somenos importância deram direito a interrupção de férias e a uma comunicação, em tom dramático, ao país. Valores inferiores mereceram o título de colossal. Enfim, dois pesos e duas medidas difíceis de entender.

Depois de muita reflexão cheguei à conclusão que a culpa do desconhecimento por parte do Presidente da República, dos eleitos da nação, do Tribunal de Contas, do Banco de Portugal, do Instituto Nacional de Estatística, da Troika e de muitos outros, é do Aristides, porque deveria ter divulgado o vídeo “O Galinho da Madeira” muito mais cedo e, com este gesto altruísta, evitava que toda esta gente fosse surpreendida com as referidas más notícias desta forma inacreditável.

29 de setembro de 2011

Intervenção de Bancada- Voto de Pesar - Luís Henrique Silva


O Grupo Parlamentar do Partido Socialista vai associar-se naturalmente a este Voto de Pesar apresentado pelo PSD.

Luís Henrique Silva, e conforme já foi referido no voto agora apresentado, exerceu diversos cargos no âmbito autárquico, na administração pública regional (como foi o caso da administração do Centro de Saúde), associativo e político, tendo sido Deputado nesta casa na oitava legislatura.

Era enfermeiro e ao exercer essa profissão nunca se limitou apenas à sua obrigação. Dedicou-se aos outros e a todos os que sofriam tinha sempre uma palavra de conforto e esperança.

Foi dinamizador da Feira Taurina até este ano e, mesmo doente, deu um contributo importante para o sucesso desta festa que é tão acarinhada naquela ilha.

Um dos cargos mais importantes que exerceu, e que não estava referido no voto, foi o de dirigente da Cooperativa Agrícola da UNICOL, numa altura complexa para a produção de leite e onde deu muito de si em prol dos agricultores Graciosenses.

Nas tertúlias em que participámos juntos estava sempre implícita a defesa da Graciosa e dos Graciosenses e essa posição ultrapassava as querelas que, por vezes, acompanham essas discussões.

Luís Henrique Silva partiu quando ainda tinha muito a dar à sua ilha.

Fica o seu exemplo e a sua dedicação. Fica também a saudade.

Assim, e como já foi referido no início, o Grupo Parlamentar do Partido Socialista vai votar favoravelmente este Voto de Pesar.

O respeitinho fica muito bem


Mal o Presidente da República saía da Graciosa em direcção a S. Jorge, já o líder do PSD Graciosa, nessa qualidade, elaborava um comunicado espalhando duras críticas por aqueles que, segundo o seu infalível medidor de respeito, não dignificaram a visita do mais alto magistrado da nação a esta ilha.

Não contente com esta inexplicável apreciação, considerada por muitos como ridícula e extemporânea, retoca o texto e transforma-o, dias depois, em artigo de opinião que publica no Diário Insular e na Rádio Graciosa, alargando as críticas ao Presidente do Governo (pudera, aqui há mais leitores!) e acaba mesmo por chamar incompetente ao Presidente da Câmara.

Este partido político e o seu responsável já nos habituaram a estes remoques e a outros ímpetos, que muitas das vezes não leva a merecida resposta na volta, porque ninguém se quer confundir com este tipo de actuação.

O Professor Cavaco e Silva, na qualidade de presidente de todos os portugueses, merece o respeito, incluindo o institucional, mas é evidente que o Presidente da Câmara, como primeiro responsável autárquico, deverá merecer também a deferência que o cargo igualmente exige, naturalmente noutra escala.

E é aqui que o PSD Graciosa está em desvantagem: exige respeito, mas não respeita. Critica a falta dos deputados do PS em momentos da visita, mas por sua vez também faltou a pelo menos três itens do programa, talvez por serem empreendimentos do Governo Regional, sem receber da nossa parte qualquer censura por isso. Chama incompetente ao Presidente da Câmara, quando, e tendo em conta a sua apreciação crítica, o deveria ter feito a quem organizou a visita e propôs alguma distância e recato. Ironizou com as ofertas feitas ao ilustre visitante, quando podia ter proposto outras, porque os seus vereadores e o presidente da Assembleia Municipal também participaram nesta recepção.

Este azedume impresso num comunicado, primeiro, e replicado num artigo de opinião, depois, só demonstra que esta visita correu mal ao PSD. O Presidente da República, e quanto a mim muito bem, comparou aquilo que conheceu há vinte anos e o que viu agora e notou uma evolução que o terá agradado particularmente, conforme confessou. E isso calou fundo…

É visível que esta avaliação não terá satisfeito, de todo, os responsáveis do PSD. É a vida!

27 de setembro de 2011

RTP-A e RDP-A, que futuro?

Hoje o Parlamento Açoriano defendeu o serviço público de rádio e televisão nos Açores.Entretanto a luta continua, porque os centralistas não dormem...

22 de setembro de 2011

O outro lado do PECA


Na mesma altura em que o Plano Estratégico para a Coesão dos Açores (PECA) era apresentado e conhecido logo surgiram vozes apressadas na tentativa de desvalorizar este documento.
É preciso não esquecer que o PECA foi publicado na página do Governo e já nesse dia davam entrada nas redacções dos jornais artigos de opinião com duras críticas ao seu conteúdo, que haveriam de ser publicados no dia seguinte. 
É assim. Muita gente está contra só porque sim. Não interessa ler, reflectir, propor alterações ou enriquecer este plano. Só lhes resta mesmo falar mal, mesmo antes de conhecer o documento.
As críticas têm surgido, neste período de pré-campanha declarada, por forma a dar a entender que não existem políticas de coesão ou então que estas falharam.
Nada de mais errado. Ainda ontem o senhor Presidente da República tecia elogios à forma como os Açores se desenvolveram nos últimos vinte anos e, com toda a certeza, estava a referir-se também à Graciosa e Santa Maria, ilhas que já visitou neste périplo.
Nós passamos por uma fase em que o Governo dos Açores teve de investir nestas ilhas, substituindo os privados que, devido à incerteza do retorno do investimento em tempo útil, foram renitentes em apostar.
De seguida foram criados mecanismos de discriminação positiva, criando majorações nos apoios ao investimento, na habitação, no apoio à exportação de produtos tradicionais, nos programas estagiar L e T, no custo das passagens aéreas, etc., diferenciando assim o apoio público atribuído às famílias e às empresas das ilhas com menor dimensão.
Com o forte investimento governamental em áreas fundamentais tem sido possível melhorar as condições de vida dos Graciosenses.
Em 2008 o programa do Governo já previa elaborar um estudo destes, porque agora os desafios são outros.
Acompanhei o processo de elaboração do PECA desde o seu início e, confesso, sempre depositei esperança neste trabalho, tendo em conta o desenvolvimento da Graciosa.
Não esperei por uma solução milagrosa, porque tenho consciência de que ela não existe. Se assim fosse já outros, aqueles que agora criticam, o teriam feito no passado.
O PECA não induz uma directiva infalível rumo ao sucesso para ilhas mais pequenas e mais frágeis do ponto de vista económico, antes procura, em colaboração com agentes locais, identificar áreas com potencial capazes de materializar o desenvolvimento que ambicionamos.
Não é nada de novo. Acho que nada foi inventado. Trata-se tão só de definir as linhas estratégicas e as respectivas linhas de acção, para, numa conjugação de esforços do Governo e das populações, encontrar formas de tornar mais eficaz e rentável a exploração dos nossos recursos.

4 de agosto de 2011

O turismo subaquático

O turismo subaquático é uma mais-valia para a Região Autónoma dos Açores, como é perceptível pela proliferação de centros de mergulho e pela avaliação da procura. Este tipo de turismo tem vindo a crescer e a criar dinâmicas em várias ilhas dos Açores, nomeadamente na Graciosa.

Segundo os especialistas haverá, nos próximos tempos, um aumento exponencial da procura deste tipo de serviço em Portugal, não só por portugueses mas sobretudo por estrangeiros, e, claro, os Açores terão de fazer o seu trabalho para acompanharem esta tendência positiva e reclamarem a sua parte.

Estamos numa zona privilegiada devido às condições climatéricas, nomeadamente com boas temperaturas e águas límpidas que garantem uma visibilidade inusual, que pode muito bem ultrapassar os 30 metros. A flora e a fauna são abundantes e diversificadas.

Mas, claro, só isso não basta. Temos de juntar esforços e aprontar estratégias para garantir um crescimento sustentável.

Em Outubro teremos a III Bienal de Turismo Subaquático dos Açores, conforme foi ontem tornado público em conferência de imprensa.

Trata-se de mais uma organização da Associação Graciosense de Promoção de Eventos em parceria com a Associação Regional do Turismo. Estarão também envolvidos o Governo Regional dos Açores e a Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa, contando a organização com o apoio técnico da Federação Portuguesa de Actividades Subaquáticas, da Universidade dos Açores e da Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril.

Esta edição, tal como aconteceu com as anteriores, pretende juntar os operadores para que, perante as experiencias do que se faz noutros mercados mais evoluídos e perante os especialistas nas diversas matérias, possam trilhar objectivos que beneficiem todos.

Os painéis versarão temas que vão desde as questões de saúde e segurança, passando pelo guia do empresário deste segmento e terminando em questões mais inovadoras, como, por exemplo, o mergulho com tubarões ou o afundamento de embarcações destinadas à prática de mergulho recreativo.

Esta é uma forma de promover os Açores em mercados de turismo especializados, exigentes, certamente, mas que trazem valor um acrescentado importante e que está na linha do que os decisores pretendem para o futuro dos Açores: turismo de qualidade e sustentável.

28 de julho de 2011

Grande capitão

No desporto o capitão de equipa assume um papel fundamental. É ele que transmite a toda a equipa a serenidade e a confiança que ajuda o grupo de trabalho a atingir os objectivos a que se propôs. É ele que em campo dá alento aos companheiros nas horas mais difíceis e ajuda a dirimir desaguisados próprios de grupos de jovens com sangue na guelra. 

No tempo em que pratiquei futebol federado tive a felicidade de conviver com aquele que se revelaria um grande capitão: o Gasparinho. Era um grande amigo dos colegas, ajudava aqueles que dele precisavam, transmitia calma e geria muito bem os conflitos. Além disso era um defesa central exímio, com uma maneira muita fina de jogar e de interpretar o jogo, razão pela qual era tão respeitado pelos companheiros como pelos adversários.

Na hora de se afastar dos campos de futebol recebi dele a braçadeira e os ensinamentos de um verdadeiro capitão de equipa. Tentei seguir o seu exemplo, mas, por incapacidade minha, não lhe terei chegado aos calcanhares.

Amava o seu clube, o Graciosa Futebol Clube, e com ele rejubilava nas horas boas e entristecia nas desventuras.

Serviu empenhadamente este que foi o seu clube de sempre, como atleta ou na qualidade de dirigente, tendo sido Presidente da Direcção até há bem pouco tempo e onde se mostrou intransigente na defesa dos escalões de formação.

Durante anos e anos emprestou a sua magnífica voz, a arte de dedilhar a guitarra e os sons do seu trompete ao conjunto Ritmo 2000, grupo musical daquela casa que animava as noites de festa.

Na passada segunda-feira o Gasparinho partiu inesperadamente do nosso convívio, mas permanecerá eternamente nos nossos corações. Fica-nos a saudade e o seu exemplo. Até sempre!

21 de julho de 2011

Os números que não enganam


Muita gente fala na desertificação humana que se verifica nas ilhas mais pequenas, nomeadamente na Graciosa, sobretudo quando quer atacar o actual Governo. São os fazedores de opinião (?) que atiram chavões maldizentes para os pasquins que os suportam, sem nunca se preocuparem com verdade. São vários os exemplos dos que espraiam olhares a coberto de redacções que se dizem plurais, que, impedindo o contraditório, deixam passar inverdades e imprecisões de vária ordem. 

Apesar de também qualificarmos este como um dos maiores desafios que teremos pela frente nos próximos tempos, é preciso ver os números com a seriedade que o assunto nos merece.

É claro que não estamos satisfeitos com os números preliminares dos censos 2011, pois atestam que perdemos 387 habitantes, o que corresponde a uma redução de 8,1 %. Mas vendo estes números de uma maneira mais pormenorizada verifica-se que, nos últimos 10 anos registamos 357 nascimentos e 655 óbitos, o que se traduz num saldo natural negativo de 298 indivíduos. Ora retirando dos 387 habitantes que perdemos na última década os 298 de saldo negativo, verifica-se que, em grosso modo, apenas terão saído desta ilha 89 pessoas.

O que terá acontecido em 1981, e é preciso relembrar os mais incautos e aqueles que imprudentemente não querem saber da verdade, foi bem diferente. Perdemos 1.803 habitantes, que representavam nem mais nem menos do que 25,1 % da população. Foi a maior quebra de população desde 1900. Seguindo a mesma lógica, registaram-se, nesses 10 anos, a que se referem estes censos, 850 nascimentos e 851 óbitos, o que quer dizer que da Graciosa partiram, nessa década, 1.802 graciosenses à procura de um melhor futuro noutras paragens.

Bem diferentes, estas leituras.

Assim, cai por terra a teoria dos que tentam, a todo o custo, transmitir a ideia de uma triste sina sem volta a dar ou associar este problema ao actual Governo.

Fica também demonstrado que os números indicam a existência de um problema essencialmente ligado à baixa da natalidade, comum a muitas outras ilhas, ao país e à Europa, e que certamente terá repercussões negativas futuras, mas muito diferente da situação que existia nos anos 80, quando a questão económica e a falta de oportunidades terão ditado uma sangria da população.

Afinal a desertificação não é um problema novo, como alguns tentam fazer passar.

14 de julho de 2011

Quando falta a razão


No plenário de Julho da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores discutiu-se a visita estatutária do Governo Regional à Ilha Graciosa.

Nesta ocasião, que é sempre muito especial para as ilhas mais pequenas, é normal os partidos participantes na discussão divergirem sobre as decisões, ou a falta delas, e a oportunidade de cada uma das deliberações que são assumidas no Conselho do Governo realizado na ilha visitada.

O que já não é muito normal é o “bota abaixo” inusitado, destilando sarcasmo, misturado com inverdades que só servem para confundir, perpetrado pelo PSD.

O PSD afirmou que a desertificação humana é um grave problema, mas quando foi instigado, por várias vezes, a apresentar soluções, nunca foi capaz de o fazer.

Nós concordamos, definitivamente, que este é um dos principais problemas que teremos de enfrentar nos próximos tempos. É por essa razão que o Governo encomendou o Plano Estratégico para a Coesão dos Açores, que, inclusivamente, já foi formalmente aprovado em Conselho de Governo e que será colocado à discussão pública dentro de pouco tempo.

Mas quem transmite a ideia de que nada se faz para inverter esta tendência, não está a ser justo nem coerente.

O PSD afirmou que as políticas aplicadas na Graciosa foram erradas e não resultaram. Esta crítica apanha por tabela – involuntariamente, com toda a certeza - os 30 anos de governação autárquica da responsabilidade daquele partido.

Como podemos combater este flagelo que atinge várias ilhas? Com investimento reprodutivo e estruturante.

E não é isso que o Governo está a fazer? Com certeza que sim. Quem afirma o contrário está a faltar à verdade ou é maldoso.

O investimento verificado, nos últimos 15 anos, nas pescas, na agricultura, na saúde, no ambiente, na cultura e no turismo, com a construção de novas infra-estruturas e requalificação de outras, na construção de unidades de produção, dotação de quadros técnicos, aposta na qualificação dos produtores, apoios à modernização, apoios à exportação dos produtos locais e a remoção do passivo ambiental com décadas, constitui uma das vertentes mais importantes no combate à desertificação humana.

É devido a este compromisso que o Partido Socialista tem para com as ilhas mais frágeis, que conseguimos ser uma das melhores na agricultura e na produção de pescado. É devido a esta visão de coesão que saímos do marasmo e somos uma das ilhas que mais cresce no turismo. Foi esta estratégia que nos levou a sermos reconhecidos pela Unesco como uma das Reservas da Biosfera. É por isso que vamos ser uma das ilhas com produção de energia 100% limpa dentro dos próximos tempos. Essa é talvez a razão pela qual, na última década, se tenha fixado nesta ilha muito mais gente nova e qualificada, como nunca tinha acontecido desde 1974.

Esta política que aposta nas potencialidades endógenas e na criação de valor acrescentado para alavancar a economia, que, como se sabe, é muito frágil devido à dimensão desta ilha, tem dado os frutos e estão à vista de todos.

É por isso que abomino quando se enche constantemente a boca com apreciações negativas, sem se atender ao muito que já está feito em favor das populações.

Estas visões pintalgadas de pessimismo e de desânimo, valem o que valem e só acredita nelas quem quer. Eu não vou nisso.  

7 de julho de 2011

A marcha com exemplo

É do conhecimento geral que criar ou construir algo de útil dá muito trabalho e exige por parte dos promotores alguns sacrifícios pessoais, isto para além de ficarem mais expostos a invejas incompreensíveis por parte, a maioria das vezes, dos que nunca conseguiram dar nada à sociedade onde se inserem.

É frequente ver-se sonhadores que, incapacitados perante os “fantasmas” das dificuldades, não conseguem por em prática os seus sonhos. Vemos também nas nossas sociedades aqueles que, acomodados que estão, nem ousam sonhar. Por último há os que sonham e põem em marcha os seus sonhos, executando os projectos, lutando por eles, enfrentando as adversidades sem medo do fracasso.

Na nossa ilha vários são os exemplos da obra criada por voluntários que, sacrificando os seus tempos livres, executam os seus sonhos e conseguem criar dinâmicas interessantes. Os exemplos são variadíssimos, desde a música, passando pelo desporto e a promoção turística, até aos movimentos corporativos.

A marcha “Graciosa cheia de graça” é um exemplo disso. Um punhado de gente teve a ideia e pôs mãos à obra, enfrentando os problemas que iam surgindo e conseguiu apresentar uma marcha nas Sanjoaninas, de tal modo que encheu de orgulho todos os Graciosenses, os que assistiram ao vivo e os outros, como eu, que visionaram através dos meios audiovisuais.

Não se pense que tenha sido fácil. Aliás, hoje em dia não há sucesso sem grande empenho e dedicação.

Fica aqui a prova que podemos estar entre os melhores. Podemos ser dos melhores na agricultura, nas pescas, no desporto, na música, nas marchas, etc.. Basta querer, acreditar e trabalhar. 

5 de julho de 2011

Voto de Congratulação apresentado hoje na ALRAA

Fundado em 24 de Fevereiro de 1957 por gente ligada ao mar, o Sport Clube Marítimo desde cedo desenvolveu actividades desportivas, numa ilha em que embora faltasse quase tudo, restava tempo, daí a importância que se revestiam as instituições desportivas, recreativas e culturais que, nessa altura, proliferavam um pouco por todas as freguesias. 
A 26 de Abril de 1978 filiou-se na Associação de Futebol de Angra do Heroísmo e a partir daí participou nas provas locais tendo vencido a Taça Ilha Graciosa em 1986/1987, o Torneio de Preparação na época 1987/1988 a Taça de Honra em 1999/2000 e os Campeonatos da Ilha Graciosa nas épocas desportivas 1987/1988, 1990/1991, 1998/1999 e 2004/2005. Nesta última época alcança também o título de campeão da Associação de Futebol de Angra do Heroísmo, feito inédito nesta ilha e que lhe conferiu o direito de participar na III Divisão Nacional – Série Açores, onde se manteve ao longo de três épocas: 2005/2006, 2006/2007 e 2007/2008.
Depois de passar por uma crise que obrigou ao encerramento da secção de futebol por duas épocas, o clube reiniciou a sua actividade desportiva nesta época e logo da melhor maneira. Depois de vencer a Taça da ilha, apurou-se para a Taça Região Autónoma dos Açores, prova que acabou por vencer, ao eliminar os representantes da Terceira e de S. Miguel. Esta também foi a primeira vez que uma equipa Graciosense venceu este título. 
Assim, nos termos regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Partido Socialista propõe que a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, reunida em Plenário no dia 5 de Julho de 2011, emita o seguinte Voto de Congratulação:
“A Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores congratula-se pelo facto da equipa de futebol sénior do Sport Clube Marítimo ter conquistado a Taça Região Autónoma dos Açores na época 2010/2011.
Esta congratulação é extensiva a todos os atletas, técnicos, dirigentes, sócios e simpatizantes, que, apesar das adversidades, sempre acreditaram no seu real valor.”
Do presente voto será dado conhecimento, além do referido clube, à Associação de Futebol de Angra do Heroísmo e à Federação Portuguesa de Futebol.

Horta, 5 de Julho de 2011.

30 de junho de 2011

Medo do escrutínio

Reparei que, durante e já depois dos festejos das legislativas nacionais, o tema que o PSD – Açores elegeu para insistir até à exaustão foi e ainda continua a ser a sucessão no Partido Socialista – Açores. Assistimos a isso na entusiástica conferência de imprensa do dia 5 de Junho e no último plenário da Assembleia Legislativa.
Essa questão, a pôr-se, será sempre um assunto do foro interno do Partido Socialista.
Esta nova abordagem por parte do ainda maior partido da oposição nos Açores revela uma insegurança enorme, a roçar o pavor, ao imaginar que em 2012 terão o Presidente Carlos César a recandidatar-se a um novo mandato, tendo do outro lado a Dra. Berta Cabral. Esta é que é a verdade que preocupa muita gente.
E é por isso que se tem visto o PSD a cavalgar as últimas vitórias eleitorais, as presidenciais e as legislativas nacionais, numa rebuscada tentativa de capitalizar prestígio e, claro, votos. O problema, e como se tem visto nas opções que o povo faz em cada um dos actos eleitorais, é que isso já não resulta. Cada eleição é uma eleição e o povo quando se exprime através do voto, sabe ao que vai. Talvez no passado isso fosse assim, quando as pessoas eram ameaçadas ou amedrontadas, mas agora garanto que já não o é.
Lembro aos mais desatentos que nas eleições regionais de 2012 o que vai contar é o histórico do trabalho feito nesta região pelos partidos que concorrerão nessa disputa.
E é nessa premissa relevante que as coisas se complicam para o maior partido da oposição, porque os históricos de um e de outro partido são indubitavelmente diferentes. O Partido Socialista – Açores honra-se de ter um enorme património desde que assumiu o poder em 1996. Foi o Partido Socialista, liderado pelo Presidente Carlos César, que reergueu esta região das cinzas, ameaçada por uma falência anunciada. A região estava estatizada e com pouco espaço para a iniciativa privada, as empresas públicas davam prejuízos atrás de prejuízos, as dívidas a fornecedores punham em causa a sobrevivência de muitas empresa, o desemprego era elevado, a taxa de emprego feminino era diminuta, o número de trabalhadores activos era muito menor e com baixa qualificação, as empresas de lacticínios viviam em grande sufoco com mais de 12 meses de atraso nos pagamentos aos produtores, não existiam portos de pesca condignos, as embarcações eram obsoletas e a rede de frio era inexistente. O turismo pouco valia, os hotéis escasseavam e as acessibilidades eram más e caras e o transporte marítimo de passageiros tinha sido desmantelado.
Também é por demais evidente que em 2012 o prestígio dos candidatos terá um forte impacto nas opções dos eleitores e é por isso que a Dra. Berta Cabral não dorme bem enquanto não vir isso resolvido. Se Carlos César se recandidatar, como eu espero, a líder do PSD, além das insónias, terá ainda grandes pesadelos.

23 de junho de 2011

Graciosa cheia de graça

Visita Estatutária


Na passada semana o Governo Regional dos Açores efectuou a Visita Estatutária à Ilha Graciosa, nos moldes já tradicionais, onde são feitas inaugurações das obras concluídas, acompanhadas as que estão em curso e tomadas decisões para o futuro.

Assim foram inauguradas diversas obras e equipamentos, como a nova lota do porto de pescas, o pórtico de varagem, a estação de monitorização de ensaios nucleares, 4 moradias assistidas para idosos da Santa Casa da Misericórdia da Vila da Praia e 4 Moradias T3 para famílias carenciadas.

Foram também visitados empreendimentos em curso e que a breve trecho estarão em condições para serem, eles também, inaugurados, como o Centro de Saúde, o acesso à Furna do Enxofre, a requalificação da Santa Casa da Misericórdia de Santa Cruz, o Quartel dos Bombeiros do Aeroporto, a muralha da Praia e o troço de estrada das Pedras Brancas à Limeira.

O Governo Regional dos Açores tomou decisões importantes para esta ilha, nomeadamente a contratação de um piloto de barra para o Porto da Praia, abrir um concurso para a contratação de um médico para o Centro de Saúde, adquirir equipamento para um banco de sangue, o lançamento do concurso da rampa roll-on roll-off do porto comercial, mandar efectuar o programa funcional para a reabilitação da Escola da Praia, construir mais 2 habitações T3, lançar as empreitadas da canada Jorge Nunes e da ligação do furo das Fontes à rede de abastecimento de água da Câmara Municipal, definir o terreno e elaborar o projecto do novo Matadouro e apoiar a promoção turística.

O PSD, no rescaldo desta visita, afirmava que o PS governa para cumprir um calendário eleitoral e que o governo estava cansado e ao mesmo tempo apelava à mudança.

Ora bem, os ciclos eleitorais fizeram-se por um período de tempo de quatro anos, para permitir aos governantes planear, executar e inaugurar. É assim em qualquer democracia e é por isso que não entendo a indignação. O contrário é que é incompetência.

Relativamente ao cansaço do governo acho que aqui existe um erro na avaliação desta questão, até porque, no acompanhamento que fiz da visita, vi um governo com muita pedalada e empenhado em resolver os nossos problemas. Cansado e desmotivado anda a maior partido da oposição, que se arrasta por esta e por outras ilhas num chorrilho de lamentações, animando-se de quando em vez com as vitórias eleitorais de outros. Aqui talvez se justifique uma mudança, para uma melhor leitura da realidade evitando assim perder a razão junto de quem vê para além do seu umbigo.

16 de junho de 2011

O Marítimo outra vez

O Sport Clube Marítimo conta já com um vasto palmarés nos seus 54 anos de existência.

Depois de se filiar na Associação de Futebol de Angra do Heroísmo em 1978 este clube venceu diversas provas locais, mas é no dia 1 de Maio de 2005 que alcança o auge ao sagrar-se campeão da Associação de Futebol de Angra do Heroísmo, feito nunca antes atingido por um clube local e que lhe conferiu o direito de participar na Série Açores da III Divisão Nacional de Futebol, onde permaneceu durante 3 épocas desportivas (2005/2006, 2006/2007 e 2007/2008).

Depois de passar por momentos menos bons e pelas tradicionais crises directivas, que, inclusivamente, o levaram a encerrar as portas ao desporto, o clube reinicia a sua actividade desportiva e acaba por ganhar a prova que dá acesso à Taça Região Autónoma dos Açores.

No passado dia 11 de Junho, e depois de eliminar os representantes da Ilha Terceira (Lajense) e da Ilha de S. Miguel (Desportivo de S. Roque), o Sport Clube Marítimo venceu a Taça Região Autónoma dos Açores, perante o Marítimo Velense de S. Jorge.

Este feito desportivo é relevante, especialmente para uma ilha pequena como a nossa. Na Graciosa o campo de recrutamento de atletas para a prática desportiva é muito menor, agravado pelo visível envelhecimento da população e pela saída da maior parte dos jovens quando completam o 12º ano.

Incrivelmente a comunicação social nada fez e nada divulgou sobre esta conquista, pelo menos em tempo útil. Grande parte da comunicação social ainda não sabe lidar com a insularidade. Não sabe nem quer saber.

É certo que os órgãos de comunicação social privados fazem como e quando querem. Aí, como resposta, o que teríamos a fazer era não os ler, não os ouvir e nem os comprar, embora reconheça que tal desiderato é difícil de por em prática.

Agora quando se trata da comunicação social pública, aí já não há qualquer desculpa. Como se sabe estas empresas recebem financiamento do estado, e não é pouco, precisamente para fornecerem serviços muito mais abrangentes e equidistantes.

A RTP-Açores, que agora incluí a RDP-Açores, não está a prestar um bom serviço aos Açores quando esbarra em confrangedoras omissões de feitos perpetrados por Açorianos que, por acaso, vivem em ilhas mais pequenas.  

9 de junho de 2011

Mudança

A 5 de Junho os portugueses optaram por uma mudança na condução dos destinos do país. Este resultado estava mesmo espelhado nas últimas sondagens e, como tal, era esperado. Aliás, foi um modo que o eleitor encontrou para demonstrar o seu descontentamento pelo facto do governo do Partido Socialista estar associado a esta crise que tem obrigado a impor ao país medidas impopulares, como a redução de salários e aumento dos impostos, que, como se sabe, ninguém no seu perfeito juízo gosta.

Nunca na história recente um político terá sido tão atacado como foi o Eng. José Sócrates. A campanha contra o PS e o seu líder não é recente. Tem pelo menos 6 anos e foi dura, com ataques contra a sua honorabilidade, vindo dos partidos políticos e de movimentos corporativos que nunca aceitam que se mexa nos seus interesses.

Não vale a pena falar mais nisso, até porque para a frente é que há caminho.

Ao líder PSD, Dr. Passos Coelho, exige-se agora que governe, e que governe bem, e espera-se, sinceramente, que o faça sem os sistemáticos ataques pessoais e sem a permanente guerrilha a que o anterior primeiro-ministro esteve sujeito desde a sua indigitação em 2005.   

O Presidente do PS Açores, Carlos César, na pronta assunção da derrota, foi muito claro: quando o PS ganha ele também ganha, mas quando perde, também lhe acontece o mesmo.

Percebo que nestas coisas, por vezes, há gente que precisa cavalgar vitórias de outros ou méritos alheios e, ao mesmo tempo, há quem tente, a todo o custo, evitar colagens nos momentos de desaire.

No rescaldo do acto eleitoral vi a líder do PSD, mais ou menos eufórica, apelar à mudança e tentar, a todo o custo, extrapolar os resultados desta eleição para os combates que se avizinham, o que, em bom rigor, não me parece um procedimento que lhe traga mais-valias políticas.

Esta postura fez-me recuar à surreal conferência de imprensa nas autárquicas de 2009, onde a líder do PSD só falava na sua vitória em Ponta Delgada e, teimosamente, tentava dissimular a estrondosa derrota a nível da região, como se ela nada tivesse a ver com isso, mesmo sendo a líder do partido perdedor. Os seus autarcas devem ter ficado de boca aberta, literalmente.

São duas maneiras opostas de estar na política. Duas formas de responsabilização diferentes, ou, aliás, a primeira é uma forma realista de aceitar a decisão do povo com a assunção das consequências sem subterfúgios e, a outra, é um sacudir água do capote impróprio para quem tem ambições políticas.

Tenho a convicção que é muito importante saber ganhar, mas também não terá menos importância saber perder.

Sempre ouvi dizer que é nos momentos de vitória e também nas derrotas que se vê o carácter dos políticos. Eu acredito nisso e sei que o povo tirará as suas ilações destas atitudes.